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ENTREVISTA::: LAIKA NÃO MORREU
Postado em 18 de setembro de 2019 @ 22:00 | 313 views


Agradecimentos a: Loida Manzo e Thiago Rahal Mauro (Tudo Em Pauta)

E aí, o Rock morreu? Nem ele e nem a Laika! Graças à Tobacco Road…

E aí, o rock morreu? No país do samba (tomara que nunca do funk carioca), já tentaram matá-lo e enterrá-lo, mas ele passa bem, seu corpo segue quente, louco para ferver, e que Deus Lemmy guie seu espírito, bem vivo. Ele pode até estar fora das grandes mídias, mas sempre surgem artistas dispostos a encarar o desafio de representá-lo e, dentro de mais uma nova safra de candidatos, aparece o Laika Não Morreu. “O” não, “A”, conforme pedido por seus próprios membros: Gisele Lira (vocal), Dan Fraga e Thiago Correali (guitarras), Rodrigo Padin (baixo) e Leonardo Ferlin (bateria). Ainda quanto ao gênero, Dan cravou a receita: “A regra é: sempre que você monta uma banda, as pessoas vão sempre falar ao contrário. Eu tinha banda que era ‘o’, mas as pessoas falavam que era ‘a’”. O consenso pelo feminino foi tanto para se referir à banda quanto à cachorra Laika, cujo rosto decora a pele do bumbo de Leonardo, homenageando o heróico primeiro ser vivo a orbitar a Terra em projeto espacial russo de novembro de 1957.
Ainda no onde e quando, apenas para o registro espacial-temporal, o descontraído bate-papo com o grupo inteiro se deu em um prédio comercial em Moema numa quinta-feira à tarde, quente e atípica para junho, dia seguinte à apreensão dos 39 quilos de cocaína encontrados em avião da Força Aérea Brasileira na Espanha, a algumas horas de o Brasil abrir as quartas-de-final da Copa América e bater o Paraguai nos pênaltis. Como cada um tem seus problemas, o nosso era tentar controlar e ordenar cinco cabeças pensantes e falantes, às vezes ao mesmo tempo, empolgadas com tudo vem acontecendo na carreira do Laika… ops, da Laika Não Morreu.
O começo da conversa foi sobre origens e embora todos morem em São Paulo, Gisele é originalmente de São Caetano do Sul e Rodrigo, de longe o mais reservado e reflexivo, nasceu no Mato Grosso do Sul, se mudou para Itanhaém aos quatro anos (onde cresceu) e depois para Santos, até chegar à capital aos 23 anos. Leonardo, o mais brincalhão, até pelos 20 anos, ‘sofre’ com piadas, mas assimila bem a zoação da ‘adoção’, enquanto Thiago puxa a turma do alto de suas 34 primaveras de experiência, uma a mais do que Dan. Quanto à frontwoman, fomos respeitosos a ponto de nem abordar o tema com ela, observadora e ligada, sempre pronta a dar alguma contribuição pontual nas respostas. Gisele é a ‘liga’ que traz leveza ao grupo.
Mas foi o responsável pelas baquetas que quebrou o gelo ao observar este escriba chegar para a entrevista usando camiseta do Dream Theater, da turnê de Octavarium: “Bela camiseta”. Justo ele, com outra bem legal, do Metallica, e belas tatuagens. Ajudou, e muito, um dos assessores de imprensa gostar dos criadores do Prog Metal e completar: “Eu tenho uma dessa também e fui ao show”. Jogo ganho! A partir daí, bastava entrar na parte séria do papo, ou ao menos tentar, pois o clima era tão receptivo que, após quarenta minutos que voaram, a vontade era emendar a estada e deixar a prosa seguir fluindo naturalmente, mas ficou para a próxima.
Antes da leitura, é importante saber que, após entrar no grupo, Gisele integrou o The Voice, e, como bom humor é tudo na vida, encerrada sua participação no programa, o quinteto lançou versões de quatro canções em um vlog batizado The Voice Não Morreu: Segundo Sol (Cássia Eller); Máscara (Pitty); Will You Still Love Me Tomorrow (Amy Winehouse); e Dangerous Woman (Ariana Grande). Com dois singles lançados, Eu e Levante, o grupo acaba de finalizar seu EP de estréia, ainda sem nome definido e com previsão de lançamento para agosto. No mais, o que rolou na divertida interação foi um apanhado geral de presente, passado e futuro:

Influências
Onstage: O release de vocês cita divas pop como influências e o começo de Eu evidencia que a Pitty é uma delas. Quais outras divas vocês curtem?
Gisele: Após o The Voice Não Morreu, a gente tentou fazer uma série sobre essas divas. Queríamos fazer Queen, pois, para nós, o Freddie Mercury é uma diva pop, Lady Gaga, Elis Regina, Ney Matogrosso e Madonna.
Thiago: A gente não chegou a fazer ainda. Como o The Voice Não Morreu gerou uma série, queríamos fazer uma de divas e elegemos essas para gravar uma música de cada, naquele formato. Mas aí veio o EP, começamos a ficar com muito pouco tempo e deixamos isso em compasso de espera. Quando sobrar um tempinho, a gente volta nisso.
Onstage: O release também traz Muse como influência e música eletrônica.
Gisele: Essa parte eletrônica é uma novidade para mim, mas comprei essa idéia de conceito para a banda porque acho que é o que está acontecendo agora, é o que está vindo de sonoridade. O Muse tem muito disso, é uma referência e o Thiago conhece muito dessa parte eletrônica.
Thiago: Eu trago bastante. Tive uma fase da vida em que ouvia bastante música eletrônica, mais essas coisas de rave, trance. Tem DJs como D-Nox, caras mais antigos até, pois eu parei de me atualizar nisso, mas em mim eles ficam muito latentes ainda, como Astrix e Gabe Serrasqueiro. Mais essa parte de trance, que não se encaixa exatamente na Laika. A gente não usa beats de trance na Laika, mas uma influência vem: como a parte mais aguda do sintetizador, ou uma puxadinha do beat, como em duas músicas que vamos lançar que giram em torno do beat [nota: referindo-se a Tarântula e Delírio, faixas presentes no EP], pegamos trap, que é mais moderno. Eu sempre fui muito ligado a isso, parei de ouvir e freqüentar essas festas, mas isso está bem latente em mim. Então, quando o pessoal falou que topava, eu falei: “É nóis!”.
Dan: Quando montamos o release, estávamos fazendo a primeira ou a segunda música e conversamos muito sobre onde queríamos chegar. Então as músicas que virão nesse álbum ainda têm alguns elementos. Não estamos com essa maturidade ainda, e sim bem longe, mas gostamos do eletrônico incorporado ao rock. Por exemplo, Rammstein, Nine Inch Nails e Rob Zombie têm isso e toda essa parte industrial é muito legal, então a gente está tentando se apropriar e incorporar isso ao rock.
Thiago: Esse rock industrial conversa com o trance. O click vai no bumbo, o beat, ele tá sempre ali e tem alguma coisa aguda em cima, com os médios, eles conversam. Tanto que eu ia às festas de trance, os DJs tocavam, mas tinha um guitarrista no palco acompanhando. É como o Dan falou: a gente está convergindo e também fazendo o que a gente gosta. O Muse tem uma outra vibe eletrônica de sintetizadores e anos 80.
Rodrigo: É trazer elementos eletrônicos para o rock, não colocar o rock no eletrônico.
Dan: Há muitas bandas independentes hoje se apropriando e explorando isso de forma brilhante e também somos influenciados por esses sons que estão rolando. Por exemplo, o Far From Alaska é uma banda que usa muito isso e fica muito legal. O Kilotones, outra banda legal que a gente conhece, também usa esses elementos de pop, rock e eletrônico. É uma coisa que a gente está criando e aprendendo, é uma visão. E além de eletrônico, o Thiago pira no Angra!
Thiago: Muito! Sou fã-boy do Angra, inverterado!
Onstage: [em alusão à morte de André Matos] Nem vamos tocar nesse assunto aqui, pois estamos todos de luto!

The Voice
Onstage: Gisele, há pessoas que não vêem TV aberta, não assistem ao programa, mas têm clara noção do que é a audiência global de um The Voice e a representatividade que ele tem. Uma curiosidade: chegou ao ponto de as pessoas te reconhecerem na rua? Ainda acontece?
Gisele: Acontece. Semana passada eu estava numa mini-turnê em Araçatuba e o garçom de um bar onde eu estava me reconheceu. Quando ele tirou foto, todo mundo já veio e: “Ah, você é a menina do cabelo azul”. Até hoje o pessoal me reconhece.
Onstage: E trazendo essa popularidade para a Laika, isso ajuda ou atrapalha?
Gisele: Ajuda muito!

Sonhos
Onstage: Você sempre quis ser cantora, desde pequena?
Gisele: Desde pequena eu canto, mas demorei um tempo para falar assim: “Quero ser cantora, vou fazer isso”, tanto que eu quase me formei em Fisioterapia, que não tem nada a ver com cantar. Então eu demorei um pouquinho, mas canto desde novinha.
Onstage: E vocês quatro, sempre quiseram ser músicos ou foi algo que aconteceu?
Rodrigo: Sempre quis ser, mas nunca tinha acontecido, de fato, de ser músico profissional. Eu sempre toquei e sempre rock. Agora que quero trazer isso para mim.
Dan: Estava na minha listinha da primeira série, depois de agente secreto e piloto de corrida. Eu ia ser: guitarrista, médico, agente secreto ou piloto de corrida.
Thiago: Eu sempre quis ser, mas nunca fui incentivado a ser. Então me formei engenheiro químico e trabalhei dez anos na área. Aí larguei tudo há uns dois anos e estou aí com eles.
Leonardo: Eu sempre quis ser. Desde moleque eu toco batera…
Thiago: [brincando] Você é moleque! Vamos falar a real…

Gisele: [rindo] Ele tem vinte anos!

Onstage: Isso é assim sempre? Todo dia?

Leonardo: Todo dia… já estou acostumado. Ok, há uns cinco anos.

Cronologia
Onstage: Vocês todos estudaram na Escola de Música e Tecnologia. O que veio primeiro? O The Voice? Ou foi a apresentação da Gisele na EMT, onde o Dan e o Thiago a viram e fizeram o convite para que ela integrasse a banda? Qual foi a ordem disso tudo?
Gisele: Foi a apresentação na EMT e aí levou uns meses até eu topar entrar na banda.
Thiago: É! Primeiro foi a apresentação dela, quando a gente a assistiu cantar na EMT.
Gisele: Aí se formou a Laika e depois veio o The Voice.
Onstage: E o que rolou nessa apresentação? O que você cantou que eles tanto gostaram?

Gisele: Eu cantei Richei Kotzen. Eu não lembro a música.
Thiago: Tobacco Road!

Gisele: Isso, Tobacco Road! [nota: ela consta em Bi-Polar Blues (1999), do virtuoso guitarrista, mas foi originalmente gravada por John D. Loudermilk em 1960; há também um filme norte-americano homônimo de 1941, aqui intitulado Caminho Áspero]

Thiago: A gente ia se apresentar no mesmo dia, só que eu e o Dan chegamos muito cedo. Falaram para chegarmos cedo e a gente chegou. Tocaríamos, tipo, umas três horas depois dela.

Dan: Num puta mau humor porque a gente foi enganado…

Thiago: A gente queria chegar, tocar e ir embora. Aí sentamos e ficamos olhando. Ela cantou e a gente ficou: “Porra!”.

Dan: Falei: “Que legal! Mas, putz, sei lá, hein?”.

Leonardo: “Putz, sei lá! Acho que ela não vai querer, não, hein?”.

Dan: Minha namorada estava lá… minha namorada… é bonitinho falar dela assim porque a gente já está junto há treze anos. Ela falou: “Meu, fala com ela, ué?”. E eu: “Ah, meu! Não sei!”. E ela: “Vai lá falar com ela”. Eu não falei e na saída da escola ela foi falar com a Gi: “Você canta muito bem, foi muito legal”, aí eu já fui lá, conheci uma amiga da Gi e pedi: “Me dá o Whatsapp dela que eu vou começar a atormentar”. Ela cozinhou o galo por uns três meses e eu continuei: “Cola aí”.

Gisele: Ele é persistente!

Dan: Aí ela veio e fez um ensaio.

Thiago: Nesse meio tempo a gente compôs uma música porque não tínhamos nenhuma. Então essa é a ordem: ela cozinhou o galo por três meses, aí ela ensaiou com a gente e entrou na banda. A gente resolveu produzir a música porque não queríamos ficar só ensaiando e sim ver se dava certo o som. A gente produziu Eu, lançou a música e aí veio o The Voice

Gisele: [rindo] Que foi tipo ‘Copa do Mundo’ para eles!

Thiago: A gente ficou torcendo, né?

Onstage: E sua participação te afastou deles por quanto tempo?

Gisele: Eu viajava quase toda semana para o Rio, ou a cada duas semanas. Fiquei afastada um tempinho, uns dois ou três meses.

Dan: Mas era assim: ela ia, voltava e ensaiava com a gente. A gente tinha outros projetos, tipo banda de evento. Ela vinha, voltava e ensaiava para um casamento.

Gisele: É! A gente fez um casamento no meio disso.

Primórdios
Onstage: Thiago e Dan, como vocês dois se conheceram?

Thiago: Faz muito tempo…

Dan: A gente tem um amigo em comum. Eu tinha uma banda há seis anos, mais ou menos, e ele era o baixista dessa banda. Ele era meu amigo de infância, desde o colégio, e é amigo do Thi também. O Thi fazia luta com esse amigo, eu tocava com ele e, um dia, eu e o Thi nos conhecemos. A gente trocava idéia, mas não era muito próximo. Não estávamos no mesmo núcleo de brothers. Depois foi indo, a gente foi se aproximando mais e quando ele pegou… ele trampava ainda, um dia eu fui lá na casa do Thi e sempre o via tocar porque ele tinha outra banda. Eu ia lá ver e falava: “Pô, velho! Isso aí não é você, mano!”. Tipo “Chega, cara!”. Você vê o cara ali, destruidão, com ódio do mundo. Um dia ele chegou ao estúdio à uma da tarde e falou: “Mano, me demiti!”.

Thiago: Ele estava com a outra banda dele lá.

Dan: Eu falei: “Caralho!”.

Thiago: Eu colei direto no estúdio. Não fui nem para casa.

Dan: Entrou, ficou tocando umas três horas lá e eu falei: “Olha só”. Passou um tempinho, estava faltando emoção na vida e a gente conversou: “Mano, o que a gente vai fazer agora que você está com tempo? E aí, vamos alugar um estúdio? Vamos alugar uma sala?”. Fomos ao estúdio onde ensaiamos e alugamos uma sala só para a gente, para fazer tudo, desde trilha. Começamos a fazer tudo! E aí a gente ficou nessas de: “Vamos montar um projeto?”.

Começou assim: “Como seria esse projeto?”. Começamos a pensar e queríamos um vocal feminino, foi uma das primeiras coisas que a gente queria. Aí foi indo e a gente se conheceu dessa forma.
Onstage: Leonardo e Rodrigo, e com vocês dois? Como que o Universo conspirou?

Gisele: Nossa, o Padin foi bem o Universo mesmo…

Rodrigo: O Nhóim… digo, o Léo… [nota: galera cai na risada conjuntamente]

Thiago: É que a gente tem uns apelidos, né? Ele é o “Nhóim”.

Rodrigo: O Léo entrou antes e eu não sei como foi. Eu fui o último a entrar na banda.

Dan: O Léo tem uma outra estória. É que também tem uma coisa que o envolve: na minha banda antiga, o dono do estúdio era o batera e ele teve câncer. Ele pegou e falou assim: “Só tem uma pessoa que vem aqui e pode me substituir”, e era o Léo. “Ele é o único que pode tocar no meu lugar enquanto eu estiver fora”. Eu falei: “Tá bom!”.
Leonardo: Porque é assim: nesse estúdio onde eles alugam a salinha, que é onde a gente trabalha quase todo dia, eu vou lá desde uns doze anos, desde mais criança do que eu sou.
Dan: [rindo] Antes que alguém faça piadinha, né? Eu já ia soltar, mano…

Leonardo: Então eu conheço o dono do estúdio, que era o batera da outra banda dele, há um tempo. E no final de 2017, eu ficava indo lá, ensaiando com uma banda cover.
Thiago: Um parêntese: a gente tinha ÓDIO! Porque eu e o Dan estávamos tomando conta do estúdio e eles ensaiavam, tipo, de sábado às nove da manhã!
Dan: A gente cuidou do estúdio porque ele se internou [nota: em conversa posterior com Thiago, descobrimos que o batera da antiga banda de Dan está plenamente recuperado após tratamento: “Ele fez uma cirurgia e hoje é considerado em estado de remissão, ou seja, o câncer foi todo embora! Ele está lá novamente no estúdio, pegando no nosso pé!”].
Leonardo: O dono do estúdio se internou e eles estavam cuidando do estúdio. Eu estava lá ensaiando, um dia eles estavam ouvindo Eu, que tinham acabado de gravar, e eu falei: “Caralho, puta som foda!”. Eu só de canto, ouvindo tudo. Um dia qualquer, esse aqui me liga [nota: aponta para Thiago]: “Léo, tenho uma proposta para te fazer”. Eu falei: “Nossa, é agora!”.
Dan: Ele estava ensaiando com a banda e eu falei: “Vamos ver, Thi? Vamos ver?”. A banda estava ensaiando, a gente entrou e falou: “Vamos fazer uma jam aí! Vamos ver como ele toca”. E ele foi muito bem, ele é muito foda. Eu me lembro de estar no balcão e falar: “Léo, preciso te perguntar uma coisa”. E ele falou: “Eu quero!”. Assim!
Gisele: “Eu quero, me dá!”.
Dan: “Quero agora”. E o Padin, a gente catou na rua!
Thiago: Sério, literalmente!

Gisele: Foi na rua!

Thiago: A gente já o conhecia. Ele foi técnico de som da gente, quando eu e o Dan tocamos numa feira de surfe. Eu e o Dan, só.

Dan: Uh-hul!

Thiago: Já o conhecíamos por ser nosso técnico de som. A gente estava na Vila Madalena tomando cerveja numa mesinha na calçada, ele passou e falou: “E aí, beleza? Como vai a vida?”. A gente explicou que estava montando uma banda e estava sem baixista. E ele não falou nada!
Dan: Ele falou assim: “Ah, legal!”.
Rodrigo: Eu nem me toquei, sabe? Eu estava viajando. Eu nem ‘tchun’… E pensei: “Nossa, quem eu poderia chamar?”.
Thiago: A gente não sabia que ele era baixista! Aí passou um outro amigo, que também é músico, e falou: “Ô, Padin, você é baixista!”. E ele: “Nossa, é mesmo!”.
Dan: [imitando Rodrigo] “É verdade”.
Thiago: Mas foi de uma passada na rua. A gente o cumprimentou e se lembrou dele. Foi o Danilo, porque eu detesto encontrar as pessoas na rua. Aí ele se sentou com a gente, levou a música para casa e já voltou com ela tirada.
Rodrigo: Eu moro ali perto. Eu estava fazendo… eu trabalho com Photoshop. Eu estava virando a noite fazendo tratamento de imagem. Pensei: “Ah, vou até ali comprar uma cerveja” só para…
Dan: …molhar a palavra…
Rodrigo: …só para dar uma molhadinha na palavra e continuar trabalhando. E nessa que eu fui comprar cerveja, eles estavam lá. Eu os cumprimentei, tinha um outro amigo passando na rua, que foi esse que falou: “Meu, você toca!”.

Eu
Onstage: Eu saiu em outubro de 2018. Os lançamentos do single e do clipe foram juntos ou separados?
Dan: Foi junto.
Thiago: A gente lançou tudo junto.
Onstage: Rodrigo Ferreirinha e Bruno Corrente ajudaram na composição. Vocês não cogitaram colocá-los na banda? Ou eles não quiseram ficar e era só uma ajuda mesmo?
Gisele: Eles eram [nota: da banda].
Dan: Os dois eram da banda. Na verdade, a concepção do projeto, o Rodrigo Ferreirinha fez com a gente. Essa primeira música, ele compôs com a gente.
Thiago: E ele gravou a bateria.
Gisele: Ele fez a batera.
Dan: Só que ele é vocalista, por natureza. É o principal ‘instrumento’ dele e aí ele estava levando na batera. Inclusive, ele gravou a bateria da primeira música, né? E o “Ovo”, que é o Bruno Corrente, estava tocando baixo. Aí, na medida em que foi aumentando a demanda de um baterista mesmo… porque uma coisa é você tirar uma música e segurar, mas aí a gente falava: “Para a semana que vem, tem uns vinte sons aí para fazer, tem que gravar”, e aí não dá. E ele é um vocalista, então é difícil, para ele, estar numa bateria e não estar numa posição que é a dele.
Thiago: Sem estar motivado.
Dan: Isso! E o Ovo zoou as costas com uma hérnia e saiu.
Thiago: Ele tem uma hérnia complicada.
Dan: E ele faz as artes. As artes da banda quem faz é ele.
Thiago: Ele é artista plástico.
Gisele: Ele está presente ainda.
Onstage: O clipe em si é muito interessante. Ficou legal o conceito noturno com vocês aparecendo de fundo, como um monte de espectros. Nos créditos consta que o clipe foi filmado num condomínio. Como vocês chegaram lá e tiveram essa idéia? Como eles reagiram?
Dan: Foi assim, o diretor do clipe, Nikolas Fonseca, é um diretor de cinema, na verdade. Ele trabalha com o UFC, faz um monte de documentários ferrados e falou: “Cara, quero fazer um plano-seqüência porque a gente perde um pouco ali, mas a edição fica ridícula de fácil. Não tem aquele puta trabalho e várias tomadas, é só uma câmera, então eu queria fazer um plano-seqüência.” A gente começou a pensar como ia ser a estória, como íamos fazer. A primeira referência foi o clipe da Lorde, Royals, que é num condomínio, com ela andando numa casa, é meio monótono, mas mais como uma referência de estética. Aí começamos a procurar uma locação para podermos seguir o roteiro do clipe, sem ter problemas com direito de imagem. A idéia era fazer na rua com um carro andando, mas aí começam os problemas com direito de imagem porque talvez as casas não queiram aparecer e tal. E dentro do condomínio, tem uma trilha, que é a trilha do clipe. Eu peguei e fiz uns vídeos, tipo, estou de regata e chinelo, filmando e tentando fazer assim… cantar a música. Dá dó, sabe? Suando…
Thiago: [em meio a risadas gerais] A gente tem tudo isso. Vai ser usado na hora certa.
Dan: Tem tudo lá! A gente achou ali, principalmente por ser de graça, não tem direito de imagem nenhum porque é no meio do mato. Super protegido, em termos de segurança, porque está dentro de um condomínio, ninguém vai roubar equipamento e pode ficar até de noite. Peguei autorização, o condomínio deu uma carpida lá, a gente foi fazendo aos pouquinhos e montou tudo lá.
Onstage: Foi tranqüila essa liberação?
Dan: Super tranqüila.
Onstage: Sobre a letra em si e o verso “Aonde eu quero, do jeito que eu quiser estar”: vendo o clipe, você vê uma menina de cabelos azuis, piercing, furiosa e com uma mensagem dessas. Certamente há uma carga feminista.
Gisele: Tem, tem.
Onstage: E obviamente intencional. Como vocês chegaram nela?
Dan: Esse é um assunto que a gente discute bastante. Primeiro, o que é o feminismo e, segundo, qual é o nosso papel nessa bandeira que, obviamente, não podemos levantar da mesma forma…
Thiago: …que a Gisele.
Dan: Então, a gente sempre tentou representar isso dentro da banda, né? Sempre, todo mundo tentar se tratar como igual, em todos os momentos, principalmente nos mais simples, porque é aí que você vê aquelas coisas, que a gente tem nossa formação defasada em relação a isso, eu tenho 33 anos… mas a gente tenta sempre dividir e se enxergar como iguais. E nos nossos papéis, como homens, em uma banda que apóia esse tipo de causa, a gente sempre tenta falar com o nosso semelhante. Então o nosso papel é a empatia com essa questão toda de feminismo. E a Gi, por si só, ela fala o que ela pensa.

O EP
Onstage: Há uma participação de vocês no programa Fique Ligado, da TV Brasil, e lá vocês tocaram Mais Uma Vez. Ela está no EP?
Dan: Está.
Thiago: Mais Uma Vez vai estar. Aliás, Mais Uma Vez sai como single antes do EP.
Gisele: É o próximo a sair.
Thiago: Daqui a uns vinte dias.
Onstage: E lá vocês também tocaram a música Laika Não Morreu. A faixa estará no EP?
Gisele: Também.
Onstage: De modo mais específico, vocês já gravaram o EP todo?
Gisele: Já.
Onstage: Quantas faixas ele tem? O que vocês podem falar a respeito?
Dan: Sete. São cinco músicas e mais duas introduções, ou interlúdios, digamos assim.
Thiago: Interlúdios instrumentais.
Onstage: Vocês já podem soltar os nomes das faixas? Quais são? Na ordem, se vocês já definiram.
Gisele: Contenção…
Thiago: Contenção é um prólogo.
Gisele e Thiago juntos: …Tempo, Laika Não Morreu, Mais Uma Vez, Levante e Delírio.
Dan: E Tarântula.
Thiago: É, o epílogo.
Onstage: E o nome do EP em si, qual é?
Thiago: A gente ainda não tem.
Dan: A gente ainda não sabe.
Onstage: E o lançamento?
Dan: Agosto.
Thiago: Meados de agosto.

Bom humor
Onstage: Mudando um pouco o tom, agora entramos em uma parte mais interpretativa, então sintam-se à vontade para discordar, se for o caso. Nota-se muito bom humor no que vocês se propõem a fazer, por exemplo: o nome da banda vem da Laika, enviada ao espaço. No Fique Ligado, da TV Brasil, há a explicação da Gisele sobre a cachorrinha ter feito algo que ninguém tinha tido coragem de fazer, passando imagem de força e resistência. Esse é um lado sério, mas ao ver o nome da banda pela primeira vez, uma possível reação bem-humorada pode ser: “Meu, que nome legal! Com tantos nomes para colocar, eles tiveram a manha de por bem esse”. A vibe cômica foi intencional? Vocês concordam? Rola tudo isso mesmo?
Leonardo: Acho que é uma puta idéia, um pensamento. Eu nunca tinha parado para pensar desse jeito.
Dan: Nem eu!
Thiago: Eu acho assim: tem um teor sério no nome da banda, mas a gente vive o dia inteiro, entre nós, fazendo piada. A gente é bem-humorado, a gente é muito assim entre a gente. Então as coisas acabam que, de uma maneira meio intencional, saindo com esse viés bem-humorado. Como o Léo falou, a gente nunca tinha pensado que o nome da banda tivesse esse viés cômico, mas tem e achamos legal.
Gisele: Sim!
Onstage: Mesmo o título The Voice Não Morreu é um achado!
Thiago: É um puta trocadilho infame! A gente é assim.
Gisele: Você foi bem, Danilo!
Onstage: Foi idéia dele?
Gisele: O The Voice Não Morreu foi.
Thiago: A gente é super bem-humorado entre a gente, o tempo inteiro, só quando a gente briga com o Padin que não [nota: provocando risadas gerais], mas, em via de regra, por conseqüência, as coisas que a gente acaba fazendo ou falando por aí, acaba parecendo que a gente está fazendo graça e está um pouco mesmo.

Levante
Onstage: Aliando essa parte cômica e leve ao clipe de Levante, esses traços ressurgem quando vocês dividem a tela em cinco partes, numa idéia bem legal trazendo aspectos do dia-a-dia. Tem até uma criancinha muito fofa…
Gisele: É minha sobrinha.
Onstage: …e um monte de pets super fofos. E o curioso é que, apenas pelo nome, antes de ver o clipe e ouvir a música, uma associação direta não é com o ato de se levantar, o verbo, mas como em um levante, de contestação, de “vamos fazer um levante”. E o final é bem legal, com a parte em comum do dia de vocês cinco. De onde saiu a idéia de fazer o clipe desse jeito?
Gisele: Foi você, né, Dan?
Dan: Sim, eu e o Thi.
Thiago: Numa mesa de bar!
Gisele: A maioria das idéias surge assim.
Thiago: Não foi nem numa mesa de bar, foi na mesa de um postinho, às 3 da manhã.
Gisele: A gente adora posto!
Thiago: A gente sujo às 3 da manhã, a gente já estava cozido.
Gisele: O bar fecha e a gente vai para o posto.
Thiago: E nessa mesa de postinho estava o Rodrigo Ferreirinha. Nós somos muito amigos ainda e a gente se reúne para conversar, tomar uma cerveja. E aí surgiu a idéia das telas, a idéia de: “O que você faz para dar um levante?”. Como você disse, mas “levante” como substantivo, não um verbo. A gente pensou: “O que você faz? E você? E você? Vamos colocar os cinco”.
Dan: Tem um amigo nosso, inclusive, o Carlos, a forma de usar “levante” é dele. Ele sempre falava isso. Você vai viajar com o Carlos e ele fala assim: “Ô, vamos tomar um cafezinho para dar um levante? Ô, piscininha para dar um levante?”.
Onstage: Daí veio o copo com um cafezinho na capa do single e o verso “Um gole de café amargo, um trago, pra me levantar” no começo da letra?
Gisele e Thiago: Isso!
Dan: E ele: “Ô, agora, piscina e brejinha pra dar um levante?”.
Thiago: “Uma cervejinha pra dar um levante?”.
Dan: E você fica o dia inteiro “dando levante”, entendeu? Aí a gente começou a falar: “Mano, o que dá um levante para cada um?” e vimos como éramos diferentes. Várias coisas são muito específicas, aí a gente pensou: “Putz, imagina que legal a gente mostrar como somos diferentes, o que nos motiva, o que é bom pra nós, assim simultaneamente”. E daí saiu a idéia.
Onstage: E a captação de imagens no próprio celular foi para facilitar?
Gisele: Foi.
Rodrigo: Isso aí também foi uma experiência que o mesmo diretor, o Nikolas, propôs e aí já teve umas influências dele porque ele queria fazer uns testes. Então ele está usando a gente de cobaia e a gente está achando ótimo!
Thiago: Sim, a gente está achando ótimo!
Dan: A idéia foi principalmente ter essa afinidade com o formato de Stories do Instagram. Porque esse formato vertical é de coisas efêmeras que passam num dia, depois somem e tal. Então a gente pensou: “Putz, então vamos fazer em formato Stories”. A gente podia ter feito com quadrados, mas fizemos assim.
Gisele: Esse formato é legal porque quem assiste se sente íntimo, se sente mais próximo.
Onstage: E, por curiosidade, como o Nikolas Fonseca chegou até vocês?
Thiago: O Nikolas é nosso amigo pessoal, principalmente do Dan, desde a época da escola.

Composição
Onstage: Em tudo que vocês lançaram até agora há peso e melodia. É proposital? Ou sai instintivamente na hora de compor? Há essa preocupação de mesclar as duas coisas?
Gisele: Sobre o processo criativo da banda, a gente se reúne na salinha que eles alugaram antes de existir a banda e é isso: a gente toma uma cerveja, fica conversando e aí fala: “Não, agora a gente vai compor” e cada um pega um pedaço de papel, caneta e começa a escrever e tocar junto. É bem natural assim.
Leonardo: Os sons do EP, tipo o Danilo trazia uma letra, o Thi trazia uma guitar, aí a gente pensava e normalmente sempre construímos tudo junto a partir de uma coisinha muito pequena que alguém trazia.
Rodrigo: Acho que a mistura de todo mundo acaba ficando meio que com essa cara.
Onstage: E as letras também então são divididas? Não é só uma pessoa que faz.
Thiago: Não.
Leonardo: O Danilo escreveu Mais Uma Vez inteira, eu acho. Aí a gente dá uma idéia aqui e ali, discute junto, mas as letras normalmente são divididas.
Thiago: São diversos cenários. Tem música que nasceu de um riff de guitarra [nota: Levante], tem música que nasceu com título. Laika Não Morreu nasceu com título, a gente tinha que ter uma música que se chamasse Laika Não Morreu.
Dan: E aí a gente imaginou…
Thiago: O clipe! A música veio do clipe!
Dan: Que já está pronto também.
Onstage: E daí vocês fizeram a letra?
Thiago: Isso, daí fizemos a letra, entendeu? Tem música que nasceu de um Apple Loops [nota: Tempo]. O Dan estava brincando no Logic, começou uma batida e: “É isso!”. Construímos toda uma música em cima daquilo e nem tem mais aquilo na música.
Dan: É um programa como o Pro Tools. O Apple Logic tem alguns samplers e presets eletrônicos e é sem direito autoral. Você pode usar o que você quiser. Aí, um dia, eu estava lá mexendo e, enfim…
Thiago: A gente construiu uma música em cima daquilo, que nem está mais na música. Mas ela nasceu em cima de um Apple Loops.
Rodrigo: E a Levante saiu a partir de tanta gente falar: “Ô, ‘não sei o que’ para dar um levante?”. Tipo: “Vamos fazer uma música sobre isso!”.
Thiago: Foi. Um dia a gente falou: “A gente precisa compor uma música que se chame Levante”, e aí veio.

The Voice Não Morreu
Onstage: Para o The Voice Não Morreu, vocês fizeram Segundo Sol (Cássia Eller); Máscara (Pitty); Will You Still Love Me Tomorrow? (Amy Winehouse); e Dangerous Woman (Ariana Grande). Tem mais alguma?
Thiago: It’s Raining Men, mas a gente não lançou [nota: lançada como single em 1982 e incluída no álbum Success, de The Weather Girls, no ano seguinte].
Dan: Do que foi lançado, foram essas quatro mesmo. Inclusive, Segundo Sol é no nosso estúdio. É ali onde a gente ‘vive’.
Thiago: O Segundo Sol, o que a gente mostrou, o fundo, ali é onde a gente ‘vive’.
Dan: É ali onde a gente ‘cresce e vive’.
Onstage: Vocês pensam em gravar essas quatro (ou cinco) faixas em estúdio para lançar em um álbum ou vai ficar só ali mesmo como um registro?
Gisele: A gente nunca pensou nisso, né?
Dan: Mas acho que vai ficar só ali mesmo porque a gente fez mais para ter essa coisa de ter um vlog, de ter conteúdo no YouTube e tentar exercitar o nosso conceito inicial sobre como a gente quer ser, o nosso som, como que a gente conseguiria fazer isso numa música que não tem nada disso. Aos pouquinhos a gente vai fazendo isso como um exercício e para criar conteúdo, mas acho que não tem muita pretensão, não, de gravar.
Gisele: E foi para eu cantar as músicas que eu queria ter cantado!
Dan: Também!

Composições em inglês
Onstage: E compor em inglês, há alguma chance?
Dan: Tem. Já foi.
Gisele: A Laika Não Morreu tem uma versão.
Thiago: A Laika Não Morreu tem uma versão em inglês.
Gisele: Tem em português e em inglês.
Onstage: Vocês já a lançaram?
Dan e Thiago: Não.
Gisele: Ainda não.
Onstage: Mas a tendência depois é ser só em inglês ou misturar?
Thiago: Para mim é ficar só em português, para eles não e aí nós vamos sair na mão para resolver! [nota: gerando gargalhadas]

Aspirações
Onstage: Evidentemente há toda uma equipe por trás de vocês, um trabalho de assessoria dando uma força, mas quando estão só vocês cinco reunidos, o que vocês conversam no sentido de onde querem chegar? Seria fazer um Lollapalooza? Um Rock In Rio? Estourar aqui? Fora do país? Ou dar um passo de cada vez para ver no que dá?
Gisele: Acho que, como qualquer carreira, qualquer profissão, você tem que ter um planejamento e metas porque senão você não chega a lugar nenhum. Mas acho que o principal, em comum aqui, a gente quer fazer turnê. A gente quer viajar junto e levar a música para vários lugares, seja ao barzinho aqui da esquina, seja a um teatro, Lollapalooza ou Rock In Rio.
Thiago: Ao Japão!
Dan: E é assim, a gente…, principalmente porque… tem um cara chamado Marcos Bohrer, ele é do selo que está ajudando a gente, da Angorá Music. Ele falou uma coisa para mim que eu achei algo sensacional. Ele falou o seguinte: “Cara, tudo custa, na música ou em qualquer trabalho! Gravar custa, fazer divulgação custa, assessoria custa, instrumento custa. A única coisa que NÃO custa, e é a mais valiosa, é o conceito. Em conceito vocês não gastam um real, mas se você não fizer um bom conceito, você pode por um terno em um bode, mas ele vai ser um bode, para sempre”. Então é assim, acho que pelas bandas que a gente escolheu como referência, tem muito da nossa pretensão. Por exemplo, Queen e Muse são bandas que fazem sons expansivos, sons que buscam uma coisa épica assim, sabe? E a gente quer chegar lá, esse é o objetivo.

Encerramentos
Onstage: Uma pergunta que me ocorreu do nada agora: tem uma foto de divulgação em que vocês estão em seis.
Gisele: Era o Rodrigo Ferreirinha.
Onstage: A mais? Ou teve mais alguma troca de membro no grupo?
Thiago: Isso. Ele ficou coabitando um tempo quando o Léo entrou e aí…
Onstage: Ahhhh, essa era a piada no programa da TV Brasil? Lá vocês falam que tem um cara ali no fundo.
Todos em uníssono e rindo: Ééééééé!
Leonardo: Exatamente isso!
Thiago: É isso mesmo porque… a vocalista sempre foi a Gisele e nunca houve a menor pretensão de ela dividir vocal. E ele é um cantor. Como o Dan disse, o instrumento principal dele é a voz, só que não tem espaço para mais um vocalista na Laika. Então ele ficou como um coringa, às vezes ele tocava um violão…
Gisele: Tirava foto, compunha…
Thiago: É! Ele fazia muita produção artística com a gente, só que aí…
Rodrigo: Na Eu, ele aparece.
Gisele: Sim, na Eu, ele aparece.
Rodrigo: Quando ele fala: “Não”.
Gisele: No “Não”.
Dan: Pô, eu queria que ele desse uma entrevistinha rápida, só para ele dar um “Oi!”, né?
Thiago: Mas aí acabou não dando certo, ele arrumou outros projetos e se desligou efetivamente da banda, mas continua sendo nosso amigo e dá vários palpites, dá vários pitacos. É que a gente não o ouve muito mais [nota: rindo].
Onstage: E o que é o “Sor” que aparece creditado ao Rodrigo Ferreirinha no clipe de Eu?
Thiago: Não sabemos de onde veio o “Sor”. É o apelido do Ferreirinha. Ele já veio com esse apelido para a gente e nunca elucidou para a gente o que significa.
Onstage: Para encerrar, gostaríamos de deixar o espaço aqui para vocês darem algum recado. Pode ser campanha política, receita de bolo, falar com os fãs, o que vocês quiserem. Agora é com vocês.
Dan: Isso é legal! Ela é confeiteira!
Gisele: Não, calma aí…
Dan: É sério!
Gisele: Eu fiz um curso básico de confeitaria muitos anos atrás.
Dan: Ela faz um brigadeiro que, meu Deus…
Gisele: E ele é chef de cozinha.
Thiago: Não sou também, eu fiz um curso básico de culinária no Senac!
Onstage: E além dessas propagandas, o que vocês querem deixar para quem está lendo a matéria até o final e chegou até aqui? Um recado:
Gisele: Sigam a gente lá nas redes sociais, galera! É só procurar: Laika Não Morreu, em todas as plataformas. A gente vai lançar Mais Uma Vez, que é o single novo. Quando? Que dia?
Dan: Dia 19/07.
Gisele: Que está logo aí. E o EP sai em agosto.
Onstage: Por curiosidade, só para fechar, as camisetas que vocês estão usando, o que são? Pegaram ao acaso? Léo, você com essa do Metallica é o metaleiro da banda. Rodrigo, a sua é uma estampa “Good vibes”.
Thiago: A minha é um pirata barbudo, também ao acaso. Estava limpa lá hoje.
Onstage: Parecia algo do Raimundos.
Thiago: Não, é que estava limpa.
Onstage: Danilo, essa sua é o que?
Dan: Nada, é só…
Thiago: Mais uma curiosidade é que o Danilo, em 99% do tempo, está de regata!
Dan: E não me deixam andar de regata! Aí comecei a mandar todo mundo: Chris Cornell, Chester Bennington, Dave Grohl, todos eles usam regata.
Onstage: E a sua, Gisele, o que é?
Gisele: Sei lá, normal.
Onstage: Gente, muito obrigado! Espero que vocês tenham gostado!
Thiago: Claro, obrigadaço! Foi muito legal. A gente que agradece.

Encerramos o papo com uma foto coletiva, em clima muito amistoso e as brincadeiras continuaram nas despedidas quando este entrevistador destacou o quão curioso seria a Laika Não Morreu se apresentar na Rússia e explicar a origem do nome do grupo. A surpresa maior foi a revelação de Dan: “Então, eu já mandei um email para o pessoal lá da NASA da Rússia [nota: Corporação Estatal de Atividades Espaciais Roscosmos]. Eu falei: ‘Meu, tenho uma idéia: dá para colocar meu EP aí num foguete e quando ele passar num satélite e orbitar, o pessoal faz um download?’, porque já rolou isso, né?”. E a melhor parte foi ouvir Thiago endossando: “Ele enviou mesmo!”. Dan arrematou: “Não pegou ainda, mas estou torcendo”. E quem resistiu até aqui, notou o quanto os cinco se divertiram, muitas vezes com um cortando e completando as falas dos outros, fenômeno de maior incidência entre os guitarristas. Fica a nossa torcida para que não percam esse lado simples de encarar algo tão sério. Agora é aguardar até lançarem o EP e ficar na torcida para que deslanchem, afinal de contas, se até The Voice Não Morreu, a Laika (também) Não Morreu e segue vivinha entre nós, assim como o Rock nacional!

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