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Frank Turner / Dave Hause :::30/01/26 ::: Fabrique Club
Postado em 04 de fevereiro de 2026 @ 12:33

Texto : Simone Barbosa

Fotos: Flavio Santiago

Frank Turner finalmente realizou sua primeira apresentação no Brasil em São Paulo, na Fabrique Club, na noite de 30 de janeiro de 2026, após a vinda anterior ter sido adiada . O show integrou a Latin America Tour 2026 e foi recebido com entusiasmo por um público que conhecia o artista de longa data e celebrava de forma imediata a oportunidade de vê-lo ao vivo pela primeira vez.

O britânico Frank Turner construiu ao longo de quase duas décadas uma carreira marcada pela fusão entre folk e punk, com letra autoral que mistura narrativa autobiográfica e reflexão social. Depois de começar na banda Million Dead e migrar para carreira solo em 2005, consolidou-se como um dos nomes mais respeitados do folk punk contemporâneo, com uma série de álbuns bem recebidos e performances intensas em festivais e clubes ao redor do mundo.

A noite na Fabrique começou com a apresentação de Katerina Kiranos, a Katacombs, infelizmente não consegui chegar a tempo desse show mas segundo relatos foi uma abertura poderosa e cativante, logo em seguida foi a vez de  Dave Hause, artista norte-americano com carreira solo sólida após passagem pela banda The Loved Ones. Em um set curto mas marcante, Hause apresentou faixas como Look Alive, Hazard Lights e Cellmates, mesclando energia punk com a sensibilidade de seus temas mais íntimos, cativando a plateia desde os primeiros acordes e estabelecendo uma conexão evidente com o público paulista

A performance de Hause foi citada como um dos pontos altos da noite, preparando o terreno para a entrada de Turner com clima de cumplicidade e respeito mútuo.

Após breve pausa enfim chegou a hora de poder conferir o tão aguardado show de Frank Turner  que contou com 20 faixas, Frank fez questão de falar em português no inicio do show mas disse que preferia treinar o seu inglês, com muita simpatia ele guiou o  público foi  por uma viagem musical que equilibrou energia crua e momentos introspectivos. A sequência inicial incluiu If Ever I Stray, Girl From the Record Shop e Recovery, imprimindo desde cedo o tom autobiográfico e emotivo que permeia grande parte do repertório do britânico. No Thank You for the Music e The Road reforçaram a presença forte da narrativa em suas composições.

Momentos emblemáticos do show como Long Live the Queen e Letters ressoaram de maneira intensa, com o público cantando cada verso, enquanto 1933 e The Way I Tend to Be trouxeram uma mistura de crítica social e introspecção pessoal que Frank Turner faz questão de transmitir, mesmo em um formato predominantemente acústico. A atmosfera de proximidade foi constante, transformando o espaço em uma espécie de congregação musical.

Canções mais celebradas da carreira de Turner como Be More Kind, I Knew Prufrock Before He Got Famous e Don’t Worry preencheram a noite com momentos de leveza e reflexão. Um ponto curioso do repertório foi a inclusão de Bob, cover do NOFX, que inseriu uma dose de humor e energia punk tradicional no contexto mais folk do restante do show. Polaroid Picture e Do One ampliaram essa dinâmica emocional, preparando o público para a reta final. Four Simple Words, Photosynthesis e Get Better trouxeram o público ao ápice, com cantos uníssonos que traduziram o sentimento coletivo de celebração e pertencimento.

A noite terminou com I Still Believe, faixa que tem se tornado um hino para os fãs e que, em São Paulo, funcionou como um momento de catarse compartilhada, com toda a plateia entoando cada palavra. Frank Turner demonstrou de maneira clara e afetuosa um amor imediato pelo Brasil e pelo público presente, agradecendo o acolhimento e a energia que recebeu em retorno.

Em termos de produção, a escolha por formato essencialmente acústico — voz e violão — não diminuiu a potência do show; ao contrário, ampliou a sensação de proximidade entre artista e público, destacando a força das letras e a energia contagiante que Turner imprime mesmo sem uma banda completa no palco. A passagem pelo Brasil parece ter consolidado um vínculo afetivo entre artista e plateia, sugerindo que essa primeira visita tardia pode ser apenas o início de uma relação duradoura com o público brasileiro.

 
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