Texto e Fotos: Flavio Santiago
Gutalax no La Iglesia: Caos, Atrasos e Grindcore Escatológico
Naquela noite de tempestade em São Paulo, parecia que tudo estava conspirando contra o primeiro show do Gutalax na América do Sul. As chuvas intensas deixaram parte da cidade no escuro, e o La Iglesia não foi exceção. O resultado? Um atraso considerável enquanto a produção corria atrás de um gerador para garantir que o show acontecesse.
Se por um lado a espera foi longa, por outro, ela só aumentou a expectativa do público, que já estava ansioso para mergulhar na insanidade sonora da banda tcheca. E quando finalmente as luzes se acenderam e os primeiros acordes de “Ghostbusters Theme” ecoaram pelo La Iglesia, a explosão foi instantânea. O local virou um pandemônio de gente dançando, gritando e se jogando no pit como se o atraso nunca tivesse existido.
Sem firulas, Gutalax já emendou direto em “Assmeralda”, e a festa grindcore começou pra valer. A energia da banda em cima do palco era tão absurda quanto suas músicas – o vocal gutural de Martin Matejicek soava como um porco sendo exorcizado, e os riffs sujos eram acompanhados por uma bateria precisa, apesar de toda a insanidade.
O público estava completamente entregue ao caos. Já vi muito mosh pit na vida, mas poucos tão bizarros quanto os que rolaram durante “Shit of It All” e “Buttman” – caras vestindo fraldas, gente jogando papel higiênico pra cima e até um sujeito vestido de cocô gigante rodopiando no meio da roda.
E se Gutalax é uma banda que leva a sujeira a sério, também sabe brincar com as expectativas. A introdução de “Kocourek Mourek podráždil si šourek” veio acompanhada do anúncio: “This is a Meshuggah cover!” – piada óbvia, mas que arrancou risadas gerais antes de mergulharmos de volta no grindcore frenético.
O show seguiu sem respiro com hinos como “Diarrhero”, “Vaginapocalypse” (dedicada “aos caras”, porque claro), e a brilhante “Fart and Furious”, que transformou o local em uma pista de dança insana. Mas, como todo caos tem seu preço, foi em “Vykouření dařbujána vietnamského veterána” que o baterista Peter quase destruiu a caixa da bateria, gerando um breve momento de pausa.
Nada que diminuísse o fôlego do público, que voltou com tudo quando Thiago Monstrinho, vocalista do Worst, subiu ao palco para dividir os vocais em “Shitbusters”. Essa foi, sem dúvida, um dos momentos mais insanos da noite – ver um vocalista de hardcore brasileiro dividindo o microfone com os tchecos enquanto o público ia à loucura foi uma cena memorável.
E como se ainda faltasse alguma bizarrice, Gutalax fechou o set com uma versão grind de “Strejda Donald “, só consolidou o que essa noite representou: o grindcore pode ser extremo, pode ser caótico, mas acima de tudo, pode ser incrivelmente divertido.
No fim das contas, nem a tempestade, nem a falta de energia conseguiram barrar o furacão Gutalax. Saímos do La Iglesia suados, mas com a certeza de que testemunhamos um dos shows mais insanos e engraçados do ano.
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SETLIST
Ghostbusters Theme (Ray Parker Jr. song)
Assmeralda
Nosím místo ponožky kousek svojí předkožky
Shit of It All
Buttman
Celebration (Kool & the Gang song)
Šoustání prdele za slunné neděle
Robocock
Kocourek Mourek podráždil si šourek (Announced as a Meshuggah cover)
Diarrhero
Vaginapocalypse (Dedicated to the guys)
Polykání semena z postaršího jelena
Fart and Furious
Total Rectal (Dedicated to the people behind the tour)
Vykouření dařbujána vietnamského veterána (Peter broke the snare)
Shitbusters (with Thiago Monstrinho)
Strejda Donald






