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The Hellacopters ::: 14/03/2020 ::: Carioca Club
Postado em 21 de abril de 2020 @ 21:13 | 986 views


The Hellacopters passa o carro por cima do Corona no regresso à cidade

Agradecimentos: Solid Music (Carol, Gus e Lucas ) ; Thiago Nascimento (Urutu) e Jeff Molina (Corazones Muertos)

Em setembro/03, o conceito de ‘rolê aleatório’ sequer sonhava existir, mas poderia muito bem definir a estréia do Hellacopters por São Paulo. Afinal de contas, que outra classificação caberia a um evento aberto pelos suecos para Sepultura e Deep Purple num estádio como o Pacaembu, com cadeiras espalhadas pelo gramado, ainda por cima? E mais, quem ousaria supor que, com o passar dos anos, tão ‘deslocada’ banda se tornaria cult a ponto de lotar um Carioca Club, especialmente levando-se em conta que Head Off, seu último full length – ede covers – saiu em 2008? Contra tudo e contra todos, incluindo a iminente chegada do Coronavírus ao país, o grupo mandou ver, atropelou e deixou saudades, mesmo com o quase insuportável calor na casa.

Abrindo a festa e formado por Thiago Nascimento (vocal), Felipe Nizuma (guitarra), Eduardo Vaz (baixo) e Thiago Babalu (bateria), o Urutu veio ao palco às 17:50, com vinte minutos de atraso em relação ao divulgado, e mandou bem em set de nove pedradas em pouco menos de meia hora. Caso esteja querendo saber o significado do nome do conjunto, ele vai de encontro à frase deixada na biografiade seu Facebook: “O domínio das serpentes não terminou”. Simplificando, urutu é uma serpente peçonhenta, geralmente de cor castanha, que apresenta uma cruz na testa. Venenoso, o set foi aberto com as três primeiras faixas do EP Urutu (2016), a pautar a apresentação, a bem da verdade: Braços Da Morte, Casa Adormecidae Fronteira. O curioso era notar a mescla dos dois estilos que classificavam o gênero musical doscaras no ‘sobre’ de seuperfil: o heavy metal, “particularmente da NWOBHM”, descrita na citada biografia e latente na guitarra do play, com pitadas de um punk rock visceral ao vivo.

Pulando para o registro posterior em estúdio, mandaram trinca de IV (2018), a começar por Metrópolee, olhando em volta, notavam-se: as dependências ainda sendo tomadas; o nome do quarteto no telão atrás da bateria;um adesivo da atraçãosubseqüente na pele do bumbo; três fãs com máscaras, curiosamente próximos entre si, buscando evitar contaminaçãoe disseminação de um possível vírus na pista; e um fã perto da grade com camiseta da seleção sueca. Máquina e Escombros, esta com instrumental que remeteu à fase Paul Di’Anno no Iron Maiden, fecharam o trio do EP.Achando um tempinho e inflacionando o público, Thiago Nascimento mostrou-se grato à produtora, aquem tocaria logo adiantee ao estabelecimento: “Muito obrigado! Muito obrigado, Solid, Corazones e Carioca, mais uma vez. É muito bom estar aqui, casa cheia, muito obrigado por essa festa. A próxima música diz um pouco do que está acontecendo nos tempos atuais aqui: Beijo Veneno”, retomando Urutu e mantendo o som ‘ardido’ feito picada de cobra. Do mesmo EP fariamSob O Sol e Aço Nos Punhos, brutal na bateria, assim antecipada pelo vocalista: “Essa é a última música, tem merchandising ali, baratinho. Muito obrigado, do caralho, bonita a festa! Umas das únicas coisas legais que sobram são: rock ‘n’ roll, punk rock e heavy metal. E é isso, aproveitem”. Ao despedir-se, foi breve: “Tchau! Aproveitem a festa.E é isso”. Seriam vinte minutos de espera…

Exatamente às 18:37, com o abrir das cortinas, inicialmente programado para as 18:15, Joe Klenner (vocal e guitarra) foi sucinto: “Boa noite! Nós somos o Corazones Muertos” e puxou No Mercy, bem mais contagiante ao vivo do que no single de julho/19 e no splitcom o Turbocoopers, Shout America (2019). Em setembro último, já havíamos testemunhado e resenhado aqui no site o poderio do quarteto completado por Ziggy (guitarra), Índio (baixo) e Jeff Molina (bateria), abrindo para o Turbonegro no mesmo Carioca Club, e a grande diferença desta vez foi que tudo parecia conspirar a favor. Possíveis explicações residem no fato de: o som dos suecos ter mais a ver com o do grupo argentino-brasileiro (se comparado ao dos noruegueses); a casa estar mais cheia (do que no ano passado); e o atraso para a entrada da atração principal, comentado mais adiante, que garantiu aos caras maior minutagem (em relação a outrora). Meras conjecturas!

O baile seguiu a mil por hora com Spikes & Dogs, faixa de abertura de Carnival Killers (2017), álbum-base do set, um punk rock deliciosamente divertido, enquanto o recinto já comportavaalém de meia lotação. O vocalista até apresentou Home Alonede modo mais elaborado, mas o som do microfone estava tão baixo em meio ao dos instrumentos que foi simplesmente impossível entendê-lo. Death & Glory foi dedicada por Joe “aos amigosargentinos de Los Lotus e Turbocoopers, que não conseguiram tocar com o Hellacopters ontem em Buenos Aires”, no Teatro Flores,em função do cancelamento do evento devido ao Coronavírus.I Fought The Law, cover do The Crickets mundialmente famoso nas mãos do The Clash,foi a próximae outra vez não deu para ouvir nada além dos agradecimentos do frontman, por conta do som de seu microfone.

A inéditaSubway Boyse Fly Away, de Alive From The Graveyard (2014), vieram a seguir, esta última concluída perto das 19:00, horário oficialmente prometido para a entrada do Hellacopters, ou seja: pista bem cheia com a entrada de boa parte de quem estava do lado de fora fazendo oesquenta, aguardando para ver só o headliner. Novamente com dificuldades para ouvir o que viria, só pegamos Joe assim contextualizarCan You Dig It: “A próxima música é de uma banda finlandesa chamada Smack”. De New York Sessions (2015),Bonzo Goes To Bitburg foi outra releitura, esta do maior estandarte punk de todos os tempos, lançada como single em 1985 e posteriormente em Animal Boy (1986), rebatizada no full lengthcomo My Brain Is Hanging Upside Down (Bonzo Goes To Bitburg).Ainda sobre ela, um pouco de história nunca é demais: Bonzo é uma alusão ramoniana a Ronald Reagan e sua criticada visita oficial ao cemitério militar alemão de Bitburg em 1985. Cada um tem o ‘Bonzo’ que merece, masa treta à época foi que sua ida ao local, na então Alemanha Ocidental, era para ser um tributo às vítimas do nazismo. Porém, dentre os aproximadamente dois mil soldados alemães lá enterrados, quarenta e nove eram membros da Waffen-SS, de acordo com matéria assinada por Paulo Severo da Costa para o Whiplash em 22/03/13.

Saideira na passagem anterior do conjunto pelo Carioca, Don’t Kill Rock & Roll rolou com destacadas linhas de baixo de Índio ea partir daí a impressão era a de que, por algum motivo, havia sido concedido tempo extra ao quarteto, que passara a decidir ali na hora o que tocar. Nessa vibe, houve tempo para dois covers e uma autoral entre elas: Born To Lose (Johnny Thunders), Pills For Life e Loose (The Stooges), que encerrou a festa em um sutil “Valeu” de Joe, com o relógio cravando quarenta e cinco minutos de um senhor show!Por Whatsapp, trocamos uma idéia com Jeff Molina, que iniciou a conversa discorrendo sobre lançamentos: “O próximo álbum já está a caminho e lançaremos o single de Home Alone em 07/04”. Indagamos o batera se a faixa dialoga com o famoso filmeestrelado por Macaulay Culkin,Esqueceram De Mim no Brasil eHome Alone no original,e ele comendo rindo: “Ela não tem nada a ver com o filme, não! Tem mais a ver até com o Coronavírus, se você for ver. Sem querer foi uma profecia. E já temos um vídeo para ela”, referindo-se ao clipe com estréia programada no YouTube para 09/04.

Tentamos arrancar quais faixas estarão no futuro trabalho e obtivemos pistas: “Home Alone, sim. No merch já é single, né? Subway Boys também vai estar no próximo disco e já está gravada. A gente vai lançar um álbum cheio depois de lançar vários singles”. Torcendopela inclusão de No Mercy, perguntamos a quantas anda o processo de composição: “Estamos terminando de fazer a capa e de definir o nome do álbum. A previsão de lançamento é a partir do segundo semestre, sem data definida”. Sobre a chance de conter um cover famoso, ele vaticinou: “A versão de I Fought The Law a gente ainda não gravou mesmo. Às vezes a gente lança umas coletâneas como New York Sessions e London Sessions e podemos gravá-la e incluir nelas. São sessões que a gente tem de versões de várias bandas, tanto de Nova York quanto de Londres e da Inglaterra”.

Por fim, no tocante ao tempo extra no palco, Jeff destacou: “Tinha um público para entrar ainda, então eles pediram para a gente tocar mais. Teve esse motivo também: tinha uma galera para fora ainda para entrar no clube e a própria banda pediu: ‘Deixa os caras tocarem mais e a gente entra mais tarde um pouco’, entendeu?”. Finalizamos o papo checando quais foramas canções escolhidas ‘de supetão’: “Até Don’t Kill Rock & Roll estava definido. Depois dela, foi na hora que a gente foi puxando e chamando improvisado, tipo: ‘Vamos tocar aquela’. A gente toca bastante por aí e tem repertório, mas não estava programado.Então, a partir de Don’t Kill Rock & Roll, a gente já começou a tocar outras músicas e puxar da cartola mesmo”. Reiterando: um senhor show! E mais estava por vir, após meia hora do intervalo final.

Cortinas reabertas pouco antes das 19:50, com o Carioca apinhado de gente e um calor do cão (a reforma no recintonão planejou melhorias ao sistema de ar condicionado?),o Hellacopters teve a brilhante sacada de reproduzir barulhos de helicópteros para a chegada deNicke Andersson (vocal e guitarra), Dregen (guitarra), Dolf De Borst (baixo), Anders Lindström (teclados) e Robert Eriksson (bateria), com o nome do conjunto projetado no telão atrás da batera. De High Visibility (2000), o dedilhado inicial de Hopeless Case Of A Kid In Denial ecoava no som ambiente, até que o quinteto descesse a marreta e a prosseguisse,enlouquecendo a massa e fazendo-a berrar a plenos pulmões, já que, quase dezessete anos após a estréia na cidade, boa parte dos presentesassistiam pela primeira vezao grupo formado em Estocolmo em 1994. Efusivamente aplaudida,Alright Already Now não deu respiro, praticamente colada, e a partida já estava ganha com apenas duas músicasnum rockão energético, cabendo aos caras apenas administrar o resultado.

Assimilada a força musical no palco, Carry Me Home foi o momento de observar para melhor compreender a dinâmica do espetáculo e então notou-se o quanto Dregen, com um belo chapéu e tatuagens à mostra, se divertia. Membro fundador do Hellacopters, além de integrar o Backyard Babies, o guitarrista regressou à bandaapós a trágica morte de Robert Dahlqvist, que, até onde se sabe, faleceu acidentalmente aos quarenta anos em fevereiro/17, afogado na banheira de casa, ao sofrer um ataque epiléptico (a capa de High Visibility, com um alado Robert, não ganha um novo significado hoje em dia?). Magrelo e comparável a uma versão Iggy Pop das seis cordas, ele dividia os vocais de apoio com Dolf De Borst, responsável pelas quatro cordas tanto no The Datsunsquanto no Imperial State Electric, mais um projeto do canhoto Nicke Andersson, com serviços prestados às baquetas do renomado Entombed e ao não menos interessante Lucifer.

De Payin’ The Dues (1997), álbum mais contemplado do set, You Are Nothin’ – grafada sem a contração no setlist de palco –transportou a noite ainda mais para trás na discografia, após a primeira fala do vocalista: “Estamos extremamente encantadospor encontrarmos vocês! Muito obrigado por virem aqui esta noite”. E amáquina do tempo seguiu viajandoaté pousar emBorn Broke,de Supershitty To The Max! (1996), estréia full length, com Dregen se dirigindo aos fãs: “Como vocês estão esta noite? São Paulo!”. A faixafoi entrecortada por um trecho de Pretty Vacant, dos Sex Pistols, por ele cantada, e muita gente nem sacou que se tratava de um snippet, de tão bem encaixada. E enquanto um fã berrava ao lado deste escriba para aumentarem o som, Nicke fez uma apresentação: “São Paulo, aqui nós temos o Sr. Rudolf De Borst”, que puxou a levada inicial de Like No Other Man, concluída em um “Obrigado” do frontman, em português.

The Devil Stole The Beat From The Lord ganhou palmas da platéia no início e My Mephistophelean Creed, extraída do EP homônimo e curiosamente grafada como My Mephistophelean Greed no setlist de palco, em total alteração de sentido, foi a mais longa do set e trouxe surpreendente influência de rock progressivo, especialmente nas linhas de teclados viajantes de Anders Lindström, vulgo Boba Fett para os íntimos. Embora só tenha sigo gravada em estúdio em 2016, há um registro dela ao vivo no YouTube durante o Hultsfred Festival na Suécia,em 12/06/97, e após hipnotizantes e intensos quase sete minutos de uma portentosa interpretação, algo mais palpável e direto: Ghoul School, encontrada tanto na coletânea Cream Of The Crap! Vol. 2 (2004) quanto como lado B do single (Gotta Get Some Action) Now! (1996).

Em meio às ovaçõesgeraisatravés de um “Olê, olê, olê, olê! Hella…copters”, Dregen pediu a palavra: “E aí, São Paulo? Como o Sr. Nicke Andersson disse, estamos encantados por estarmos aqui na linda cidade de vocês! Obrigado. Obrigado a todos vocês por virem esta noite”, complementado por seu parceiro de guitarra: “Vamos todos cantar”, pedindoapoio em No Angel To Lay Me Away, primeira de Rock & Roll Is Dead (2005) incluída no repertório, canção em que finalmente notamos – de tão cheio que estava o Carioca – as contribuições de Robert Eriksson nos backing vocals e Anders ocasionalmente com um pandeiro em mãos, além de mandarem bronca em seus respectivos instrumentos.E se o bicho já estava pegando, Toys And Flavorsbotou a galera a pular e mandou tudo pelos ares de vezna primeira cantada em uníssono, em especial na ponte e no explosivo refrão! Em oposição, de By The Grace Of God (2002), Down On Freestreetaplacou um pouco os ânimos, com a graça de Deus – com o perdão do trocadilho – e, possivelmente sentindo falta da liderança no The Datsuns, o baixista anunciou: “Esta se chama Long Gone Losers”, do EPDisappointment Blues (1998) ou da coletâneaAir Raid Serenades (2006), a seu critério.

Após a enésima checagem dos músicos para saber se todos estavam bem, este escriba finalmente desistiu de tomar notas no balcão do bar e deu três passos à frente, indo de encontro a algunsébrios espalhados na área pós-reforma na pista, enquanto No Song Unheard, tão cantada quanto aplaudida, soava comoa mais similar a uma balada em todas as quarenta e três músicas do evento. Protocolar, Dregen agradeceu em nossa língua e continuou: “Obrigado! Vocês querem ouvir mais? Vocês querem mais uma?” e batendo em uma hora de espetáculo num híbrido de The Stooges com The Cult,Psyched Out And Furious voltou a acelerar o andamento das coisas. Levantando a massa,Before The Fall marcou ode ao autêntico rock ‘n’ roll (de algum modo, ela não tem o DNA acelerado de Surfin’ USA?).Caminhando para o encore, Soulsellerfoi outro esporro líder de audiência com direito a uma idiota quase briga ao lado deste escriba entre um cachaceiro sem noção e um tonto metido a macho-doido, loucos para arrumarem confusão. Graças a Dio a energia não se quebrou para By The Grace Of God, mais uma a deixar o povo em êxtase, com entusiasmantes gritos de “Hey! Hey! Hey! Hey” e puxada por Anders após Robert e Nicke para ele apontarem, com ocantor dando a letra do que viria: “São Paulo, é hora de ‘O Professor ‘começar”.

Em meio a tímidos gritos de “One more song” e a repetição do tradicional “Olê, olê, olê, olê! Hella…copters”, os músicos regressaram para mais três porretadas, com Dregen, a esta altura do campeonato, mais à vontade e acusando o golpe da temperatura, sem seu colete e ironicamente bebericando uma Corona, veja só! Primeiro fizeram Tab, apósnovos agradecimentos do frontman, sem os gracejos inicias da faixa no play, mas arrastada e com muito peso.I’m In The Band incendiou tudo outra vez após nova menção do líder a seu batera: “Robert Eriksson, mais uma vez, na bateria” e a última, quase abrindo roda e tudo, foi mesmo (Gotta Get Some Action) Now!, encerrando o show simbolicamente onde tudo começou:na primeira faixa do primeiro CD, Supershitty To The Max!, concluídacom um “Muito obrigado, Brasil”, de Dregen, e novamente os sons de helicópteros enquanto os fãs se despediam dos suecos após noventa e cinco minutos de um puta show, já ao som psicodélico de Black Lilly, do Colour Haze, no sistema de som.

No conforto do lar, apurando outros possíveis motivos para os atrasos, além do apontado pelo músico do Corazones Muertos por Whatsapp, encontramos um tweet de Anderson Oliveira, colega de imprensa e editor da Revista Som online, às 19:50 na data do show: “Começou. 50’ de atraso. Contaram que a banda chegou às 18:40”. Quinze minutos depois, em interação com uma seguidora, mais esclarecimentos: “A última [banda] foi obrigada a ficar no palco improvisando, metendo cover, porque o Hellacopters tinha acabado de chegar na casa. Bizarro”. Logo, ambos os posts iam de encontro ao depoimento de Jeff e à impressão obtida ao vivo. Só foi uma pena, após tantos anos de espera, a apresentação por aqui ter ocorrido em meio à loucura do Coronavírus. Nem por isso o Hellacopters deixou de passar o carro, desta feita num rolê nada aleatório, lotado e para o seu público. E a gente nem sabia direito ainda como ficaria o cenário dos shows por aqui…

 

Setlists

Urutu

01) Braços Da Morte

02) Casa Adormecida

03) Fronteira

04) Metrópole

05) Máquina

06) Escombros

07) Beijo Veneno

08) Sob O Sol

09) Aço Nos Punhos

 

Corazones Muertos

01) No Mercy

02) Spike & Dogs

03) Home Alone

04) Death & Glory

05) I Fought The Law [The Crickets Cover]

06) Subway Boys

07) Fly Away

08) Can You Dig It [Smack Cover]

09) Bonzo Goes To Bitburg [Ramones Cover]

10) Don’t Kill Rock & Roll

11) Born To Lose [Johnny Thunders Cover]

12) Pills For Life

13) Loose [The Stooges Cover]

 

The Hellacopters

01) Hopeless Case Of A Kid In Denial

02) Alright Already Now

03) Carry Me Home

04) You Are Nothin’

05) Born Broke [Com Snippet De Pretty Vacant (Sex Pistols)]

06) Like No Other Man

07) The Devil Stole The Beat From The Lord

08) My Mephistophelean Creed

09) Ghoul School

10) No Angel To Lay Me Away

11) Toys And Flavors

12) Down On Freestreet

13) Long Gone Losers

14) No Song Unheard

15) Psyched Out And Furious

16) Before The Fall

17) Soulseller

18) By The Grace Of God

Encore

19) Tab

20) I’m In The Band

21) (Gotta Get Some Action) Now!

 

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