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LANDMVRKS ::: 20/09/26 ::: Carioca Club
Postado em 23 de setembro de 2026 @ 02:58

Texto e Fotos: Flavio Santiago

 

LANDMVRKS  faz show devastador em sua estreia no Brasil no Carioca Club

Demorou, mas aconteceu. Depois de anos aparecendo cada vez mais alto na lista de desejos do público brasileiro, o LANDMVRKS finalmente desembarcou por aqui e escolheu o Carioca Club para transformar sua estreia no país em uma daquelas noites que ajudam a explicar por que o metalcore continua encontrando novas formas de sobreviver, crescer e se reinventar.

Formado em Marselha, o quinteto francês chegou a São Paulo vivendo talvez o momento mais forte de sua carreira. Longe de ser apenas mais um nome espremido entre centenas de bandas do gênero, o LANDMVRKS construiu uma identidade própria misturando metalcore, hardcore, hip-hop, eletrônica e melodias que grudam com a mesma facilidade com que seus breakdowns fazem a pista explodir. No Carioca Club, essa combinação funcionou desde o primeiro segundo.

Antes deles, o AXTY teve a tarefa de aquecer uma casa que já demonstrava disposição bem antes da atração principal.

A banda brasileira soube aproveitar a oportunidade e entregou um set pesado, direto e eficiente, passando por músicas como “Take Me Down”, “fragile”, “Who I Am”, “Selfish”, “Nothing But Pain” e “Six Feet Under”. Foi o tipo de abertura que não precisou implorar pela atenção do público.

Quando deixou o palco, o clima já estava pronto para o que viria a seguir e veio sem qualquer cerimônia.

“Creature” abriu o show do LANDMVRKS como um cartão de visitas perfeito para a fase atual da banda. Eletrônica, peso, rap em francês, vocais limpos e screams aparecem praticamente amontoados dentro da mesma música, mas sem soar como uma coleção aleatória de referências. Tudo faz sentido. E ao vivo faz ainda mais.

“Death” e “Blistering” mantiveram o impacto inicial antes de “A Line in the Dust” deixar evidente uma das maiores virtudes do grupo. O LANDMVRKS entendeu há algum tempo que tocar pesado o tempo inteiro não significa necessariamente soar mais pesado. É justamente a dinâmica entre silêncio, melodia e explosão que torna os momentos brutais ainda mais eficientes.

No centro de tudo está Florent Salfati. O vocalista é praticamente a força motriz da apresentação. Canta, grita, rima, provoca a plateia e controla o ritmo da pista com facilidade. Em alguns momentos parece frontman de banda de hardcore, em outros assume postura de rapper e, poucos segundos depois, entrega refrões melódicos sem perder intensidade. Não é apenas versatilidade técnica. Existe presença de palco.

“Sulfure” colocou o Carioca Club definitivamente em movimento. Rodas começaram a se abrir, o crowd surfing apareceu e a pista passou a funcionar como deveria em um show desse tipo: apertada, quente e caótica. “Say No Word” e “Scars” não diminuíram a pressão, mas o show encontrou justamente em seus momentos mais calmos algumas de suas melhores passagens.

“Suffocate” reduziu a velocidade e trouxe Florent ao violão, preparando o terreno para “La valse du temps”. Depois de uma sequência baseada em impacto físico, ouvir o Carioca Club mergulhar por alguns minutos em uma atmosfera quase silenciosa serviu para mostrar que a banda tem muito mais recursos do que simplesmente empilhar breakdowns.

Quando “Lost in a Wave” começou, a pista voltou a explodir. Talvez nenhuma música represente tão bem o salto que o LANDMVRKS deu nos últimos anos. O refrão foi praticamente engolido pelo público, enquanto a banda parecia ainda mais confortável justamente quando o caos atingia seu ponto máximo. Era difícil encontrar alguém parado.

“Rainfall”, “Blood Red” e “Requiem” mantiveram a intensidade e mostraram como o repertório recente da banda já ocupa naturalmente o centro das atenções. Isso é importante. O LANDMVRKS não veio ao Brasil sustentado por nostalgia. Não existe um grande clássico lançado vinte anos atrás que precise aparecer para salvar o set. A banda chegou aqui com material atual sendo recebido como se estivesse consolidado há décadas.

Grande parte da apresentação veio justamente de The Darkest Place I’ve Ever Been, lançado em 2025, além de faixas de Lost in the Waves. “Blistering” e “Scars”, de Fantasy, funcionaram como lembranças de um momento anterior, mas sem transformar a noite em retrospectiva.

A faixa “The Darkest Place I’ve Ever Been” chegou perto do final reforçando esse sentimento. O grupo não parece interessado em viver do que construiu até aqui. Parece uma banda ainda em processo de expansão, testando os próprios limites e entendendo melhor a cada disco como unir peso, melodia e elementos externos ao metalcore.

Para encerrar, “Self-Made Black Hole” foi exatamente o tipo de escolha que a noite pedia. Mais uma explosão coletiva, mais gente sobre a cabeça do público e mais uma última sequência de breakdowns antes do fim. Florent se aproximou ainda mais da plateia e transformou os minutos finais em uma espécie de despedida compartilhada entre banda e fãs.

Entre uma música e outra, os agradecimentos pela recepção brasileira foram constantes. Houve bandeira entregue por fãs, palhetas, baquetas e setlists distribuídos no fim, mas nada disso seria suficiente para sustentar a noite se o show não estivesse à altura da expectativa acumulada.

O LANDMVRKS não precisou de uma produção gigantesca, cenários mirabolantes ou qualquer distração. Bastaram músicas fortes, execução precisa, presença de palco e uma plateia disposta a devolver tudo na mesma intensidade.

A estreia brasileira terminou com aquela sensação rara de que a banda talvez já tenha ficado grande demais para o lugar onde acabou de tocar.

Se depender do que aconteceu no Carioca Club, a próxima passagem dos franceses pelo Brasil não deverá ser apenas uma questão de quando voltarão, mas de até onde conseguirão levar esse público.

 
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