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The Toasters ::: 13/03/2020 ::: Sesc Belenzinho (Comedoria)
Postado em 21 de abril de 2020 @ 20:28 | 1.207 views


Texto: Vagner Mastropaulo

Fotos: Flavio Santiago

Agradecimentos : (Sesc Belenzinho)

Vida longa e um brinde (com Heineken – não com Itaipava) ao ska do The Toasters!

“E agora o Sesc Belenzinho tem o prazer de apresentar: The Toasters. Tenha um ótimo show”. Sem exagero, ao entrarmos na Comedoria pontualmente às 21:30, só houve tempo de ouvir o último recado, correr à frente da pista e ouvir Robert “Bucket” Hingley(vocal e guitarra) saudar o público: “Beleza, São Paulo! Vocês estão bem? Ok, veremos”, para imediatamente abrir a noite com DogEatDog, de começo tranquilo, até a parte dançante com pouco mais de um minuto alegraro povo. Completavam o time Adrien De Mieux (baixo), John Chapman (trombone) e TaddEnright (sax), além do batera brasileiro Rodrigo Cerqueira,ex-Easy Big Fella e Skuba. Ao término do tema extraído de EnemyOf The System (2002), Robert inaugurou um padrão que se tornaria evidente somente mais tarde: “Sim, DogEatDog, São Paulo! The Toasters na área. Esta agora é The Shocker!”, um tanto mais rápida do que em estúdio.

Dando seqüênciaao baile, ao concluir a faixa retirada de Skaboom (1987), estréiafulllength dos caras, o vocalista se pronunciou: “Sim, Shocker! Obrigado”, e aí ficou clara a inteligente estratégia, nunca antes vista por este escriba nessa longa estrada da vida musical: não é que os títulos de cada música eram ditos tanto ao anunciá-las quanto aoconcluí-las? Agora reflita um pouco a este respeito, uma vez que é humanamente impossível conhecer absolutamente tudo que se ouve e vê ao vivo: quantas vezes você não caiu de pára-quedas num show e passou a curtir uma banda, até então incógnita, e em especial alguma música específica e quis saber seu nome? A tática era:se uma distração o impedisse de descobrir qual era, haveria uma segunda chance!

Carismático, ofrontmanbrincou com os fãs no gargarejo que erguiam a eleuma gelada, em respeito, para brindarem com uma certa cerveja PaleLager de garrafa verde, rótulo verde e branco e estrela vermelha, com 5% de álcool por volume: “Um minuto, por favor. Sim, hidratação”, ao – pasmem! –bebericar sua… Itaipava! Após uns goles, prosseguiu: “Vocês têm Heineken? Eu tenho uma…”, erguendo uma garrafa de um litro e meio de água mineral. Ainda na zoeira, sentenciou: “Isto aqui tem mais álcool do que a Heineken”. Encerrando o engraçado debate, levantou uma latinha da mais autêntica delícia petropolitana(curiosamente 0.5% menos alcoólica do que a ‘concorrente’ holandesa), mandou um “Saúde”, em português mesmo, e puxou I’mRunningRightThrough The World, de Don’tLet The BastardsGrindYou Down (1997), sem menção ao título desta vez, algo que não importou no momento, pois todo mundo queria mais era dançar mesmo!

Para apresentar o que viria, além da retomada do padrão mencionado, até a cidade natal do grupo entrou em pauta: “Sim, I’mRunningRightThrough The World, mas não iremos a New York City agora. Faremos um desvio de rota e iremos a São Petersburgo tomar um trem. Mas não São Petersburgo, Flórida. Oh, não, não, não! São Petersburgo, Rússia. Night TrainToMoscow, aí vai”, curta e eficiente, de One More Bullet (2007), quarta do set, de quarto plays distintos, e não a confunda com a instrumental e não menos interessante Night Train, de New York Fever (1992). Encerrada uma bela candidata à mais curtada noite, Robert foi prático: “Sim, Night TrainToMoscow. Próxima parada: New York City!”, aludindo a EastSide Beat,em divertida introdução que deu oportunidade à dupla de metais mostrar seu talento, além de o frontman brincar outra vez com a galera, desta feita pedindo barulho: “Todos vocês aí no fundo e todos vocês aí fora jogando dominó. Se vocês quiserem nos ver em New York City, vocês terãode nos dizer que estão prontos. Vocês estão prontos?”, indagação repetida mais duas vezes, com gradual aumento nos gritos em adesão, até que efetivamente o quinteto fizesse a faixa de Skaboom e a encerrasse do modo já tradicional: “Sim, EastSide Beat! EastSide Beat em São Paulo esta noite!”.

Uma nova pausa se fez necessária, com leitura de marcas: “Mais hidratação! Itaipava”, em meio a risadas e provocando os mais hilários comentários na pista, tais como: “Porra! Itaipava é foda, hein?”e “Sacanearam os caras”. A discordância não afetou em nada o clima, já que ocorreu na esportiva, mas provou que realmente tem gosto para tudo! Voltando ao que realmente importava, alheio ao efeito que causara, o vocalista continuou: “Faremos uma música sobre minha estação de rádio favorita quando eu era uma criança ainda na Inglaterra nos anos 60” e a letra de Pirate Radioque conte o restante da história. Saudando membros do Skamoondongos na casa,Bucket voltou ao embate etílico, pendendo novamente a favor da Itaipava: “Heineken não, cara! É uma cerveja de merda, tomem uma dessas. Esta aqui sim, essa aí não. Heineken é mijo!”, e, do play homônimo de 1994, anunciou Dub 56, que, curiosamente constava antes de Pirate Radio no setlist de palco,mesmo fenômeno ocorridocom a duplaThrill Me Up e Social Security (com um mini-solo de guitarra bem legal), tocadas nesta ordem, mas invertidas na folha de papel.

Após apresentar Rodrigo e pedir palmas para o brasileiro, Robert reiterou seu polêmico ponto de vista, de novo numa boa, ao dar novas goladas na boa e velha Itaipava nossa de cada dia: “Quero cantar uma música sobre cerveja a seguir. Cerveja é ótimo, exceto quando é Heineken, que é um mijo. SittingOn Top Of The World”. Ao seu final, fez inusitada revelação: “A próxima é sobre conhecimento”, apresentou os músicos destacando suas origens – Rodrigo, de São Paulo mesmo; Tadd, de Portland, Oregon; John, de Cincinnati, Ohio; e Adrien, de Paris, França – e agradeceu a todos pela presença, até incentivar e checar: “Vamos fazer barulho! Há uma casa em New Orleans. Alguém já esteve por lá? Ninguém esteve em New Orleans. Você esteve em New Orleans? Não! Vamos trocar uma idéia” e mandaram ver com HouseOf Soul, a mais ‘nova’ do set, extraída do single de mesmo nome, de 2013, o último registro em estúdio. E é claro que ela seria encerrada da forma de (quase) sempre: “Sim, HouseOf Soul, bem aqui! Bem aqui esta noite, no centro de São Paulo”.Acercada opção por não lançar mais álbuns, Robert deu depoimento aEgle Cisterna, de A Tribuna, em 11/03, dias antes de chegar a Santos, e o texto afirmava “não haver previsão para um disco novo, embora a banda tenha canções prontas para o lançamento em vinil de 45 rotações por minuto”. A este respeito, ele vaticinou: “Eu faço esse tipo de lançamento para que o Spotify não possa baixá-lo! Estamos de volta a 1955, quando o single foi o ponto principal da indústria. A internet destruiu as gravadoras, agora procedemos assim”.

Caminhando para o final do set, o verdadeiro ‘mestre de cerimônias’, como sugere o nome do conjunto, foi bem mais elaborado: “Temos tempo para mais três músicas: quero falar sobre Mickey Mouse e Los Angeles, Califórnia; quero falar de New York City, de onde viemos; e falta a canção para os políticos pelo mundo”, erguendo o dedo do meio. E teve mais: “Vamos precisar de mais alguns dedos, pois vocês têm esse cara maluco governando o país. Este dedo é para ele, que pode se sentar aqui. Mas para o ‘meu cara’, vamos precisar de algo um pouquinho maior para aquele filho da puta. Falemos sobre Mickey Mouse primeiro. Mickey Mouse para presidente! Mickey Mouse é o presidente no momento, mas espero que vocês mostrem a ele um jeito de ele cair fora em breve”. E a música sobre o rato mais famoso do mundo foi Weekend In L.A., aplaudidíssima e com Adrien se divertindo a valer enquanto tocava e pulava.

Completando a trinca, o frontman foi sucinto, de seu modo já habitual: “Sim, Weekend In L.A., muito obrigado! A próxima é sobre New York City e se chama Decision At Midnight”, com fraseado inicial nos metais que só pode ter sido fonte inspiradora para Na Noite Somos Todos Iguais, do Anjo Dos Becos.Como não poderia deixar de ser, antes de apresentar a última antes do encore, haveria mais discurso: “Sim, Decision At Midnight, muito obrigado a todos! Obrigado por terem vindo, São Paulo, muito obrigado! Obrigado à organização do show, obrigado ao Sesc por nos deixar tocar aqui e obrigado a todos vocês por terem vindo. É hora de tocarmos nossa última música, sobre os políticos em todo o mundo. Talvez seja sobre alguns dos que atuam aqui, fodam-se eles: Don’tLet The BastardsGrindYou Down, simplificada como DLTBGYD no setlist de palco. Ao seu final, uma discreta despedida: “Muito obrigado a todos vocês. Nos vemos na próxima”.

No retorno ao palco, cravando uma hora de espetáculo, as duas últimas foram de Hard Band For Dead (1996), primeiro com2-Tone Army ea participação geral na hora do“Go ahead! Go ahead!”,logo após o título. Obviamente, o último remanescente da formação original não quebraria tradições bem antes da saideira: “Sim, 2-Tone Army, muito obrigado, São Paulo! Mais uma música, sinto muito:I Wasn’tGoingtoCallYouAnyway”, tocada meio que às pressas, mas sem perda de qualidade. Para o adeus, mais do mesmo: “Sim, I Wasn’tGoingtoCallYouAnyway! São Paulo, muito obrigado. Nos vemos na próxima. Boa noite a todos!”, completando quase setenta minutos de um show divertidíssimo e não custa informar que Talk IsCheap constava no setlist de palco, mas foi limada, possivelmente devido ao urgir do tempo.

Pesquisando para redigir este texto, nos deparamos com algumas resenhas que, assim como o release oficial, garantiama presença de ChapSowash no trombone, no lugar de John Chapman, no sax (confusão absolutamente perdoável, uma vez que a lista de ex-membros no site oficial dos caras traz impressionantes sessenta e dois músicos e a Wikipedia cinquenta e sete!), mas nosso critério foi registrar o quefoi dito pelo próprio Bucket ao apresentar os colegas. A título de curiosidade, dos nove álbuns do catálogo, apenas ThisGun For Hire (1990) não foi contemplado e nunca é demais lembrar que o The Toasterspossui um EP chamado Live In São Paulo Brazil (2002), que surgiu completamente sem querer, conforme contado porseu próprio líder à já citadaEgle Cisterna, de A Tribuna: “Um pacote do Brasil chegou no meu escritório. Dentro havia uma Digital Audio Tape (DAT), sem identificação. Eu o toquei e lá havia uma gravação perfeita de um show que fizemos em um parque em São Paulo, em 1999. Então, comecei a produção do disco”. Às vezes o acaso joga a favor! E para quem duvida o quanto a bandacurteo nosso país, até registros no Estúdio Showlivre em 2011 estão disponíveis no YouTube!

Xeretando um pouco mais, encontramos outras referências obrigatórias do estilo, caso alguém queira se aprofundar: The Skatalites, The Specials, Desmond Dekker e The MightyMightyBosstones – famosa pelo cover do Kiss para Detroit Rock City, sucesso nas rádios rock em São Paulo na segunda metade dos anos 90. O próprio batera Rodrigo Cerqueira, em matéria feita por Luan Freires para a Veja São Paulo em 12/02/15, indicou nove pedras fundamentais do ska: Man In The Street – The Skatalites; PressureDrop – Toots& The Maytals; 007 (Shanty Town) – Desmond Dekker; A MessageToYou, Rudy – The Specials; OneStepBeyond – Madness; Married Girl – The Slackers; Free Time – The Aggrolites; One More – Jimmy Cliff; e Combate – DesordenPublico.

Enfim, foi isso!No primeiro dia de recomendações sobrecomo proceder em aglomerações, à primeira vista, as pessoas pareciam dispostas a colaborar, espalhando-se pelo recinto. Conforme esperado, a maior parte do público estava em frente ao palco, mas nitidamente viam-se fãs por todas as mesas, laterais e de fundo, cada qualaproveitandoa festa como conseguia. E quefesta! Num misto de curtição, escapismo e desconhecimento do que seriam os próximos dias, a galera queria, de fato,era dançar. E a ironia da noite foi descobrir que a atração da Comedoria no dia seguinte seria os paulistanos doVirus, lançando seu mais novo trabalho, Contágio… sim, papo sério! Piada pronta, mas fazer o que? Destino? Timing ruim? É a vida.E vamos ficar devendo como foi o contagiante show dos paulistanos (não confundir com o grupo argentino) porque rumamos ao Carioca Club para cobrir a volta do Hellacopters à cidade, resenhada aqui no site. Indo embora, só nos restava tomar uma brindando ao The Toasters, com Heineken!

 

Setlist

01) DogEatDog

02) Shocker!

03) I’mRunningRightThrough The World

04) Night TrainToMoscow

05) EastSide Beat

06) Pirate Radio

07) Dub 56

08) Thrill Me Up

09) Social Security

10) SittingOn Top Of The World

11) HouseOf Soul

12) Weekend In L.A.

13) Decision At Midnight

14) Don’tLet The BastardsGrindYou Down

Encore

15) 2-Tone Army

16) I Wasn’t Going to Call You Anyway

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