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PARADISE LOST ::: 01/09/18 ::: CARIOCA CLUB
Postado em 28 de setembro de 2018 @ 14:35 | 65 views


Texto por: Vagner Mastropaulo

Fotos por: Flavio Santiago

Gothic Metal de primeira, o refinado bom humor inglês, Charlton Heston, Utah e muito mais…

Voltando a São Paulo precisamente três anos depois da passagem pelo Via Marquês, como parte do Overload Music Fest em setembro de 2015, o Paradise Lost tocou para um público apenas mediano no Carioca Club (onde havia feito ótimo show lotado em dezembro de 2012, mesmo com seus membros admitindo o cansaço após pouco dormirem em função da viagem), talvez competindo em atenção com a performance solo de Tarja no Tom Brasil na mesma noite. E se você é um azarado fã das antigas que, por algum motivo, sem curtir The Plague Within e Medusa foi desavisado à casa, talvez tenha se decepcionado, uma vez que sete das dezesseis músicas tocadas foram deles retiradas. Por outro lado, outras seis foram de One Second para trás, equilibrando o setlist. Tendo em vista que canções do último trabalho sempre são selecionadas, a fim de justificar a existência da turnê e promover seu lançamento, escolher o que incluir realmente não é das missões mais simples para o quinteto de Halifax, com quinze álbuns nas costas.

O que segue constante é o entrosamento do vocalista Nick Holmes com os guitarristas Gregor Mackintosh e Aaron Aedy e o baixista Steve Edmondson, todos na banda desde o homônimo álbum da estreia em 1990. Completando o line-up, o único cabeludo de fato na banda (Gregor tem lá seu penteado moicano, mas os outros ou são carecas ou têm cabelos curtos): o jovem baterista Waltteri Väyrynen, nascido em julho de 1994, quando o Paradise Lost já contava com quatro trabalhos de estúdio e promovia Icon. Sem banda de abertura, pontualmente às 19 horas, ainda ao som da intro e vestindo camisa preta com mangas arregaçadas, o último a ingressar no conjunto foi curiosamente o primeiro a pisar no palco, decorado apenas com a capa de Medusa em forma de bandeirão, posicionado atrás do kit de bateria de Waltteri, que, fugindo aos padrões normais, não trazia peles de bumbos customizadas, estampando apenas uma famosa marca. Foi somente após as entradas de Aaron, Gregor e Steve, nesta ordem, que Nick deu o ar da graça, completando o time para From The Gallows abrir os trabalhos. Porém o som de seus vocais só foi atingir volume razoável no meio da música, problema similar ao inicialmente enfrentado pelo canhoto Gregor em seu instrumento. Ao seu final, em meio a aplausos, o cantor dirigiu-se ao público pela primeira vez: “Obrigado! Boa noite, São Paulo! Como vocês estão? Somos o Paradise Lost e é uma honra estarmos aqui para vocês, pessoas bonitas, esta noite”. E então anunciou Gothic, a mais antiga de todo o set (uma vez que nada de Lost Paradise foi nele incluído), com lindas luzes verdes projetadas dominando o palco, às vezes piscantes. A título de curiosidade, as linhas vocais executadas por Sarah Marrion no estúdio foram utilizadas por sobre o som do conjunto, como efeito pré-gravado, assim como todas as partes de teclado que viriam no decorrer da noite, como na introdução da excelente One Second, muitíssimo bem recebida pelos fãs, com especial destaque para o som cristalino do baixo de Steve.

Após novos agradecimentos, Nick destacou ser uma noite de sábado e, após perguntar mais uma vez se todos estavam bem, obtendo tímida resposta, questionou: “Certeza?”, em meio a risadas, antes de outra parte de piano pré-gravada marcar o início da dançante Erased (ela não tem um quê de Rammstein?), tão aclamada quanto a anterior, mais intensa e pesada ao vivo do que em Symbol Of Life e vociferada nas quatro repetições do verso “I don’t know anyone”. Enchantment levou o show outra vez para o andamento mais arrastado dos anos 90, com Nick regendo o coro em seu início e com o som finalmente bem equalizado já com meia hora de espetáculo. Requiem foi um resgate à cronologia mais intermediária da discografia enquanto Aaron seguia com seu jeito peculiar de tocar guitarra, agitando, mas com o instrumento abaixado e costas quase paralelas ao solo, feito uma marionete. Após agradecer e fazer um brinde a todos, Nick brincou com o fato de Medusa ser o décimo quinto play do conjunto: “Estamos ficando velhos pra caralho”. Então anunciou Medusa, que, a princípio, parecia gerar uma sinuca de bico ao não empolgar, apesar da boa vontade dos fãs e empenho da banda. Por outro lado, como não tocar a própria faixa-título do lançamento mais recente? Mas o público deu uma força, com palmas em meio à sua execução, um apelo de Nick via um “One more time. C’mon, let’s go”, contagiando a platéia, somado ao solo bem encaixado de Gregor, primeiro membro a ser citado pelo vocalista, fazendo com a música crescer, até terminar bastante aplaudida. An Eternity Of Lies viria emendada e algo aconteceu com o microfone de Nick, pois não se ouviu sua tentativa de grito de abertura, porém, como na anterior, novamente a canção ganhou força em meio à sua execução, em outro crescendo, culminando em aplausos. Então, antes de outro momento em que o baixo de Steve se destacou, durante a excelente Faith Divides Us – Death Unites Us, o vocalista apresentou todos seus companheiros e brincou ao descrever Aaron como o membro mais calvo da banda.

Blood & Chaos trouxe o show novamente para Medusa e, em seu final, o vocalista se aproximou do baterista para melhor interagir com ele. Em amostra do típico bom humor inglês, As I Die, cantada em alto e bom som pela plateia, teve apresentação peculiar por parte de Nick, citando o ator principal da produção mais vitoriosa da história do Oscar, a versão de 1959 de Ben-Hur: “Há rumores sobre Charlton Heston ser um grande fã desta próxima música”. Ao notar o inquisitório espanto de seus colegas, o vocalista prosseguiu: “Não sei de onde tirei isso”. Se você não entendeu a piada, assista a alguns filmes do americano e veja em quantos ele morre… e caso prefira nem assistir, saiba que o ator foi presidente da National Rifle Association (NRA) entre 1998 e 2003, instituição pró-direito civil para compra e porte de armas na terra do Tio Sam… Alheia à zoeira, já que ninguém riu fora do palco, a galera pulou ensandecida e cantou a faixa a plenos pulmões, aplaudindo o quinteto no final. Em retribuição e elucidativo, Nick dirigiu-se aos fãs, esbanjando bom humor outra vez: “Obrigado. Vamos tocar uma música doom metal bem miserável agora. É hora de se sentir bem miserável e contemplar a merda que a vida pode ser. Esta é sobre estar morto por dentro: Beneath Broken Earth”, gargalhando ao terminar a descrição da cadenciada faixa durante a qual o cantor sacou o celular e filmou o povo. Finalizando o set antes do encore, a clássica Embers Fire foi emendada, mantendo a pegada lenta (as duas mais arrastadas da noite junto a Enchantment e Medusa). Com mais um agradecimento de Nick, o conjunto deixou o palco num piscar de olhos.

No Hope In Sight abriu o retorno, reaproximando a apresentação aos álbuns mais atuais (ela não tem pitadas de Tool no som das guitarras?), padrão mantido em The Longest Winter, por Nick descrita como uma canção “sobre Utah”, em alusão ao 1948’s Unforgettable Winter, o rigoroso inverno com tempestades de neve que acometeram os Estados Unidos na virada de 1948 para 1949 (as mais severas desde 1899), deixando Utah em estado de emergência e forçando o fechamento de escolas, com neve pelo solo por cinco meses. Mudando a atmosfera, durante a introdução do piano da contagiante Say Just Words, Nick pediu a derradeira participação coletiva para a última música do set, relembrando ser “uma noite de sábado”, em pedido prontamente atendido. E assim terminou a apresentação do Paradise Lost, após uma hora e trinta e cinco minutos, com a banda rapidamente se despedindo dos fãs, distribuindo palhetas, baquetas e partindo ao som de Spiral Architect, do Black Sabbath no som ambiente, naquela correria já característica do Carioca Club para fechar a casa e reabri-la para algum show alternativo posterior. Pelo ofício jornalístico, não custa informar que desta vez seria a vez de Belo dar as caras… e foi engraçado ver o post do guitarrista Aaron Aedy no dia seguinte, que, sem saber da apresentação do cantor brasileiro, postou em seu Instagram a foto do camarim da banda, mas com o rosto de Belo grudada na porta. Resta esperar pelo próximo show… do Paradise Lost, é claro, não do Belo!

 

Setlist

01) From The Gallows

02) Gothic

03) One Second

04) Erased

05) Enchantment

06) Requiem

07) Medusa

08) An Eternity Of Lies

09) Faith Divides Us – Death Unites Us

10) Blood And Chaos

11) As I Die

12) Beneath Broken Earth

13) Embers Fire

Encore

14) No Hope In Sight

15) The Longest Winter

16) Say Just Words

 

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