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HAKEN ::: 29/01/19 ::: FABRIQUE CLUB
Postado em 05 de março de 2019 @ 15:53 | 100 views


Texto: Vagner Mastropaulo

Fotos: Fernando Yokota

Haken candidatando-se a expoente do Prog Metal

É bem provável que parcela considerável do público que encheu a pista da Fabrique para ver o Haken sequer o conhecia antes de 2017 e não teria ido à casa se não fosse por Mike Portnoy. Não, ele não veio com os ingleses, mas é fato que seu ‘apadrinhamento’ botou o competentíssimo grupo no mapa após a tour com cinco de seus membros (exceto o baterista Raymond Hearne, evidentemente) mais o guitarrista Eric Gillette (The Neal Morse Band) para tocar, entre outras músicas, as cinco de seu Shattered Fortress a formar a Twelve-Step Suite (sobre os doze passos do A.A. e lançadas separadamente entre Six Degrees Of Inner Turbulence e Black Clouds & Silver Linings). Se, com cinco álbuns lançados, o Haken caminha com as próprias pernas e o futuro é promissor para se consolidar como expoente do gênero (o Dream Theater que abra o olho!), é inegável que o empurrão dado pelo Mr. Workaholic ajudou.

Entrando no recinto às 20:00, uma cena inusitada: uma hora após o horário oficial de abertura das portas e a uma hora do show, os vendedores do merchan já fechavam o balanço final. Feita a apuração, constatou-se que, receoso de que fossem encalhar, o Haken solicitara a venda de apenas vinte camisetas vermelhas oficiais com a estampa de Vector a setenta reais e assim o estoque se esgotara num piscar de olhos (parabéns aos sortudos que adquiriram o ‘item de colecionador’). E a espera até o início da apresentação trouxe tracklist alternativa: músicas antigas, algumas das quais clássicas trilhas sonoras: Singin’ In The Rain, do filme homônimo, e Earth Angel (Will You Be Mine) e Johnny B. Goode, ambas de De Volta Para O Futuro (a lista mais completa possível encontra-se no final desta matéria).

Exatamente às 20:50, sem banda de abertura e sem espaço para pendurar o bandeirão oficial da turnê, ligou-se o telão de led (não se empolgue, de led mesmo, o componente eletrônico usualmente vermelho) com projeção de Vector ao contrário: imagem vermelha em fundo preto, aumentando a impressão do Teste de Rorschach. Cinco minutos mais tarde, ecoou a primeira intro oficial: Guillaume Tell Overture de Gioachino Rossini. Para ser exato, dividida em quatro partes, ouviu-se a última, Allegro Vivace, descrita em A Significação Na Música De Cinema, de Juliano de Oliveira, como uma “musema de galope”, ou seja, “uma colcheia seguida de duas semicolcheias em andamento acelerado”, na prática, uma divertida marcha de cavalos. Clear foi senha definitiva de que o show começara, com postos ocupados: Charles Griffiths (guitarra) e Diego Tejeida (teclados) à esquerda do mencionado Raymond Hearne e Richard Henshall (guitarra) e Conner Green (baixo) à direita. Ross Jennings entrou por último, com a explosão sonora já rolando em The Good Doctor, pouco antes de começar a cantá-la. Ainda mais poderosa ao vivo, dançante e com os slaps dos guitarristas e do baixista, ao seu final, uma fã foi precisa em conversa com um amigo: “Acho que errei de show: você ouve o CD e tem uma impressão, mas ao vivo é muito melhor”. Sem relação com a série homônima estrelada por Freddie Highmore, uma dose diária da faixa deveria ser prescrita por qualquer bom médico…

Puzzle Box manteve o álbum da turnê em pauta com destaque para a ‘quebradeira’ após seus três minutos e um curto “São Paulo”, de Ross, suficiente para evocar urros em aprovação ainda em sua execução. Gritos com o nome da banda, corretamente pronunciado (fã nerd é outra coisa!), forçaram maior interação do vocalista com um “Obrigado”, em nossa língua, seguido de ironia e afago: “Levou apenas dez anos para virmos tocar para vocês. Ver seus lindos rostos significa muito para nós. Vamos tocar músicas da maioria de nossos álbuns e se vocês têm The Mountain, esta é Falling Back To Earth”, belíssima e com característica marcante: todos contribuindo com vocalizações de apoio em dado momento, exceto Charles, a serenidade em pessoa, mesmo tocando partes complexas. Cockroach King, também de The Mountain, explicitou a veia progressiva do sexteto, trazendo influências de Yes e teve: pedido de Charles por ‘roda’, ao estilo prog, atendido pela galera; o vocalista conduzindo o movimento de mãos dos fãs para os lados; e trechos jazzísticos sensacionais executados por Raymond.

Verdadeira aula de técnica, a instrumental Nil By Mouth ofereceu respiro a Ross e trouxe peso e Vector de volta ao show. Sem o fade out do álbum, foi terminada com belo jogo de luzes e excelente junção a By Demons Be Driven (Pantera), curiosamente três dias após a passagem de Phil Anselmo pela cidade. 1985 foi a primeira de Affinity no set e após começo instrumental, Ross surgiu no palco com óculos em luzes neon (modelo futurista, para 1985), em efeito visual interessante. Identificando-se com o cantor, em tirada hilária, um fã sacou na pista um modelo diferente de óculos, também em neon, e decidiu usá-lo. E com o vocalista dando cobertura nos teclados, a faixa trouxe a primeira incursão de Diego ao centro do palco com um teclado portátil pendurado no pescoço (como Jordan Rudess faz no Dream Theater), pouco antes, durante e após belo solo de Richard. Ao lado de Conner a noite toda, sequer parecia que o guitarrista é responsável pela maioria das composições, tamanha sua discrição. Após perguntar se todos estavam se divertindo, o cantor apresentou o tecladista, que puxou o início de Veil, a última do álbum em divulgação na noite e no coro perto do final, Ross pediu: “Quero ouvir as vozes de todos vocês. Cantem comigo”. Melódica e pesada, será que Veil veio para ficar nos futuros setlists? Última antes do encore, The Architect foi outra demonstração de destreza, encerrada com uma mistura de idiomas: “Thank you very much, obrigado”, para a saída do sexteto, cravando uma hora e vinte minutos no palco.

Após rápido retorno, única a não constar nos full lengths dos londrinos, e sim no EP Restoration, a essencialmente progressiva Crystallised foi a mais longa, com pouco mais de dezenove minutos, e contou até mesmo com os primeiros tostões da voz de Charles. Simpático, o vocalista leu um cartaz de um fã com um pedido: “Aqui diz: ‘Toquem algo de Visions ou Aquarius’. Somos uma banda há dez anos e sempre foi um de nossos sonhos vir ao Brasil tocar para vocês. Sendo justos, temos de tocar algo dessas músicas antigas para vocês poderem ouvir ao vivo. Para vocês, vamos fazer Celestial Elixir”, de fato a única do play e mais antiga do set. Os agradecimentos de Ross começaram ainda durante sua execução, após o verso “I’ll chase your rainbow ‘till the end”: “Obrigado, São Paulo. Foi incrível”. Com gritos de “Visions, Visions” da galera, o vocalista garantiu: “Espero que tenham tido uma noite incrível! Façamos o seguinte: da próxima vez prometemos tocar algo do Visions, certo? Voltem com cuidado para casa. Boa noite”. Ao som de Goodnite Sweetheart Goodnite, tema de Três Solteirões E Um Bebê, palhetas, baquetas e garrafas de água eram distribuídas enquanto banda e público se despediam.

Como haviam feito no citado show com Mike Portnoy no Carioca Club em outubro de 2017, Richard, Charles e Conner não fizeram uma troca sequer de instrumentos com oito, oito e seis cordas, respectivamente, todos sem headstock. E pode haver quem critique o Haken pela pouca variação de músicas nos setlists do giro latino-americano, escolha justificada pela complexidade das mesmas, pois, para haver qualquer substituição, tudo há de ser ensaiado à exaustão. E para quem considera dez músicas muito pouco, é necessário registrar que elas preencheram duas horas magistrais de prog metal. Finalizando, após lançar o tão ambicioso quanto contestado The Astonishing, o Dream Theater ainda reina, mas mais em função do legado já construído. Seria bom ajustarem o retrovisor, pois o Haken se aproxima voando (ou seria “a galope”?) rumo ao topo do estilo. Ah, e alguém avise a tal fã que ela foi ao show certo!

 

Setlist

Guillaume Tell Overture (Gioachino Rossini) [Utilizada Como Intro]

Clear [Utilizada Como Intro]

01) The Good Doctor

02) Puzzle Box

03) Falling Back To Earth

04) Cockroach King

05) Nil By Mouth

06) 1985

07) Veil

08) The Architect

Encore

09) Crystallised

10) Celestial Elixir

Goodnite Sweetheart Goodnite (The Spaniels) [Utilizada Como Outro]

 

  Música Artista Filme
01) Once Upon A Dream Mary Costa And Bill Shirley Sleeping Beauty
02) Blue Moon The Marcels
03) Broken Wings The Stragazers
04) Because Of You Tony Bennett
05) Twilight Time The Platters
06) All I Have To Do Is Dream The Everly Brothers
07) Rock Around The Clock Bill Haley & His Comets
08) That’ll Be The Day Buddy Holly & The Crickets That’ll Be The Day
09) The Great Pretender The Platters
10) Earth Angel (Will You Be Mine) Harry Waters Jr. (Marvin Berry & The Starlighters) Back To The Future
 

11)

 

Johnny B. Goode

Harry Waters Jr. / Mark Campbell / Tim May (“Marty McFly” & The Starlighters)  

Back To The Future

12) (He’s) The Great Imposter The Fleetwoods
13) Why Do Fools Fall In Love Frankie Lymon & The Teenagers Why Do Fools Fall In Love
14) Runaway Del Shannon
15) Singin’ In The Rain Gene Kelly Singin’ In The Rain

 

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