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Korzus – Guerreiros Do Metal (Coletiva De Imprensa) ::: 19/12/19 ::: Central Panelaço
Postado em 01 de janeiro de 2020 @ 16:36 | 752 views


Por: Vagner Mastropaulo
Trinta e cinco anos de carreira (e contando…) que agora podem ser lidos!
Agradecimentos a: André BG (Alquimia Rock Club), Isabele Miranda (assessora de imprensa), Maurício Java (Sonoridades – Rede TV! Digital) e Maurício Panzone (autor do livro)
Oficialmente era uma coletiva de imprensa. Na prática, sem a formalidade. Marcada para as 19:00, com um imprevisto de ordem pessoal, chegamos somente às 19:20 e a tempo de pegarmos a condução da descontraída interação entre Maurício Java, do Sonoridades, o talk-show sobre música da Rede TV! Digital, e três integrantes do Korzus: o vocalista Marcello Pompeu, o baixista Dick Siebert e o baterista Rodrigo Oliveira (os guitarristas Antonio Araújo e Heros Trench foram sentidas ausências).
Junto à mesa, como não poderia deixar de ser, o amigo e anfitrião, João Gordo, e Maurício Panzone, vulgo ‘Hominho’, autor da biografia Guerreiros Do Metal. Após o rápido bate-papo (aqui transcrito com autorização do próprio Java), abriu-se a tradicional sessão de perguntas e respostas, que também transcorreu com a simplicidade que caracteriza o quinteto: era só ‘colar e trocar idéias com os caras’! Aproveitando o ensejo, rapidamente conversamos com os três músicos e o escritor. Vamos às transcrições:
Maurício Java: E aí, galera do Sonoridades, estamos aqui com o Korzus: Pompeu, Dick e Rodrigão. Viemos aqui para falar do livro e já vou começar com essa pergunta básica, né? Falar sobre este grande livro aqui: Guerreiros Do Metal. Contem aí, como é ter um livro agora?
Dick Siebert: Cadê o nosso amigo? Cadê o Hominho? Tudo começou com o Maurício Panzone, que é amigo nosso há mais de trinta anos, que sempre foi apaixonado por metal, sempre acompanhou. Ele é um cara dos anos 80 que fazia fanzine, sempre estava nos shows e ele queria fazer um livro sobre a cena da época. Um cara que viveu no mundo corporativo por uns trinta anos, mas a paixão sempre vinha à frente. E quando ele foi fazer um apanhado para essa história dos anos 80 do heavy metal, ele se tocou que 90% do apanhado dele tinha Korzus. E, por ser amigo, ele me falou: “Meu, vamos fazer uma biografia aí do Korzus? Vamos fazer uma celebração desses trinta e cinco anos de carreira?”. Eram trinta e quatro, né? Porque levou quase três anos até ficar pronto. E aí ele pediu o aval e começou com essa brincadeira aí, até que chegamos nisso aqui [nota: apontando para o livro].
Java: E o legal é que, lendo o livro, você não tem aquela sensação de estar lendo uma bíblia. Parece que o Maurício está conversando com quem está lendo. Como é que foi isso aí?
Marcello Pompeu: É um detalhe bem legal do livro, cara, porque ele não fica assim só tipo: “Ah, porque ele fez isso, fez aquilo”. E tem muitas pessoas também, que não são da banda, que falaram nesse livro. E até para a gente, da banda, às vezes tem coisa que, na leitura do livro, a gente se surpreende com certas visões que algumas pessoas, amigos nossos, companheiros de cena, companheiros de outras bandas co-irmãs, de pessoas que trabalham na cena e deram opinião sobre a banda e você nem imaginava que a pessoa pensava assim, tá ligado? É um lado contrário e até para a gente está sendo uma novidade, algumas coisas que estão no livro. Então, pô, cara, para mim é super legal! Na verdade, ele mostra nossa história de uma forma diferente, tipo uma terceira pessoa com a gente falando algumas coisas que vivemos no furacão da época.
Rodrigo Oliveira: E o legal foi que teve coisas que ele perguntava: “Ah, é legal falar disso? Pode falar daquilo?” e, cara, a gente não proibiu nada. Quer falar? Fala!
Pompeu: Exato!
Rodrigo: “Ah, mas você acha que é legal?”. Cara, se for legal ou não, você que é o escritor e tem que ver isso.
Dick: Faz parte da história.
Pompeu: Ele teve uma liberdade bem grande para escrever assim, fazer o livro da forma como ele imaginava. E para a gente acabou se tornando diferente também. Não ter aquela coisa, sabe, tradicional.
Rodrigo: Teve muita coisa que ele chegou para cortar e falou: “E aí? Corto ou não corto?”. E a gente falou: “Não, cara! Faz do jeito que você achar melhor. A gente não está proibindo nada”. A gente não tem nada a esconder. Se a pessoa está contando a história da banda, não tem porque cortar. “Ah, mas tal pessoa vai ficar chateada”. Cara, aí é problema de tal pessoa. Você entendeu? O público tem que saber a verdade da banda. A gente tem que ser verdadeiro com o público.
Pompeu: É como a gente pensa. E o legal também é como as pessoas que falaram da nossa história pensam também. Então ali é bem verdadeiro mesmo. Não tem nada de censura neste livro.
Java: E outra coisa legal também são as fotos da época. Vocês estavam contando que tinham um arquivo gigantesco, com umas seiscentas fotos para escolher, né, Dick?
Dick: Sim!
Pompeu: Tem uma foto que eu vi esses dias e eu quase morri, cara! O Dick está parecendo o Kadu Moliterno, cara: cabelo de surfista assim, bigodinho, fininho… juro! Eu tive que olhar bem. Meio praiano, acho que pós-Santos. Ele raspou o cabelinho assim, meio tipo Armação Ilimitada. Na verdade não sei se era como o Kadu Moliterno ou o outro, o André de Biase, sei lá. Um daqueles dois [nota: Kadu e André interpretavam os surfistas Juba e Lula na série que foi ao ar pela TV Globo entre maio/85 e dezembro/88].
Java: Uma coisa legal no livro também é que ele mostra toda a história, mostra coisas que ninguém sabia e tem relatos da galera da cena musical também.
Pompeu: Sim!
Java: Vocês se surpreenderam com alguns depoimentos? Ou vocês já esperavam?
Pompeu: Não, teve várias coisas que eu não sabia que os caras pensavam assim da gente [nota: rindo]. Na época, tá ligado? E, cara, é a história, né? Logicamente que geralmente essas coisas que você vai ouvir as pessoas falarem, esse pessoal da cena, era como eles te viam nos anos 82, 83 e 84 e hoje a gente está em 2019. Muita água rolou, né? A amizade que a gente tem, mas é surpreendente às vezes: “Cara, nunca pensei nisso!” e tal, ou: “Nem lembro que falei isso!”, saca? É uma outra época. É isso aí. É bem legal isso aí. Acho que isso aí é toda a verdade. O que cada um falou é o que realmente lembra, é o que realmente sentiu naquela época, o que foi ver o Korzus, o que foi ouvir o Korzus falar, comportamento, como que achou que a gente era. Acho que é isso aí, cara! É bem assim, mesmo que não sejam tão positivas ou sejam mais negativas as idéias que alguém falou, para mim é o que importa é a sinceridade.
Rodrigo: Ser verdadeiro. Acho que é um livro verdadeiro. Isso é legal, de ponta a ponta.
Java: E vocês foram praticamente uns dos pioneiros, né? Para quem curte um metal mais pesado em São Paulo e no Brasil também. Como é que vocês estão vendo agora seus trinta e cinco anos de carreira e os próximos passos para o futuro que vocês estão iniciando aí?
Pompeu: Bom, na verdade o livro está tomando um corpo, uma proporção que a gente não tinha imaginado. A gente achava que ia ser uma coisa normal: você lança um livro, saca… sei lá, faz uma coisinha, dá uma divulgada, vende o livro e beleza. Cara, o livro está ficando uma coisa bem grande. Você vai para a internet hoje e está muito bombado ali, falando do livro. Você vai até os sites onde você está acostumado a ler coisas e estão falando do livro lá. Você aqui está falando do livro! Eu recebo ligações de Whatsapp de pessoas de Santos querendo fazer exatamente o que está acontecendo aqui hoje, lá na cidade deles, entendeu? Por exemplo, vou cantar em Indaiatuba em janeiro e o cara quer fazer uma ‘Tarde do Livro’.
Dick: O livro virou um álbum, cara!
Pompeu: É, o livro está parecendo um disco!
Dick: Parece um CD, o lançamento de um CD!
Pompeu: Parece um disco novo do Korzus, mas é um livro, tá ligado? Eu estou vendo que vou acabar fazendo a turnê do livro, a ‘Livro Tour’, entendeu?
Dick: Uma ‘Tour Book’!
Pompeu: Mas os nossos planos, além do livro, são fazer uma coletânea com as principais músicas que já foram de setlists da banda, de todos os discos, entendeu? Do Disco Vermelho [nota: alusão à capa de Ao Vivo (1986)], do Sonho Maníaco…
Rodrigo: E não é uma coletânea simples, como pegar as músicas que já foram gravadas e colocar ali, não. É regravar.
Pompeu: Nós vamos regravar todas as músicas e vai ter um pouco de todos os discos, mas só as músicas que já foram para setlists da banda em show.
Rodrigo: Músicas que às vezes o fã gosta, mas a gravação na época não permitia ter a qualidade que tem hoje. Então acho que as músicas merecem essa nova mixagem, essa nova gravação. Então a gente vai refazer isso.
Pompeu: Depois disso aí, a gente vai estar com o livro, a coletânea e, para o começo de 2021, a gente já vai fazer a gravação de um álbum novo. A gente vai, durante essa ‘Turnê do Livro’ e a ‘Turnê da Coletânea’, fazer essas músicas novas porque o nosso processo de composição é bem demorado. Temos um critério muito grande para que as músicas fiquem com a cara da banda. Às vezes os principais compositores da banda trazem músicas legais, só que não é a cara do Korzus, né? A gente vai morrer fazendo esse tipo de música e não vamos migrar.
Dick: E aparecem os tiozinhos chatos aqui que começam a: “Ah, corta essa, põe essa, faz assim” [nota: referindo-se especialmente a si mesmo e a Pompeu].
Pompeu: Não que as músicas sejam ruins, mas seriam boas para outras bandas. Não para o Korzus.
Rodrigo: E se não for unânime, acabou. Não sai!
Pompeu: Não rola!
Rodrigo: Tem uma música nova nossa que já tem dois anos que está mixada, pronta e: “Vamos lançar o single?”.
Pompeu: Não é unânime!
Rodrigo: Tem um dia que um acha: “Puta, animal!” e aí um outro fala: “Não é tão legal!”. Passam-se três, quatro meses e um que não gostava já gosta e o que… aí a gente não lança. Está paradaaté hoje, há dois anos.
Pompeu: A gente tem uma música pronta e agora a gente vai regravar a guitarra-base dela, tá ligado? Temos até um vídeo-clipe meio que já engatilhado para fazer, só que o som da guitarra-base não nos agrada. Só agrada ao guitarrista, menos ao batera, ao baixista, ao vocal… então a gente está forçando a barra para regravar. E provavelmente vai ter esse vídeo-clipe também aí em 2020, entendeu? Porque aí vem com uma cara um pouco de um trabalho novo, mas ao mesmo tempo vai ter essa coletânea e logicamente o livro, o livro, o livro, o livro…
Java: … e o livro! De repente uma reedição do livro com mais estórias?
Pompeu: O livro está vendendo bem pra caramba. Acho que é bem provável que… como se fala?
Java: Uma segunda tiragem?
Pompeu: [nota: brincando] Em livro é: ‘se-gun-da e-di-ção’!
João Gordo: Ou fazer um filme?
Pompeu: [nota: rindo] Vamos fazer um filme! Gordo, você faz a direção do filme?
Gordo: Direção? Não, põe ele aí [nota: apontando para o autor do livro].
Pompeu: Não, põe o Gordo, pô!
Java: Maravilha, gente! Obrigado!
Pompeu: É isso aí?
Java: É isso aí. Hoje foi rapidinho. Brigadão!
Rodrigo: Valeu, Java! Obrigado.
Java: A gente se vê na estrada aí.
Rodrigo: Com certeza!
Pompeu: Sonoridades aí com a gente, sempre fechado junto!
Dick: Ah, você não vai fazer nenhuma pergunta para o escritor?
Java: Depois vou fazer uma entrevista só com o escritor! É sério!
Esperemos! Enquanto isso, com livre acesso aos músicos, o que nos restava era abordá-los, sempre respeitando o tempo e a vez dos outros veículos, pedidos de fotos e autógrafos em Guerreiros Do Metal. O objetivo não era gerar uma longa entrevista, mas manter o clima de informalidade que imperava e apenas colher registros individuais do momento, daí a repetição da pergunta sobre a satisfação com o resultado do livro a Dick (o mais boa praça dos três), Rodrigo (o mais centrado) e Pompeu (o mais direto):
Onstage: E aí, Dick? Feliz com o resultado do livro?
Dick: Legal pra caramba, cara! Está acima da expectativa. Ficou mais legal do que a gente esperava e, pô, o Maurício Panzone é meu amigo. A gente é amigo há mais de trinta anos e quando ele começou a fazer o livro, eu fui quase que o braço-direito, né, dele. Acompanhei toda essa ‘memorabilia’ que tem dentro do livro, 90% é dos meus arquivos, né?
Onstage: De fotos?
Dick: De fotos, crachás, cartazes… eu tenho desde o primeiro show até hoje! Eu sou, na real, um colecionador, né? Da minha própria banda.
Onstage: E quanto tempo levou o projeto, até o livro ficar pronto?
Dick: Acho que uns dois anos e meio para quase três, viu, cara?
Onstage: O que é mais fácil então: tocar ou fazer esse trampo todo para o livro?
Dick: Tocar, né? Não sou escritor, cara. Para mim, papel e lápis ou caneta sempre foi para desenhar! Você pega meus cadernos de escola, de moleque, é tudo desenhado, meu. Eu só desenhava…
Onstage: …logo de bandas, provavelmente!
Dick: Não apenas! Eu desenhava o tempo todo, desde moleque. Mas eu tenho um caderno do terceiro colegial que tem a capa do Speak Of The Devil que eu desenhei a lápis, cara [nota: álbum ao vivo de Ozzy Osbourne lançado em 1982]! E eu tenho todas essas tralhas guardadas! Então, para mim, escrever é um terror. Meu negócio é desenhar mesmo.
Onstage: E o que falta para o Korzus? Vocês tocaram em Monsters Of Rock, Rock In Rio, agora têm o livro, uma carreira consolidada. O que falta fazer?
Dick: Acho que nada, né, meu? A gente faz o que a gente gosta, né? Se diverte, transformou em trabalho e só de você saber que está com todo esse tempo de banda e ainda existe gente interessada em você, cara, isso é gratidão!
Onstage: Dick, obrigado!
Dick: Obrigado a você! Legal que você está aqui!
No Korzus desde setembro/97, Rodrigo Oliveira tem muito a dizer, mas focamos no livro e em sua outra banda, o Armored Dawn. De quebra, o batera discorreu sobre a união da cena.
Onstage: E aí, como você está com relação ao livro? Feliz com o resultado?
Rodrigo: Estou mais feliz do que o esperado! Eu esperava que ia ser legal, afinal de contas o Maurício já é brother há muitos anos, ele conhece a história a fundo do Korzus, mas o resultado final, quando eu peguei o livro na mão, foi surpreendente. Eu esperava algo bom, mas nem tanto: a qualidade, o bom gosto, o jeito que ele fez o livro. Estou muito contente e a repercussão que está dando está muito legal.
Onstage: Sobrou alguma coisa que ainda dá para usar? Ficou de fora alguma estória que vocês se lembraram depois, um “Putz, faltou aquela!”?
Rodrigo: Cara, tem mais um livro fácil! Dava para encaixar depois do livro. A gente está pensando em talvez numa segunda edição, fazer algo maior ou fazer um gibi, com cada página dele contando uma estória a mais, fazer algo diferente.
Onstage: E você toca no Armored Dawn também. Como você concilia as agendas?
Rodrigo: Cara, já estou há três anos e meio fazendo isso, então é super tranqüilo. As duas bandas se gostam muito, tanto que a gente já fez turnês juntos pelo Brasil. E agora em maio vamos sair para a estrada, temos acho que oito shows que vão ser Armored Dawn e Korzus. Acho que essa união, independentemente do estilo, é metal. E essa união é muito importante. Só a união vai conseguir mudar alguma coisa, mudar a cena. Fazer essa união igual a várias vezes que você viu. Na época de Woodstock era uma união. A época do grunge era uma união daquelas bandas de Seattle que demoraram sete anos para acontecer alguma coisa. Então acho que está faltando essa união aqui e estamos tentando unir outras bandas para sairmos para a estrada juntos.
Onstage: Obrigado!
Rodrigo: Opa, de nada!
Onstage: E aí, cara, feliz com o resultado do livro?
Pompeu: Estou bem feliz, bem feliz! Está bem além do que a banda esperava.
Onstage: E o que ainda falta fazer na carreira do Korzus? Já tem livro, participação em festivais, carreira consolidada…
Pompeu: Falta fazer mais um disco, falta chegar a quarenta anos de carreira, no mínimo!
Onstage: E tem mais alguma coisa que sobrou do livro e que dá para colocar?
Pompeu: Sempre tem uma ou outra estória, né? Mas se a gente ficar colocando isso, aquilo, pára tudo para fazer, encaixar na cronologia, não ia acabar nunca. Então está aí o grosso, a verdadeira história da gente.
Onstage: E é mais fácil se lembrar de tudo isso, caçar material ou cantar?
Pompeu: É mais fácil cantar!
Onstage: É isso! Muito obrigado!
Pompeu: Valeu!
Ainda sobrou tempo para conversarmos com o escritor (na ordem real dos fatos, falamos com ele entre as conversas com Dick e Rodrigo):
Onstage: Vamos por partes: o Dick me falou que você é amigo dele, mas de onde vocês se conhecem?
Maurício Panzone: Putz, velho… na verdade é o seguinte: nos anos 80, em 1985/86, eu comecei a fazer um fanzine, o Mayhem…
Onstage: …o nome é igual à banda Mayhem?
Maurício: Exatamente isso [nota: na página 248 do livro há uma reprodução da capa do quarto número de Mayhem – Infernal Noise Magazine trazendo o Korzus]! Aí, fazendo o fanzine, eu fazia matéria, ia a ensaios e fomos virando amigos. Passamos a ter amigos em comum e, velho, na edição número três, ele me ajudou com a parte da arte. A amizade nasceu dali. Eu nem assistia muito a shows do Korzus.
Onstage: E de onde surgiu a idéia do livro?
Maurício: Então, eu sempre gostei de escrever, cara! Eu trabalhava em escritório, fiquei quase trinta anos na mesma empresa e tal, e aí à noite eu ficava escrevendo. Estava escrevendo sobre a cena, né? Tudo que eu assistia nos anos 80, os lugares, como: Teatro Mambembe, Projeto SP, Black Jack, Rainbow, Aeroanta, Dama Xoc… eu já tinha, sei lá, umas oitenta, noventa páginas… não, umas setenta, por aí, e pensei: “Cara, eu tenho muita coisa sobre o Korzus. Vou escrever sobre o Korzus! Eles vão fazer trinta e cinco anos, vou escrever sobre eles”. E aí procurei o Dick porque a gente já tinha contato, a gente se encontrava normalmente em final de ano, as famílias passavam meio juntas e falei: “Cara, tô pensando em fazer um livro!”. E quando teve o show do Slayer em Interlagos [nota: a segunda e última edição do Maximus Festival, no Autódromo, em maio/17], eu falei com o Pompeu. Aí ele ficou até meio surpreso: “Um livro?”. E eu falei: “É, um livro, velho!”. Aí eles falaram: “Beleza, sinal verde!” e foram dois, quase três anos ralando, contando estórias, gerando material.
Onstage: Sobrou alguma coisa de outras bandas, para você retomar o livro só sobre a cena? Material que você não usou? Você deve estar cheio de idéias aí agora.
Mauricio: Sim! O livro da cena não sai da minha cabeça. Eu tenho vontade de contar essa história. Não sei se vai ser exatamente um livro sobre a cena ou, se eu tivesse como, fazer aí um trabalho de pesquisa gigante e falar sobre todas as bandas que eu vi, um “De A a Z” das bandas e eu mesclaria com a história. Citar todas as bandas que a gente viu dos anos 80 e 90, 2000 e atuais, mas é muita coisa. Aí não sei se caberia, se teria condições de fazer, pelo tamanho. Eu falo isso pelos livros gringos, tenho um “De A a Z” gringo que é lindão! E aí, pô, deveria ter um nosso aí. Alguma coisa nós vamos fazer.
Onstage: Você disse que trabalhava em escritório, o que você fazia ou faz exatamente?
Mauricio: Cara, quando eu fazia o fanzine, eu entrei numa multinacional de cosméticos, isso em 1989. E eu fui tocando, junto com o fanzine, eu fazia uns releases para o selo Estúdio Eldorado quando saíam discos. Nem lembro mais as bandas… o Voivod, que a Eldorado lançou aqui, e eu fazia os releases [nota: referência ao LP War And Pain (1984), aqui lançado em 89 pelo selo]. Só que eu já trabalhava e comecei a tirar o pé, né? Não dava para fazer o fanzine. Fiz só mais uns dois números e me afastei um pouco da cena, né? Nesse sentido de atuar, mas sempre indo a shows, vendo os amigos.
Onstage: E hoje, além do livro, você trabalha com o que?
Mauricio: Eu saí da empresa e hoje estou trabalhando com projetos. Peguei esse que estava engavetado e foi o primeiro que eu fiz.
Onstage: Cara, é isso, muito obrigado!
Mauricio: Obrigado a vocês!
No mais, era curtir o final da festa entre os comes (coxinhas de jaca e torradas com três tipos diferentes de patês e guacamole com cebola) e bebes, assim apresentados pelo barman Thiago Passone: “Hoje a gente está servindo uns drinks aqui de: Honey Lemonade, que é o Jack Daniels de mel; Jack And Coke; Shot de fire com um toque de canela e pimenta; e o Maracujack, que seria a caipirinha com o Old Seven tradicional em vez da vodka ou da pinga”. E desfrutar da companhia dos presentes, dentre os quais de Ricardo “Micka” Michaelis, guitarrista do Santuário, uma das quatro bandas que integram o clássico split S.P. Metal II (1985) – além do Korzus, as outras duas são o Abutre e o Performances.
Outra lenda era Luiz Calanca, responsável pelo projeto S.P. Metal e dono da Baratos Afins, aberta em 24/05/78. Com a vida dedicada ao rock e ao metal comercializando especialmente LPs, mas também CDs, ele é patrimônio de nossa história musical e cultural. Tanto que este escriba dele se aproximou pedindo uma foto, foi prontamente atendido e ainda obteve como resposta o gesto mais bonito de toda a noite: “Você envia para mim? O prazer da foto é recíproco!”. Um daqueles momentos para se colocar debaixo do braço e guardar para a vida… depois dessa, só restava ir para casa refletir e fazer este texto. Calanca e Korzus, nós é que te agradecemos!
Por fim, para saber um pouco mais sobre a trajetória de Calanca, há uma entrevista para o Vitrola Verde de César Gavin no YouTube em
 https://www.youtube.com/watch?v=iGZViiw00uU
E para se ter uma idéia de como foi a tarde de autógrafos de Guerreiros Do Metal na Woodstock Discos, de Walcir Chalas (com a vida de serviços prestados ao rock e ao metal, outra instituição e verdadeira entidade),
Acesse:
http://www.alquimiarockclub.com.br/materias/6643
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