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Entrevista : Joey Vera (Armored Saint)
Postado em 26 de março de 2025 @ 02:12

“Espero que seja insano numa escala maior”

Entrevista e Fotos: Flávio Santiago

Tradução: Vagner Mastropaulo

 

Em curta entrevista concedida por Joey Vera, o baixista do Armored Saint falou à Onstage sobre: o próximo disco dos caras; suas influências; como faz para se dividir entre projetos; e a expectativa para a estréia do grupo num festival maior no país, o Bangers Open Air, em que integram o Warm-Up de 02/05 [https://bangersopenair.com/armored-saint].

Resumindo, o papo foi super agradável na tarde de 25/03 e, visando não estourarmos nosso limite de quinze minutos, dos quais usamos quatorze, só lamentamos o fato de termos que deixar de lado oito perguntas previamente planejadas, tamanha a eloquência do músico! Ficaram para uma próxima oportunidade…Confira a conversa na íntegra!

 

Flávio Santiago: Olá, Joey! Consegue me ouvir?

Joey Vera: Sim, te ouço bem!

FS: Como você está? E, por curiosidade, onde você está agora?

JV: Estou bem! Estou em casa. Moro em Los Angeles.

FS: Ok! Não temos muito tempo, então vamos nessa.

JV: Ok!

FS: O Armored Saint tem sido consistente em entregar grandes álbuns ao longo dos anos. Podemos esperar material novo em breve? Há planos para um álbum após Punching The Sky (20)?

JV: Sim! Basicamente quase terminamos de escrevê-lo. Talvez tenhamos mais duas músicas para acabar, já agendamos o estúdio e começaremos a gravar a bateria no mês que vem. Então vamos começar a gravar o próximo disco, esperamos terminá-lo, digamos, no final do verão aqui nos Estados Unidos e estamos pensando num lançamento para 2026. Então, sim, há música nova vindo por aí.

FS: Há algo que você possa antecipar em termos de participações especiais? Talvez o nome do álbum, de algumas músicas, algo sobre a produção…

JV: Bem, ainda não podemos dizer nada sobre isso[risos].Realmente ainda não temos um título para o álbum, mas já temos algo como onze, doze músicas compostas e então estamos nos preparando para entrarmos no estúdio. Parece que serei o produtor novamente, será o mesmo time formado nos últimos discos. Então provavelmente teremos Jay Ruston na mixagem, ele trabalhou com um bilhão de bandas diferentes como Anthrax e Stone Sour – todos os tipos diferentes de bandas. E trabalharemos com Bill Metoyer de novo, que é um engenheiro de som das antigas, um amigo nosso que fez coisas lendárias pela Metal Blade Records. Então vamos manter o mesmo time de produção desta vez e isso é, de fato, o que temos sobre o lançamento neste momento.

FS: Gostei do som poderoso em Punching The Sky e de sua produção. Como vocês abordam a composição e a produção hoje em dia comparando com o começo da carreira?

JV: Bem, lá atrás, você sabe, sempre meio que trabalhávamos com produtores externos e é um pouco diferente quando há alguém de dentro da banda produzindo ou com acesso à produção. Prestamos muito mais atenção a todos os pequenos detalhes. Sou alguém que realmente gosta de uma abordagem como uma parede sonora, então estou sempre colocando muitos overdubs e todos essas coisas orquestradas diferentes nas músicas para ajudá-las em suas jornadas. Então me envolvo muito nisso.Eu diria que uma das maiores diferençasé que a tecnologia é diferente, sabe? Lá atrás, era algo assim: todo mundo se sentava numa sala, a banda ensaiava por uns seis meses e só aí todos entrávamos no estúdio, começávamos a gravar a bateria para então tocarmos o baixo e depois a guitarra para tudo ser colocado numa fita. E, sabe, eu adorava aquele modo de trabalhar, mas tomava muito, muito, tempo.

JV: Hoje em dia, os estúdios são muito caros e então a tecnologia,como todos sabem, o uso de computadores, Pro Tools e todos esses tipos de programas, permitem com que você faça muito do trabalho. Quero dizer, consigo fazer muito deste trabalho em casa. Construí isso, bolei um sistema para uma situação de gravação na minha casa com o qual, de fato, consigo gravar todos os vocais principais de nossos discos aqui na minha casa eisso nos economiza muito dinheiro no final. Então são essas pequenas coisas e o lado de produção se beneficia com a tecnologia hoje em dia. Entretanto, tentamos garantir que sejamos uma banda das antigas. Apenas somos uma banda de rock, não somos perfeitos e não quero que soemos perfeitos. Não fazemos tudo, não “rodamos” tudo no computador para fazer com que soemos perfeitos. Não é esta a intenção para usarmos a tecnologia, pois funciona para algumas bandas, mas não, não acho que funcione para o Armored Saint. Então tentamos não deixar a tecnologia pegar o melhor de nós. Então esta é a maior diferença, o uso da tecnologia, eu diria.

FS: Você acaba de dizer que são uma banda “das antigas”. Então qual você acha que é a chave para a longevidade do Armored Saint e sua paixão contínua para a música?

JV: Bem, provavelmente são duas coisas. A primeira e principal delas é que o núcleo central dos caras é de amigos e membros da banda há muito tempo. A banda está junta há quarenta e tantos anos… Além disso, John, eu e Gonzo somos amigos desde a escola secundária, então estamos falando de 1975, 1976. Enfim, somos amigos há muito, muito, tempo eJeff Duncan está na banda desde 1988, 1989.Então esta banda tem uma história realmente longa junto e este é provavelmente um dos principais elementos “de cola” que mantém a banda junto. Tentamos tratá-la como se fossemos a soma das partes, sabe? O Armored Saint é um grupo, não é uma pessoa, então tentamos tratá-la com respeito neste sentido.

JV: E, então, por outro lado, acho que musicalmente sempre quisemos nos arriscar e tentar explorar nossas influências, que fosse a Motown, o punk rock, o Motörhead ou a New WaveOf British Heavy Metal. Ou, sabe, os clássicos: Led Zeppelin, Black Sabbath, ThinLizzy, UFO, Scorpions, Judas Priest, quem você quiser. Sempre nos interessamos em mostrar todas estas influências ao mesmo tempo, então acho que é algo que mais ou menos nos diferencia um pouco do resto do “pacote”. E também sempre nos esforçamos para não nos repetirmos. Na verdade, nunca fizemos o mesmo disco duas vezes e sempre nos orgulhamos disto. Não sei como fazemos isso, mas sempre tentamos fazer assim e acho que, a cada disco, tivemos sucesso nisso. Então acho que estas duas coisas são provavelmente os fatores-chaves.

FS: Você mencionou influências e é o Geezer Butler na sua camiseta? Não consigo ver direito…

JV: Na verdade, é John Entwistle, mas você passou bem perto [risos].

FS: Certo! Como vocês têm identidade única, há outras bandas ou músicos que te influenciaram, particularmente como baixista, que os fãs talvez não esperem? Você citou a Motown, mas há mais alguém?

JV: Bem, a Motown e o rhythm&blues foram grandes influências para mim como baixista. Acho que as levo para tudo que faço, mesmo a uma melodia de metal. Mas, sabe, caras como John Entwistle e Geezer Butler, que você mencionou, esses caras são grandes influências na área do rock mais pesado. Mas há: Larry Graham, da Sly& The Family Stone; Marcus Miller, um cara da jazz fusion; Jaco Pastorius, é claro, é uma grande influência para mim; Louis Johnson, da The Brothers Johnson; Verdine White, do Earth, Wind & Fire. Digo, esses caras têm grande influência em mim como baixista e, em muitos sentidos, mesmo como compositor. Estes nomes podem surpreender algumas pessoas, não sei… Escuto muitos tipos diferentes de música, ouço John Coltrane e Miles Davis, todo tipo de coisa. Acho que é importante também… Na verdade, não gosto de escutar música muito diferente apenas por achar que ela me beneficiaria. Simplesmente gosto de ouvir!

FS: Você já se envolveu em projetos distintos ao longo dos anos, incluindo o Fates Warning. Como você equilibra seus diferentes compromissos musicais?

JV: Bem, nem sempre é fácil… Sabe, tento me esforçar para fazer tudo. Tenho muito interesse em trabalhar com muitos músicos e pessoas diferentes. Sinto como se isso me fizesse uma pessoa melhor no geral, mas também um baixista melhor. Aprendo com todos com quem trabalho, cada situação é totalmente diferente. Então isso me ensina muito sobre como ser um cara de equipe, me ensina muito sobre como “ler um estúdio”, sabe? São muitas coisas diferentes, então, de fato, sempre abracei isso. Fazer tudo funcionar já é uma outra questão e, às vezes, é difícil. Certamente irritei algumas pessoas pelo caminho, não intencionalmente, mas, às vezes, apenas acontece, sabe? Simplesmente gosto de fazer, de tocar em projetos e situaçõesdiferentes. Mas acho que a chave é tentar estar o mais adiantado possível com todos envolvidos, em todas as coisas diferentes que você faça, e tentar garantir que as coisas não se sobreponham e então acabar irritando alguém porque esta é a coisa que mais odeio: irritar pessoas.Odeio e não suporto desapontar pessoas, mas, às vezes, acontece e tento evitar a todo custo.

FS: Não temos mais muito tempo, acho que apenas para mais uma pergunta: o Armored Saint está vindo para cá pela primeira vez para um evento de maior tamanho, sem ser a atração principal em um show próprio. Gostaria de saber suas expectativas a reste respeito.

JV: Bem, dá para antecipar que será louco! Porque, mesmo quando vamos, e fizemos uma porção de shows em clubes na América do Sul e no Brasil, em particular, esses shows em clubes são insanos! Apenas é complemente insano!!! Então espero que seja insano numa escala maior, sabe? Não acho que haverá algum tipo de falta de paixão simplesmente porque é uma platéia maior. Espero o oposto e tenho certeza que a paixão será sentida de modo ainda maior. Estamos realmente muito empolgados em tocar aí, em tocar num festival aí. Só fiz um festival fechado aí com o Fates Warning uma vez [nota: Overload Music Festival em 2014 com edições em São Paulo e no Rio de Janeiro], mas nunca toquei aí num festival ao ar livre. Então estou muito ansioso por isso e sei que os outros caras também estão. Então, sim, estamos simplesmente bastante ansiosos por isso e mal podemos esperar.

FS: Joey, foi um prazer falar contigo! Sejam bem-vindos de volta ao Brasil! Estarei por lá! Vejo vocês em breve e curtam bastante!

JV: Certo! Dê uma chegada para dar um alô!

FS: Estarei por lá! Muito obrigado!

JV: Ok, obrigado! Tenha um ótimo dia!

FS: Até!

JV: Saudações!

 

Bangers Open Air Brasil 2025

02 a 04 de maio de 2025
Memorial da América Latina
Av. Mário de Andrade, 664 – Barra Funda – São Paulo, SP
INGRESSOS:

 

 

 
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