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Bangers Open Air ::: 25/04/2026 ::: Memorial da América Latina / SP
Postado em 12 de junho de 2026 @ 03:14

Texto e Fotos: Flavio Santiago

Bangers Open Air 2026 – Dia 1: uma celebração do peso, da diversidade e da paixão pelo metal

A quarta edição do Bangers Open Air confirmou, logo em seu primeiro dia, por que o festival se consolidou como um dos principais encontros da música pesada na América Latina. Realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, o evento reuniu veteranos, revelações, diferentes vertentes do metal e um público que encarou o calor intenso de abril para viver mais de dez horas de música sem interrupções.

O sábado, 25 de abril, foi um retrato fiel da proposta do festival: diversidade sonora, espaço para bandas nacionais e internacionais, encontros improváveis entre gerações e uma atmosfera de pertencimento que só grandes festivais conseguem proporcionar. Entre rodas, sinalizadores, reencontros e descobertas, o Bangers entregou uma maratona musical que transitou do hard rock ocultista ao death metal melódico, passando por thrash, metalcore, folk metal e metal progressivo.

Logo ao meio-dia, o Lucifer teve a responsabilidade de inaugurar os trabalhos no Sun Stage. Mesmo sob um sol impiedoso, a banda liderada por Johanna Platow mostrou porque conquistou tantos admiradores nos últimos anos. Com uma formação renovada e um repertório que passeou por diferentes fases da carreira, o grupo entregou uma apresentação envolvente, destacando músicas como “Anubis”, “Crucifix (I Burn For You)”, “California Son” e uma excelente releitura de “Goin’ Blind”, do KISS. Johanna dominou o palco do início ao fim, conduzindo um show hipnótico que serviu como abertura perfeita para o festival.

Enquanto isso, no Ice Stage, o Korzus mostrava que continua sendo uma das instituições do metal brasileiro. A nova formação, agora contando com Jean Patton e Jéssica Falchi nas guitarras, demonstrou entrosamento impressionante. Clássicos como “Agony”, “Mass Illusion”, “Discipline of Hate” e “Correria” transformaram a pista em um verdadeiro campo de batalha, provando que a banda atravessa décadas sem perder relevância ou agressividade.

O Evergrey assumiu a sequência trazendo uma mudança completa de atmosfera. Em vez da agressividade direta, os suecos apostaram na emoção, na melancolia e nas camadas progressivas que marcaram sua trajetória. Canções como “Falling From The Sun”, “Where August Mourn” e “The World Is on Fire” encontraram um público receptivo, ainda que o forte calor não favorecesse a proposta mais introspectiva da banda. Mesmo assim, Tom Englund e companhia entregaram uma apresentação tecnicamente impecável.

Entre as grandes surpresas do dia esteve a estreia brasileira do Feuerschwanz. Os alemães transformaram o Ice Stage em uma verdadeira festa medieval, misturando humor, teatralidade e muito carisma. O ponto alto veio quando executaram sua versão de “Dragostea Din Tei”, provocando uma reação instantânea do público brasileiro, que respondeu com um coro espontâneo de “Festa no Apê”. Foi um daqueles momentos que resumem perfeitamente o espírito descontraído que um festival desse porte também pode oferecer.

Pouco depois, o Jinjer mostrou por que é uma das bandas mais respeitadas do metal moderno. Tatiana Shmayluk impressionou mais uma vez ao alternar vocais limpos e guturais extremos com uma naturalidade quase absurda. O grupo apresentou um repertório fortemente baseado em Duél (2025), mas foi em músicas como “Green Serpent”, “Fast Draw”, “Pisces” e “Perennial” que conquistou definitivamente a plateia. Técnica, peso e precisão definiram uma das melhores apresentações do dia.

Substituindo o Fear Factory após o cancelamento dos americanos, o Torture Squad assumiu o desafio sem demonstrar qualquer pressão. Pelo contrário. O quarteto liderado por Mayara Puertas transformou a oportunidade em um dos momentos mais intensos do festival. Em um set baseado nos principais momentos da carreira, a banda mostrou por que continua sendo uma das maiores representantes do metal extremo brasileiro.

Se o objetivo era elevar ainda mais o nível de energia, o Killswitch Engage cumpriu a missão com louvor. Jesse Leach conduziu uma apresentação carregada de emoção, peso e interação. Faixas como “The End of Heartache”, “My Curse”, “My Last Serenade” e o encerramento com “Holy Diver” transformaram o Ice Stage em um enorme coro coletivo.

Foi impossível não perceber o quanto a banda mantém uma conexão especial com o público brasileiro.

A partir do final da tarde, o festival entrou em sua reta decisiva. O Black Label Society assumiu o Hot Stage trazendo o carisma e a presença inconfundíveis de Zakk Wylde.

Mais do que um desfile de riffs pesados, o show também serviu como uma homenagem emocionada a Ozzy Osbourne e aos irmãos Dimebag Darrell e Vinnie Paul. “No More Tears”, “In This River”, “Ozzy’s Song” e “Stillborn” emocionaram e incendiaram o público em igual medida.

Mas era impossível ignorar a expectativa em torno do In Flames. Os suecos entregaram uma verdadeira aula de death metal melódico, equilibrando perfeitamente clássicos e material recente. Anders Fridén mostrou enorme sintonia com os fãs brasileiros, conduzindo um repertório que incluiu “Cloud Connected”, “Only for the Weak”, “Meet Your Maker”, “I Am Above” e a explosiva “Take This Life”. Em um festival repleto de grandes apresentações, o In Flames certamente esteve entre os pontos mais altos do primeiro dia.

Enquanto isso, o Tankard transformava o Sun Stage em uma celebração cervejeira movida a thrash metal. Com bom humor, velocidade e uma sequência de clássicos irresistíveis, os alemães mostraram que continuam sendo mestres quando o assunto é diversão sobre duas rodas de mosh pit.

O encerramento da noite ficou reservado ao Arch Enemy. A apresentação tinha um peso histórico adicional: era a primeira passagem da banda pelo Brasil com Lauren Hart nos vocais.

Qualquer dúvida sobre a escolha da nova frontwoman desapareceu logo nos primeiros minutos. Lauren demonstrou segurança, presença de palco e enorme respeito ao legado construído por Angela Gossow e Alissa White-Gluz. Canções como “Ravenous”, “War Eternal”, “The Eagle Flies Alone” e “Nemesis” transformaram o Hot Stage em um espetáculo grandioso, encerrando o primeiro dia em altíssimo nível.

Mais do que uma sequência de shows memoráveis, o primeiro dia do Bangers Open Air 2026 reforçou algo que vai além da música. O festival continua sendo um ponto de encontro para pessoas que compartilham histórias, paixões e experiências construídas ao longo de décadas ouvindo metal. Entre veteranos, jovens fãs, famílias inteiras e amigos que se reencontram a cada edição, o evento reafirmou que o heavy metal permanece vivo, diverso e capaz de criar conexões que ultrapassam os limites do palco.

Ao final da noite, com os últimos acordes ecoando pelo Memorial da América Latina, ficou a sensação de que o Bangers Open Air não é apenas um festival. É uma celebração coletiva da cultura metal, um espaço onde diferentes gerações se encontram para lembrar por que essa música continua ocupando um lugar tão especial em suas vidas. E se o primeiro dia serviu de parâmetro, 2026 entrou definitivamente para a história como uma das edições mais fortes e equilibradas do evento.

 
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