Texto e Fotos: Flavio Santiago
Um Clássico que Resiste ao Tempo – Uma noite com o Foreigner em São Paulo
Desde que surgiu em 1976, o Foreigner deixou sua marca no rock com uma sonoridade que misturava riffs marcantes, refrões grandiosos e baladas inesquecíveis. Fundada por Mick Jones, a banda estourou com hits como “Cold as Ice”, “I Want to Know What Love Is” e “Hot Blooded”. Ao longo das décadas, passaram por várias formações e desafios — e, mais recentemente, pela saída gradual de Mick, diagnosticado com Parkinson, e pela indefinição sobre o futuro da banda, mesmo em meio a uma anunciada “turnê de despedida”.
Hoje, em 2025, o Foreigner sobrevive como uma espécie de entidade musical em constante reinvenção. Com Kelly Hansen impossibilitado de viajar fora dos EUA, a banda passou a contar com novos nomes nos vocais em diferentes partes do mundo. Na turnê latino-americana, inclusive no Brasil, foi o guitarrista Luis Maldonado quem assumiu os vocais, com a lenda Lou Gramm — vocalista original — entrando no final do show como convidado especial. A formação atual ainda conta com Jeff Pilson (baixo), Michael Bluestein (teclado), Bruce Watson (guitarra), Damon Fox (guitarra e baixo) e Chris Frazier (bateria).
Eu estive no Espaço Unimed, em São Paulo, neste último sábado, e o que vi foi uma apresentação sólida, emocional e surpreendentemente viva.
O show começou pontualmente às 22h, com Luis Maldonado surgindo no palco sem alarde, o que causou certa estranheza no público — muitos sequer sabiam que ele assumiria os vocais. Mas bastaram as primeiras notas de “Double Vision” e a sequência com “Head Games” e “Cold as Ice” para que todos percebessem: o cara canta absurdamente bem. Em vários momentos, se eu fechasse os olhos, poderia jurar que ouvia Lou Gramm em sua melhor forma. A fidelidade às versões originais é tamanha que parecia uma audição ao vivo dos álbuns clássicos, com todos os músicos entregando uma performance impecável.
Destaque para a emocionante “Waiting for a Girl Like You”, onde Luis já tinha conquistado boa parte do público, e para “That Was Yesterday”, que ele disse ser sua favorita — e que, de fato, trouxe uma carga emocional intensa.
Depois de “Urgent” — que veio com direito a keytar e efeitos de fumaça — houve um longo solo de teclado e bateria que, pessoalmente, achei dispensável. Mas tudo foi perdoado quando Lou Gramm apareceu no palco. Aos 75 anos, com limitações visíveis, ele ainda canta com alma e entrega. Fez participação em “Juke Box Hero” e assumiu de vez nas poderosas “Long, Long Way from Home”, “I Want to Know What Love Is” (com a plateia inteira cantando junto e se emocionando) e o encerramento “Hot Blooded”, onde Maldonado ainda mandou um solo de guitarra arrebatador.
Foram apenas 12 músicas em 1h25 de show, uma versão mais curta em comparação a outras datas da turnê, mas que não comprometeu a força da apresentação.
Saí do Espaço Unimed com a certeza de que, mesmo sem membros originais fixos, o Foreigner segue relevante — não como uma banda nostálgica, mas como uma experiência musical que ainda sabe emocionar e impressionar.
SETLIST
Double Vision
Head Games
Cold as Ice
Waiting for a Girl Like You
That Was Yesterday
Dirty White Boy
Feels Like the First Time
Urgent
Keyboard Solo
Drum Solo
Juke Box Hero (with Lou Gramm)
Long, Long Way From Home (with Lou Gramm)
I Want to Know What Love Is (with Lou Gramm)
Hot Blooded (with Lou Gramm)





































