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Led Zeppelin In Concert – Nova Orquestra – 20/10/19 – Allianz Parque Hall
Postado em 22 de novembro de 2019 @ 13:51 | 64 views


Texto: Vagner Mastropaulo

Fotos: Flavio Santiago

Dia (e noite) de celebração ao legado do Led Zeppelin

Agradecimentos a: Jonas Cáffaro

Segundo o site oficial do evento, o propósito era comemorar 50 anos de Led Zeppelin e Led Zeppelin II, lançados em janeiro e outubro/1969, juntando assim a fome por cultura e o ineditismo de versões orquestradas do grupo inglês com a vontade de escutá-los, um eterno prazer. E o local escolhido já havia recebido espetáculos similares no final de junho, quando a Orquestra Petrobrás Sinfônica fez quase toda a trilha sonora de Bohemian Rhapsody (2018) e o álbum Metallica (1991), na íntegra, em dias consecutivos. A disposição dos assentos, aliás, foi a mesma em formato Hall no Allianz Parque, com capacidade para até 11185 espectadores, mas comercialização de 6990 ingressos em três setores: cadeira vip (colada ao palco), deck vip e cadeira premium (inteiras respectivamente a 210, 250 e 105 reais). Também se utilizou a estrutura para receber Bryan Adams na sexta e abrigar, no sábado, a própria Nova Orquestra e sua Game Sinfônica, com músicas de vídeo-game, além do Led Zeppelin In Concert, no domingo.
A abertura dos portões estava marcada para as 17:30, quando ainda se ouvia Kashmir na passagem de som, mas o acesso só de fato foi liberado trinta minutos mais tarde. Uma vez lá dentro, com opções de consumo gourmetizadas (não é força de expressão: pizza, hot dog e hambúrguer vinham com o título ‘gourmet’), o melhor custo-benefício era a pipoca, a módicos 10 reais e em quantidade satisfatória. Faltando três minutos para as 19:30, horário do concerto, uma imagem de Lucas Lima (o músico, não o jogador) surgiu projetada num telão frontal em “um holograma em tempo real”, segundo explicação do regente Éder Paolozzi. Porém, a amostra de tecnologia de ponta de uma operadora de celulares foi tão impressionante quanto desnecessária, em meio à mega exposição de marcas a que o público era submetido, tanto pelos patrocínios do estádio quanto os do show, nos outros três telões: dois laterais e um de fundo. Ao menos o violonista mandou bem ao fazer sozinho uma curta versão de Black Dog. Bela pegadinha para quem ainda se acomodava às pressas, achando ser o início da festa.
Música mesmo só foi rolar com quinze minutos de atraso, com a entrada da Nova Orquestra trajando preto em camisas masculinas ou blusas femininas, jeans pretos ou azuis e calçados confortáveis. Vistos das cadeiras premium, o lugar que coube aos repórteres e fotógrafos, contabilizava-se vinte e seis componentes, mais Lula Washington (guitarra), Gledson Câmara (baixo) e Jonas Cáffaro, do Matanza Inc (bateria), todos sob a batuta do citado condutor. O uso de aparelhos celulares não apenas foi liberado como por ele encorajado: “Muito obrigado pela presença. Está lindo! Hoje a gente está aqui para homenagear uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, sem dúvida nenhuma: o Led Zeppelin. E, gente, pode filmar! Marquem a gente, podem dançar, levantar e, como vocês perceberam, não temos vocalista, então a nossa voz são vocês. Por favor, cantem com a gente, beleza?”.
A abertura dos trabalhos ficou por conta de Good Times Bad Times, justamente a primeira faixa do lado A do primeiro álbum do Led, bem fiel à original. Communication Breakdown, por sua vez, trouxe arranjo inicial não tão óbvio e houve quem só a reconhecesse após mais de um minuto. Observando-se de cima a lotação da casa, notava-se o setor lateral esquerdo das cadeiras vip bem vazio, ao contrário do outro lado e de sua parte frontal e, no palco, era interessante notar alguns músicos ‘agitando’, dentro do que o protocolo permitia. O público parecia mais compenetrado, e com média de idade elevada, se comparado aos dois eventos mencionados com orquestra por lá (para ver Queen, a platéia era bem diversificada e animada; e, no dia do Metallica, destacava-se variedade de estilos de metalheads em versão recatada). E havia crianças, tanto que, perto deste escriba, uma brava mãe sofria ao tentar controlar sozinha o seu mais novo, que aparentava não ter nem cinco anos, enquanto o mais velho curtia a noite e o set, mas sem largar o celular (o caçula até que se comportava, mas tente silenciar e imobilizar uma criança em uma cadeira para ouvir uma orquestra – não há quem o faça).
Não incluída originalmente no link de programação oficial, The Battle Of Evermore foi grata surpresa ao substituir Babe I’m Gonna Leave You, presente no release de divulgação. Com linha de baixo marcante, Dazed And Confused foi reconhecida de bate-pronto, causou frisson e agradou, assim como a divertida D’yer Mak’er, que manteve o swing encontrado em Houses Of The Holy (1973) e foi a mais enxuta do set, com pouco mais de dois minutos e meio (a título de curiosidade, cabe esclarecer que todas as músicas foram cronometradas). Since I’ve Been Loving You ficou simplesmente portentosa e explicitou o talento bluseiro de Lula Washington, que mandou ver, roubou a cena e foi muito aplaudido. Caminhando para o final da primeira entrada, antes de The Song Remains The Same, Éder fez um pedido: “Quero ouvir vocês cantando mais, gente!”, e por mais que sua intenção fosse das melhores, não era tão simples assim atendê-lo, uma vez que o público parecia mais interessado em contemplar a apresentação do que em cantar. Desta vez inteira, e não apenas em trecho, como fizera o holograma do Sr. Sandy, Black Dog foi a saideira da primeira parte. Educado, Éder sinalizou: “Obrigado, daqui a pouquinho a gente volta. Intervalinho de vinte minutos e a já gente volta.

Muito obrigado”, pausa indicada também no telão central e cumprida à risca.
No retorno, um dos músicos resolveu afinar seu instrumento fazendo Sweet Child O’Mine (Guns ‘N’ Roses), mas pela distância não foi possível cravar quem. Com a reentrada do condutor, não mais de camisa azul e sim de camiseta preta lisa (mesmo com o estranho frio na cidade, quase em novembro), veio a intimista No Quarter, em versão ao vivo apenas oito segundos mais curta do que em estúdio. Houses Of The Holy foi outra com início não tão identificável de bate-pronto e o que viria a seguir era o momento mais aguardado pelos fãs, ainda mais após a dica dada por dois membros da orquestra, ao erguer seus celulares com as lanternas ligadas, e Lula Washington, sentado, dedilhar Stairway To Heaven no violão, como faria também para encerrá-la, aplaudida de pé pelo público. Ponto alto da noite até então, o maior clássico do Led Zeppelin ensaiou ser cantada nas cadeiras Premium e foi um dos quatro arranjos mais longos do que o originalmente escrito – além de Good Times Bad Times, Communication Breakdown e a próxima do set. Também foi interessante notar como, espetacular, ela abriu espaço para a melodia, talvez pelo fato de a bateria só entrar bem mais adiante (pura especulação de um não músico).
Retribuindo o carinho, primeiro foi a vez de a orquestra agradecer, então Éder dirigiu-se ao público: “Obrigado, vocês são incríveis! Essa energia que vocês estão mandando, a gente está sentindo aqui e é de arrepiar. Muito obrigado! E agora, para continuar, gostaria de convidar um cara incrível, o baterista do Ego Kill Talent, Raphael Miranda”, para Immigrant Song, também não facilmente reconhecida de cara, até o mesmo descer o braço, talvez por ser sua única participação. Muito aplaudida, a faixa perdeu um pouco em groove, ganhou em peso e levantou alguns fãs alocados na parte esquerda das cadeiras vip, ainda durante sua execução. Mas o que chamou mesmo a atenção foi testemunhar o quanto agitava um dos violonistas, cabeludo e digno representante da ala metal de quem foi ao estádio. Em conversa pelo Facebook com Jonas Cáffaro, que retomaria seu posto na seguinte, descobrimos que o nome do animado e contagiante músico é Sérgio de Oliveira (mais detalhes sobre o papo com o baterista no final desta matéria e, para quem almeja ouvir a música ao vivo novamente, há grandes chances de o Infectious Grooves tocar um cover dela no Espaço das Américas em 17/11).
Se soava impossível superar a energia de Stairway To Heaven, Kashmir levantou a platéia nas cadeiras premium de imediato e, já que se tratava de um estádio, a vibração lembrou a de torcedores quando um adversário é expulso (seria exagero afirmar ser como a marcação de um gol). Mesmo mais de dois minutos mais curta do que em Physical Graffiti (1975), a ‘canção’ foi aplaudidíssima de pé, ao seu final, e o regente demonstrou gratidão: “Bom, pessoal, estamos quase chegando ao final do nosso setlist. Queria agradecer muito ao pessoal do Allianz Parque, por tudo, e à equipe toda da Nova Orquestra. Vocês são incríveis! Temos aí a equipe e a gente está começando. Obrigado! A gente tocou no Rock In Rio, estreamos no Game XP no Rio, em julho, fizemos um show no Rock In Rio, com o Hip Hop Hurricane e agora estamos aqui. É a estréia do Led Zeppelin In Concert em São Paulo. Então, muito obrigado!” (completando, o show foi no Palco Sunset do Rock In Rio, dia 03/10, com Rael, Agir, Baco Exú do Blues e Rincon Sapiência). Fechando a parte regular do set, veio a cereja do bolo em início disfarçado até Jonas Cáffaro sentar a mão em seu kit para Rock And Roll, um orgasmo coletivo que levantou a massa, ainda mais após o encorajamento de Éder. Catártica, ela ainda teve a manha de durar exatamente o mesmo que em estúdio, foi tocada com alguns membros pulando em pleno palco e, emocionados, os mesmos (e outros) músicos congratulavam-se efusivamente ao seu término.
Com pedidos de “Mais um! Mais um!”, não restou alternativa à Nova Orquestra a não ser devolver o carinho em um bis puxado por Stairway To Heaven, sem que a platéia se sentasse, nova indicação para que todos ligassem as lanternas dos celulares e, desta vez, com membros da orquestra coreografando os movimentos dos braços dos fãs. Com a repetição da música, algumas pessoas deixavam as dependências e houve um respiro para prestarmos atenção ao telão de fundo, decorando o palco por todo o set com o logo da Nova Orquestra, em preto, sobre projeção de um facho de luzes verdes e um zepelim acima, como o da capa da coletânea Mothership (2007), similar à do primeiro álbum, inspirada no desastre com o Hindenburg em maio de 1937. Éder meio que consultou a platéia sobre o que repetir, meio que indicou o caminho: “Bom, vocês vão pedir e o que primeiro for mais forte a gente vai tocar aqui. Quem acha que é Kashmir?”. Com a anuência em urros, tornou-se opção única, embora um fã berrasse em defesa de Rock And Roll, que seria a próxima e faria a alegria geral após fundamentais palavras de Éder: “Eu queria agradecer ao Christian Bizzoto, que fez esses arranjos para a gente. Obrigado, Christian”. Final apoteótico com o regente chamando todos os músicos para a frente do palco, em reverência ao público.
Como destacado, Jonas Cáffaro elucidou alguns pontos. O primeiro, acerca da dificuldade em não pegar pesado em seu kit, fazendo as vezes de John Bonham: “Pois é! Eu tive que segurar a onda, pra caramba, na dinâmica porque a vontade de sentar o braço tocando as bateras do Bonham era gigantesca. Mas como era uma orquestra, outra pegada, eu respeitei ali os arranjos, que ficaram muito interessantes, e achei que valia a pena segurar a onda mesmo”. Questionado sobre como se deu o convite para participar da festa, ele explicou: “Eu tenho um grande amigo que trabalhou na produção, o Mateus Simões. A gente já tocou junto em bandas de hardcore e no underground e ele sabe que sou muito fã de Led Zeppelin, que tenho tatuagem da banda, e me chamou para o projeto sabendo que eu iria dar conta (e espero ter dado conta)”. Aproveitamos para conferir se ele se apresentara também na véspera: “Eu não toquei no Game Sinfônica, eu fiz só parte do projeto do Led Zeppelin. Cada projeto desses é uma banda diferente, sacou? A orquestra não, mas a banda é diferente”. Também checamos uma rápida passagem, bem parecida a Dazed And Confused, inserida no final de Communication Breakdown: “Na verdade, essa é uma menção, se não me engano, ao Canto De Xangô, de Os Afro-Sambas, do Baden Powell. No começo da música tem essa citação também”.
Encerrando o papo, perguntamos sobre a experiência de ‘fazer parte’ de uma orquestra e sua percepção da reação do público: “Tocar com a orquestra foi uma experiência incrível. Foi muito engrandecedor para mim, que sou um músico de rock, toco basicamente em bandas de rock e faço algumas coisas de música brasileira. É muito interessante você se colocar em outro lugar dentro da banda porque, dentro de uma orquestra, a bateria é apenas mais um instrumento. Num trio de rock ‘n’ roll, a bateria é parte importantíssima, primordial. Foi muito interessante, como músico, me colocar nessa questão da dinâmica, às vezes atrás, tocar baixo, segurar a onda para os outros instrumentos aparecerem, pois há muitos naipes. E é incrível ouvir os arranjos com naipes de cordas e metais. O público foi muito legal porque era um show de orquestra, mas, ao mesmo tempo, era Led Zeppelin. Então as pessoas estavam ali ouvindo com atenção, outros cantando. Bem diferente de um show de orquestra tradicional, então foi muito interessante. Na hora de Stairway To Heaven, todo mundo cantou, foi lindo, então não tenho o que dizer a não ser que foi incrível e que o público também está de parabéns”.
Concluindo, de toda a discografia do conjunto, apenas Presence (1976) e In Through The Out Door (1979) foram deixados de lado. Deste último, não caberia fazer um arranjo para All My Love? Outras belas inclusões num futuro replay do espetáculo, pensando apenas nos álbuns tocados, seriam: The Rain Song, Going To California e Tangerine. Forçando um pouco a barra, já pensou como seria uma versão orquestrada da viajante Friends? É esperar para ver! Enquanto isso, não custa valorizar outros artistas e ouvir Led Zeppelin ao som da dupla brasileira Ricardo Vignini e Zé Helder, o Moda de Rock, que gravou um álbum todo com músicas dos ingleses em viola caipira, e da parceria entre os alemães da Indigo Streichquartett e o baixista tcheco Jan Kazda, em Kazda & Indigo Strings Play The Music Of Led Zeppelin (2011). E mais, respostas a perguntas no Instagram da Nova Orquestra prometem novidade: “Já, já a gente solta um show novo com uma banda que todo mundo ama! 🙂 Surprise!”. Outro post garantia não ser Pink Floyd e para o fã que citou sonhar em ver Iron Maiden orquestrado, o retorno foi música para os olhos e ouvidos: “Olha o spoiler, rapaz!”. De novo: é esperar para ver.

“Setlist”
Prévia – 19:27
Black Dog [Lucas Lima no violino e em holograma em tempo real] – 1’36” [4’54” em Led Zeppelin IV (1971)]
Primeira Entrada – 19:45 a 20:28
01) Good Times Bad Times – 3’03” [2’46” em Led Zeppelin (1969)]
02) Communication Breakdown – 3’43” [2’30” em Led Zeppelin (1969)]
03) The Battle Of Evermore – 5’14” [5’51” em Led Zeppelin IV (1971)]
04) Dazed And Confused – 5’42” [6’28” em Led Zeppelin (1969)]
05) D’yer Mak’er – 2’37” [4’23” em Houses Of The Holy (1973)]
06) Since I’ve Been Loving You – 6’09” [7’25” em Led Zeppelin III (1970)]
07) The Song Remains The Same – 3’57” [5’32” em Houses Of The Holy (1973)]
08) Black Dog – 4’38” [4’54” em Led Zeppelin IV (1971)]
Intervalo – 21’
Segunda Entrada – 20:49 a 21:36
09) No Quarter – 6’52” [7’00” em Houses Of The Holy (1973)]
10) Whole Lotta Love – 4’39” [5’34” em Led Zeppelin II (1969)]
11) Houses Of The Holy – 3’34” [4’01” em Physical Graffiti (1975)]
12) Stairway To Heaven – 9’49” [8’02” em Led Zeppelin IV (1971)]
13) Immigrant Song – 2’52” [2’26” em Led Zeppelin III (1970)] [Com Raphael Miranda]
14) Kashmir – 6’33” [8’37” em Physical Graffiti (1975)]
15) Rock And Roll – 3’40” [3’40” em Led Zeppelin IV (1971)]
Bis – 21:37 a 22:03
16) Stairway To Heaven – 9’41” [8’02” em Led Zeppelin IV (1971)]
17) Kashmir – 6’45” [8’37” em Physical Graffiti (1975)]
18) Rock And Roll – 3’02” [3’40” em Led Zeppelin IV (1971)]

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