ONSTAGE - Official Website - All Rights Reserved 2017-2025
Website by Joao Duarte - J.Duarte Design - www.jduartedesign.com

Horror Expo ::: 17 e 18 /10/2026 ::: Expo Barra Funda
Postado em 21 de outubro de 2026 @ 03:43

Horror Expo 2026 transforma o Expo Barra Funda em território do medo em sua maior edição até hoje

 

Com mais do que o dobro do espaço da edição anterior, convidados de Supernatural, O Exorcista, Sexta-Feira 13 e até do Slipknot, a Horror Expo 2026 mostrou que o terror encontrou definitivamente sua casa no calendário paulistano.

 

Texto: Simone Barbosa

Fotos: Flavio Santiago

Quem passou pelo Expo Barra Funda nos dias 17 e 18 de outubro encontrou um cenário bastante diferente daquele normalmente associado aos grandes pavilhões de eventos de São Paulo. Corredores tomados por monstros, assassinos mascarados, criaturas sobrenaturais, cosplayers, colecionadores e fãs de todas as idades transformaram o espaço em uma espécie de parque de diversões macabro. Era a Horror Expo 2026, que chegou à sua quinta edição apostando em escala e, principalmente, imersão.

A mudança para o Expo Barra Funda não foi apenas uma troca de endereço. A edição de 2026 ocupou uma área com mais do que o dobro do espaço disponível no ano anterior, permitindo ampliar corredores, número de expositores, áreas temáticas e atrações. A própria organização apresentou esta como a maior e mais ambiciosa edição realizada até agora.

E a sensação para quem circulava pelo local era justamente essa. A Horror Expo deixou de ter aparência de uma convenção de nicho tentando crescer e passou a se apresentar como um evento de grandes proporções. O terror estava em toda parte, mas dividido em diferentes linguagens: cinema, televisão, música, literatura, quadrinhos, cosplay, games, colecionismo e experiências imersivas.

O grande chamariz, naturalmente, foi a lista de convidados. Um dos nomes que mais movimentaram o público foi Mark Pellegrino, ator eternizado entre os fãs de Supernatural por interpretar Lúcifer e também lembrado como Jacob em Lost. Pellegrino participou dos dois dias da convenção, com painéis, sessões de fotos e autógrafos, sempre cercado por fãs.

Outro encontro diretamente ligado à memória afetiva do público veio com Eileen Dietz. Presente também na edição anterior, a atriz voltou ao Brasil para receber uma homenagem especial. Sua ligação com O Exorcista, em que participou de algumas das imagens mais perturbadoras associadas à possessão de Regan e à entidade Pazuzu, é suficiente para garantir seu lugar na história do gênero. Mais de cinco décadas depois do lançamento do filme de William Friedkin, Dietz segue sendo tratada com enorme reverência pelos fãs.

Talvez nenhuma presença combinasse tanto com a proposta visual do evento quanto Douglas Tait. Ator e performer especializado em criaturas, Tait tem no currículo trabalhos ligados a personagens como Jason Voorhees e Michael Myers, além de produções como Five Nights at Freddy’s, Annabelle 3, Hellboy, Star Trek e Thor. Na Horror Expo, a experiência foi além da tradicional mesa de autógrafos, já que o ator também apareceu caracterizado para registros com o público.

A conexão entre música pesada e horror ficou por conta de Chris Fehn, ex-percussionista e vocalista de apoio do Slipknot. Dono de uma das máscaras mais reconhecíveis da fase clássica do grupo de Iowa, Fehn participou dos dois dias do evento, conversando sobre sua trajetória e encontrando fãs. Sua presença funcionou muito bem dentro de uma convenção que sempre entendeu que o horror não pertence somente ao cinema. A estética do Slipknot, afinal, sempre bebeu diretamente de elementos de terror, grotesco e choque visual.

Entre os convidados brasileiros, Nelson Machado acrescentou outro tipo de nostalgia ao evento. O ator e dublador atravessa gerações por trabalhos que incluem Chucky, Jack Skellington e, fora do universo do terror, o inesquecível Quico de Chaves. Sua participação reforçou uma das características mais interessantes da Horror Expo: juntar num mesmo espaço o terror clássico, cultura pop e referências que formaram públicos muito diferentes.

A programação nacional ainda foi extensa, reunindo nomes como Rodrigo Aragão, Dennison Ramalho, Oscar Nestarez, Fernando Sanches, Dane Taranha, Carol Castro, Caio Cobra, Cláudia Lemes, Marcos DeBrito, César Bravo, Thiago de Souza e Luciano Milici, além de representantes e projetos como Boca do Inferno e Pipoca & Nanquim.

Mas reduzir a Horror Expo aos convidados famosos seria ignorar boa parte do que fez esta edição funcionar.

Em 2026, o evento investiu de maneira clara naquilo que transforma uma feira em experiência. O Labirinto Horror Expo, apresentado como o maior já construído para a convenção, era uma das atrações de maior apelo. O Ônibus Zumbi levou a lógica dos escape rooms para dentro de um cenário temático, enquanto espaços inspirados em O Exorcista e Chucky ampliavam a sensação de estar caminhando dentro de referências conhecidas do cinema. Havia ainda cenários para fotografias, games, experiências sensoriais, performances e atividades espalhadas pelo pavilhão.

Também mereceu destaque o Horror Artists’ Pavilion, espaço dedicado a ilustradores, quadrinistas, escritores, escultores, artesãos, roteiristas e fotógrafos. A iniciativa é particularmente importante porque ajuda a Horror Expo a não depender exclusivamente de propriedades intelectuais estrangeiras. Existe produção nacional de horror em grande quantidade e qualidade, e colocar esses artistas em contato direto com milhares de visitantes ajuda a manter o gênero vivo fora das telas. Em edição anterior, o projeto chegou a reunir cerca de 140 profissionais, e sua continuidade em 2026 demonstrou que a área deixou de ser complementar para se tornar parte importante da identidade do festival.

Os cosplayers também voltaram a ser personagens fundamentais. Freddy Krueger, Jason, Michael Myers, Pennywise, freiras demoníacas, palhaços, zumbis e criações autorais circulavam normalmente entre o público, muitas vezes provocando filas espontâneas para fotografias. O concurso e o desfile cosplay ajudaram a transformar os corredores em uma extensão da programação oficial.

Era justamente nesses momentos que a Horror Expo mostrava sua principal qualidade. Não havia uma fronteira rígida entre palco, atração e visitante. Em determinados momentos, caminhar pelo evento já era a própria atração.

O crescimento, naturalmente, traz novos desafios. Quanto maior a Horror Expo se torna, maior também precisa ser o cuidado com circulação, filas, sinalização e distribuição das atrações pelo espaço. Entretanto, a ida para o Expo Barra Funda parece ter sido um passo importante justamente nessa direção. Os corredores maiores e a expansão física permitiram que o público tivesse uma experiência mais confortável mesmo diante de uma edição significativamente mais robusta.

Mais importante ainda é perceber como o evento amadureceu desde suas primeiras edições. A Horror Expo já não precisa convencer ninguém de que existe público para uma grande convenção dedicada exclusivamente ao gênero no Brasil. Esse público existe, comparece fantasiado, coleciona, compra livros, acompanha cineastas, espera por horas para conhecer atores e trata personagens de filmes lançados há quarenta ou cinquenta anos como se ainda estivessem no auge da cultura pop.

Em 2026, a convenção apenas materializou esse tamanho.

Ao reunir Mark Pellegrino, Eileen Dietz, Douglas Tait, Chris Fehn, Nelson Machado e dezenas de criadores brasileiros em dois dias de atividades, a Horror Expo conseguiu equilibrar nostalgia, cultura pop contemporânea e produção independente. Mais do que isso, mostrou que o horror pode ocupar um grande pavilhão sem perder a atmosfera de encontro entre fãs que sempre foi uma de suas maiores forças.

 
ONSTAGE - Official Website - All Rights Reserved 2017-2025