No início de 2020, Chico fez sua primeira turnê; foram nove shows espalhados por Portugal. Com os produtores locais da Ya Ya Yeah, ele rodou por 14 cidades diferentes em aproximadamente 15 dias. Dentre elas, esteve no Porto, onde tocou no Maus Hábitos, um espaço cultural no alto de um edifício. Após o show, ele dormiu sozinho no local, em uma pequena acomodação designada para os músicos que por ali passam. Em plena escuridão e silêncio, após o movimento do show e o fechamento da casa, ele se acomodou no quartinho, saindo do frio de inverno, e escreveu “Em Meu Lugar”.
Uma música que fala sobre o indivíduo em sua solitude, “Em Meu Lugar” é sobre a quantidade de pessoas queridas que armazenamos em nós, a partir de nossas memórias e afetos, e que caminham conosco quando nos vemos sozinhos, a partir do ato da lembrança. Quase que premonitória, a canção ganhou um novo significado inusitado em 2020 com a pandemia, com o isolamento social, que deixou todos nós sozinhos, juntos.
Então no início da quarentena, Chico mostrou a canção para Arthur Decloedt (baixista e arranjador), seu colega de Selo RISCO e surgiu a ideia que ele escrevesse um arranjo em cima de suas bases de violões e vozes, tudo a partir de gravações remotas. Essa proposta era uma novidade para Chico, que até então tinha gravado sozinho todas as canções do seu repertório solo.
Para esse arranjo, Arthur buscou resgatar uma sonoridade relativamente comum nos final dos anos 60/começo dos anos 70, da canção voz e violão somada à orquestra de câmara, tendo como ponto de partida alguns clássicos trazidos por Chico, como Duncan Browne ou Caetano Veloso, mas sem perder de vista outras referências contemporâneas como Dirty Projectors e The Staves.
Para a execução do arranjo, Arthur convidou a clarinetista Maria Beraldo (Quartabê), o violinista Felipe Pacheco Ventura (Baleia), o cellista Rafael Cesário (quarteto de cordas da cidade de São Paulo) e o trompetista Amilcar Rodrigues (Mauricio Pereira), todos gravaram suas partes remotamente por conta da quarentena. A faixa foi mixada e masterizada por Gui Jesus Toledo, e é um lançamento do Selo RISCO.
selo RISCO
Selo fonográfico fundado em 2014 em São Paulo e hoje sob direção de Gui Jesus Toledo e João Bagdadi, atua como uma plataforma de suporte na viabilização fonográfica e difusão do trabalho de artistas da cena independente. Sua proposta é fomentar e investir na carreira desses artistas,por meio da colaboração em duas frentes principais: a gestão dos processos produtivos e a articulação com outros atores das cadeias criativa e produtiva da música. É casa de lançamentos de diversos artistas como: Luiza Lian, O Terno, Maria Beraldo, Tim Bernardes, Jonas Sá, Quartabê, Ana Frango Elétrico, Vovô Bebê, entre outros.
*fotos com crédito de Daryan Dornelles






