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Death To All – Carioca Club – 24/01/26
Postado em 08 de fevereiro de 2026 @ 16:50

Textos: Vagner Mastropaulo

Fotos : Belmilson Santos  ( Road Crew)

Vida longa ao Death ToAll e ao legado do grande Chuck Schuldiner – novamente!!!

Com título similar ao acima, já havíamos coberto o Death ToAllno próprio Carioca Club em março/24 [https://onstage.mus.br/website/death-to-all-carioca-club-23-03-24] (além deconferirmos, como fã e ingresso pago do bolso, a estréia do tributo pelo Brasil no Via Marquês em setembro/14) e o foco da atual turnê SymbolicHealing, conforme evidente com seu batismo, residianos álbuns Symbolic (95) e Spiritual Healing (90).

Simplificando, a dúvida era: tocariam os dois discos na íntegra? Na seqüência? Ou alternando?Em tempo, a festa não se resumiu a somente estes dois trabalhos, sem querer soltar spoilers. Sem banda de abertura e com um ínfimo minuto de um “simbólico” atraso em relação ao horário divulgado de 19:00, disparou-se como introa soturna Windfall, do DeadCan Dance,contemporânea aScream Bloody Gore (87), début doDeath, e extraída deWithin The RealmOf A Dying Sun (87).

Na prática, ela se tornou uma sinistra ambientação para, nesta ordem, as entradasde: Gene Hoglan (bateria);Steve DiGiorgio (baixo); Bobby Koelble (guitarra); e Max Phelps (vocal/guitarra), que havia passado pelo mesmo Carioca Club no São Paulo Metal Fest com o Cynic em abril/23, mas, fora da banda desde 2024, não tocara naBurningHouse nove dias antes. Ainda sobre a respeitosaformação, não custa relembrar que Hoglantocou em Individual ThoughtPatterns (93)e Symbolic;Koelblegravou Symbolic; eDiGiorgio esteve em Human (91) e Individual ThoughtPatterns– fora sua participação em The FragileArtOfExistence (99), álbum de Chuck com o ControlDenied. Ou seja, estávamos em ótimas mãos.

Efetivamente inaugurando os trabalhos, um curto trecho instrumental tocado de Infernal Deathpreparou terreno para Living Monstrosityenquanto observávamos Steve debulhar num baixo fretless de apenas três cordas. Na boa, o cara detona sem esforço algum e com a mesma tranqüilidade de quem passa manteiga no pão quente… Encerrada, mandou suas papetes para o espaço e, de DefensivePersonalities em diante, fez o show descalço! Quinze minutos no palco e oscaras já tinham em suas mãos a massa que confortavelmente enchia a casa.

Um solo aparentemente inofensivo,agora num baixo de cinco cordas, se encarregou de encaminhar LackOfComprehension, representante solitária de Humane, trinta e cinco anos à frente desde seu lançamento, era incrível constatar como a obra do inesquecível e eterno Chuck Schuldinersegue atual e encontra eco entre os fãs mais novos presentes, lado a lado com gente que acompanhou toda sua carreira e hoje passa das cinqüenta primaveras. Na primeira pausa mais alongada, Steve DiGiorgio pediu a palavra:

“Como estão todos por aí? Estamos aqui e realmente agradecemos por vocês terem vindo passaresta noite conosco apoiando o death metal. É sempre tão sensacional tocar em São Paulo! Amamos vir aqui! Quem viu o Death ToAll antes? Obrigado por voltarem, mas acho que há um monte de estreantes. Quem está vendo o DeathToAll pela primeira vez?”. Se, de fato, bastante gente se manifestou na primeira checagem, deu para cravar que o número de braços erguidos foi equilibrado na segunda pergunta. Esperto, ele politicamente retomou:

“A maioria dessas mãos está aqui na frente, adorei isso! Mas a pergunta mais importante é: quem virá nos ver na próxima vez que viermos a São Paulo?”. Fácil de imaginar a explosão coletiva. Steve concluiu: “Legal! Mantenham a promessa que veremos vocês da próxima vez, mas, por ora, vamos sempre nos aproveitar desta oportunidade cedo no set para lembrarmos todo mundo por que estamos fazendo isto, certo? Além de gostarmos de tocar juntos, de amarmos essas músicas ede estarmos nessa banda, a razão é: rememorarmos, imortalizarmos e celebrarmos a vida, a música e o legado de nosso amigo Chuck Schuldiner!”. Finalmente, em meio a gritos com o nome do saudoso músico, o baixista concluiu:

“Esta noite é sobre Chuck, é sobre o que ele compôs e vislumbrou, é sobre seu legado e estamos aqui para seguirmos adiantee para que vocês o curtam. Temos muitas músicas para tocar que Chuck escreveu para vocês, um set bem longo para vocês esta noite. E se vocês viram o pôster da turnê, é claro que sabem que estamos celebrando dois álbuns que fazem aniversários de lançamento e estamos tocando algumas músicas de um álbum que saiu trinta e cinco anos atrás… Vocês conhecem o SpiritualHealing, certo? 1989! Um, dois, três, quatro, são todos os que já tinham nascido – o resto nasceu depois. Vamos continuar a tocar músicas deste álbum e misturar com material de todos os álbuns do Death, como sempre fazemos para vocês. Mas, continuando com o disco, esta é AlteringTheFuture”.

Zombie Ritual foi reconhecida de imediato, o povo cantarolousua melodia inicial em coro e ela foi sucedida por Within The Mind, enquanto reparávamos na decoração única consistir do backdrop com o nome do quarteto.The Philosopherfoi outro tiro certeiro e a galera nem esperou ela terminar para aplaudir Steve, tamanho o nível técnico de sua execução. Após Spiritual Healing, ele tornou a dialogar com os fãs, desta feita se esforçando para se expressar em português, apesar do sotaque carregado e de uma breve escorregada ao “hablar”:“Estão vivos? Vamaê, pô! Falo pra caralho! Estão ‘listos’?”. Em inglês, continuou:

“Beleza! Estão curtindo o show até aqui, certo? Bem, temos algo especial para vocês. Sei que todos viram o pôster da turnê e vocês sabem o que estamos fazendo. Estamos celebrando o aniversário de lançamento de um álbum que saiu trinta anos atrás chamado Symbolic. Conhecem esse álbum? Na verdade, vocês vieram aqui esta noite para ouvir este álbum no palco, certo? Bem, bom para vocês, pois vamos tocá-lo por inteiro para vocês. E é uma surpresa bastante especial, pois o Gene me lembra a cada cinco minutos no dia que, mesmo quando o álbum saiu e a banda Death estava excursionando, eles nunca tocaram o álbum todo”.

Ele sintetizou: “Eles tocavam uma seleção das músicas e as misturavam com os clássicos, como todas as bandas fazem. Então está turnê é a primeira vez que todos vocês aqui vão ouvir todas as músicas. Éa primeira turnê em que vamos tocar todas as músicas: a aventura inteira, do Lado 1 ao Lado 2. Oh, merda, vocês sabem o que é o ‘Lado 2’, certo? É claro que sabem! Então vamos tocá-lo na íntegra e fiquem confortáveis. Será uma longa jornada porque vamos tocar a faixa-título deste álbum, que, vocês sabem, se chama…”, deixando o povo completar vociferando o nome da cacetada a superar uma hora no relógio.

Inteirando o citado “Lado 1”, Zero Tolerance veio emendada e seguida de: Empty Words, com começo mais atmosférico só com as duas guitarras; SacredEternity; e 1,000 Eyes. “Virando o long play”, mandaram ver com: WithoutJudgment; Cyrstal Mountain, outra identificada de bate-pronto e super bem aceita com suporte popular na cantoria; Misanthrope; e, antes da conclusão do disco, DiGiorgio se manifestaria novamente:

“Vamaê? O país e a cidade de vocês são lindos, amamos São Paulo e, sabem, todas as vezes que a gente vem aqui, é uma antecipação tão especial. Amamos esperar para vir aqui e darmos energia a vocês. Amamos sentir os camarotes, saúde a vocês, São Paulo! Saúde!”. Grato, o público se saiu com um grito curioso de “Olê, olê, olê, olê! Dé-fê, Dé-fê!”, fazendo a alegria de um fotógrafo ao lado deste escriba no fundo da pista:“Brasileiro é foda: ‘Dé-fê’ é de doer…”. O baixista finalizou:“Obrigado, amamos vocês, galera! Vamos continuar vindo aqui para tocarmos para vocês por toda a eternidade. Infelizmente temos esta última música para tocarmos para vocês, então, se quiserem mais, terão que fazer barulho. Mas, por ora, esta é a última música em São Paulo. Esta é Perennial Quest!” – sepultando Symbolic.

Regressando para o encore, uma tremenda surpresa improvisada: ao ouvirem Steve fazendo a seminal parte mais famosa de Deliverance, seus companheiros entraram na onda, conduzindo o grande clássico do Opeth até o final. Caso você não o conheça, estamos nos referindo ao instrumental a partir de 9’39”, segundo a gravação no álbum homônimo [https://www.youtube.com/watch?v=rggQNCS8UjM] de 2002. E caso curta o som dos suecos, saiba que eles voltarão ao país em novembro!

Uma pena só terem separado uma composição do excelente TheSoundOfPerseverance (98), mas bastou a sensacional linha inaugural de baixo, tão facilmente reconhecida e gravada por Scott Clendenin, falecido em 2015, para Spirit Crusherparecer ser disparadamente a mais cantada da noite. Fato foi que a saideira foi pau a pau em empolgação geral,emlindo fechamento com Pull The Plug,tirando o plugue da tomada, com o perdão do trocadilho, e com direito:à única interação de Max, gritando um “Obrigado a todos! Obrigado e boa noite!” perto de seu término; ea um snippet de YYZ, do Rush, terminando a festa– o mesmo trecho já havia sido dedilhado, porém discretamente e apenas por Steve ao encerrar Zombie Ritual.

Ele se despediria: “Meu Deus, São Paulo! Amamos muito vocês! Obrigado por esta noite! Ninguém vai embora esta noite! Vamos ficar por aqui a noite toda!”. Segurando uma banana como se fosse um telefone, prosseguiu em prova de respeito mútuo entre artistas e público: “Vou ligar para a polícia e dizer: ‘Não venham aqui e não mandem ninguém para casa, ok? Tchau!’. Realmente apreciamos seu entusiasmo, amor e apoio a esta banda. Nós sempre, SEMPRE, teremos uma grande memória de São Paulo! Sempre voltaremos aqui para vocês, galera! Espero que estejam aí por nós. E até lá, cuidem-se e nos vemos na próxima, certo?”.

Como curiosidade, salvo algum erro nas anotações feitas por este que vos escreve,diretamente do fundão da casa e com certa dificuldade em enxergar, Steve fez praticamente o set inteiro no citado baixo fretless de três cordas, oferecendo um divertido aspecto visual meio “banguela” a quem estava acostumado ao padrão usual.Somente em LackOfComprehension eThe Philosophero número de cordas pulou para cinco em outro instrumento.

Outro ponto interessante: até pela complexidade musical e pela necessidade de respiro, hidratação e ocasionais ajustes ou rápidas conversas entre os membros do conjunto, na maioria das vezes houve intervalosentre as pedradas, exceções feitas entre: Infernal Death, Living Monstrosity e DefensivePersonalities, praticamente num combo; Empty Wordse SacredEternity; 1,000 Eyese WithoutJudgment; e Spirit Crusher e Pull The Plug.

Ao som de Sgt. Pepper’sLonely Hearts Club Band, na versão de Bill Cosby, como outro e passando de duas horas e dezesseis minutos de um senhor espetáculo, este repórter partia refletindo:o que mais Chuck teria feito se não tivesse nos deixado tão prematuramente? Já pensou como seria podermos contar com ele próprio curtindo o poder de seus clássicos até hoje? Outra consideração: como 2028 está logo aí, quem sabe o grupo não se animapara um giro festivo de três décadas de The SoundOfPerseverance(98) por completo? Fica a dica! Afinal de contas, escutá-la sob a regência de Chuck é impossível, mas, ao menos, nos resta a possibilidade de podermos conferir a bolacha executada por quem com ele conviveu e está apto a carregar a tocha do death metal adiante para entregar performance de qualidade.

Ao tocarem Symbolic (95) na ordem, o grande barato foi poder compará-lo ao que soava ainda melhor ao vivo, sobrando disposição ao mostrarem o material com extrema destreza. No mais, quando na vida alguém supôs conferir in loco o potencial matador e obscuro de Empty Words, SacredSerenity, Misanthrope ou Perennial Quest? Na matemática crua, ainda fizeram: cinco das oito de Spiritual Healing, sendo todas até a nona do set e preterindo apenas Low Life, GeneticReconstruction e Killing Spree – exatamente suas três últimas; duas de Scream Bloody Gore; e uma deLeprosy (88), Human, Individual ThoughtPatterns e The SoundOfPerseverance – assim garantindo, de acordo com o prometido, ao menos uma faixa de cada play.

Que noite! Vida longa ao legado de Chuck Schuldiner! E que o Death ToAll para cá retorne assim que possível!

 

Setlist

Intro: Windfall [Dead Can Dance]

01) Infernal Death

02) Living Monstrosity

03) Defensive Personalities

04) Lack Of Comprehension

05) Altering The Future

06) Zombie Ritual

07) Within The Mind

08) The Philosopher

09) Spiritual Healing

10) Symbolic

11) Zero Tolerance

12) Empty Words

13) Sacred Eternity

14) 1,000 Eyes

15) Without Judgment

16) Cyrstal Mountain

17) Misanthrope

18) Perennial Quest

Encore

19) Spirit Crusher[Precedida Por Um Trecho Considerável De Deliverance, do Opeth]

20) Pull The Plug

Outro: Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band [Bill Cosby]

 
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