
Texto: Vagner Mastropaulo
Fotos: Fotos: Gustavo Diakov (Confere Rock)
Catártico, contagiante, caótico e candidato certeiro à cacetada ao vivo do ano!
Cobrir três vezes uma banda para o mesmo veículo de imprensa dá direito a pedir música? Se sim, após detalhar as passagens do Leprous pelo Carioca Club em março/19 [https://onstage.mus.br/website/leprous-100319-carioca-club-sp] e novembro/23 [https://onstage.mus.br/website/leprous-carioca-club-17-11-23], este escriba fica com From The Flame, magnífica décima terceira pedrada executada na Vip Station e, se há uma coisa que não muda a cada vinda, é a intensa movimentação de palco dos caras!E o fato de este repórter curtir menos e menos cada novo álbum lançado desde o ótimo Malina (17), trabalho em divulgação da primeira vinda, não significa que há algo de errado emPitfalls (19),Aphelion (21) eMelodies Of Atonement (24), sendo mera questão de gosto. A prova absoluta do quanto o sexteto segue firme e forte foi a a nova apresentação, seríssima candidata à melhor de 2025!
Como fizera o The Damned no Cine Jóia cinco dias antes, o Leprous veio “a seco”, ou seja, sem banda de abertura, intro e posteriormente também sem outro, com quatro minutos de atraso em relação ao horário divulgado de 20:30 e de cara ao som de Silently Walking Alone, concluída com o vocalista Einar Solberg nos teclados.
Em sua sucessora, The Price,o jogo estava ganho, com a galera cantarolando a melodia e fazendo o coro inicial espontaneamente e com apoio maciço no refrão! E como a energia era ótima, o frontman arriscou se comunicar: “Muito obrigado, São Paulo! É sensacional estarmos aqui de volta. Acho que esta é a terceira vez para o Leprous e a quarta vez para mim. Muito obrigado por virem esta noite. Illuminate!” – simplesmente maravilhosa! E sua performance vocal foi tamanha em I Hear The Sirens que foi ovacionado com a faixa em execução e novamente também ao final.
Seguinte também em Melodies Of Atonement, Like A Sunken Ship apresentou um grito vindo do fundo da alma e nova interação se desenrolou: “Muito obrigado, São Paulo!”. Mediante gritos de “Olê, olê, olê, olê! Le-prous, Le-prous!”, ele prosseguiu: “Obrigado, São Paulo, Brasil! Sempre um enorme prazer virmos aqui! Esta é, como mencionei, a terceira vez, então quero testar vocês: há fãs das antigas aqui esta noite? O que vocês entendem por ‘das antigas’? Quando vocês nos descobriram? Quando? No primeiro álbum?”.
Ciente do tamanho do grupo, ele foi sincero: “Muitas pessoas dizem isso, mas sabemos a verdade: sabemos que não vendemos sequer uma cópia do primeiro álbum – especialmente não aqui no Brasil. Sim, isso é mais crível, em 2017 ou algo assim? 2018! Isso é mais ou menos dezessete anos de nossa carreira… Enfim, algum fã de verdade das antigas, que esteja nos seguindo desde 2001? Ah, isso é mentira! Vocês sabem [risos]. Estávamos apenas fazendo shows locais em nossa pequena cidade-natal chamada Notodden por cerca de oito anos antes de tocarmos fora de lá, então ninguém nos conhecia por essa época. Algum fã dos dois primeiros álbuns?”. Einar concluiria: “Enfim, vocês podem escolher uma música de Bilateral ouTall Poppy Syndrome”.
E até então, sem mais regras, deu-se um tiroteio verbal com qualquer faixa a integrar os full-lengths até Einar especificar: “Vamos adicionar alguma estrutura a isto… Alguns estão checando no Setlist.fm e isso normalmente não ajuda num show do Leprous, mas nesta turnê estamos tocando a maioria das mesmas músicas. Mas normalmente mudamos a cada dia e checar no Setlist.fm normalmente não funciona. Enfim, Time ForcedEntry, levantem suas mãos…”, sendo abruptamente interrompido por gritos! Sim, o povo nem cogitou erguer os braços! Ele retomou: “Time Passing, ergam suas mãos!” – claramente melhor “votada”. Ele ainda brincou com algo ininteligível, mas deu Passing mesmo, com direito a alguns belos guturais, aliás, e Einar ainda resumiria bem o espírito geral:“Jamais tocamos algo assim antigo no Brasil!”.
A escolha no “berro popular” já havia sido proposta pelo próprio frontman em seu show solo no Teatro UMC em maio/24 [https://onstage.mus.br/website/einar-solberg-teatro-umc-17-05-24], com Passing também entre as escolhas, completadas por Acquired Taste, MooneEcho, a escolhida. Enquanto observávamos o público confortavelmente espalhado sem aperto pela pista, mandaram Distant Bells, soturna e puxada em teclados e voz. Ela foi outra bastante aplaudida ainda durante sua execução devido à performance de Einar e, em suma, foi musicão da porra! Só não se sabe como todos permaneceram ilesos perto de seu término tamanha a movimentação de palco.
Como decoração única no telão de fundo, via-se a capa de Melodies Of Atonement e Nighttime Disguise foi outra com guturais de respeito e baixo de Simen Børven martelante no final. Superandouma hora de espetáculo, em Unfree My Soul😮 tecladista Harrison Whitefoi ajudar nas batidas no kit de Baard Kolstad até regressar ao seu instrumento;e os guitarristas Tor Oddmund Suhrke e Robin Ognedal auxiliaram com falsetes nos backing vocals. Ao seu modo discreto e contido, Einar era só alegria:
“Obrigado! Como estão? Está ótimo aqui, mas está muito quente aqui, certo? Tivemos a escolha entre o som insanamente alto dos fãs ou algo bem quente. Podemos ter isso? Sim! Acho que é pior para nós, noruegueses: vocês estão acostumados a isso, nós não… Enfim, quando foi a primeira vez que tocamos em São Paulo? Vocês conseguem se lembrar? Sim, 2019! Ainda era… Foi a última coisa que fizemos na campanha do Malina e, basicamente, imediatamente antes de terminamos o Pitfalls, então esta música existia. Essa próxima, quando tocamos aqui pela primeira vez, apenas não havia sido lançada, mas já a havíamos feito. Mas já a tocamos aqui, então vamos nessa. Acho que a conhecem” – a aplaudidíssimaBelow. Resumindo, foi seminal, catártica e, pasmem, até dançante!
Viriam mais esclarecimentos por conta do vocalista: “Obrigado! Obrigado! Então, durante a gravação de nosso álbum novo, Melodies Of Atonement, fizemos algo um pouco maluco: convidamos fãs do mundo todo para cantar em nosso álbum, acabamos com algo entre quinhentos e mil envios enquanto estávamos em turnê na Europa e tivemos que analisar tudo. Parecia uma ótima ideia, mas ter que se sentar no backstage e escutar tudo foi muito mais trabalho do que havíamos antecipado… Enfim, no final das contas, acabamos com aproximadamente cento e setenta cantores do mundo inteiro e é um coro muito grande! Então, aplaudam os fãs super talentosos fãs do Leprous em todo o mundo. Esta é Faceless”, que veio num crescendo, explodiu e “relaxou”. Até onde conseguimos contar, eram quatorze fãs no palco ajudando no coro.
Einar ainda foi presenteado com uma capivara de pelúcia, citou que haviam visto os animais em Curitiba na véspera, discorreu sobre as diferenças delas para as antas, pediu uma lembrancinha em forma de anta da próxima vez e puxou Castaway Angelsnos teclados em lindo momento intimista. E rumando para o encerramento da parte regular do set, se saíram com mais duas: a ótima e perfeita citadaFrom The Flame, verdadeiro hino-porretada dos caras, e, novamente,foi de espantar como ninguém se machucou no palco; e Slave, outra com sensacional gutural. Retornando para o encore, o vocalista mostrou curiosidade:
“Muito obrigado! Enfim, amamos esta cantoria de futebol de vocês e fico me perguntando como vocês fazem se uma banda tiver um nome muito longo… Acabamos de excursionar com uma banda de apoio chamada The World Is A Beautiful Place & I Am No Longer Afraid To Die… Como vocês fariam o ‘Olê, olê, olê, olê’? Ok, tentem!’”. “Olê, olê, olê, olê! The World! The World!” seria uma boa tentativa, mas, bem-humorada, a galera preferiu gritar “Olê, olê, olê, olê! Le-prous! Le-prous!”. Einar riu e reagiu:“Mas estes somos nós de novo! Ok, obrigado! Adoraria pensar em como resolver este problema em potencial, caso algum dia eles venham. Vocês podem ensaiar se um dia eles vierem. Enfim, temos mais uma para vocês”, Atonement.
Por fim, colada à anterior no setlist de palcoe com Einar nos teclados, The Sky Is Redfoi a saideira com quase cinco minutos instrumentais de seus mais de onze totais ou, para ser preciso, de 6’46” da versão em estúdio em diante. Após tanto se expressar, especialmente se considerarmos se tratar de um frontman norueguês, a despedida foi sutil, na forma de um “Obrigado, São Paulo! Obrigado!”, totalizando uma hora e cinqüenta minutos de um tremendo show!
Na prática, foi percorrida quase toda a discografia dos noruegueses, sendo: seis de Melodies Of Atonement (24); três Pitfalls (19) – ou duas e mais um trecho simbólico de The Sky Is Red; duas de The Congregation (15), Malina (17) e Aphelion (21); e uma do début Tall Poppy Syndrome (09). Só não houve material de: Bilateral (11), pois Forced Entry acabou preterida na “votação”; e de Coal (13). A título de curiosidade, considerando as quatro visitas de Einar à cidade, apenas The Price e From The Flame estiveram em todos os setlists e, desta vez, certamente figurará entre os melhores shows de 2025!
Setlist (20:34-22:24) – 1h50’
01) Silently Walking Alone
02) The Price
03) Illuminate
04) I Hear The Sirens
05) Like A Sunken Ship
06) Passing
07) Distant Bells
08) Nighttime Disguise
09) Unfree My Soul
10) Below
11) Faceless
12) Castaway Angels
13) From The Flame
14) Slave
Encore
15) Atonement
16) The Sky Is Red






