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Audição ::: Hellish War – Central Panelaço – 19/07/19
Postado em 13 de agosto de 2019 @ 00:14 | 557 views


Texto: Vagner Mastropaulo

Fotos: Leandro Almeida e Suzy dos Santos

Agradecimentos a: Hellish War; e Suzy dos Santos e Eliton Tomasi (Som do Darma)

Amadurecimento musical em nome e a serviço do Heavy Metal!

A convite do próprio Hellish War e da Som do Darma, partimos à Central Panelaço, na Bela Vista, para ouvirmos o mais recente lançamento do conjunto de Campinas. Diferentemente da audição de ØMNI, do Angra, no Carnaval do ano passado (em matéria neste site), não aconteceu o formato faixa-a-faixa, com comentários entre elas, e a tradicional e conclusiva sessão de perguntas e respostas. O que rolou foi um descontraído evento, com Wine Of Gods rolando ao fundo e jornalistas e convidados com total acesso a Bil Martins (vocal), Vulcano e Daniel Job (guitarras), JR (baixo) e Daniel Person (bateria) para entrevistas, fotos e autógrafos. O encontro estava marcado para as 18:00, mas mesmo com atraso de vinte minutos, nossa equipe foi uma das primeiras a chegar e aproveitou-se do fato de o vocalista estar dando sopa pela área para um descontraído bate-papo, transcrito logo abaixo, sem o rigor de uma entrevista formal.

É necessário esclarecer que comparecemos ao evento sem ter uma prévia noção exata de como ele se desenrolaria. Portanto, apostando exatamente na repetição do formato padrão de audições, não preparamos uma lista interminável de questões. Tudo que havíamos feito foi ouvir os três álbuns anteriores do conjunto e Wine Of Gods, duas vezes, durante o decorrer da própria quinta-feira (uma vez que ele estava disponível no Spotify desde cedo), e montado uma breve lista de tópicos, caso houvesse chance de abordá-los. Com a quebra do protocolo e a oportunidade de uma conversa tête-à-tête, o leitor mais atento vai observar dois detalhes: tudo se desenvolveu sem preocupação de transição lógica ou ordenamento específico entre assuntos concatenados; e, de modo proposital, não houve um aprofundamento individual sobre as músicas do play, para que você possa tirar suas próprias conclusões ao ouvi-lo.

Conversamos também com Vulcano, no mesmo tom despojado do que com Bil, com uma diferença: o frontman, talvez por representar ‘o rosto’ do quinteto, fala de modo mais espontâneo e desenvolto; já o guitarrista (único remanescente desde a estréia em estúdio, junto a Daniel Job), é mais reflexivo e reservado, e nem por isso deixou de nos contar algumas estórias interessantes, como uma comparação feita a ele que não exatamente o agradou. Também é preciso esclarecer que não entrevistamos todos os membros em respeito aos colegas de outros veículos que também requeriam acesso aos músicos e porque o propósito da noite também era de celebrar o lançamento do quarto full length do conjunto, o primeiro em seis anos. Por fim, antes de irmos às conversas em si, esclareçamos que a noite foi oficialmente aberta às 19:15, com palavras de Eliton Tomasi, enquanto se aguardava a chegada de Vulcano, preso no trânsito:

– Só para começarmos a ouvir o disco, primeiro, obrigado a todos aí pela presença de vocês nesta data importante para o Hellish War, uma banda já com mais de vinte anos de carreira. Eu conheci os caras bem no começo da banda, quando eu ainda editava a Valhalla [nota: revista de metal que ficou no mercado por 55 edições, entre julho/96 e dezembro/07; além do legado, restou o site www.valhalla.com.br, que “não tem qualquer tipo de pretensão comercial”, como atestado na parte de ‘contato’ da página; mais informações no final desta matéria], a primeira banda de metal a entrar em contato comigo foi o Hellish War e a gente já se entendeu por causa do nome da minha revista e o da banda deles, que fazia metal tradicional, então foi essa identificação desde o começo. Depois de um tempo, comecei a produzir shows, fizemos vários com eles no interior e quando tive a idéia de montar a Som do Darma, a primeira banda que me veio à cabeça para conversar foi o Hellish War. Estamos juntos fazendo esse trabalho há onze anos, já fizemos muitas turnês, a gente sempre se encontra em lançamentos ou eventos de outras bandas, mas hoje, para mim, tem um sabor especial porque são caras que têm envolvimento com a cena há muitos anos, são meus amigos também e isso é bem bacana.

Prosseguindo, Eliton elucidou de onde surgiram recursos para a gravação do álbum:

– Esse novo disco, o Wine Of Gods, foi financiado pelo Proac Editais, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, uma iniciativa legal porque, é um edital de música alternativa, mas que tinha espaço para o heavy metal. Foi a primeira vez que ouvi as palavras ‘heavy metal’ num edital público, então foi bem bacana e o Hellish War conseguiu o financiamento. Acho que é um caminho bem legal e a gente até incentiva outras bandas a procurar o mesmo caminho, porque, hoje em dia, já não existe mais um mercado para música, quero dizer… para bandas underground, nunca houve, na verdade, e sempre foi muito difícil você conseguir viabilizar tudo e as gravadores não se interessavam. Era muito daquela coisa de olhar para a banda como um produto, então quando você começa a mudar sua visão e a pleitear recursos através do Estado, você começa a ver o trabalho pela perspectiva subjetiva, pela expressão. Então, isso que é bacana porque você acaba valorizando muito mais esse lado, em vez do aspecto de produto e de mercado. É isso aí! Então hoje é o lançamento e a gente sempre prioriza a imprensa especializada porque o trabalho de vocês é essencial, não somente para bandas como o Hellish War, mas para toda a cena. Vou deixar os músicos falarem um pouco agora aí!

– Bom, pessoal, eu sou o Daniel Person, batera do Hellish War. Primeiro, queria agradecer a presença de todos, pois vocês estão fazendo parte de um dia realmente muito especial para a gente. Quem conhece a banda já há um tempo sabe que o Hellish War provavelmente nunca vai ser aquela banda a lançar um álbum todo ano, então quando a gente chega ao momento de lançar um trabalho, para a gente é algo realmente muito especial, com muito esforço e trabalho por trás. A gente conseguiu chegar a um resultado que nos deixou bastante satisfeitos e essa é uma das razões pelas quais a gente demora tanto para lançar um trabalho: a gente só define que está pronto e legal quando sentimos que ele faz jus ao legado da banda e então espero que vocês curtam também este trabalho.

Em seguida, o músico se enveredou para a parte criativa de Wine Of Gods:

– Sobre o processo de composição, a maior parte do álbum começou a ser composto ao longo dos últimos três anos, mas há trechos de algumas músicas que, na verdade, são coisas bem antigas, com idéias que remetem à época do Defender Of Metal, de quase vinte anos atrás [nota: primeiro álbum do grupo, de 2001] . Algo que também deixou a gente bastante satisfeito no processo de composição foi a forma como, musicalmente, as idéias de todos na banda seguiram casando bastante e isso é resultado de um tempo muito longo juntos. O Bil chegou ao Hellish War há sete anos e o restante da banda está junto há pelo menos dezoito anos, bastante tempo, e acho que isso ajuda em nosso entrosamento e tudo mais, né? Então é isso! A partir de agora o nosso plano é divulgar o máximo possível esse trabalho, que nos deixou bastante orgulhosos, e tocar no máximo de lugares possíveis. Não sei se mais alguém da banda quer falar alguma coisa, mas eu queria agradecer muito ao Eliton e à Susi, da Som do Darma. Vocês sabem que, sem vocês, nada disso seria possível. E ao Jean Praelli, da Anti Posers Records.

Complementando, Eliton pediu novamente a palavra:

– É a Anti Posers que vai fazer a distribuição do disco, a gravadora parceira. Mais do que isso, também com vários planos para fazerem shows, porque é assim que funciona: fala-se muito em cena, mas fica todo mundo tentando concorrer um com o outro, não é esse o espírito.

Jean deu sua palhinha:

– Todo mundo fala, mas ninguém se ajuda a crescer mesmo.

Eliton começou a encerrar sua parte, mas os planos mudaram:

– Então a gente procura fazer esse tipo de parceria Living Metal / Hellish War [nota: Living Metal é uma banda de metal tradicional da qual Jean Praelli faz parte, tocando bateria]. E olha aí, chegou quem faltava… para que não conhece, esse é o Vulcano, um dos guitarristas e membro fundador do Hellish War:

– Deixa eu respirar um pouco… foi difícil chegar, mas chegamos. Vamos do começo: a gente está no mercado do heavy metal desde 1996, fazendo o possível para não deixar cair esse estilo musical tão importante para a gente, assim como para outras pessoas também, senão não teríamos como estar aqui.

Então Eliton destacou o depoimento, provocando risos gerais:

– Ele se saiu bem! Chegou, pegou a conversa do meio e mandou bem! Quer falar mais alguma coisa, Jean?

– Não, só tenho a agradecer, de verdade. Eu me sinto muito honrado em estar fazendo parte deste lançamento. Conheço o Hellish War desde o primeiro disco e eles são uma banda de quem sempre fui muito fã mesmo, acompanho todos os lançamentos dos caras, era fã de ir os shows e de estar em casa, com doze ou treze anos, acompanhando os caras, e hoje estou fazendo parte… [nota: em meio a engraçados questionamentos acerca dos “doze ou treze anos”, Jean prosseguiu tirando onda] Eu que sou novo! E agora, de poder trabalhar, por conversar com o Eliton todo dia para planejar, fazendo parte de uma nova geração, poder planejar a continuidade do heavy metal, turnês e lançamentos… se todo mundo se inspirar e fizer isso, o heavy metal vai ter muitos anos de sobrevivência.

E a conclusão dos depoimentos ficou por conta de Eliton:

– É isso aí, sejam bem-vindos e curtam aí. Vamos ouvir o Wine Of Gods!

 

A conversa com Bil Martins

Agora vamos ao papo com o vocalista, que, na prática, rolou, por volta de 18:35, antes das apresentações oficiais acima:

Onstage: Bil, antes de tudo, muito obrigado por conversar conosco!

Bil: Imagina, eu que agradeço!

Onstage: Vamos lá, uma curiosidade sobre o modo como vocês vão trabalhar o Wine Of Gods: ele vai ter algum single? E clipe?

Bil: Estamos preparando um lyric vídeo para Warbringer, a faixa com participação do Chris Boltendahl, do Grave Digger, que deve sair ainda esse mês. E não pensamos em single ainda.

Onstage: Todos os álbuns do Hellish War possuem ao menos uma faixa instrumental. Isso é algo pré-planejado, previamente pensado, ou acontece espontaneamente na hora de gravar?

Bil: A parte mais instrumental do Keep It Hellish e do Wine Of Gods, eu não cuidei muito. Eu me envolvo mais com a parte lírica, mas pelo que ouvi do pessoal da banda, acredito que é um pouco dos dois, para manter algo que se tornou uma marca, pois sempre tem uma ou duas instrumentais por álbum. E também pelas jams nos ensaios, quando estamos compondo, porque sempre tem aquela que alguém diz: “Ah, essa tem cara de som instrumental”. Acaba rolando mais dessa forma.

Onstage: Quando o Vulcano chegar, eu tiro umas dúvidas com ele, mas talvez você possa adiantar: a parte instrumental de composição fica mais a cargo do Vulcano ou é dividida?

Bil: Sim, quem compõe mais é o Vulcano, os riffs principais.

Onstage: Desde sua entrada no Hellish War, em 2012, para cá, qual a maior diferença que você observa na banda, seja algo específico ou mais geral?

Bil: De forma geral, a banda deu uma amadurecida no som. A gente está trabalhando de uma forma melhor. A parte lírica também, passamos a dar uma atenção maior a essa parte, variando os temas. Na parte instrumental também estamos procurando variar mais. Por exemplo, a Paradox Empire tem um estilo que a banda nunca fez em nenhum álbum, mas ela mantém a característica da banda: ela tem um riff que lembra um pouco o Saxon, depois fica dedilhada, aí mais rápido. É a música em que eu canto de modo mais grave, inclusive.

Onstage: Sobre cantar grave, tem uma questão de minha parte que, na verdade, é pura percepção de fã, então sinta-se totalmente à vontade para discordar, se for o caso: as pessoas te comparam ao Blaze Bayley, em alguns momentos, ou fui só eu que viajei?

Bil: Cara, às vezes!

Onstage: E com o Matthew Barlow, do Iced Earth?

Bil: Sim, também!

Onstage: Tem mais algum outro vocalista que as pessoas encontram semelhança?

Bil: Tem! Falam bastante do Messiah Marcolin, do Candlemass. Já me comparam muito com esses três aí!

Onstage: E como é para um vocalista ouvir isso? Você leva na boa? Ou fica puto?

Bil: Cara, eu gosto! São vocalistas que eu admiro. Gosto muito do trabalho deles!

Onstage: Ufa! Bom saber que eu não viajei então…

Bil: [rindo] Não!

Onstage: E de onde saiu exatamente o título Wine Of Gods para o álbum?

Bil: É o nome da música que fala sobre um deus meio egocêntrico que cria e destrói, na mesma proporção, só que ele deixa claro para que os mortais tenham o livre arbítrio para poder escolher entre o bem e o mal, no que as pessoas quiserem fazer.

Onstage: A letra é sua?

Bil: Não, a letra é do baterista. Nesse álbum, como eu participei mais, das dez faixas, se você tirar a instrumental, eu fiz sete letras das nove.

Onstage: Vamos facilitar então: quais você não fez?

Bil: Wine Of Gods e Devin. E algumas são em parceria, por exemplo: a Falcon, eu fiz junto com o Person; a Paradox Empire, eu fiz com o Daniel Job e o JR.

Onstage: E o que vem primeiro? O pessoal faz a música e vocês chegam com a letra? Ou você, às vezes, tem a inspiração da letra e aí ela combina com algo que já está composto?

Bil: Então, isso foi um lance engraçado porque eu sempre fiz do jeito inverso que a banda está acostumada a fazer: eles sempre fazem o instrumental antes e eu estava acostumado a colocar a melodia por cima da letra, com ela já pronta. Eu tenho uma outra banda e estava acostumado a fazer assim. E, com o Hellish War, eu tive que desenvolver mais esse lado de compor em cima das melodias prontas.

Onstage: Qual o nome da sua outra banda?

Bil: É Dark Witch, de Santos [nota: nela, além de cantar, Bil toca baixo; Décio Andolini é o guitarrista; e André Kreidel é o baterista].

Onstage: Você é de Santos?

Bil: Sim, eu moro lá. E o pessoal mora em Campinas.

Onstage: A primeira vez que vi o Vulcano tocar foi com a banda do Tim “Ripper” Owens, em setembro/17, no Gillan’s Inn, na zona norte. Depois o vi no Metal Singers (Espaço 555, em dezembro/18) e novamente com o ex-Judas Priest, no Manifesto, em abril deste ano. O quanto a participação dele nesses eventos ajuda ou atrapalha o Hellish War? Traz divulgação indireta ou deixa o cronograma de vocês mais apertado?

Bil: Nunca atrapalha porque, como todo mundo tem trabalho e precisa viajar, ou tem outras bandas, nós acabamos adequando a agenda do Hellish War aos compromissos de todo mundo. Acho que acaba até ajudando, pois traz visibilidade. Muitas vezes, até nos shows que ele fez com o Ripper pela América Latina, o pessoal conhece o Hellish War, via o Vulcano no palco e o reconhecia. Então é um lance bem legal.

Onstage: Agora vamos para a arte da capa, quem a fez?

Bil: Eu o conheço como ‘Zé Helloween’, mas o nome dele é Eduardo Burato. Ele é de Campinas e faz as capas desde o início do Hellish War. É como se ele também fosse da banda [nota: além da contribuição de Eduardo, não custa destacar que o layout do encarte ficou a cargo da artista plástica Juh Leidl e as fotos são assinadas por Susi dos Santos].

Onstage: A capa do Heroes Of Tomorrow mescla preto com vermelho. O Hellish War já apostou em verde, no contorno do Keep It Hellish, e laranja no Defender Of Metal. Vendo a arte do Wine Of Gods em casa, ela pareceu avermelhada, mas ao receber o CD aqui, descobri que ela está mais para o marrom. Vocês não cogitaram colocar algo voltado para o roxo, associando o título ao vinho tinto?

Bil: Não, mas vai sair um vinil em vermelho! Vamos lançar o Wine Of Gods também em vinil, vai ter o preto clássico e em vermelho [nota: os CDs serão distribuídos pela Anti Posers Records, mas a viabilização dos vinis ficará a cargo da Abigail Records].

Onstage: Pela duração, não vai chegar a ser um vinil duplo, certo?

Bil: Não, vinil simples.

Onstage: No release de divulgação enviado à imprensa por email, constam três shows agendados: Campinas, Sorocaba e Santos. Vocês já têm as datas e locais ou ainda não?

Bil: Ainda não está certo. Ainda não está tudo 100%. Sorocaba, acho que será dia 17/08. E as outras duas a gente ainda precisa fechar.

Onstage: Em São Paulo não vai ter?

Bil: Deverá ter sim, um ou dois shows.

Onstage: Eu estive no show do Armored Saint na Fabrique [nota: junho/18, com resenha feita aqui no site] e vocês abriram a noite. Como se deu o convite para começarem o evento?

Bil: Fomos convidados pelo pessoal da Abigail Records, se não me engano. É melhor você confirmar isso com o Eliton, mas acho que foi com eles [nota: informação confirmada pelo próprio Eliton posteriormente]. Para a gente foi muito legal porque a gente tocou para uma puta banda clássica e, inclusive, na platéia, estava o Steve Grimmett, de quem sou fã também. Rolou tudo tão bem que foi até difícil de acreditar.

Onstage: Você chegou a falar com o Steve Grimmet?

Bil: Sim! Eu já havia falado com ele um dia antes porque eu tinha ido ao show do Grim Reaper, no Mineiro [nota: Mineiro Rock Bar, em Osasco]. Eu tinha falado com ele um dia antes e depois lá no show, de novo. Foi uma data especial para mim. Achei que foi um show bem legal.

Onstage: E como foi com o pessoal do Armored Saint? Foram tranqüilos?

Bil: Também! Gente boa, tranqüilos.

Onstage: Essa foi a primeira vez que o Hellish War repetiu a formação de um álbum para o outro. A que você credita isso? É o lance da maturidade, que você mencionou antes, amizade ou química musical?

Bil: A amizade é muito importante, cara, acho que é um dos pontos principais. Se não tiver amizade, desanda muito, mas acho que foi uma a soma disso tudo: a amizade, a química, que deu certo. Eu me encaixei legal na banda, né? Eles me dão espaço também.

Onstage: Por curiosidade, como você chegou ao Hellish War?

Bil: Logo após a saída do Roger e a entrada da Thalita, que ficou pouco tempo, eu fiquei sabendo, por internet mesmo [nota: Roger Hammer gravou os dois primeiros álbuns do grupo e Thalita permaneceu nos vocais por alguns meses em 2012]. Eles anunciaram que estavam à procura de um vocalista e eu mandei um email perguntando como fazia.

Onstage: Houve um processo de seleção?

Bil: Tinha. Eles me mandaram umas músicas, eu gravei e mandei de volta. Aí eles pediram para eu ir fazer um ensaio. O primeiro ensaio foi uma bosta [nota: gargalhando ao relembrar], foi MUITO ruim! Eu estava nervoso… a gente fez mais um ensaio, aí rolou, já para gravar o Keep It Hellish e fazer turnê na Europa, a segunda da banda por lá.

Onstage: Não há encanação com a duração das músicas, seja lá em escrever curtas ou longas, certo? No Defender Of Metal, Sacred Sword passa de dez minutes e Memories Of A Metal beira isso. Suponho que a composição role de acordo com o que cada música pede, sem nada pré-estabelecido.

Bil: Sim, a banda sempre fez músicas muito longas. Antes não tinha muita preocupação com o tempo total, mas desta vez a gente quis fazer um trabalho um pouco mais curto, então foi proposital, para não ficar cansativo e até pela questão do LP. Senão teria que ser um disco duplo e ficaria bem mais caro. Mas até o Wine Of Gods, não tínhamos muito essa preocupação, tanto que o próprio Keep It Hellish tem músicas enormes, com nove minutos [nota: Bil refere-se à derradeira The Quest, com 9’29”].

Onstage: E a última pergunta é a mais besta de todas, porém necessária: Bil ou Bill?

Bil: Bil porque vem de Abílio.

Onstage: Certo! ‘Abílio’, muito obrigado pela entrevista.

Bil: Cara, a gente é que agradece!

 

Trocando idéias com Vulcano

Apenas para um contexto temporal-espacial, conversamos com a personificação metal do grupo assim que foi dado o play do álbum e, justamente por esse motivo, pedimos ao guitarrista a gentileza de nos acompanhar ao andar de baixo da casa. Na ausência de um local melhor e mais silencioso, uma vez que o ambiente era o de uma barbearia, só nos restou deixar a conversa fluir em plena recepção, num verdadeiro momento ‘Sofá da Hebe’, que a geração mais nova não vai entender, mas vai notar que algumas perguntas foram as mesmas feitas a Bil, apenas em busca de uma visão diferente para alguns tópicos. Vamos ao papo:

Onstage: Vulcano, muito obrigado por nos atender.

Vulcano: De nada, cara!

Onstage: Você é membro fundador do Hellish War. O Defender Of Metal saiu em 2001, qual a maior diferença que você enxerga nesses dezoito anos de material lançado na história da banda? Pode ser uma diferença geral, se você preferir, seja no cenário ou dentro da banda.

Vulcano: A diferença, nesse tempo todo de material, acho que, em relação à banda, foi um amadurecimento realmente. O Wine Of Gods é um CD bem ‘madurão’, já lapidado. E na questão do cenário ultimamente, existe um pessoal que gosta de heavy metal, sempre vai existir, e a minha fé é que nunca acabe. Mas ainda tem um pessoal que está meio recluso e a gente precisa chamar esse pessoal de volta. Antigamente, o pessoal saía de casa, era muito mais fácil. Então o Hellish War existe ainda porque existem pessoas, fãs de heavy metal, que estão aí esperando alguma coisa ainda que seja fiel ao estilo. E, pelo meu ponto de vista, a gente é bem fiel ao heavy metal e nós sempre seremos, enquanto a banda existir.

Onstage: Com relação à composição da parte instrumental, ela é feita coletivamente? O Bil participa do processo? Como funciona?

Vulcano: Especificamente neste disco novo, todo mundo participou por inteiro, todos! Eu tive uma participação um pouquinho maior em algumas coisas, mas não seria possível sem todo mundo e todos tiveram grande participação. O Bil fez um trabalho de vocal excelente, colocou mais a identidade dele em 100% e, pegando um pouquinho de cada um nós, todos fizemos esse CD acontecer. Eu posso dizer que esse CD é 100% Hellish War, totalmente.

Onstage: E o que surge primeiro, a letra ou a música?

Vulcano: Primeiro a música, sempre a música.

Onstage: Conte-nos mais detalhes sobre a arte da capa. De onde surgiu a inspiração para o desenho?

Vulcano: Quem faz a capa para a gente é o mesmo artista, Eduardo Burato, de Campinas também e amigo meu há trinta anos. Ele sempre gostou deste estilo de arte. As inspirações para as capas do Hellish War são meio misteriosas, não tem muito de onde ela veio. Ele se senta, fecha o olho e geralmente é em cima de um tema. O tema Wine Of Gods inspirou essa capa, com nosso mascote trazendo um cone gigante com ossos e vinho caindo. A inspiração veio em cima do título, geralmente é em cima do título e até hoje está dando certo. Tomara que isso se mantenha.

Onstage: O mascote tem um nome? Nunca vi nada a respeito disso [nota: ele só não está explicitamente presente na capa de Heroes Of Tomorrow].

Vulcano: Tem! Ele é o Gilles. Foi um batismo espontâneo.

Onstage: O release informa que vocês já têm três shows marcados: Sorocaba, Santos e Campinas. Vocês já têm os locais e as datas ou ainda não?

Vulcano: A gente está fechando algumas datas, sim. Logo teremos as confirmações dos locais e, em São Paulo, também vai ter alguma coisa. O lançamento aqui vai ser bem legal também. Então, exatamente onde, não posso dizer ainda, mas que vai ter é certeza. Lá para agosto ou setembro, vai ter um lance bem legal em Sampa, sim.

Onstage: Clipes e singles. O que vocês têm em mente para Wine Of Gods?

Vulcano: A gente está bolando um clipe oficial. No momento, temos um lyric video, algo que é mais rápido para a assimilação do pessoal, para a Warbringer, com o Chris Boltendahl.

Onstage: Já está finalizado ou vocês ainda estão montando?

Vulcano: Quase pronto.

Onstage: Todo álbum de vocês tem pelo menos uma faixa instrumental. É algo proposital ou, na hora de compor, simplesmente acontece e vocês concluem que em uma determinada música é melhor não colocar letra? Como vocês trabalham isso?

Vulcano: Eu acho que é proposital, para mim. Eu sempre escutei muito, antigamente, os álbuns do Iron Maiden e gostava quando tinha um som instrumental. Eu acho interessante e, no começo, era coincidência, mas depois a gente começou a pensar assim: “Pô, vamos botar uma instrumental. Som instrumental é legal!”. Também para mostrar que a banda compõe algo diferente. Então, daqui em diante, e tem sido assim desde sempre, vai ter uma instrumental.

Onstage: Em Defender Of Metal, Into The Battle é instrumental, abre o disco e também pode ser considerada uma introdução ao álbum, mesmo com mais de três minutos. Já na abertura de vocês para o Armored Saint, na Fabrique, vocês usarem um trecho de The Quest como intro. No Wine Of Gods, a faixa-título abre o play e seus primeiros noventa segundos facilmente poderiam ter sido separados e nomeados como uma introdução instrumental ao álbum. Isso também foi algo planejado?

Vulcano: Sim, sim! A gente a incluiu na música mesmo.

Onstage: Imagino que vocês vão usá-la para abrir os shows. Até porque ficou uma combinação sensacional!

Vulcano: Exatamente isso!

Onstage: Essa foi a primeira vez que vocês repetiram a formação inteira de um álbum para o seguinte, pois não houve nenhuma troca no line-up do Keep It Hellish para o Wine Of Gods. A que você credita isso? Maturidade, química musical ou a amizade entre vocês? O que deu tão certo desta vez?

Vulcano: Essa é uma observação legal… eu não tinha percebido isso! Mas, realmente, a gente passou do Keep It Hellish para este álbum com a mesma formação. Acho que a gente conseguiu conciliar as idéias e, é lógico, a amizade e a maturidade também colaboram muito e… não sei, acho que não foi uma coincidência. Apenas foi uma coisa que era para ser.

Onstage: Quanto à duração das músicas, desde Defender Of Metal, vocês nunca tiveram problema algum em fazer músicas de dez minutos, se fosse o caso. Mas este é o álbum mais conciso, com cinquenta e três minutos, e Devin, a música mais longa, não chega a oito. Foi algo proposital ou apenas naturalmente aconteceu?

Vulcano: Nesse caso foi proposital. Particularmente, eu queria fazer o álbum com nove músicas, em um formato ‘mais vinil’. Então aconteceu de ter dez músicas por acidente porque com uma música, pensamos: “Ah, ela é legal! Vamos colocar, vai?”.

Onstage: Qual foi essa ‘acidental’?

Vulcano: A última, The Wanderer. Essa música, ela não ia entrar, mas ficaram legais os arranjos, o vocal ficou bem legal, me surpreendeu e decidimos colocá-la. Pensamos: “Ah, uma música a mais ou a menos, vamos colocar”. Quando formos lançar o vinil, não sei se essa seria a próxima pergunta, mas…

Onstage: Era sim, pois o Bil me deu uma adiantada…

Vulcano: …aproveitando então, o vinil não vai ter The Wanderer porque, infelizmente, ela não vai caber, mas essa é uma faixa que seria uma música bônus.

Onstage: Eu citei umas comparações com o Bil, e ele levou super na boa, com o Blaze Bayley e o Matthew Barlow. Como é isso para você? As pessoas te comparam a outros guitarristas? Como esse tipo de coisa chega até você?

Vulcano: A minha influência vem dos anos oitenta. Já me falaram que o meu estilo de tocar é tipo: Vivian Campbell, na fase Dio; meio Criss Oliva, do Savatage de antigamente; e um pouquinho de Judas Priest. Eu tenho influências porque cresci ouvindo essas bandas, mas tem um pouquinho de Iron Maiden também, do Dave Murray. Para mim, são comparações excelentes! Para mim, é uma honra ser comparado a esses caras.

Onstage: Já teve alguma comparação que fizeram e você pensou: “Cara, isso não tem nada a ver comigo!”?

Vulcano: Não, cara, de guitarrista, não. Mas, de visual, já me chamaram de Mick Jagger…

Onstage: Não, mas aí não tem nada a ver…

Vulcano: [rindo] Eu falei: “Pô, aí você me quebra!”.

Onstage: Como você foi parar na banda do Tim “Ripper” Owens? Como se deu o contato? E estar na banda dele ajuda ou atrapalha na divulgação do Hellish War? Toma muito tempo da banda? Como funciona isso?

Vulcano: Eu fui convidado para tocar com o Ripper através de um amigo meu, Sílvio Rocha, que trabalha com bandas internacionais em uma produtora chamada Open The Road. Ele já me conhecia há tempos e sabia que eu tocava em um Tributo ao Judas Priest. Aí ele me ligou e falou: “Você tem essa banda do Judas, né? Eu vou trazer o Ripper. Você não quer fazer o show?”. E eu pensei: “Pô, legal, né, velho? Pode ser!”. Isso foi em 2014, o primeiro show. E aí foi sempre assim desde então. E, na verdade, para mim, com relação ao Hellish War, foi uma coisa bem positiva, pois muita gente associa uma lenda do Judas Priest, coloca a minha imagem e a gente faz um marketing positivo. E o Ripper é um cara bem de boa, ele já ouviu a banda, achou legal, já tocou muito a minha guitarra nos shows também. É legal, tenho várias fotos, é interessante e acho bem positivo.

Onstage: Eu vi você com o Ripper nas últimas duas vindas a São Paulo: no Gillan’s Inn e no Manifesto. E o restante da banda, o Kiko Shred (guitarra), Will Costa (baixo) e Lucas Tagliari Miranda (bateria)? Eles também são de Campinas, mas vocês já eram amigos?

Vulcano: A primeira banda, em 2014, não foi com eles. Só o Will. O Kiko e o Lucas foram chamados depois e, quanto ao Kiko, eu tenho muito orgulho em falar dele porque fui eu que chamei o Kiko para tocar com a gente, para quebrar um galho, porque o outro guitarrista não pôde tocar em um show do Ripper. Aí ele veio e, em uma semana, o Kiko fez um puta rolê, tirou as músicas, passamos o som, tocamos e o Ripper gostou. Ele me falou assim: “Esse aí é legal! Põe ele aí agora, não o outro!”, e assim foi. Daí o Kiko chamou o Lucas e, desde 2015, a banda é a mesma.

Onstage: Essa formação também fez o Metal Singers com Doogie White, André Matos, Blaze Bayley e Udo Dirkschneider. Como foi a relação de vocês quatro com os vocalistas?

Vulcano: Eles são muito tranquilos, só um pouco mais reservados também porque o pessoal é calejado e tudo mais, mas quando esse pessoal está com a gente ali tocando, ou no camarim, somos todos iguais: a gente dá risada, toma uns goles, relaxa, conta estória… o saudoso André Matos, eu conheci um pouco antes, mas nos quinze dias que trabalhamos juntos, pude ver que era um cara completamente responsável com o que fazia e muito atencioso. Ele foi bem paciente com a gente, deu uns toques legais, contou várias estórias do Viper de antigamente, coisa que acho que ninguém sabe, só a gente. E fiquei bem sentido quando soube que ele havia falecido, realmente fiquei. Eu queria ir até o velório, mas não foi possível porque foi algo mais familiar e eu lamento mesmo porque foi uma perda muito grande. Ele era muito gente fina, legal mesmo, mas reservado, ele era assim. Fora ele, o Udo, o Doogie e Blaze foram todos legais, de boa, conversaram bem, gente fina.

Onstage: Vocês falam inglês?

Vulcano: Ah, cara, a gente fala, né? Depois de uns goles, depois daquela calibradinha, a gente fala em qualquer lugar…

Onstage: Teve outro show bem legal que você fez: como foi fazer a abertura para o Armored Saint, desta vez com o Hellish War? E como foi a relação com eles?

Vulcano: A abertura foi muito legal! A relação não foi muito próxima porque eles não ficaram muito ali, eles ficaram mais no hotel e tal. Passaram o som, a gente conversou um pouquinho, foi bem rápido, mas também são pessoas bem atenciosas, do meio, eles sabem como é que as bandas estão tocando. Foi mais aquela coisa de: “Pô, legal a banda! Vamos tocar aí, heavy metal!” Quem está no meio do heavy metal, acho que todo mundo tem o mesmo espírito. Dificilmente alguém vai ser tão casca grossa ou ignorante de não compartilhar o mesmo momento ali, eu acho difícil isso acontecer.

Onstage: Cara, muito obrigado pelo depoimento!

Vulcano: Eu que agradeço. Vamos voltar lá para a festa!

 

E, de fato, regressamos, satisfeitos com as duas entrevistas e a sensação de dever cumprido. A festa seguiria até às 22:00, mas partimos antes para redigir essa matéria. Porém, antes de efetivamente deixarmos a Central Panelaço, ainda deu tempo de tirarmos uma última dúvida com Daniel Person, perto da saída, sobre algo que não poderia passar batido: a participação especial no álbum:

Onstage: Como vocês chegaram ao Chris Boltendahl?

Daniel Person: Cara, a gente teve essa idéia de tentar chamar alguém para esse álbum porque era algo que a gente nunca tinha feito antes. E nosso critério para isso foi: a gente só ia chamar alguém se fosse um cara que toda a banda curtisse e fosse alguém que ouvíamos por muitos anos. Aí começamos a pensar em quem poderiam ser possíveis vocalistas que, de repente, poderiam somar para o álbum. E, pô, sobre o Grave Digger, não tem nem o que falar, né? Só uma curiosidade: quando eu entrei no meu casamento, a música que tocava era do Grave Digger: The Brave / Scotland United, aquela versão metal do hino da Escócia. E o Chris Boltendahl é um cara que todo mundo curte!

Onstage: E como rolou de vocês chegarem até ele?

Daniel Person: O Eliton ajudou muito a gente nisso. Com a Som do Darma, ele entrou em contato. Aí o Chris quis ouvir o som, ouviu, curtiu, gravou rapidinho, mandou para a gente e não tinha nem o que falar: estava pronto já!

Onstage: Quando vocês mandaram a música para ele, já tinha uma linha vocal? O Bil já tinha cantado? Ou ainda não?

Daniel Person: Sim! A criação da linha vocal desse som, Warbringer, é do Bil. Ele fez a linha vocal e a letra. Então, basicamente, o Chris Boltendahl gravou de acordo com o que o Bil enviou. E para o Bil, especialmente, foi muito legal, cara, porque ele é muito fã de Grave Digger. Ele tem tudo do Grave Digger

Onstage: Obrigado, Daniel!

Daniel Person: De nada, cara!

 

O release oficial distribuído no evento traz declaração do alemão sobre sua participação em Wine Of Gods: “Estou orgulhoso de fazer parte do novo álbum da banda brasileira Hellish War. Eles soam como se fossem uma banda europeia dos anos 80, como numa mistura do velho Running Wild, Rage e Grave Digger. Os riffs e vocais poderiam ter sido compostos na Alemanha ou em qualquer outra parte da Europa. Os fãs vão se surpreender com a energia e o poder dessa banda! Eu os desejo tudo de bom e muito sucesso no futuro com seu novo álbum”.

 

Na apuração de algumas informações para a matéria, contatamos o próprio Eliton Tomasi, aproveitando o ensejo para conferir se ele tinha maiores detalhes sobre: os shows de promoção de Wine Of Gods; o belo castelo do encarte; e um pouco sobre seus tempos de Valhalla:

Eliton Tomasi: Os shows vão acontecer em Sorocaba, Santos e Campinas, como parte do projeto do edital do Proac. São atividades de lançamento que fazem parte do projeto, então eles vão acontecer. Em Sorocaba vai ser no Parque dos Espanhóis, em 17/08, em um evento como parte da programação oficial do aniversário de Sorocaba. Santos e Campinas ainda vão ser confirmados.

Onstage: Onde fica aquele belo ‘castelo’ fotografado no encarte de Wine Of Gods?

Eliton Tomasi: Ele fica em Araçoiaba da Serra, no interior de São Paulo. É uma cidade da região metropolitana de Sorocaba.

Onstage: E conte-nos um pouco sobre seus tempos de Valhalla:

Eliton Tomasi: Comecei a Valhalla em 1996, como fanzine. Em julho de 1996 saiu a primeira edição, que é um fanzine xerocado mesmo. A capa era com o Blind Guardian e tinha a capa do Somewhere Far Beyond. Depois lançamos um segundo número, também como fanzine e a capa era do Black Hand Inn, do Running Wild. A partir da terceira edição, ela passou a ter um formato mais de revista e nela a capa foi com uma banda portuguesa, o Tarântula, porque, nas primeiras edições, a Valhalla era focada exclusivamente em heavy metal tradicional, metal progressivo, metal melódico, power metal, speed metal. A gente não abordava outros segmentos porque, naquela época, havia muito interesse por metal extremo, por thrash e death. Esses estilos de metal, assim como a New Wave Of British Heavy Metal, estavam muito abandonados, esquecidos pela mídia e pelo mercado e a gente, como era muito fã, abordava exclusivamente esses gêneros. Depois, a partir da quinta edição, a gente começou a abrir para outros gêneros e virou uma revista de rock, não só de metal. Ela era especializada em metal, mas você podia ler sobre todos os gêneros de rock. Tinha colunas sobre: punk rock, gothic rock, sons dos anos 60, classic rock, black metal, white metal… a gente cobriu tudo, sem nenhum tipo de preconceito ou limitação. Foram cinqüenta e cinco edições e a última saiu em dezembro de 2007. A partir de janeiro de 2008, eu comecei a Som do Darma e aí, hoje, a Valhalla só está no site, www.valhalla.com.br, e fica como se fosse um blog pessoal meu, onde publico algumas coisas quando estou a fim, manja? Sem nenhuma pressão, quando me sobra um tempo e estou a fim de escrever, aí vou lá e posto alguma coisa. E foi isso! Tem um documentário que a gente fez, também financiado por uma lei de incentivo, um curta-metragem que fala um pouco sobre a história da revista, com vários depoimentos. Tem o pessoal do Angra, lojistas, como o pessoal da Die Hard, ex-colaboradores, e aí dá para você ter uma idéia legal. Falou? É isso aí! Um grande abraço e muito obrigado! [nota: o vídeo pode ser visto em: https://vimeo.com/170790681]

 

Por fim, um adendo importante: a decoração do Central Panelaço é repleta de raridades do Ratos de Porão: livros, canecas, pôsteres, camisetas, cervejas, CDs, fotos históricas (no fundo da casa, no canto superior esquerdo, há uma ampliação de um registro em Polaroid com João Gordo e Kurt Cobain), além de pimentas, quadros e um arsenal de LPs de artistas variados à venda. O próprio Gordo participou do início da festa, tirou fotos, recebeu os convidados, mas não ficou até muito mais tarde. Vale muito a pena dar uma passada por lá quando você estiver pela área na hora do almoço, por exemplo! Para ter uma breve idéia do local, curta a primeira parte de uma entrevista com João em: https://www.youtube.com/watch?v=kVvAn3k3KXY.

 

Wine Of Gods – Tracklist

01) Wine Of Gods – 5’21”

02) Trial By Fire – 4’03”

03) Falcon – 6’02”

04) Dawn Of The Brave – 5’56”

05) Devin – 7’47”

06) House On The Hill – 2’33” [instrumental]

07) Burning Wings – 5’13”

08) Warbringer – 4’49” [participação especial de Chris Boltendahl]

09) Paradox Empire – 5’52”

10) The Wanderer – 6’06” [retirada do formato LP]

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