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Tim ‘Ripper’ Owens ::: 11/04/19 ::: Manifesto Bar
Postado em 03 de maio de 2019 @ 19:16 | 117 views


Texto : Vagner Mastropaulo

E Tim ‘Ripper’ Owens retornou a São Paulo! Não mais se apresentando no Gillan’s Inn de Santana, como em maio e setembro de 2017, mas com o mesmo time de digníssimos representantes do metal nacional destas ocasiões: os guitarristas Vulcano (Hellish War) e Kiko Shred (carreira solo), o baixista Will Costa (Higher) e o baterista Lucas Tagliari Miranda (Slippery, atualmente num hiato). Como curiosidade, não custa lembrar que o quarteto integrou o Metal Singers II, dando suporte fixo para os vocalistas em rodízio Doogie White, André Matos, Blaze Bayley e Udo Dirkschneider, no Espaço 555 em dezembro último, além de tocarem no Aurora Club dia 21/04, lançando o terceiro álbum solo de Kiko Shred, sem Vulcano, mas com Mário Pastore nos vocais, repetindo o line-up da gravação de Royal Art.

E o que Ripper veio cantar desta vez? Judas, é claro, com seis das treze do set extraídas de seus álbuns gravados com o grupo de West Bromwich (esperava outra coisa?). Ironicamente, coube a Metal Gods, talvez a canção que melhor represente a persona de Rob Halford, abrir a festa às 22:30, apenas a primeira de quatro do seminal British Steel (1980) na noite. Quanto a Ripper, tudo segue como antes: voz impecável, patrocínio de energético no boné e nas munhequeiras e a sutil colinha nas letras em uma pasta deixada nas caixas de retorno no chão do palco. Mas o que chamava a atenção era uma figura cantando controladamente na escada de acesso ao andar superior do bar, afinal de contas, em qual outro local, senão no Manifesto, você testemunha o segurança curtindo o show de coração? Sensacional!

A seguinte foi apresentada pelo cantor sílaba por sílaba: “Ju-gu-la-tor!”, uma pancada sonora a partir das batidas de Lucas. Como decoração, apenas o telão com imagens do cantor no canto direito. E a discrição manteve-se nos figurinos de Will, Lucas e Kiko, diferentes de Vulcano, a caráter e levando o espírito metal adiante de bandana, colete e jeans estilosos. O dono da festa, portando camisa preta, jeans, tênis e óculos escuros, passaria despercebido na Avenida Paulista, não fosse pela jaqueta jeans com seu nome às costas. Enquanto o público gritava seu nome, o dedilhado inicial de Burn In Hell ecoava pelo bar, criando expectativa para uma das melhores faixas em seus dois álbuns no Judas. Ao seu final, citou algo sobre o Scorpions e foi preciso apelarmos a Lucas, em contato pelo Messenger do Facebook, para uma melhor compreensão: “Foi uma brincadeira comigo porque eu costumo fazer uns big ends e o Tim brinca que a gente é meio Scorpions: a música não termina mais”. Após verificar se todos estavam bem, o cantor cordialmente assinou o plástico de proteção de um LP Jugulator e ainda teve a manha de recomendar que o sortudo fã fosse cuidadoso e esperasse a tinta secar. Então Ripper deixou o palco para o solo de bateria de Lucas e, na volta, agora com o frontman em posse de seu celular, o baterista emendou Painkiller ao solo, enlouquecendo a galera.

Apresentando o que viria, Ripper propôs mudanças: “Acho que faremos algo do Demolition. Vamos desacelarar um pouco. Esta se chama Lost And Found”. Na prática, ninguém desacelerou coisa alguma na platéia e a assinatura do LP de outrora abriu precedentes: mais fãs levantavam capas para autógrafos, de Demolition e de Enemies & Lovers, o álbum de estréia do A New Revenge, o super projeto com o ex-Judas nos vocais,  o guitarrista Keri Kelli (Slash’s Snake Pit, Alice Cooper e Vince Neil Band), o baixista Rudy Sarzo (Ozzy, Dio e Whitesnake) e o baterista James Kottak (Scorpions, Montrose, Warrant e Kingdom Come), lançado oficialmente no final de março. Antes de Grinder, Ripper pediu que todos cantassem consigo e então sacou o celular para filmar o quão malucos eram os fãs brasileiros. Nem precisava ter pedido, já que a próxima era Hell Bent For Leather, única de Killing Machine no set.

Hell Is Home foi precedida por nova reivindicação e uma revelação: “Alguém me arruma uma cerveja gelada? A próxima é uma das minhas favoritas e é do Demolition. Já a tocamos em formato acústico antes, mas agora a faremos como ela é”. E após tirar uma selfie em frente à galera, perguntou a Kiko: “Como está se sentindo? Quer tocar algo para eles? Kiko tem um novo CD, também à venda. Kiko Shred, Brasil, fritando para vocês”. Acompanhado de Lucas e Will, o guitarrista mandou ver L.V.X., de The Stride, seu segundo álbum solo, curiosamente grafada no setlist de palco como Guitar/Instrumental. Com as voltas de Vulcano e Ripper, agora sem o colete jeans e sim com uma blusa de couro preta, Lucas puxou a levada de Living After Midnight e o cantor averiguou se todos estavam prontos para cantar. Após assinar mais vinis e até um box set do Iced Earth, Breaking The Law foi a quarta e última de British Steel no show e quase abriu uma roda no acanhado bar, não sem antes o frontman, por duas vezes, dar a dica do que viria: “Há algum contraventor aqui hoje? Daqueles que vão contra a lei…”.

Partindo para o final, Ripper novamente solicitou uma cerveja e desta vez foi presenteado por um fã: “É nova? Ou você botou a boca aqui? Saúde!”. Estendendo a zoeira, uma fã gritou: “Vai pegar sapinho!”. Satisfeito, tirou sarro dando boa noite e fez mais declarações: “Sabem, o Manifesto foi o primeiro local onde cantei solo. Trouxeram-me aqui uns dez anos atrás… 2010?”, para ser corrigido por um fã, certo de que havia sido em 2008 (em 20/12, na verdade, na festa de comemoração de 14 anos da casa, onde voltou a cantar em outubro/09, outubro/15 e setembro/16). Retomando, Ripper zombou da própria idade: “Nossa, eu tinha uns 25 anos então” e anunciou que a próxima seria de Jugulator. Só faltou dizer que era Death Row. Esbanjando praticidade, cravou: “Esta é a hora em que a gente geralmente deixa o palco, dá boa noite, mas não vou subir a porra daqueles degraus de novo para voltarmos para cá. Então vamos ficar por aqui mesmo… ok, já estamos de volta para mais umas. Estão prontos?”. E estranhamente cometeu-se uma heresia ao não tocarem The Hellion antes de Electric Eye, única de Screaming For Vengeance (1982). Exageros à parte, que ficou estranho, ficou…

Finalizando a noite, Ripper agradeceu, foi educado e fez um lembrete: “Muito obrigado, vocês são uma ótima platéia. E não se esqueçam: temos nosso merchan com bonés, alguns CDs e patches. Não tem muito mais, mas ainda há algumas coisas à venda. Esta é nossa última música e espero que cantem bem alto. É uma canção de união porque é sobre nós e apenas nós: One On One”, com riffs matadores, foi outra a quase abrir uma roda. Após os últimos agradecimentos, os músicos cumprimentaram os fãs da linha de frente, encerrando assim o set de pouco mais de setenta minutos a setenta reais. Curto, não? Talvez coubessem The Ripper (por razões óbvias), You’ve Got Another Thing Comin’ ou Bullet Train. Ficarão para a próxima…

 

Setlist

01) Metal Gods

02) Jugulator

03) Burn In Hell

04) Lucas Tagliari Miranda’s Drum Solo

05) Painkiller

06) Lost And Found

07) Grinder

08) Hell Bent For Leather

09) Hell Is Home

10) L.V.X. (Kiko Shred Solo + Will Santos + Lucas Tagliari Miranda)

11) Living After Midnight

12) Breaking The Law

13) Death Row

14) Electric Eye

15) One On One

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