|
Entre a canção popular brasileira, o folk, o bolero e a música ibero-americana contemporânea, o cantor, compositor e produtor musical Josefe apresenta seu primeiro álbum, Fascínio Diamantino, que já está disponível nas plataformas. O artista que construiu carreira nos bastidores da música – assinando produções de projetos com Liniker, Criolo e Mart’nália – assume agora o centro da própria narrativa artística. Nascido e criado em São Paulo, filho de pais maranhenses e atravessado por referências que vão de Caetano Veloso a Jorge Drexler, de Natalia Lafourcade a António Zambujo, o artista constrói um disco íntimo, múltiplo e profundamente autoral, onde a espontaneidade ocupa o espaço que antes pertencia ao olhar técnico do produtor. Ouça Fascínio Diamantino aqui.
“A ideia de fazer um álbum existia mais como uma obrigação, como se eu ‘precisasse’ fazer um disco. Mas as músicas foram acontecendo naturalmente ao longo dos anos e, quando percebi, já tinha um corpo de trabalho com tantas camadas, roupagens diferentes que fazia sentido apresentar como álbum”, comenta Josefe. Composto ao longo de mais de quatro anos, Fascínio Diamantino nasce justamente desse reencontro com o prazer da criação musical. “Depois de tanto tempo trabalhando na indústria, algumas coisas acabam ficando no automático. Eu sentia que estava perdendo o brilho de fazer música, que pra mim é preciosa, diamantina. O fascínio eu venho encontrando novamente”. Sem seguir uma estética única ou uma narrativa linear, o álbum percorre diferentes atmosferas sonoras e emocionais, atravessando temas como amor, desejo, ruptura, contemplação e a própria relação do artista com a música.
Ainda que dialogue diretamente com a tradição da canção brasileira, Fascínio Diamantino também se expande para referências do fado, da nueva canción latino-americana e da música pop contemporânea ibérica. Entre as inspirações como Carminho, C. Tangana e João Gilberto – este último especialmente importante na concepção minimalista de voz e violão que sustenta o disco. “O álbum foi pensado para ‘funcionar’ essencialmente em voz e violão”, explica o músico, que completa: “depois disso, entram as texturas, o sound design, os timbres”. O trabalho também reúne colaboradores importantes, como Pedro Lucas, Pedro Serapicos, Felipe Vassão, Enzo di Carlo e músicos como Francisca Barreto, Felipe Pacheco Ventura e Ivan Sacerdote. Todas as faixas foram misturadas e masterizadas por Pedro Serapicos. Visualmente e atmosfericamente, Josefe aproxima o universo do álbum de filmes como “Parthenope” e “A Grande Beleza” ambos de Paolo Sorrentino.
A faixa-título, “Fascínio Diamantino“, abre o disco como uma declaração de reencontro artístico: “apesar das tempestades, das frustrações e do cansaço, o fascínio sobrevive”, resume o artista. Em seguida, “À deriva” mergulha na sensação de entrega emocional irreversível, enquanto “Acidente” transforma em canção os desdobramentos afetivos de um relacionamento aberto. Já “Tatuagem” nasce da influência direta do chamado “álbum branco”, homônimo de João Gilberto de 1973, combinando delicadeza instrumental e lirismo contemporâneo para falar sobre intimidade e desejo na era digital. “Quis trazer um assunto atual para uma roupagem mais classuda, que remetesse aos arranjos da antiga bossa nova”, explica Josefe sobre a faixa, que conta com clarinete de Ivan Sacerdote. Em “Emocionado“, o artista assume sem pudor o exagero sentimental em uma construção melódica inspirada nos caminhos beatleísticos da canção pop.
No segundo bloco do disco, “Herejía/Heresia” – single que antecipou a chegada do álbum – aborda o vazio deixado por um rompimento amoroso que transforma o cotidiano em desorientação espiritual. Em “Sinestesia“, desejo e linguagem se confundem em versos que trocam sentidos, verbos e imagens, enquanto a produção aproxima a faixa de sonoridades ligadas a C. Tangana e Pablopablo. “Renúncia” funciona quase como um mantra contemplativo sobre escala, tempo e importância das coisas. Encerrando o álbum, “Água da fonte” aparece em formato cru de voz e violão, simbolizando o retorno de Josefe à origem da própria criação musical: horas sozinho com o instrumento buscando caminhos para compor.
Fascínio Diamantino chega ao mundo como algo mais do que uma estreia, e sim como uma retomada pessoal e artística. “Espero que as pessoas apreciem minhas diferentes roupagens musicais e minha versatilidade. Apesar de ser um disco muito pessoal, eu faço música para ser ouvida por qualquer pessoa. Quero que seja popular, no melhor sentido da palavra”, finaliza o artista.
OUÇA AQUI
|