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Dream Theater– Vivo Rio (Rio de Janeiro)– 10/05/26
Postado em 13 de maio de 2026 @ 14:12

Texto e Fotos: Vagner Mastropaulo

Dream Theater regressa ao Rio de Janeiro tocando A Change Of Seasons pela primeira vez na cidade

Em pleno Dia das Mães, o Rio de Janeiro recebeu a quinta de seis datas brasileiras da Parasomnia Tour e, apesar de ser a menor distância do local anterior para o seguinte, foi a única atuação em noites consecutivas, imediatamente depois deo Dream Theater ter tocado em São Paulo. De Porto Alegre a Curitiba e de lá para Brasília, o intervalo de dois dias (idêntico ao da Cidade Maravilhosa a Belo Horizonte, onde acabará não somente o giro, mas toda a turnê mundial) tornava tranqüilos os deslocamentos, caso algum fã optasse por ver mais de uma apresentação.E dependendo do horário de saída da Terra da Garoa para o Rio, a viagem foi cheia de emoções…

Este escriba em particular embarcou na Rodoviária do Tietê às nove da manhã tendo, em tese, tempo suficiente para completar a viagem, se virar pegando ônibus de linha no Terminal Gentileza rumo à Lapa para comer algo por lá e então se dirigir a pé ao Vivo Rio num percurso de cerca de três quilômetros, algo em torno de vinte minutos andando. Na teoria, o cronograma era simples e perfeitamente executável…Até um caminhão repleto de latinhas de cerveja (que desperdício!) e garrafas pet de refrigerantes tombar na Serra das Araras pouco além do quilômetro 227 e duas horas irem para o espaço até a liberação do trecho.

Na Rodoviária do Rio, só restou a este repórter recorrer a um aplicativo de viagens e, sem nada no estômago, chegar meio fora do ar à casa de shows e se acomodar na pista comum em tempo hábil de ver o espetáculo por inteiro, com o setlist “tradicional”, por assim dizer. A lógica das escolhas tem sido: cidades latino-americanas que receberam a banda em dezembro/24 ficaram com o mesmo repertório e quem não os viu há cerca de um ano e meio recebia outro. Por aqui, em suma, Brasília viu material diferente.

A organização e o preocupação com os detalhes são tamanhos que as duas intros tradicionais, MainTitle (The Shining) e Prelude, respectivamente partes das trilhas sonoras dos clássicos The Shining (80) e Psycho (60), foram disparadas faltando seis minutos para o horário oficialmente prometido, de modo que Parasomnia (25) começasse a ser tocado na íntegrapontualmente às 20:00.A estaaltura do campeonato, você provavelmente deve ter xeretado setlists prévios e sabe que os atos dois e três se formaram por: seis composições de cinco álbuns distintos; e a faixa-título do EP de 1995a encerrar a noite.

Focando na primeira parte, o impacto visual, e não exclusivamente sonoro, foi imediato: em In The Arms Of Morpheus, a performance era complementada por luzes projetadas no piso superior e o efeito se intensificou com feixes azuis horizontais e paralelos em Night Terror, estacom direito àúnica falha sonora geral ao ser impossível ouvir James LaBrie cantar seus primeiros versos, problema prontamente corrigido. Com tudo estabilizado,A Broken Man, sua sucessora, sooubem mais pesada ao vivo do que em estúdio, tal qual Midnight Messiah.

Preteridana capital federal, DeadAsleepfoi recuperada, Are WeDreaming?basicamente foi um a intro solo e, com pedidos de lanternas dos celulares acesas por parte de Portnoy e LaBrie,Bend The Clockmostrou ter potencial para furar a fila e se tornar a nova queridinha dentre as tantas lindas baladas do grupo. Fechando o full-length da tour, muita gente nem notou quando o boneco temático da longa The Shadow Man Incidentfoi inflado ao lado de Petrucci. Ainda focando emParasomnia e gradativamente seguindo adiante, não custa indicarmosalgumas ocasiões particulares de relevância individual de cada um dos membros.

Por exemplo, muito se fala a respeito dos backing vocals de Mike Portnoy e as contribuições de John Petruccisão ignoradasneste sentido. Para citarmos suas colaborações nas faixas do play da turnê, não exatamente na ordem cronológica, ele auxiliouem Night Terror, A Broken Man, DeadAsleep,The Shadow Man Incident e Bend The Clock – sem contar que, nesta última, elesimplesmente detonou no solo de quase três minutos que a encaminhou para o final efoi aplaudido ainda em sua execução.Se você reparou bem, nas não-instrumentais, ele teve folga de suas palhinhas vocais somente em Midnight Messiah.

Quanto à parte da guitarra em si, choveríamos no molhado ao discorrermos acerca de suas habilidades, mas as melodias de In The Arms Of Morpheus impressionaram de imediato. E as luzes rotativas projetadas ao redor do músico na parte instrumental intermediária de DeadAsleep e especialmente ao puxar Midnight Messiah fizeram, pelo menos os mais antigos,enxergarem sobre eleuma versão ultra modernizada do “Cone Do Silêncio” da série GetSmart (65-69).

Ainda sobre os vocais de apoio, o baterista sempre ajudoutanto que, visando não nos alongarmos em demasia esaltando no tempo, realçaremos uma situação engraçada: ao sair cantandoTake The Time até o verso “Go backtosquareone”, ele alterousua primeiralinha, de “Just letme catch mybreath” para “Just lethim catch hisbreath”, claramente brincando e apontandopara o frontman.

Jordan Rudess teve contribuição significativa na parte “jam” de The Shadow Man Incident, mas brilhou mesmo em quatro momentos: ao carregar Are WeDreaming?sozinho nas costas em caráter intimista; ao criar a atmosfera para,junto a James, fazerem “voz e teclados” em ThroughMy Words; ao arregaçar solando no tablet no final de The Dark Eternal Night; e ao rumar à frente do palco por somente uma vez perto da conclusão de PeruvianSkies com suakeytar pendurada no pescoço e levantando a galera.

John Myung permanece como o mais discreto dos cinco e é sempre o primeiro a literalmente sair correndo para oscamarins logo após se despedirem. Porém, ele também deixou seu cantinho duranteFatal Tragedy e foi ao centro do palco. Seu baixo, absurdamente audível por todo o set, falou alto em partes especificas de Night Terror e A Broken Man, mas rugiude modo cavalar mesmo nos começos deA RiteOfPassage eTake The Time.

A performance de LaBrie voltou a atingir tal ponto que, chegando cedo (exceto no Rio) e de ouvidos atentos às conversas paralelas, em nenhum instante nas coberturas dos cinco shows até aqui, este redator escutou qualquer comentário entre fãs sobre sua voz. É evidente que ascanções mais novas são escritas e levadas ao estúdio para que ele consiga desempenhar seu papel de modo confortável dentro do espectro vocal atual, mas músicas antigas como Take The Time e A ChangeOfSeasons, com esta já chegando a três horas no relógio, demandaram esforço e ele entregou o que dele se esperava com primazia. Com tanto para tocarem, ele pouco falou e sua interação mais alongada se deu apósThe Enemy Inside:

 “Boa noite, Rio! É ótimo estarmos aqui, cá estamos de novo. Este é nosso penúltimo show antes de empacotarmos esta turnê mundial. Estamos excursionando há quase dezenove meses nesta última jornada mundial, então iremos para casa e isso soa bem pra cacete…Mas, enfim, falando sério, quero dizer algo antes de prosseguirmos, então só quero tomarum momento do tempo de vocês: estamos cercados, não apenas por nossos fãs, sabem?Aliás, muito obrigado, não poderíamos ser mais gratos, fazemos o que sonhávamos fazer!”.

Ele retomou: “Mas temos nossa equipe, um grupo de técnicos de ponta em cada um de seus respectivos campos. Eles são os heróis joviais, eles fazem isso acontecer a cada noite. Somos uma grande família, nós os amamos e eles fazem tudo isso acontecer. Olhem em volta: vocês acham que conseguiríamos montar isso? Ficaria horrível pra cacete e não funcionaria. Enfim, obrigado à nossa equipe! Agora vamos retornar ao Black Clouds & Silver Linings e esta é A RiteOfPassage”.

Do segundo ato e ainda não referidas, a dupla ThroughMy Words e Fatal Tragedy foi extremamente celebrada e a paulada The Dark Eternal Night trouxe o resgate da divertida animação criada à época de SystematicChaos (07), aquela em que os integrantes do quinteto se transformam na N.A.D.S., a North American Dream Squad, no telão de fundo, e combatem o inimigo como um “chefão” de fase de vídeo-game. EPeruvianSkies ficou “bombada” em versão a superar dez minutos com snippets de WishYouWereHere, do Pink Floyd, e Wherever I May Roam, do Metallica – em Brasília, houve também um pedacinho de Burn, do DeepPurple.

E o que dizer da saideira A ChangeOfSeasons? Tão cheia de camadas, o instrumental por si só já é maravilhoso, mas a parte lírica traça um paralelo entre as fases da vida e as estações do ano, faz menção ao acidente aéreo que vitimou a mãe de Portnoy quando ele tinha quinze anos e o dedilhado inicial de Petrucci pôs fim a um jejum de vinte e nove anos sem que ela fosse tocada integramente no Rio. Para os preciosistas, a matemática foi a partir da estréia no Imperator em setembro/97, mas,ao levarmos em conta o lançamento do EP homônimo, aí superam-se três décadas. Simplificando, pergunte a qualquer fã se algum dia se cogitava ouvi-la ao vivo. Sem exagero, findou-se uma longa espera e a catarse coletiva experimentada resumia a materialização de um sonho.

Num espetáculo superando três horas, incluindo intros e outros, e composições sabidamente longas, é tarefa complicadíssima contemplar o máximo possível dos dezesseis discos do catálogo. Mesmo assim, foram, obviamente, as oito de Parasomnia, as sete de A ChangeOfSeasons, caso você considere suas partes em separado, e: duas deMetropolis Pt. 2: Scenes fromAMemory (99); e uma de Images AndWords (92),Falling Into Infinity (97), o mencionadoSystematicChaos, Black Clouds & Silver Linings (09)e Dream Theater (13) – justamente a única da era Mike Mangini, The Enemy Inside.

E agora, o que eles vão inventar para o futuro? Que tal um revivalcomemorativo de vinte e cinco anos do lançamento deSix DegreesOfInnerTurbulence (02) como um todo? Afinal de contas, ao longo da história do conjunto no país, apenas esta turnê não veio para cá sem reparação posterior, pois se a deMetropolis Pt. 2também nos deixou de fora, o disco foi resgatado no Brasil na segunda data da divulgação de Octavarium (05) no Credicard Hall em dezembro/05 e em todo o giro promocional de Distance Over Time (19), passando por Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegreem dezembro do mesmo ano.

Fica aí a dica! 😊

 

Setlist

Intro 1: MainTitle (The Shining) [Wendy Carlos & Rachel Elkind]

Intro 2: Prelude [Bernard Hermman]

Ato I – Parasomnia

01) In The Arms Of Morpheus

02) Night Terror

03) A Broken Man

04) DeadAsleep

05) Midnight Messiah

06) Are WeDreaming?

07) Bend The Clock

08) The Shadow Man Incident

Ato II

Intro: False AwakeningSuite

09) The Enemy Inside

10) A RiteOfPassage

11) Act I: SceneThree: I. ThroughMy Words

12) Act I: SceneThree: II. Fatal Tragedy

13) The Dark Eternal Night

14) PeruvianSkies [trechos de “WishYouWereHere” (Pink Floyd) e “Wherever I May Roam” (Metallica)]

15) Take The Time

Ato III – A ChangeOfSeasons

Vídeo: DeadPoets Society

16) A ChangeOfSeasons: I The Crimson Sunrise

17) A ChangeOfSeasons: II Innocence

18) A ChangeOfSeasons: III Carpe Diem

19) A ChangeOfSeasons: IV The DarkestOf Winters

20) A ChangeOfSeasons: V Another World

21) A ChangeOfSeasons: VI The Inevitable Summer

22) A ChangeOfSeasons: VII The Crimson Sunset [trecho de “A Fortune In Lies”]

Outro 1: Singin’ In The Rain [Gene Kelly]

Outro 2: Dance OfThe Dream Man [Angelo Badalamenti]

 
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