Fotos: Raíssa Correa
O romantismo nunca saiu de moda. Na noite em que o Air Supply subiu ao palco do Vibra São Paulo para uma apresentação com ingressos esgotados, ficou evidente que algumas canções conseguem atravessar décadas sem perder sua força emocional. Celebrando 50 anos de carreira, Graham Russell e Russell Hitchcock transformaram a casa de shows em um grande encontro de gerações unidas por melodias que marcaram histórias de amor, despedidas e reencontros.
A expectativa já era grande antes mesmo do início do espetáculo. O público, formado por fãs que acompanham a dupla desde os anos 1970 e também por admiradores mais jovens, lotou o Vibra São Paulo para testemunhar a trajetória de um dos nomes mais importantes da música romântica mundial. Quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes ecoaram pelo sistema de som, a reação foi imediata: aplausos calorosos e uma plateia pronta para cantar cada verso.
A apresentação fez parte da turnê comemorativa dos 50 anos do Air Supply, marco impressionante para uma dupla que começou sua história em 12 de maio de 1975 e que, desde então, acumulou sucessos, milhões de discos vendidos e mais de 5.500 apresentações ao redor do mundo. Mesmo após cinco décadas de estrada, Graham Russell e Russell Hitchcock demonstraram uma sintonia invejável, sustentada por uma banda extremamente competente liderada pelo guitarrista Aaron McLain.
O repertório funcionou como uma viagem afetiva pela história da música pop. Clássicos como “Lost in Love”, “The One That You Love”, “Here I Am” e “Every Woman in the World” foram recebidos com entusiasmo, mas os momentos mais emocionantes ficaram reservados para algumas das canções mais conhecidas da dupla. Quando os primeiros acordes de “All Out of Love” surgiram, milhares de vozes assumiram o protagonismo, transformando o Vibra São Paulo em um gigantesco coral.
Russell Hitchcock impressionou pela potência vocal e pela capacidade de reproduzir ao vivo a mesma emoção que consagrou as gravações originais. Sua interpretação continua sendo um dos grandes diferenciais do Air Supply. Já Graham Russell assumiu diversos momentos de interação com o público, compartilhando histórias e agradecendo o carinho dos fãs brasileiros, conhecidos há décadas por sua fidelidade à banda.
Outro ponto alto aconteceu durante “Making Love Out of Nothing At All”, composição escrita por Jim Steinman que se tornou um dos maiores sucessos da carreira da dupla. A execução impecável da música arrancou aplausos antes mesmo de seu término, em um dos momentos mais intensos da noite. A combinação entre a voz de Hitchcock, os arranjos grandiosos e a participação apaixonada do público criou uma atmosfera difícil de ser reproduzida por artistas contemporâneos.
O show também serviu para lembrar a dimensão da importância histórica do Air Supply. Poucos artistas podem ostentar números comparáveis aos de seus ídolos, os Beatles, como a sequência de cinco singles consecutivos entre os cinco mais executados das paradas norte-americanas. Ao longo da apresentação, ficou claro que esse sucesso não foi fruto apenas do talento para compor hits, mas da capacidade rara de criar músicas que permanecem relevantes emocionalmente para diferentes gerações.
A produção foi elegante e eficiente, apostando na força das canções em vez de efeitos grandiosos. Telões exibiam imagens da trajetória da banda enquanto a iluminação valorizava os momentos mais intimistas e emocionantes do repertório. Tudo parecia desenhado para destacar aquilo que sempre foi o principal elemento do Air Supply: suas músicas.
Ao final da noite, após uma sequência de sucessos que manteve o público completamente envolvido, a sensação era de que os 50 anos celebrados pela dupla representam muito mais do que uma marca cronológica. O Air Supply continua sendo um raro exemplo de longevidade artística construída sobre talento, dedicação e uma conexão genuína com seus fãs.
Com o Vibra São Paulo completamente lotado, Graham Russell e Russell Hitchcock provaram que suas canções permanecem tão vivas quanto na época em que conquistaram as rádios de todo o mundo. Cinquenta anos depois, o Air Supply segue fazendo exatamente aquilo que sempre soube fazer melhor: transformar sentimentos em música e música em memória.





