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Angra ::: 29/04/26 ::: Espaço Unimed /SP
Postado em 13 de maio de 2026 @ 13:41

Por Marcelo Gomes

Pode-se dizer que este é um ótimo momento para ser fã do Angra. Entretanto, isso não significa tranquilidade para quem acompanha a banda. O fim do hiato e os diversos anúncios recentes, como a participação no Bangers Open Air, a saída do vocalista Fabio Lione, a entrada de Alírio Netto e a reunião da formação da era Nova Era, movimentaram não apenas os fãs, mas também toda a cena nacional. Afinal, o que parecia improvável tornou-se realidade, e quem acompanha a trajetória do grupo teve a oportunidade de presenciar um momento histórico.

Apenas três dias após o Bangers Open Air, o Angra desembarcou no Espaço Unimed para um espetáculo de três horas que certamente ficará marcado na memória dos fãs. Com ingressos esgotados, a banda demonstrou um entrosamento ainda maior e uma performance superior à do festival, entregando um setlist expandido e repleto de momentos memoráveis. Havia câmeras espalhadas por toda a casa registrando cada detalhe da apresentação. Embora a banda não tenha anunciado oficialmente um lançamento ao vivo, quem sabe um dia o registro seja lançado.

A apresentação foi dividida em três atos, cada um celebrando uma fase distinta da trajetória do Angra e reunindo diferentes formações que marcaram a história do grupo. O primeiro ato contou com a formação atual da banda: Alírio Netto (vocal), Rafael Bittencourt (guitarra), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria). A abertura com “Nothing to Say” já trouxe um contratempo técnico, quando o microfone apresentou falhas logo no início. Ainda assim, o público respondeu imediatamente, suprindo as linhas vocais e demonstrando forte devoção a banda. Na sequência, “Angels Cry” elevou a energia da casa e reafirmou a força do repertório clássico. É impressionante como essas músicas ainda conseguem incendiar o público mesmo após tantos anos.

As execuções de “Tide of Changes – Part I” e “Tide of Changes – Part II” apresentaram o material mais recente do grupo e evidenciaram sua versatilidade musical. Em seguida, tocaram a clássica “Lisbon” e depois “Vida Seca”, que reforçou a identidade brasileira da banda, especialmente pelos trechos interpretados por Rafael Bittencourt originalmente gravados por Lenine.

Ao piano, Alírio Netto dedicou “Wuthering Heights” ao saudoso Andre Matos. O vocalista passou com segurança por um dos momentos mais desafiadores do repertório e foi amplamente ovacionado. Um dos grandes destaques do primeiro ato foi “Carolina IV”, composição extensa e complexa que reúne diferentes elementos rítmicos ao longo de mais de dez minutos, proporcionando ao público uma verdadeira jornada musical.

O ato ainda reservou espaço para um impressionante solo de bateria de Bruno Valverde, que empolgou o público antes da execução de “Make Believe”, outro momento de grande recepção por parte do público. O encerramento desse ato ocorreu com “Waiting Silence”, surpreendendo positivamente por se tratar de uma música da fase Edu Falaschi, mas que se adaptou muito bem à voz de Alírio Netto.

O segundo ato foi um dos momentos mais aguardados da noite ao reunir a icônica formação composta por Edu Falaschi (vocal), Rafael Bittencourt (guitarra), Kiko Loureiro (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Aquiles Priester (bateria). Representando a era Nova Era, o grupo entregou uma apresentação marcada pela nostalgia e pela intensidade. A abertura com “Nova Era” incendiou o público, que celebrou calorosamente o reencontro.

“Millennium Sun” e “Acid Rain” foram executadas com grande entusiasmo, apesar das breves falhas técnicas na guitarra de Rafael Bittencourt no início de ambas as músicas. Ainda assim, o público participou ativamente durante toda a apresentação, transformando-se praticamente em uma segunda voz permanente.

Canções como “Heroes of Sand”, “Unholy Wars” e “Rebirth” foram recebidas com extrema euforia. Para muitos presentes, tratava-se da realização de um sonho. O próprio Edu Falaschi demonstrou surpresa ao perceber que grande parte da plateia não havia assistido ao show no festival. Além disso, o repertório desta apresentação foi ligeiramente diferente, trazendo o álbum Rebirth quase na íntegra, fator que tornou o momento ainda mais especial.

Aquiles Priester também teve grande destaque com seu “PsychOctopus Solo”. Diferentemente da abordagem mais direta de Bruno Valverde, Aquiles apresentou uma performance mais musical e elaborada, utilizando bases instrumentais pré-gravadas de diferentes estilos, sobre as quais construiu passagens técnicas impressionantes.

Seguindo praticamente a ordem do álbum, vieram “Judgement Day” e “Running Alone”. Mesmo sem o fator surpresa, o público reagia com entusiasmo constante, especialmente pelo caráter histórico da reunião daquela formação. Em vez de “Visions Prelude”, faixa que encerra originalmente o álbum Rebirth, a banda optou por incluir “Bleeding Heart”. Durante a execução, a plateia surpreendeu ao cantar trechos da versão “Agora Estou Sofrendo”, da Calcinha Preta, criando um momento inusitado e bem-humorado. O encerramento do segundo ato ocorreu com “Ego Painted Grey” e a explosiva “Spread Your Fire”, deixando os fãs em estado de êxtase.

O ato final funcionou como uma celebração do legado do Angra e da união entre seus integrantes. Sozinho no palco, Rafael Bittencourt iniciou “Reaching Horizons” em voz e violão, embora o instrumento tenha apresentado uma breve falha técnica antes do início da execução.

Em um dos momentos mais emocionantes da noite, “Silence and Distance” trouxe imagens de Andre Matos nos telões, cantando a primeira parte da música. Em seguida, Alírio Netto, Edu Falaschi, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli e Bruno Valverde se juntaram no palco para continuar a homenagem, em uma performance carregada de emoção, especialmente para os fãs mais antigos.

A celebração prosseguiu com “Late Redemption”, desta vez com Aquiles Priester substituindo Bruno Valverde na bateria, simbolizando a união entre diferentes fases da banda. O encerramento ocorreu com a clássica “Carry On”, reunindo as diferentes formações do Angra no palco e fechando a noite de maneira histórica, em uma celebração à trajetória da banda, aos fãs e às décadas de contribuição do grupo para o metal brasileiro.

Mais do que um simples show comemorativo, a apresentação no Espaço Unimed representou um raro encontro entre passado, presente e futuro. Em uma noite marcada por nostalgia, emoção e celebração, o Angra mostrou por que permanece como uma das bandas mais importantes da história do metal brasileiro. Mesmo diante de pequenas falhas técnicas, a grandiosidade do espetáculo esteve justamente em sua autenticidade: músicos visivelmente emocionados, fãs cantando cada verso e diferentes gerações celebrando uma trajetória construída ao longo de décadas. Se no Bangers Open Air o reencontro já parecia especial, no Espaço Unimed ele ganhou contornos definitivos de um momento histórico. Agora é esperar os novos capítulos que prometem surpreender os fãs celebrando outras fases de sua história e quem sabe, até mesmo o lançamento dematerial novo com essa nova formação.

 

 
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