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Krisiun – Carioca Club – 21/11/21
Postado em 06 de dezembro de 2021 @ 00:39


Fotos: Leca Suzuki

Texto: Vagner Mastropaulo

Krisiun passa o carro (como sempre!), masprestem muita atenção ao HellgardeN!

 

Quem iria supor Rosa de Saron, Belo, Péricles e Krisiunum dia terem algo em comum? Pois é… Como os três primeiros casos, os irmãos mais famosos do metal extremo brazuca batem cartão no Carioca Club e sempreno mesmo mês! Alémdesta vez, por lá eles estiveram em 08/11/20, com abertura do Havok 666, e integraram o Kool Metal Fest em 10/11/19 junto aEskröta, Cemitério, Surra, Nervosa e Brujeria – o padrão retroativo só furou em 04 e 05/01/19 no Sesc Belenzinho.

No recinto, separação em dois setores: mesas e cadeiras dispostas da metade da pista para trás e espaço livre à frente,sem a rigidez formal impedindo os presentes de circularem de área a área eimperando o bom senso coletivotentando evitar aglomerações. Com leve atraso de cinco minutos em relação ao horário divulgado, surgiamDiego Pascuci (vocal), Caick Gabriel (guitarra), Guilherme Biondo (baixo) e Matheus Barreiros (bateria) fazendocurta intro e “LearnedTo Play Dirty”, após um forte gutural do frontman: “São Paulo! Hell-fucking-gardeN”. Decorando o ambiente, um “HGN” nos bumbos e nome do grupo no telão de fundo.

Entrecortando composições, um sutil “Do caralho! Let’sgo” e executaram “SpitOnHypocrisy”, explicitando influências de Pantera tanto em função da pegada do vocalista quanto da sonoridade agressiva desenvolvidaem quarteto. Adoraríamos poder reproduzir a narrativamelhor elaborada de Diego, porém com o som embolado de seu microfone, misturado ao da guitarra (nela colado, aliás, notava-se umdiscreto adesivo de Facelift, do Alice In Chains!), entendemos somente: “Vamos destruir essa porra! Esse som se chama ‘EvolutionOrDestruction’”, agitando a platéia, embora inexplicavelmentesemabrir uma roda…

Terminada, tivemoscompreensão parcial, graças a Dio: “Foda pra caralho! Nós somos o HellgardeN, banda de Botucatu vindo para São Paulo e é uma honra estar aqui com vocês hoje! É uma honra poder dividir o palco com os integrantes do Krisiun.Foda pra caralho! Vamos fazer barulho para o metal nacional!”, somada ao anúnciodo rolo-compressor “Fuck The Consequences”. Rápido respiro e vieram “Believe In YourselfOr Die” e “MakingNoise, Living Fast”, pancadaça finalmente gerando uma roda!

Rumandoà conclusão, mostraram uma inédita,provisoriamente intitulada “New Song 3” no setlist de palco e única a não ser de MakingNoise, Living Fast (20) no repertório, depois denovas palavras do vocalista: “Antes de começar esse som, a gente queria agradecer a cada um de vocês que estão aqui hoje, que estão fazendo foder pra caralho aqui com a gente. Do caralho! A experiência de voltar aos palcos está sendo fodida, velho! Muito foda, valeu a todo mundo aí!” – fora uma boa açãoda parte dele: exibir um smartphone perdido cujo dono foi prontamente identificado! A saideira da atuação matadora de pouco além de quarenta minutos? “PossessedByNoise”!

ViaWhatsApp, trocamos uma idéia com Caick Gabriel e ele textualmente discorreu a respeito das pedradas apresentadas eda alegriaem tocar com os lendários gaúchos: “O setlist foi uma mescla de nosso primeiro álbum, MakingNoise, Living Fast, lançado em 2020, e uma música nova tocada especialmente para essa ocasião de volta aos palcos. Após vinte longos meses, estávamos subindo em um palco novamente e não poderia ter sido mais animal do que ter o Krisiun conosco”.

O guitarrista ainda destacou a galera: “O show foi foda! O público veio com a gente em cada música botando toda energia para o alto nesse retorno aos palcos. Com certeza foi um dia histórico para o HellgardeN”, de regressomarcado à cidade em seis dias na Jai Club com CoyoteBadTrip,FuckingViolence e Andralls –infelizmente não pudemos comparecer. Vida longa ao HellgardeN!!!

Durante o intervalo de quarenta e cinco minutos, escutamos ajustes na guitarra com riffs de Judas Priest e Metallica e pontualmente às 20:00 pisavam no palco, nesta ordem: Max Kolesne (bateria), MoysesKolesne (guitarra) e Alex Camargo (vocal e baixo). Após a marca registrada: “São Paulo, o Krisiun está aqui!”, tudo quase veio abaixo em “Ravager”, inaugurando a roda de bate-pronto. Encerrada, Alex deu a senha: “Fodido pra caralho! Vamos botar pra foder nessa porra aí, falô? ‘Vengeance’sRevelation’”, aula de técnica de Max! Ave Maria!!E fitando pessoas reais retomandoa diversão ao vivo, era nítida a emoção no rosto de Moyses, soandoverdadeiramente sincero: “Fodido pra caralho! Vocês são foda! Obrigado, velho! Muito obrigado!”.

Sob gritos de “Krisiun! Krisiun!”, Alex indicou a magnífica “BloodOf Lions” e com mais gente urrandoo nome do trio, renovou os agradecimentos: “Valeu, São Paulo! Fodido pra caralho. Vou falar para vocês, cara, que, apesar do nervosismo, hoje é uma noite muito especial. É uma noite para ficar na memória para sempre, e é claro que, com cada um de vocês aqui fazendo parte desse ‘retorno’ nosso, a cada um de vocês, muito obrigado de coração, velho! Foram tempos difíceis, foi um ano difícil para todo mundo aí e para nós não foi diferente.Mas a gente está aí sobrevivendo e fazendo o que a gente pode para manter a bandeira do metal nacional erguida com muita força e dignidade, falô? Graças a vocês estamos vivos nessa porra aí! A cada um de vocês aí, valeu, São Paulo! Do AssassiNation, ‘Refusal’”.

Aliadas a pedidos de apoio, as interações de Alex se acumulavam: “Cadê, São Paulo? Vamos fazer barulho nessa porra! Mais alto!! Mais alto!!! ‘DescendingAbomination’”; “Tem alguém cansado aí? São Paulo, tem alguém cansado aí? Mais uma? Duas? Vamos gritar mais, vamos fazer barulho nessa porra!!! ‘ScourgeOf The Enthroned’”; e“Como falei, velho, é uma honra, acima de tudo, poder estar de volta aos palcos aqui na nossa cidade, tocando para nossos irmãos aí. E, mais uma vez, vou ser redundante: cada um de vocês, velho… Vocês não sabem o quão importantes vocês são. Esse apoio é algo que não tem preço, cara, falô? Muito obrigado de coração, a Família Krisiun agradece a cada um de vocês aqui, irmão! Muito obrigado! Estamos vivos nessa porra aí!‘Bloodcraft’”, uma metralhadora! Puta que pariu!!!

Grato, Alex tirou onda no instrumento num snippet de ‘N.I.B.’ e imediatamente voltou à seriedade: “Vai uma das antigas aí? Vamos botar pra foder, abrir uma roda fodida aí e destruir essa porra, falô? Falô, São Paulo? ‘HatredInherit’”, massacre seguido de um inesperado brinde de Moyses: “Saúde aí, pessoal! Quem tá bêbado aí? Tem que beber uma cervejas! Cachaça, cerveja, uísque. Saúde aí!”, enquanto alguns fanfarrões berravam “Corote! Corote!”. Alheio à zoeira, o frontman prosseguia: “Valeu, irmão! Esse som é um que a gente não toca há muito tempo, talvez há uns vinte anos aí. A gente vai arriscar para uma galera aí que estava pedindo. Vamos ver se a gente consegue chegar ao final. É do ConquerorsOf Armageddon, ‘Soul Devourer’”.

O triturador sonoro não dava trégua: “Esse som aí é do nosso segundo disco e vou dedicar a um cara muito especial, que está ao nosso lado desde que a gente chegou a São Paulo”. Ficaremos devendo ohomenageado, simplesmente ininteligível antes do arregaço “ApocalypticVictory”!!! E aí, este escriba, parte irrelevante do show, se orgulha bastante de ter encontrado um molho de chaves na roda e tê-lo feito chegar a Alex, tirador de sarro: “O chaveiro completo da casa do cara aqui, olha! Chave da moto… Se alguém perdeu, está no palco aqui: chave da casa, porta dos fundos, da frente”.

Na mesma pausa, o papofoi reto: “Quero mandar um salve aí! Em tempos tão difíceis, de tão pouco entendimento na sociedade, tanta coisa desagradável que está acontecendo aí.Quero mandar um salve a uma força que sempre existiu, mas está se formando cada vez mais: a todas as mulheres que representam, seja na arte ou lá o que for. Um salve muito carinhoso a todas as mulheres, a todas as bandas das mulheres, é uma satisfação enorme! Têm as meninas da Crypta aqui, da Sinaya, do The Damnation. Quem mais? Eskröta e todo mundo aí, independentemente do sexo, da tua orientação, do teu gosto sexual, seja lá o que for, seja lá quem você for, tua cor, tua raça, vocês são mais do que bem-vindos aqui, falô? Um salve às mulheres. É a força do metal nacional, não só aos homens, mas as mulheres também! Um salve para as minas aí!, porra!… ‘Murderer’”, sensacional! Ah, o dono das chaves? Apareceu, não custou nada ajudar e faltou Alex se referir à Malvada e ao Hatefulmurder, de Angelica Burns nos vocais!

A esta altura do campeonato, o setlist de palco incluía “The Will ToPotency”, preterida, e a massa apressava o andamento natural das coisas clamando por “Black Force Domain”.Então Alexcomplementou o assunto de outrora: “Lembrando também da querida Mayara, do Torture Squad, outra grande mulher do metal nacional. E, cara, tantos brothers aí, cara, que a gente conhece há tantos anos. Tanta cachaça a gente já dividiu com todo mundo aí na rua. A cada um de vocês aí, muito obrigado! E, cara, como falei, quem conhece o Krisiun sabe de onde a gente veio. Tenho o maior orgulho de a gente estar de pé, estar vivo até hoje aí, falô? A gente está contando com a presença de muita gente que estava ao nosso lado aí vinte anos atrás. É o maior orgulho estar aqui e poder testemunhar nossa identidade com vocês, falô? A força do metal nacional, falô, mano, doa a quem doer. Aqui é Krisiun, cara! O Krisiun não se vende por merda, não, cara!”. E bradou: “Kill! Kill! Killlord Jesus Christ”, trecho da letra de “ConquerorsOf Armageddon”, última do set regular.

Retornando para o encore, parecia mera brincadeira, mas surpreenderam ao puxar “Grinder”, assim dedicada por Alex: “Aos deuses do metal, Judas Priest! Mais uma?”, combinada a comentários inaudíveis devidoao alto volume da guitarra se sobrepondo ao fim do discurso. A saideira, todos sabiam: “Black Force Domain”, ou apenas “B.F.D.”, conforme abreviada no setlist de palco. Beirando noventa minutos de carnificina, as despedidas protocolares, entretanto autênticas e sequer ouvidas porque uma baqueta resolveu cair praticamente no colo deste pobre repórter, temendo pela vida e levadoao embatevisandoaposse do souvenir! Doeu, mas ele passa bem e está no meio de nós!

Em suma,tradição é tradição: à época do importantíssimo Novembro Azul, o Carioca Club se transforma em Novembro Negro, Vermelho ou de qualquer outra cor com o Krisiunna parada e o pau come solto. Porém medidas sanitárias não podem virar várzea e as bandas nada têm a ver com as palavras a seguir. É fato: a pandemia já esgotou o emocional geral, certo? Mas jamais é um bom sinal adentrar o estabelecimento e constatar os próprios seguranças fazendo a revista sem máscara e falando contigo de pertinho ao te abordarem. E nem é questãode ser chato esperando 100% de adesão ao adereçoem tempo integral, afinal de contas:não vai rolar na roda, onde a ausência é até “aceitável”, vai da consciência de cada ume há quem precisese alimentar e se hidratar. O ponto é:sefalta o exemplo vindo de cima, parafraseando Diego e Alex, fica “foda pra caralho”!

 

Setlists

HellgardeN

01) Learned To Play Dirty

02) Spit On Hypocrisy

03) Evolution Or Destruction

04) Fuck The Consequences

05) Believe In Yourself Or Die

06) Making Noise, Living Fast

07) “New Song 3”

08) Possessed By Noise

 

Krisiun

01) Ravager

02) Vengeance’s Revelation

03) Blood Of Lions

04) Refusal

05) Descending Abomination

06) Scourge Of The Enthroned

07) Bloodcraft

08) Hatred Inherit

09) Soul Devourer

10) Apocalyptic Victory

11) Murderer

12) Conquerors Of Armageddon

Encore

13) Grinder [Judas Priest Cover]

14) Black Force Domain

 
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