ONSTAGE - Official Website - All Rights Reserved 2017-2025
Website by Joao Duarte - J.Duarte Design - www.jduartedesign.com

Jonnata Doll lança Alienígena
Postado em 21 de agosto de 2019 @ 21:25

Há uma década e meia atrás, Jonnata Doll e os Garotos Solventes chegaram para ficar em São Paulo, assim como muitos cearenses antes. Foram viver na casa de amigos, dividir kitnetes, morar em ocupações culturais e se mesclar à cidade, onde cambalearam por suas ruas sinuosas, sentindo a pele dos seus habitantes e saboreando venenos, enquanto ouviam a música que a cidade entoa para quem quer e consegue ouvir.

Jonnata Doll & Os Garotos Solventes fazem música baseada na subcultura punk e na biografia dos excluídos! As letras buscam uma estética beat e surgem tanto da realidade cotidiana quanto de quadrinhos e filmes B. Nos palcos, ou mesmo no teatro e nas telas de cinema, a performance da banda é intensa e visceral, de quem desnuda a alma. Jonnata andrógino, canta, dança, cai, arrasta-se no palco. Ele também foi convidado especial para cantar durante toda a turnê da banda Legião Urbana em comemoração aos 30 anos de carreira (Tour Legião Urbana XXX Anos).

Histórico:
Produzido por Yuri Kalil (Cidadão Instigado), o primeiro disco homônimo teve lançamento em 2014 e teve boas críticas em várias publicações especializadas, assim como o segundo trabalho lançado no final de 2016 pelo selo EAEO: “Crocodilo”, produzido por Kassin e Kalil. Neste disco a banda buscou expandir  o conceito do seu som a partir de referências ibéricas e pós-punks. Em seguida foi gravado Jonnata Doll & os Garotos Solventes Ao Vivo, também pelo selo EAEO.

Atualmente, os Solventes seguem se preparando para lançar o terceiro álbum de estúdio e quarto álbum de carreira, pelo selo “RISCO”: ALIENÍGENA, financiado a partir do prêmio governador do estado de são paulo que banda conquistou na categoria júri; música em 2018 e uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo.

Álbum Alienígena:
Em 2018 a banda ganhou o Prêmio Governador do Estado de São Paulo na categoria música,o que os possibilitou investir em seu terceiro álbum, um que lhes permitissem experimentar mais, dentro e fora do universo de cultura pop marginal que a banda respira, que vai de Álvares de Azevedo William Burroughs, do pós-punk Belchior. 

Alienígena” traz uma visão singular de São Paulo, a partir de canções sobre o que Doll viu e sentiu, sobre uma noite de inverno no Vale do Anhangabaú enquanto esperava a menina trazer o chá, o “fantasmagórico” Edifício Joelma, sobre as pessoas que ele conheceu na sala de espera do centro de apoio psico-social (CAPS) da 

aura solvente foi atingida pela ascensão do conservadorismo e seu bater de panelas, pelo volume morto dos reservatórios de água, pela pressa nas ruas do centro, pelos atendentes de telemarketing em suas minúsculas cabines dispostas as dezenas, enfileiradas com nenhum espaço entre elas, atingida pelos hippies–punks que ocuparam o prédio abandonado do Ouvidor. Atingida por silhuetas atrás de portas no interior de prédios decrépitos que compram tickets de alimentação dos trabalhadores a uma taxa de 20%, pelos corretores imobiliários engravatados em um sufocante verão de 40 graus. A percepção destes acontecimentos que atinge o artista é uma forma de criar com a cidade, co-autora desse terceiro álbum dos garotos solventes.

Para a produção musical do novo álbum convidaram Fernando Catatau, da banda Cidadão Instigado. Catatau usou com os Solventes uma abordagem de produção musical que buscou colocar em primeiro plano as histórias que as dez músicas contam e ao mesmo tempo instigou a banda a sair da zona de conforto, buscando uma outra forma de pensar arranjos, em uma direção psicodélica e a um canto mais livre. Mais talvez o que mais marque o disco é o entendimento que o foco , mesmo que se cante em primeira pessoa é o foco na interação do eu com o outro e que estamos mais do que somos.

Participações especiais:
Outros artistas que cruzam afetivamente o caminho solvente foram convidados para cantar, tocar e criar no álbum, como uma forma de celebrar este encontro. São eles: Ava RochaClemente, Fernando Catatau, Guizado e Murilo Sá.

Para o guitarrista e vocalista Clemente “Gravar com o Jonnata Doll e os Garotos Solventes, foi como voltar no tempo no princípio dos anos 80 quando ninguém tinha medo e experimentar e arriscar e a música era 99% paixão e 1% razão.”

Já para Ava Rocha, a experiência de participar da gravação de Alienígena foi um divertida e multifacetada: “Poeta, ator cearense,  cantor, performer, andarilho, compositor nordestino, brasileiro, trabalhador universal, Chaplin, Chapolin, Janis joplin. Música. Cinema. O sertão e a cidade. O cangaceiro punk. O diabo rock and roll. O super-heroi. Tudo isso me remete a Jonnata Doll e foi demais cantar com ele e os garotos solventes e participar do clipe dirigido pelo Dellani, que eu adorei!

Guizado comenta o álbum e manda um recado para a Jonnata “o som do Jonnata é feroz e lindo, vai nessa Jonnata, vai na sua, sempre.”

O álbum, distribuído pelo Selo Risco, já esta disponível nas plataformas digitais e tem show de lançamento na choperia do SESC Pompéia dia 06 de setembro de 2019.

Faixa a faixa:
MATOU A MÃE (JONNATA DOLL)
Uma mesa de bar, homens nos quatro cantos, meia idade, blusa de botão, cerveja, jornal sensacionalista na TV ligada, senso comum, frases e piadas feitas quando o freak passa. Uma ação da milícia, um assassinato num barracão a beira da marginal, sangue escorre pela porta, mãos pretas de mulher estiradas para fora da janela, uma cadela morta amarrada em uma corda inutilmente presa a um toco e
um pôster do presidente de extrema direita ainda pode ser visto na frente do barraco. O sangue escorre para o rio…

ED JOELMA (JONNATA DOLL / EDSON VAN GOGH)
Depois de uma madrugada de excessos, a heroína sai pela cidade sem acreditar em nada, abre as pernas e mija no meio do povo começando o dia, o rio de mijo se mistura ao rio subterrâneo quando desce pela boca de lobo enquanto ela segue pela calçada, passa por mendigos, travestis viradas cheias de mãos e compra cocaína ruim na rua Paim. Agora segue até a quitinete na Rego Freitas, sobe o elevador sem acreditar em nada, ver os amigos com quem mora e pensa em algo para dizer, mas não há nada, ele ver um amigo requentando o café e o outro chupando alguém na cama, ela ver chamas nesta cama e sonha com o incêndio do edifício Joelma.

TRABALHO TRABALHO TRABALHO (JONNATA DOLL)
Diz incisiva a voz de locutor numa propaganda de rádio, através dos fones diretamente para o ouvido de nosso herói anônimo, forçado a vestir um terno no sol quente e encarar a mesma rotina de idas e vindas em ônibus e metrôs lotados, mais as horas intermináveis no trabalho, de segunda a sábado. Para matar a solidão e o tédio ele enche a cara com a bebida mais barata e gasta todo o tempo de folga jogando videogame e assistindo séries de heróis.

BABY (JONNATA DOLL)
O passageiro sonha com uma vida na cidade que abandona, com o amor que o abandonou. Fuma e acaricia um gato na parada do Graal, enquanto espera que o motorista acabe seu lanche.

FILTRA ME (JONNATA DOLL)
O herói entra na farmácia e esconde frascos de elixir paregórico na mochila. Com uma seringa, ele injeta uma dose na veia do dedão do pé esquerdo e olha para a cidade através do buraco que um dia foi a janela do quinto andar do prédio velho ocupado, enquanto vai ficando vermelho gradualmente da cabeça aos pés.

VAI VAI (JONNATA DOLL)
Um gato preto gigante dança enquanto devora um homem vestido de rato a partir de suas pernas em frente a vai-vai.
Este é o sonho de um gato que dorme enquanto uma festa regada a cocaína rola em um apartamento.

DERBY AZUL (JONNATA DOLL & OS GAROTOS SOLVENTES)
Um casal bebe cerveja em frente a um estacionamento enquanto são observados por um gato preso atrás de uma tela em uma janela no segundo andar do prédio em frente, um hippie punk oferece bijuteria interrompendo um beijo do casal, que começa a se desfazer em uma névoa.

MÚSICA DE CAPS (JONNATA DOLL)
Uma paciente internado em uma clínica conversa com o fantasma do Belchior no jardim, o muro alto que lhe prende é ornado por centenas de minúsculas cabeças de gueixas que cantam em uníssono: tchu ru tchu tchu

VOLUME MORTO (JONNATA DOLL / BIAGIO PICORELLI)
Um rio segue por baixo de uma avenida onde desfilam uma série de figuras bizarras conservadoras batendo panelas: Rebordosas de verde e amarelo, senhores de escravos, caçadores arrastando jaguatiricas mortas, negros vestindo balaclavas da KLUX KLUX KLAN e centenas de núcleos familiares enlouquecedoramente idênticos (Um pai gordo branco de bermudas usando relógio de ouro, uma perua de sorriso congelado e uma criança gorda com um iPhone)

VALE DO ANHANGABAÚ (JONNATA DOLL)
Alguém vai comprar chá com a comunidade de moradores de rua que vivem embaixo do viaduto do chá. Uma punk lhe oferece uma balinha, assim que o carro da polícia se afasta devagar. Em seguida, estranhos objetos surgem no céu e acontece um contato imediato de terceiro grau.

FICHA TÉCNICA:

Alienígena (2019) Selo Risco

Produção Musical – Fernando Catatau
Produção Executiva – Alexandra Thomaz
Produção Fonográfica – Jonnata Doll e Ana Carol Azeredo
Diagramação – Loro Sujo
Fotos – Marcelo Mudou
Beleza – Julia Tartari

Mixado por Gustavo Lenza no estúdio La Nave
Masterizado por Fernando Sanches no estúdio El Rocha

Gravado entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019 por Bruno Buarque e Delão no estúdio Minduca, e por Loro Sujo nos estúdios Devolvam Meu Dinheiro e Selva Espacial.

Voz: Jonnata Doll
Guitarras: Edson Van Gogh,Jonnata Doll e Léo Breedlove
Teclados : Léo Breedlove
Baixo: Loiro sujo
Bateria e SPDS: Felipe Popcorn Maia
Percussão: Clayton Martin
Trompete: Guizado
Vozes adicionais: Marcelle, Ava Rocha, Fernando Catatau, Murilo Sá e Clemente
Fala no idioma de Betegueuse: Yuri Firmeza

*crédito da capa e da foto abaixo – Yve de Oliveira 

 
ONSTAGE - Official Website - All Rights Reserved 2017-2025