Texto e Fotos: Flavio Santiago
Corrosion of Conformity: Noite quente e incendiária na Burning House
Depois de um adiamento que deixou fãs em suspense o show originalmente previsto para setembro de 2025 foi reagendado por causa de compromissos da banda em turnê pelos EUA , a lendária Corrosion of Conformity finalmente retornou a São Paulo para uma apresentação única no Burning House, com ingressos sold out e atmosfera de celebração entre os fãs de stoner/sludge metal
O sold out confirmou o clima de redenção coletiva e, quando as luzes baixaram, ficou claro que não havia espaço para concessões. A banda veio para fazer exatamente o que sempre soube fazer melhor, riffs grossos, cadência arrastada e uma identidade sonoridade que atravessa décadas.
A abertura com Bottom Feeder, ainda que apresentada de forma parcial, já deu o tom do que viria pela frente. O riff pesado e direto funcionou como um empurrão inicial, puxando o público para dentro do show sem cerimônia. Paranoid Opioid manteve a tensão elevada, com aquela mistura característica de groove e aspereza que sempre fez da banda algo difícil de rotular. Seven Days apareceu logo depois como um respiro enganoso, porque mesmo nos momentos mais melódicos o Corrosion of Conformity nunca abandona o peso, apenas o reorganiza em camadas e mesmo com o calor absurdo que fazia dentro da casa, os fãs não paravam um minuto de cantar e agitar.
Broken Man foi um dos pontos em que a conexão entre palco e plateia ficou mais evidente. O refrão ecoou forte na Burning House, enquanto Wiseblood reafirmou o lado mais clássico e denso do repertório, trazendo aquela sensação de música que parece arrastar o chão junto com ela. Born Again for the Last Time soou quase como um manifesto, reforçando a longevidade do grupo e a forma como essas músicas continuam atuais mesmo tantos anos depois de lançadas.
Stonebreaker chegou como um soco seco, reacendendo o mosh e fazendo a casa ferver novamente. Who’s Got the Fire e My Grain mantiveram o ritmo intenso, mostrando uma banda afiada, confortável no próprio repertório e consciente do impacto que cada riff causa ao vivo. Não havia pressa, mas também não existia sobra. Tudo soava no tempo certo, pesado na medida exata.
Shake Like You trouxe aquele groove sujo que faz a cabeça balançar quase involuntariamente, enquanto King of the Rotten reforçou o lado mais ríspido do set. Vote With a Bullet apareceu como um dos momentos mais explosivos da noite, com o público cantando junto e transformando a música em um coro coletivo que tomou conta da casa. Era o tipo de faixa que lembra por que o Corrosion of Conformity sempre transitou tão bem entre o underground e um reconhecimento mais amplo dentro do metal.
O bis veio carregado de significado. Mad World surgiu com um clima quase hipnótico, preparando o terreno emocional para o que viria a seguir. Albatross foi recebida como um verdadeiro hino, com cada nota sendo acompanhada de perto pela plateia, em um daqueles momentos em que o tempo parece desacelerar dentro do show. Clean My Wounds encerrou a noite em clima de catarse e com uma versão extendida para delirios dos fãs deixando a sensação de missão cumprida tanto para a banda quanto para o público.
O show do Corrosion of Conformity na Burning House não foi apenas a compensação por um adiamento. Foi a confirmação de uma relação sólida com o público brasileiro, construída em cima de músicas que envelhecem bem e de apresentações que não dependem de nostalgia para funcionar. Em uma São Paulo acostumada a receber grandes nomes do metal, a noite provou que ainda há espaço para o peso cru, honesto e sem maquiagem que a banda entrega desde sempre.
Setlist
Bottom Feeder (El que come abajo) (Partial)
Paranoid Opioid
Seven Days Play
Broken Man
Wiseblood
Born Again for the Last Time
Stonebreaker
Who’s Got the Fire
My Grain
Shake Like You
King of the Rotten Vote With a Bullet
Mad World
Albatross
Clean My Wounds




