Blackberry Smoke na Audio: suor, riffs e alma sulista em noite intensa
Texto e Fotos: Flavio Santiago
Celebrando mais de duas décadas de estrada e consolidando seu nome como um dos principais expoentes do southern rock contemporâneo, o Blackberry Smoke retornou ao Brasil em abril de 2026 com a turnê Rattle, Ramble and Roll. O show na Audio, realizado no dia 11 de abril, marcou não apenas mais uma passagem pelo país, mas um reencontro aguardado com um público fiel que cresceu junto com a banda.
Formado em Atlanta no início dos anos 2000, o grupo liderado por Charlie Starr construiu sua trajetória equilibrando o peso do hard rock com a tradição do country e do blues sulista. Ao longo dos anos, álbuns como The Whippoorwill e You Hear Georgia consolidaram esse DNA, sempre com forte conexão com influências como Lynyrd Skynyrd — referência que, inclusive, aparece no repertório ao vivo.
A última visita da banda ao Brasil já havia deixado boas impressões, mas dessa vez o clima era diferente: comemorativo. Segundo entrevistas recentes, o grupo tem apostado em setlists mais abrangentes, revisitando várias fases da carreira — e foi exatamente isso que se viu em São Paulo.
Logo na abertura com “Good One Comin’ On” e “Workin’ for a Workin’ Man”, ficou claro que o show seguiria sem rodeios: direto ao ponto, com guitarras altas e groove carregado. A resposta do público foi imediata — a pista da Audio virou um verdadeiro reduto de fãs cantando cada verso.
A sequência com “Payback’s a Bitch” e “Hammer and the Nail” reforçou o peso do repertório mais recente, enquanto “Till the Wheels Fall Off” e “Lucky Seven” trouxeram aquela pegada de estrada, típica da banda.
O ponto alto começou a se desenhar no bloco central. “Pretty Little Lie” e “You Hear Georgia” foram recebidas como hinos, mostrando como o público brasileiro absorveu o material mais novo com a mesma intensidade dos clássicos. Já “Waiting for the Thunder” elevou ainda mais o clima, com direito a refrões em coro e braços erguidos.
A dinâmica do show também chamou atenção: sem grandes discursos, a conexão veio pela música. A banda preferiu deixar que os riffs e os solos falassem e funcionou
Um dos destaques foi “Sleeping Dogs”, que ganhou um trecho de “Come Together”, dos The Beatles, inserido de forma orgânica, mostrando a versatilidade do grupo.
Outro momento forte veio com “One Horse Town”, talvez o maior hino da banda, cantado praticamente inteiro pelo público. Já “Ain’t Got the Blues” e “Run Away From It All” reforçaram o lado mais emocional do repertório.
No encore, a escolha por “Poison Whiskey”, clássico do Lynyrd Skynyrd, foi simbólica: uma reverência direta às raízes do gênero e um fechamento perfeito para a noite.
O show do Blackberry Smoke na Audio foi exatamente o que se espera de uma banda que vive a estrada: entrega honesta, repertório sólido e zero firula. Em um cenário cada vez mais dominado por produções grandiosas, o grupo provou que ainda há espaço — e muita demanda — por rock direto, orgânico e carregado de identidade.
Para quem esteve lá, ficou a sensação de ter participado de um daqueles shows que não dependem de efeitos ou hype: apenas música bem tocada, suor no palco e uma conexão real com o público. Para o Blackberry Smoke, mais um capítulo consistente em sua relação com o Brasil — que, ao que tudo indica, segue longe de terminar.
Setlist — São Paulo (Audio, 11/04/2026)
- Good One Comin’ On
- Workin’ for a Workin’ Man
- Payback’s a Bitch
- Hammer and the Nail
- Till the Wheels Fall Off
- Lucky Seven
- Hey Delilah
- Pretty Little Lie
- You Hear Georgia
- Waiting for the Thunder
- Sure Was Good
- Sleeping Dogs (com trecho de “Come Together”)
- Azalea
- Prayer for the Little Man
- One Horse Town
- Ain’t Got the Blues
- Sunrise in Texas (cover)
- Run Away From It All
- Encore:
- Poison Whiskey(Lynyrd Skynyrd cover)
- Ain’t Much Left of Me (With When The Levee Breaks interlude)










