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Sepultura ::: 14/12/18 ::: Sesc Pompéia
Postado em 04 de janeiro de 2019 @ 17:41 | 188 views


Texto: Vagner Mastropaulo

Fotos: Daniel Rocha

Sepultura encerra o ano em noite de retrospectiva

 “Cara, que prazer estar de volta aqui, fechando este ciclo do Machine Messiah. Começamos nossa história juntos aqui e estamos terminando juntos”. Foi assim que o guitarrista Andreas Kisser se dirigiu aos fãs antes de Beneath The Remains na Audio dia 27 de outubro, na sexta oportunidade (única em 2018) de conferir o quarteto na cidade no giro mundial do álbum, incluindo datas de 2017: Audio (27/05), Sesc Belenzinho (27 a 29/07) e Clube Atlético Juventus (11/11). Só não se esperavam três outras chances de vê-los por aqui após o citado fechamento de ciclo: Vale do Anhangabaú (25/11) e duas noites no Sesc Pompéia (13 e 14/12), fora a ida ao Sesc Santo André (09/12). Deste modo, não há desculpa por não ter prestigiado a turnê do grupo, sem nem poder argumentar falta de grana, já que: é notória a convidativa política de preços do Sesc; a pista inteira no Juventus e na Áudio custava acessíveis 80 reais; e o show no Anhangabaú foi de graça…

Sem banda de abertura e com sete aceitáveis minutos de atraso, Polícia foi a intro da intro e The Curse – primeira do lado B do longínquo Bestial Devastation (1985) – abriu caminho para a faixa título do split com o Overdose, sob obrigatórias luzes vermelhas. Na prática, foi a mais antiga do set, mais velha do que boa parte dos presentes, uma vez que o conjunto segue renovando seu público (curtindo a festa e com protetores auriculares e fones de ouvido, havia crianças levadas pelos pais). Com iluminação perfeita e som cristalino, ouviam-se todos os instrumentos, da surra dada por Eloy Casagrande na caixa de sua bateria (como está tocando esse menino!) aos graves de Paulo Jr. em seus baixos de cinco cordas (no plural mesmo, com constantes trocas). Em meio a acolhedores urros de “Sepultura! Sepultura”, Troops Of Doom foi emendada (Andreas não a dedica mais a Toninho?) e inaugurou a roda, apesar das limitações físicas da pista da Comedoria do Sesc (tomada, mas com conforto e espaço suficientes), levando o povo à loucura a partir do “São Paulo, 1, 2, 3, 4” do vocalista Derrick Green, suando às bicas já de cara em função da quente noite de verão paulistano.

A roda continuou em Escape To The Void e a parte dedilhada de Beneath The Remains surgiu como intro até que a faixa mantivesse a alegria dos old schoolers e a estratégia de ‘início como intro + música’ foi mantida em Dead Embryonic Cells. Para a velha guarda, o começo arrasador com cinco hinos obrigatórios do death/thrash nacional em vinte e cinco minutos era o Paraíso na Terra e Territory, mesmo mais arrastada do que as anteriores, manteve a pegada a mil a partir das primeiras batidas de Eloy. Attitude foi uma bela surpresa e fez cair uma ficha que em nada afetava as músicas: segue sendo engraçado ver Derrick, mesmo após vinte anos de Sepultura, ainda interagir em inglês no meio das músicas, mesmo em shows no Brasil. Americano, ele vai meio no piloto automático e no resto do mundo ele não vai falar nossa língua, até porque as letras são em inglês e soa mais legal dizer “This is your fucking territory” do que “Esta é sua porra de território”. Mesmo assim, ele não arrisca em português sequer aqueles comandos básicos: “Are you ready for this?” (Dead Embryonic Cells) e “I wanna see your fucking hands” (Attitude). Divertido!

Ao pedir a palavra pela primeira vez, Andreas desvendou a charada quanto à ordem das pedradas: “Boa noite, São Paulo! Sensacional! Hoje é o último show do ano em um ano fantástico para o Sepultura. Muito obrigado por estarem aqui hoje à noite fazendo esta festa com a gente, vocês são tudo! Para quem não percebeu, estamos com um setlist cronológico, desde o primeiro EP do Sepultura. Estamos agora em 1998, celebrando vinte anos de Derrick Green no Sepultura. Vamos fazer um som desse disco e ele se chama Against”. Após a contextualização, fez mais sentido o bandeirão atrás do batera não ser o tradicional da turnê e sim um com o nome da banda e um “Est. 1984” acima, reservando a decoração de Machine Messiah apenas para as peles dos bumbos.

Até a explicação do guitarrista, a não ser com acesso prévio ao setlist, a tática cronológica não era tão óbvia, pois, por mais que o início do show tivesse só ‘velharias’, poderiam tocar algo do play da tour a qualquer momento (mini-spoiler: sem entender o que se passava – ou fingindo – um gaiato pediu por Breed Apart antes da faixa extraída de A-Lex… fã é fã mesmo). Fato foi que o padrão com uma de cada lançamento foi quebrado ao tocarem Boycott, talvez pelo fato de Against ser curta. Carismático, foi a vez de Derrick esbanjar português: “E aí, galera, tudo bem? Boa noite! Beleza? Aê, mano! Nós vamos tocar uma música do disco Sepulnation. Tá pronto? Com certeza. Vamaê, caralho. Porra!”, antes da faixa título. Então Andreas voltou a esclarecer: “Em 2003, fizemos um disco com o Steve Evetts, o Roorback. Vamos fazer um tema dele, que foi gravado no Rio de Janeiro: Corrupted”.

De Dante XXI (2006), False foi a seguinte e o passeio pelos álbuns prosseguiu, assim explicado pelo guia/guitarrista: “A próxima música é do disco A-Lex, inspirado no Laranja Mecânica, e eu sei que o Jean Dolabella tá aí, velho! Ele fez esse disco com a gente. Obrigado por estar aqui, mano, você é sempre bem-vindo”, sob aplausos. Após convite de Derrick para que Jean subisse ao palco e a subseqüente recusa, Andreas tirou onda: “Não sabe mais tocar, né? Obrigado, Jean! É nóis. Esta é para você: What I Do!”. Além do ex-baterista (que curiosamente é o primeiro aparecer no clipe da faixa), ao menos outros dois famosos estavam na área: o global Lee Taylor (da série Onde Nascem Os Fortes) e o jornalista esportivo Benjamin Back (Fox Sports). Antes de Kairos, houve novo pedido de Derrick a Jean: “Vem aqui, mano, tocar a próxima música com a gente. Estou brincado com você, desculpa aí! Sei que você quer ficar tranquilo, assistir ao show, beber cerveja com seus amigos”. Um pequeno ajuste foi necessário na correia do baixo de Paulo e a tática de outrora com intros abrindo faixas foi usada tanto em The Vatican quanto em Phantom Self, finalizando o rolê dos álbuns em The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart (2013) e Machine Messiah (2017), respectivamente, com Andreas abrindo os braços em cruz e depois erguendo as mãos para cima, em adoração, na primeira, e saída do palco após a segunda, depois de objetivo “Obrigado” do vocalista.

A volta para encore furou o esquema cronológico (nem por isso desagradou aos fãs), e foi assim descrita por Andreas, que regressou pedindo por barulho: “Acabaram os discos, mas a gente tem umas outras coisas para tocar, beleza? Ou acabou?” Ao ouvir um clamor por Inner Self, Derrick se confundiu: “Já não tocamos essa?”, em inglês. Em clima de festa, o guitarrista puxou o riff inicial de Orgasmatron e o vocalista esclareceu: “Nós tocamos Inner Self ontem”. Andreas seguiu brincando com riffs, primeiro com um não tão famoso: Heading Out To The Highway (do Judas Priest – levemente mais rápido do que na abertura de Point Of Entry, de 1981), e depois com Black Sabbath, a música, acompanhado por Eloy, até Derrick acabar com a brincadeira: “I want you all to fucking Arise!!!”, outro massacre do baterista em seu kit. Refuse/Resist botou todo mundo a pular e, ao seu término, o cantor demonstrou gratidão, em português: “Galera, é muito legal tocar para vocês no último show do ano. Incrível, sempre! São Paulo, é nóis”, interrompido por Andreas tocando o hino do São Paulo Futebol Clube. Zoando, o vocalista interpelou: “Você estragou tudo”, agora em inglês. Legislando em causa própria, o são paulino checou: “É o seguinte: você disse ‘São Paulo’ a cidade ou ‘São Paulo’ o time?”, até a confirmação: “É claro que é a cidade, mano, porra!”. Cantada por Andreas e com o vocalista na percussão, Ratamahatta foi a mais brazuca do set, com luzes que não poderiam deixar de ser majoritariamente verdes e amarelas em sua execução. E sob óbvias luzes vermelhas, Roots Bloody Roots fechou a conta com maestria com a maior roda da noite, atendendo ao pedido inicial de Derrick: “Quero ver vocês perderem a porra da cabeça: 1, 2, 3, 4!”, em inglês.

Enquanto os músicos distribuíam palhetas, baquetas e setlists, cumprimentavam os fãs no gargarejo, agradeciam e tiravam fotos, You Make My Dreams (Daryl Hall & John Oates) rolava no som ambiente e algumas fichas caíam. Por exemplo: o setlist executado foi parecidíssimo com o do Vale do Anhangabaú, ao menos até The Vatican, pulando imediatamente para Roots Bloody Roots. Outra constatação: a retrospectiva na carreira do conjunto foi um presentão dado a quem viu as duas datas do Sesc Pompéia, com oito músicas diferentes na véspera: I Am The Enemy, Inner Self, Sworn Oath, Choke, Machine Messiah, Desperate Cry, Slave New World e Resistant Parasites nos lugares de Bestial Devastation, Troops Of Doom, Escape To The Void, Beneath The Remains, Dead Embryonic Cells, Attitude, Sepulnation, What I Do! e The Vatican. Será que agora o Sepultura finalmente encerrou o giro de Machine Messiah por São Paulo? Tomara que não. 2019 está logo aí…

 

Setlist (21:37 – 23:15)

  1. xx) Polícia (Titãs) [Utilizada como Intro]
  2. xx) The Curse [Utilizada como Intro]

01) Bestial Devastation

02) Troops Of Doom

03) Escape To The Void

  1. xx) Beneath The Remains [Início Utilizado como Intro]

04) Beneath The Remains

  1. xx) Dead Embryonic Cells [Início Utilizado como Intro]

05) Dead Embryonic Cells

06) Territory

07) Attitude

08) Against

09) Boycott

10) Sepulnation

11) Corrupted

12) False

13) What I Do!

14) Kairos

  1. xx) The Vatican [Início Utilizado como Intro]

15) The Vatican

  1. xx) Phantom Self [Início Utilizado Como Intro]

16) Phantom Self

Encore

17) Arise

18)  Refuse/Resist

19) Ratamahatta

20) Roots Bloody Roots

  1. xx) You Make My Dreams (Daryl Hall & John Oates) [Utilizada como Outro]
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