Fim de tarde, os raios solares empoeirados cobrem o canto de uma sala. Roda ali uma vitrola. Ou um toca fita. Ou até mesmo uma caixa de som via wireless. A vibe é a mesma nos três casos: dois amigos, fãs de música brasileira, que resolveram fazer seu próprio som brasileiro. E ao mesmo tempo, gringo.
Novo. E ao mesmo tempo, antigo. Experimente Estrela Mágica.
Estrela Mágica é o disco de estreia do projeto Winter & Triptides, duo estadunidense-brasileiro formado pelos músicos Glenn Brigman e Samira Winter, respectivamente. O trabalho é distribuído pelos selos OAR (vinil e CD) e Burger Records (cassete), lá e aqui e apresenta 9 faixas no total.
Realizado ao longo de dois anos pelos próprios músicos, Estrela Mágica é fruto de encontro esporádicos da dupla em suas casas, locais onde gravaram tudo com paixão e calma – uma música de cada vez.
“Acho que esse álbum tem muito da conexão com um mundo sonhador, belo e até inocente. Eu e o Glenn nos conectamos muito com o nosso amor pela música brasileira, então realmente nos divertimos gravando. Estávamos em Los Angeles, mas sonhando com o Brasil”, explica Samira, que por aqui já é um nome conhecido e ativo na cena do indie rock autoral com seu projeto Winter.
Fã declarado de Mutantes e João Gilberto, Glenn – do projeto californiano Triptides – aprendeu o que sabe do idioma português por meio das músicas. “Quando encontrei o primeiro disco d’Os Mutantes, minha mente explodiu e dediquei todo o meu tempo a descobrir outros trabalhos com esta toada tropicalista”, revela o músico, responsável pelos arranjos, gravação e produção da obra.
O disco
Estrela Mágica foi todo captado por um clássico Tascam, gravador de fita de Glenn, que imprimiu à sonoridade do disco uma atmosfera nostálgica e luminosa, como aquele cantinho de sala bom pra ouvir – ou tirar – um som. Com melodias e letras assinadas por Samira, o trabalho traz outras inspirações para além da música brasileira, como o movimento “flower power” e outras cores sessentistas.
“Sinto que as pessoas se conectarão com essa vibe, mais leve e ensolarada que o disco traz. Sou imigrante num outro país, por isso também acho que é bem válido se expressar na sua língua de origem, que no meu caso é o português”, reflete Samira.
Ouça Winter & Triptides












