Texto: Vagner Mastropaulo
Fotos: Flavio Santiago
Em noite de performance arrebatadora, mestres ingleses do death metal passam o carro!
Se você esteve na apresentação do Carcass na segunda edição do Summer Breeze, viu que a banda praticamente derreteu sob o forte calor frontal encontrado na tarde de domingo, terceiro e último dia do festival em 2024, chegando ao ponto de o vocalista e baixista Jeff Walker colocar cubos de gelo numa toalha sobre sua cabeça visando um mínimo conforto climático.Quanta diferença nas condições encontradas no retorno a São Paulo e ao Carioca Club, onde já haviam se apresentado em abril/13.
Outra mudança foi visual, com Jeff de cabelos curtos e não mais tão parecido com um híbrido entreDick Vigarista e Pedro de Lara… Completando o time super bem entrosado, os guitarristas Bill Steer e James “Nip” Blackford e o baterista Daniel Wildingo acompanharam em magnífica atuaçãode uma hora e vinte e cinco minutos e com vintee uma pedradas, incluindo músicas inteiras e partes tão “retalhadas” quanto as artes de algumas das capas de seus álbuns.
Sem banda de abertura e com início programado para as 20:30, um trecho de The Living Dead At The Manchester Morgue foi utilizado como intro com um mísero minuto de atraso até Unfit For HumanConsumptionefetivamente inaugurar os trabalhos com direito a um “Scream for me, Brazil” de Jeff – sim, o mesmo comando eternizado por seu compatriota Bruce Dickinson. Ele não parou por aí e encaixou um breve“Boa noite, São Paulo!”, em português mesmo, antes de BuriedDreams e,a partir daí o pau comeu solto. Duvida?
Praticamente sem pausa, mandaram: Kelly’sMeatEmporium; IncarnatedSolvent Abuse; a maravilhosa No Love Lost, celebrada em seu início como gol num estádio; um snippet de TomorrowBelongsToNobody, a preparar terreno para Death Certificate; Dance OfIxtab (Psychopomp&CircumstanceMarch No. 1 In B); e outro snippet, de Black Star, pré-KeepOnRotting In The Free World – finalmente gerando pouco além de vinte segundos de respiro após dez cacetadas consecutivas em pouco mais de meia hora sem dó! Ufa!!!
Decorando o palco, apenas imagens no telão para as quais, sinceramente, ninguém deu bola ou se esforçou para ver com a iluminação matando qualquer possibilidade de visualização. Além disso, uma bandeira do Brasil customizada com o logo da banda ao centro, seu nome abaixo, a capa de Heartwork (93) no canto superior direito e a arte do EP Despicable (20) no lado esquerdo.
E dá-lhe mais pedradas ininterruptamente: Genital Grinder; Pyosisified (RottenTo The Gore); e Tools Of The Trade– chegando a cravados quarenta e cinco minutos cavalares! E se, até então, a aposta era quase 100% musical com raríssima comunicação, finalmente veio uma fala mais “elaborada e alongada” do vocalista: “Como vocês estão? Meu português é uma merda! ‘Obrigado’ em todo caso! Como estão? Vamos tocar!”.
Sacou? Com o Carcassé uma porretada atrás da outra e háuma espécie de acordo velado entre seus membros e a platéia, algo do tipo: “Tocamos assim e vocês gostam. Por que perdermos tempo com baboseiras se queremos tocar e vocês querem nos ouvir?”. E funciona, pois, se não chegaram a lotar a pista, havia bem mais gente do que o esperado para uma noite de quinta-feira, com os fãs ocupando sua frente e confortavelmente se espalhando pelo fundão da casa.
Acredite se quiser, mas The Scythe’sRemorseless Swingmostrou-se inicialmente mais lenta e “acessível” até 316L Grade Surgical Steel tornar a arregaçar tudo outra vez… E rumando ao término do set regular, seguiram empilhandomaterial: This Mortal Coil e Corporal JigsoreQuandary, para temporariamente deixarem o palco com um sutil “Obrigado!”.
Para o encore, primeiro Jeff fez uma checagem: “Como estão? Bem? Querem mais uma? Mais uma?”. Como a resposta foi óbvia, deixou novamente o palco e regressou tomando uma cerveja, sem pressa alguma, observando a ansiosa reação da platéia, sedente por mais. Debochado, tirou sarro: “Danem-se! Viajei três mil milhas e estou me divertindo, então… Querem uma devagar? Devagar… Devagar? Ok, vamos fazer uma devagar”: a “lenta”CaptiveBoltPistol.
Ainda mandaram um trecho de Ruptured In Purulence, abrindo caminho paraHeartwork e, encerrando o atropelo, um pedacinho tocado de CarneousCacoffinyatéHave A Cigarser disparada como outro, porém não a tradicional faixa do Pink Floyd e sim uma divertida versão lounge do Feeling Floyd encontrada em Chilled Pink – A Chill Out SaluteTo Pink Floyd (09).
Em português claro, o quarteto simplesmente não deixou pedra sobre pedra e, de quebra, ignorando-se o fato de algumas escolhas terem sido trechos, ainda equilibraram bem a discografia: cinco de Heartwork (93); três de Necroticism – Descanting The Insalubrious (91), Swansong (96), Surgical Steel (13) e TornArteries (21); duas de ReekOfPutrefaction (88); e uma de SymphoniesOfSickness (89) e a faixa-título do EP Tools Of The Trade (92).
Caso queira acompanhar como foi, uma boa alma registrou tudo e subiu a filmagem para o YouTube [https://www.youtube.com/watch?v=FYS60bPaFGY]. Confira e reflita: foi foda ou não?
Setlist
Intro: The Living Dead At The Manchester Morgue [Trecho]
01) Unfit For Human Consumption
02) Buried Dreams
03) Kelly’s Meat Emporium
04)Incarnated Solvent Abuse
05) No Love Lost
06) Tomorrow Belongs To Nobody [Trecho]
07) Death Certificate
08) Dance OfIxtab (Psychopomp& Circumstance March No. 1 In B)
09) Black Star [Trecho]
10) Keep On Rotting In The Free World
11) Genital Grinder
12) Pyosisified (Rotten To The Gore)
13) Tools OfThe Trade
14) The Scythe’s Remorseless Swing
15) 316L Grade Surgical Steel
16) This Mortal Coil
17) Corporal Jigsore Quandary
Encore
18) Captive Bolt Pistol
19) Ruptured In Purulence [Trecho]
20) Heartwork
21) CarneousCacoffiny [Trecho]
Outro: Have A Cigar [Feeling Floyd]






