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Entrevista ::: AlphaWhores
Postado em 23 de junho de 2026 @ 02:52

Uma das bandas mais interessantes surgidas recentemente na cena alternativa latino-americana, a AlphaWhores finalmente desembarca no Brasil para suas primeiras apresentações no país. O duo panamenho formado por Massiel Pinzón e Juan Carlos “Poti” Aizprúa traz na bagagem uma combinação intensa de grunge, stoner rock, rock alternativo e metal, tudo embalado por uma identidade própria construída ao longo de décadas de experiência na música.

A estreia brasileira acontece em dose dupla. No dia 26 de junho, a banda abre para os veteranos do Redd Kross no Cine Joia, em São Paulo. Já no dia seguinte, 27 de junho, retorna aos palcos paulistanos para um show solo no Bar Alto, oferecendo ao público uma oportunidade de mergulhar mais profundamente em seu repertório e em sua sonoridade densa e carregada de personalidade.

Em conversa com o Onstage, Massiel e Poti falaram sobre a trajetória que os levou do Panamá aos palcos internacionais, a origem do curioso nome AlphaWhores, a liberdade criativa que guia a banda, a ligação especial com os fãs brasileiros e as expectativas para a aguardada primeira visita ao país. Entre riffs pesados, guitarras saturadas e uma paixão inabalável pela música, a dupla mostra por que vem conquistando cada vez mais espaço na cena pesada contemporânea.

Por: Flávio Santiago

A AlphaWhores vem de um país que normalmente não é associado à cena internacional do rock pesado. Em que momento vocês perceberam que a banda poderia ir além das fronteiras do Panamá e como foi construir uma identidade própria em uma cena menor?

Estamos ativos na cena rock do Panamá desde o fim dos anos 90, quando ainda éramos adolescentes. Ao longo dos anos gravamos discos, tocamos onde foi possível e fizemos diversas tentativas de excursionar internacionalmente. Antes mesmo de tocar uma única nota como AlphaWhores, já havíamos decidido cantar em inglês para alcançar um público global mais amplo.

Sabíamos que, tendo praticamente realizado tudo o que uma banda de rock do Panamá pode alcançar, nosso foco precisava ser internacional. Com quase 30 anos de experiência e uma maturidade que não tínhamos antes, agora já na faixa dos 40 anos, basicamente dissemos para nós mesmos: “É agora ou nunca”. Vamos não apenas fazer o que nunca tentamos antes, mas também fazer tudo de maneira diferente e ver o que acontece.

Quando lançamos “Same Team” de forma independente para o mercado internacional e vimos a recepção maravilhosa que teve e as oportunidades que começaram a surgir, pensamos: “É isso”. Criar nossa identidade não foi difícil. Apenas decidimos ser extremamente honestos criativamente. Conceitualmente, queríamos algo inesperado, já que Poti vinha do punk e Massiel do hard rock com uma banda formada apenas por mulheres.

De propósito, queríamos apresentar uma imagem que ninguém esperava: pessoas que parecem que vão tocar indie e, de repente, entra uma música pesada, suja, entre o stoner e o rock alternativo. Nada de camisetas do Slayer (risos).

O nome AlphaWhores chama atenção imediatamente. Como ele surgiu e qual foi a reação mais curiosa ou inesperada que vocês receberam por causa dele?

Poti tinha uma lista de possíveis nomes de banda que vinha montando há anos por diversão. Ele adora trocadilhos, então, quando começamos a banda, mostrou essa lista para Massiel, e o nome que imediatamente chamou a atenção dela foi AlphaWhores, porque é um trocadilho muito inteligente com “alfajores”, o doce argentino.

As pessoas geralmente adoram o nome, e ele inclusive nos abriu inúmeras oportunidades por ser tão chamativo. A coisa mais estranha que aconteceu foi que algumas rádios britânicas se recusaram a tocar nossas músicas por considerarem o nome extremamente ofensivo.

Crescer como irmãos influencia a forma como vocês compõem e trabalham juntos? Quais são as vantagens e desvantagens de ter uma banda em família?

Somos amigos e colaboradores musicais há mais de 20 anos e, hoje, além de companheiros de banda, somos melhores amigos  como uma família, embora não sejamos irmãos de sangue. Nos consideramos irmãos de alma e nos chamamos de irmãozinho e irmãzinha porque realmente temos essa dinâmica fraterna.

Temos a mesma ética de trabalho, a mesma ambição e a mesma paixão pela música e pela AlphaWhores. Esse vínculo é nossa força motriz, nosso superpoder. Nos damos muito bem, existe respeito e admiração mútuos e não há espaço para egos, o que nos permite explorar caminhos musicais muito mais interessantes.

Antes da AlphaWhores existir, houve alguma banda ou disco que fez vocês pensarem: “É isso que queremos fazer”?

Na verdade, não. Mas podemos dizer que, nos primeiros dias da AlphaWhores, ouvíamos muito Mastodon, Sleep e compartilhávamos um amor especial pelo Dead Meadow.

Vocês misturam grunge, stoner rock, rock alternativo e metal sem soar como uma simples soma de influências. O que é mais importante para vocês: permanecer fiéis às referências ou surpreender o ouvinte?

Definitivamente, surpreender o ouvinte. Não estamos presos a nenhum gênero ou subgênero, embora nossa sonoridade natural seja mais voltada para o sludge. Como compositores apaixonados e apreciadores de música dos mais variados estilos, não apenas do rock, nossa prioridade é escrever canções que não pareçam genéricas ou previsíveis.

Não estamos reinventando a roda, mas acreditamos que ainda existe muito espaço para explorar a composição sob uma perspectiva inovadora.

Se alguém nunca tivesse ouvido AlphaWhores e tivesse tempo para apenas uma música para entender a essência da banda, qual seria e por quê?

Sem dúvida, “Same Team”.

O álbum You Can Come Out Now transmite uma sensação de libertação. Existe uma mensagem pessoal ou coletiva por trás desse título?

Sim. O disco “I” e “You Can Come Out Now” estão conectados. São como as partes 1 e 2 da mesma história. Enquanto “I” representa a anatomia da dor e uma jornada por sentimentos sombrios, “YCCON” representa o outro lado do túnel, a luz no fim dele.

Por isso, a capa de “I” mostra um portal, e em “You Can Come Out Now” aparecemos emergindo de um pântano, simbolizando a saída da escuridão daquele portal.

Vocês estão vindo ao Brasil pela primeira vez. O que ouviram falar sobre o público brasileiro e quais são as expectativas para esses dois shows?

Historicamente, sempre vimos pela TV e pela internet que os fãs brasileiros são extremamente apaixonados e sabemos que existe uma cena de rock gigantesca por aí.

Além disso, desde que começamos a AlphaWhores, há cinco anos, nossos primeiros fãs foram brasileiros, e eles vêm nos pedindo para tocar no país desde então. Finalmente surgiu a oportunidade e estamos muito animados.

Esperamos um público caloroso e entusiasmado, para ser sinceros.

No dia 26 de junho vocês abrirão para o Redd Kross. O que significa dividir o palco com uma banda que atravessou décadas e influenciou tantos artistas do rock alternativo? E, no dia seguinte, tocarão como atração principal em um ambiente mais intimista. Como muda a mentalidade entre ser a banda de abertura e a atração principal?

É uma honra dividir o palco com o Redd Kross e somos muito gratos por essa oportunidade. Acreditamos que será uma noite fenomenal para o público.

A mentalidade muda principalmente na abordagem. Quando somos a banda de abertura, o mais importante é causar uma primeira impressão devastadora em quem ainda não faz ideia de quem somos como um soco esmagador na cara. Por isso, preparamos um set mais conciso e focado nesse impacto.

Já no show em que somos a atração principal, as pessoas poderão ver toda a amplitude da banda e todas as suas nuances, em uma atmosfera preparada especialmente para nós. Como muitos já conhecerão nossas músicas, o objetivo é que todos se divirtam e tenham uma noite memorável, e que nossa apresentação permaneça na memória deles para sempre, permitindo que possamos voltar no futuro.

Por fim, vocês gostariam de deixar uma mensagem para os fãs brasileiros? E o que eles podem esperar desses shows?

Estamos extremamente felizes e empolgados por finalmente poder fazer nossos primeiros shows no Brasil  esperamos que sejam apenas os primeiros de muitos  começando por esta turnê em São Paulo.

Venham preparados para um show com o tempero de dois roqueiros panamenhos absolutamente obcecados pelo que fazem, com total honestidade e paixão, misturados a uma muralha de som densa e carregada de fuzz.

Ao vivo, buscamos transformar a experiência em uma verdadeira jornada. Riffs pesados, guitarras saturadas, grooves sombrios e músicas que atingem emocionalmente com a mesma intensidade com que atingem sonicamente.

Serviço

26 de junho (sexta) – Cine Joia – São Paulo/SP

AlphaWhores + Redd Kross

Ingressos:

https://fastix.com.br/events/red-kross

27 de junho (sábado) – Bar Alto – São Paulo/SP

AlphaWhores – Show Solo

Ingressos:

https://meaple.com.br/baralto/alphawhores-bar-alto

Mais informações:

https://linktr.ee/alphawhores

 
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