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Bangers Open Air::: 03/05/25::: Memorial América Latina
Postado em 08 de maio de 2025 @ 21:25

BANGERS OPEN AIR – Dia 2: calor, riffs, caos e suor – do metal tradicional ao thrash descontrolado

No segundo dia do festival o Power Metal reinou mas ainda tivemos gratas surpresas com os shows do Municipal Waste , Dark Angel e HEAT

Texto e Fotos: Flavio Santiago

Se o primeiro dia do Bangers Open Air foi mais contido, o segundo já começou chutando a porta com o Burning Witches mandando ver sob um sol que parecia querer derreter até a alma. E olha, que show! Eu já curtia o som das suíças, mas ao vivo a coisa toma outra proporção. É heavy metal tradicional daqueles que te fazem pensar em calça de couro e fumaça no palco, com aquele toque de “a gente veio pra quebrar tudo e ainda sair sorrindo”.

Laura Guldemond é um furacão loiro — canta absurdamente bem, interage, pula, gira o cabelo, tudo isso com uma presença magnética.

E a banda toda entrega com tanta confiança que até quem nunca ouviu as bruxas antes saiu dali fã. Quando mandaram “Hexenhammer” e “Lucid Nightmare”, foi aquele momento em que o pescoço começa a pedir arrego — mas você segue bangueando.

Setlist:
Unleash the Beast
Dance With the Devil
Maiden of Steel
Nine Worlds
Wings of Steel
Hexenhammer
The Spell of the Skull
The Dark Tower
Lucid Nightmare
Burning Witches

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Logo depois, o H.E.A.T. assumiu o palco com uma energia que faz jus ao nome. Kenny Leckremo é um monstro (no bom sentido, claro) — como esse cara canta daquele jeito embaixo de um sol de rachar, usando jaqueta de couro, é um mistério que só pode ser explicado por pacto sueco.

Mesmo com o guitarrista Dave Dalone tocando sentado na sombra (coitado, tava doente), a banda entregou um show eletrizante. “1000 Miles” arrancou lágrimas de uns, gritos de outros. O som é aquele hard rock/AOR cheio de refrões grudentos, tecladinho esperto e vibe oitentista — e eu, que sou fã de Skid Row, não poderia ter pedido mais.

Foi suor, emoção e até coreografia espontânea da galera nas primeiras fileiras.

Setlist:
Disaster
Emergency
Dangerous Ground
Hollywood
Rise
Beg Beg Beg
Back to the Rhythm
Bad Time for Love
1000 Miles
One by One
Living on the Run

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Mas o que veio depois… meu amigo, aí foi o apocalipse em forma de show. Municipal Waste simplesmente destruiu tudo. E não tô exagerando. Em 21 músicas socadas uma atrás da outra, eles transformaram o Ice Stage num circo de thrash insano, moshpit eterno e um desfile de personagens aleatórios: teve Eddie do Iron Maiden brigando com Jesus Cristo no meio do público, Goku fazendo crowdsurfing e até um drone sendo ameaçado pelo vocalista Tony Foresta.

É aquele tipo de show que te faz esquecer do calor, da fome, da vida — só existe o riff, o pogo e a sensação de que o mundo está acabando da melhor forma possível.

Quando “Born to Party” fechou o set, com o hino “Municipal Waste is gonna fuck you up!”, eu já estava exausto, sorrindo feito criança em parque de diversões.

Setlist:
Garbage Stomp
Sadistic Magician
Slime and Punishment
Breathe Grease
Grave Dive
You’re Cut Off
The Thrashin’ of the Christ
Poison the Preacher
Wave of Death
High Speed Steel
Restless and Wicked
Crank the Heat
Mind Eraser
Under the Waste Command
Beer Pressure
Thrashing’s My Business… And Business Is Good
I Want to Kill the President
Wrong Answer
The Art of Partying
Demoralizer
Born to Party

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Depois disso, confesso que desacelerei um pouco — precisava de água, sombra e um pouco de calma. Mas aí veio o Sonata Arctica com seu set cheio de nostalgia, celebrando 30 anos de estrada e botando o público pra cantar junto em “Full Moon” como se fosse 2001.

Tony Kakko ainda manda muito bem nos vocais, e a escolha de resgatar faixas do Ecliptica foi acertadíssima. Foi aquele tipo de show que abraça o fã de longa data, e mesmo não sendo o maior entusiasta de power metal melódico, me peguei emocionado.

Setlist:
First in Line
Dark Empath
I Have a Right
San Sebastian
Replica
My Land
Full Moon
Wolf & Raven
Don’t Say a Word
Vodka

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Cara… quem é fã de Kamelot no Brasil vive um privilégio. A gente nem teve tempo de sentir abstinência desde a última visita dos caras em 2023 e , eles voltam em 2025 pro Bangers Open Air. E não foi um show só, não — foram dois. Tipo rodízio de power metal, só que com vocal lírico e luz vermelha demoníaca.

O sábado já prometia. Era o dia power metal raiz, com Sabaton e Powerwolf, então a galera estava em peso, grudada na grade do Ice Stage. Quando o Tommy Karevik entrou, com aquele jeitão calmo e carismático, parecia que todo mundo já sabia que ia valer cada minuto. “Insomnia” logo de cara e a galera pulando como se não tivesse mais banda pra ver depois. O cara é bom. Simples, não força nada, mas domina o palco. Ainda mais com o Thomas Youngblood ao lado, aquele monstro de guitarra, e o Sean Tibbetts com a cara de quem saiu direto de um clipe dos anos 2000. Tudo no lugar.

Ainda teve aquele solo meio deslocado do Alex Landenburg (que até tentou enfiar um Rush ali no meio), teve figurino, teve presença marcante da Melissa Bonny (que destruiu nos guturais, aliás), e um setlist bem equilibrado entre peso, melodia e épico.“Karma” e “March of Mephisto” foram os pontos altos

Setlist:

Veil of Elysium
Rule the World
Insomnia
When the Lights Are Down
New Babylon
Karma
Center of the Universe
Drum Solo (com trecho de “Tom Sawyer” do Rush)
March of Mephisto
Keyboard Solo
Forever
Liar Liar (Wasteland Monarchy)

 

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Logo após veio o Saxon — e cara, é sempre especial ver lendas no palco. Biff Byford pode estar com 74 anos, mas ainda entrega um vocal que corta o ar.

A banda toda é uma aula de heavy metal com elegância e potência. Não importa se você já viu outros shows deles — ao vivo, a vibe é de ritual. E naquele fim de tarde, com o público já cansado mas reverente, foi como fechar um ciclo. Não teve firula. Teve peso, hino atrás de hino, e uma lição de como o tempo só fortalece quem tem alma de verdade no que faz.

Setlist:
Hell, Fire and Damnation
Power and the Glory
Motorcycle Man
Madame Guillotine
Heavy Metal Thunder
Strong Arm of the Law
1066
Denim and Leather
And the Bands Played On
747 (Strangers in the Night)
Wheels of Steel
Crusader
Princess of the Night

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Confesso: se alguém me dissesse há dez anos que um dia eu estaria na frente do palco vendo o Dark Angel AO VIVO, eu provavelmente riria na cara dessa pessoa. Sempre foi aquela banda de thrash que parecia ter ficado congelada no tempo — lendas de um passado glorioso e violento, mas distantes. E eis que, num sábado em pleno Bangers Open Air, esse sonho de moleque virou realidade. E que porrada, amigos.

O sol já tava se escondendo quando os riffs de “Time Does Not Heal” rasgaram o céu do festival. Só que, logo de cara, a ausência de Eric Meyer deixou aquele vazio no som. Não era só uma guitarra a menos — era o cara que ajudou a moldar aquele som intrincado, cheio de variações e viradas malucas. Ron Rinehart avisou: o homem ficou preso por culpa de voos cancelados. Azar o nosso, mas sorte termos Laura Christine encarando sozinha o desafio de preencher o espaço. E olha… a mulher destruiu. Deu conta da missão com uma segurança absurda.

Do lado de Gene Hoglan, tudo era precisão. O cara é um monstro — cada virada, cada baquetada, parecia uma martelada de concreto. E o que falar do Mike Gonzalez no baixo? Galopante, nervoso, comemorando aniversário no palco enquanto nos dava uma aula de peso. “The Burning of Sodom” e “Death Is Certain (Life Is Not)” foram dois momentos em que o mundo parou. Me vi girando no meio do mosh com um sorriso bobo na cara. Ron, aliás, foi um show à parte: subia nas caixas, descia no meio da galera, gritava com o pulmão da alma.

E aí veio o momento de emoção: “Extinction-Level Event”, petardo composto pelo saudoso Jim Durkin. Cara, foi de arrepiar. A música já é um soco na cara no estúdio, mas ali, ao vivo, ganhou um peso espiritual. Ron dedicou tudo ao amigo, e por alguns instantes o massacre virou homenagem. O fechamento com “Darkness Descends” e “Perish in Flames” foi o que faltava pra transformar aquela noite num ritual — um daqueles que você não esquece nunca mais.

Setlist:
Time Does Not Heal
Never to Rise Again
No One Answers
The Burning of Sodom
Extinction-Level Event
Merciless Death
The Death of Innocence
Death Is Certain (Life Is Not)
Darkness Descends
Perish in Flames

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Mas o sábado ainda tinha muita pólvora.

Logo depois, o palco virou uma igreja gótica comandada por lobisomens. Sim, tô falando do Powerwolf, que chegou chegando com toda sua parafernália teatral: organza, sangue cenográfico e um vitral animado com o mascote da banda. Ali, o clima era mais festa medieval do que pancadaria — e funcionou demais. Attila Dorn mandando ver nos vocais com aquela presença de maestro do inferno e o tecladista Falk Maria interagindo como se estivesse num stand-up satânico. Que dupla!

O setlist foi um passeio pela carreira da banda: “Bless ‘em With the Blade”, “Armata Strigoi”, “Heretic Hunters”… tudo muito bem executado, com refrões que a galera berrava em uníssono. Em alguns momentos, parecia até uma rave de monges. Se o Dark Angel foi brutalidade crua, o Powerwolf foi um espetáculo de luz e performance. Diversão total.

Setlist:
Bless’em With the Blade
Incense & Iron
Army of the Night
Sinners of the Seven Seas
Amen & Attack
Dancing With the Dead
Armata Strigoi
Sainted by the Storm
Heretic Hunters
Fire and Forgive
Werewolves of Armenia
Demons Are a Girl’s Best Friend
Blood for Blood (Faoladh)
Sanctified With Dynamite
We Drink Your Blood

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Pra fechar, veio o Sabaton, com todo o aparato militar de sempre. Fogo, sirenes, metralhadoras — e não só no palco. O público tava em êxtase, parecia que a Segunda Guerra tinha recomeçado ali no Hot Stage. Abriram com “Ghost Division”, e emendaram logo “The Last Stand” e “The Red Baron”.

Clássico atrás de clássico, todos com aquele tempero épico e dramático que só eles sabem fazer. Claro, rolou aquele momento pré-gravado meio “karaokê com explosão”, mas ninguém parecia se importar muito. Quando tocaram “Smoking Snakes” (homenagem aos pracinhas brasileiros), a galera delirou. E a despedida com “To Hell and Back” foi quase simbólica — depois daquela sequência, a gente tinha mesmo ido até o inferno e voltado.

Setlist:

Ghost Division
The Last Stand
The Red Baron
Bismarck
Stormtroopers
Carolus Rex (versão sueca)
Night Witches
The Attack of the Dead Men
Fields of Verdun
The Art of War
Resist and Bite (com trecho de “Master of Puppets” do Metallica)
Soldier of Heaven
Christmas Truce
Smoking Snakes
Primo Victoria
Swedish Pagans
To Hell and Back

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Após seis anos de espera, o Lacrimosa finalmente retornou ao Brasil para uma apresentação marcante no festival Bangers Open Air, marcando a estreia mundial da turnê de divulgação do novo álbum Lament, lançado em março. Fundado em 1990 pelo suíço-alemão Tilo Wolff, o projeto começou como um experimento solo sombrio no darkwave e evoluiu para uma das bandas mais respeitadas da cena gótica e sinfônica mundial, especialmente com a entrada da finlandesa Anne Nurmi nos teclados e vocais em meados dos anos 90.

A noite foi uma celebração do passado e do presente. O show começou com a potente “Schakal”, clássico absoluto dos anos 90, com Tilo já completamente imerso em sua persona teatral, conduzindo o público com gestos expressivos e olhar penetrante. Em seguida, “Ich bin der brennende Komet” incendiou o palco com sua carga dramática e riffs pesados, comprovando que a energia da banda segue intacta.

As primeiras amostras do novo álbum Lament vieram com “Celebrate the Darkness” e “Liebe über Leben”, ambas demonstrando que o Lacrimosa segue fiel à sua estética melancólica, mas agora com camadas ainda mais densas e introspectivas. As composições carregam a marca registrada de Tilo: letras existenciais, arranjos orquestrais e peso guitarrístico, agora ainda mais refinados pela produção do novo trabalho.

“Avalon” trouxe uma aura mística ao set, seguida de “Kelch der Liebe”, em que Anne Nurmi assumiu o protagonismo com sua voz etérea, criando um dos momentos mais emocionantes do show. A dobradinha “Stolzes Herz” e “Dark is this Night” foi responsável por uma onda de nostalgia coletiva – especialmente a primeira, que fez o público cantar em uníssono.

Nos momentos finais, “Lichtgestalt”, um dos maiores sucessos da fase mais sinfônica da banda, explodiu em luzes e emoção, conduzindo ao encerramento apoteótico com “Copycat”, faixa enérgica e cheia de atitude que tirou qualquer dúvida: o Lacrimosa está mais vivo do que nunca.

Com uma performance intensa, teatral e precisa, Tilo Wolff e Anne Nurmi provaram por que o Lacrimosa é um nome tão cultuado no universo gótico e alternativo mundial. A estreia da nova turnê em solo brasileiro foi um presente para os fãs e um marco para a história da banda.

Setlist

Schakal
Ich bin der brennende Komet
Celebrate the Darkness
Liebe über Leben
Avalon
Kelch der Liebe
Stolzes Herz
Dark is this Night
Lichtgestalt
Copycat

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