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LUCIFER :::29/04/26 ::: HANGAR 110
Postado em 27 de maio de 2026 @ 14:23

Texto e Fotos: Flavio Santiago

Poucos dias após a apresentação no Bangers Open Air, o Lucifer retornou à capital paulista para um compromisso muito mais intimista e especial. Enquanto o festival mostrou a força da banda para um grande público, o show no Hangar 110 parecia reservado aos fãs mais devotos, daqueles que acompanham cada mudança de formação, cada lançamento e que transformaram o grupo em um verdadeiro culto moderno do hard rock e doom ocultista.

Com a casa cheia e um clima quase ritualístico, o Lucifer entregou uma apresentação intensa, sombria e extremamente próxima do público. A banda surgiu originalmente em 2014 idealizada pela vocalista Johanna Sadonis após o fim do The Oath, misturando referências clássicas de Black Sabbath, Blue Öyster Cult, Pentagram e do hard rock setentista com uma estética obscura e elegante. Ao longo dos anos, o grupo passou por diversas mudanças de formação, algo que acabou virando uma marca da trajetória da banda. Hoje, ao lado de Johanna, o Lucifer conta com músicos vindos de nomes importantes da cena underground europeia e norte-americana, consolidando uma formação extremamente entrosada ao vivo.

Logo na abertura com “Anubis”, o Hangar 110 mergulhou numa atmosfera pesada e hipnótica. A iluminação baixa e esfumaçada ajudava a criar o cenário perfeito para o vocal carregado de personalidade de Johanna Sadonis, que dominava o palco com presença magnética. “Ghosts” veio em seguida reforçando a veia mais melódica da banda, enquanto “Crucifix (I Burn for You)” trouxe um dos momentos mais densos do repertório, com riffs arrastados e refrões quase litúrgicos sendo acompanhados em coro pelo público.

“Riding Reaper” levantou a casa de vez, mostrando como o Lucifer consegue equilibrar peso e refrões extremamente acessíveis sem perder a identidade obscura. Já “Wild Hearses” adicionou um clima ainda mais soturno ao set, funcionando perfeitamente naquele ambiente apertado e quente do Hangar 110, que parecia amplificar cada detalhe das guitarras e linhas de baixo.

Quando executaram “Lucifer”, faixa que carrega o próprio nome da banda, ficou evidente o quanto o grupo possui uma legião fiel em São Paulo. A resposta do público era imediata, cantando cada verso enquanto Johanna sorria discretamente observando a reação da plateia espremida próxima ao palco.

“At the Mortuary” e “Slow Dance in a Crypt” deixaram o show ainda mais teatral e atmosférico. Essa última, especialmente, trouxe uma aura quase gótica ao ambiente, lembrando como o Lucifer consegue passear entre doom, hard rock e elementos mais sombrios sem soar preso a apenas um estilo. “The Dead Don’t Speak” manteve o clima elevado antes de “California Son” transformar o Hangar em um grande coral.

No encore, a banda voltou ovacionada para executar “Bring Me His Head”, uma das músicas mais pesadas da noite, seguida de uma inesperada versão de “Goin’ Blind”, do KISS. A escolha da cover deixou clara a paixão do grupo pelo hard rock clássico e funcionou perfeitamente dentro da proposta do show. Encerrando a apresentação, “Fallen Angel” apareceu quase como um hino final para os fãs mais apaixonados que permaneceram cantando até as últimas notas.

Se no festival o Lucifer precisou dividir atenções com dezenas de atrações, no Hangar 110 a experiência foi completamente diferente. Ali, sem barreiras e sem grandes produções, a banda mostrou sua verdadeira essência: riffs clássicos, atmosfera ocultista e uma conexão genuína com um público que transformou a noite em uma celebração dedicada ao culto do rock sombrio setentista.

SETLIST
Anubis
Ghosts
Crucifix (I Burn for You)
Riding Reaper
Wild Hearses
Lucifer
At the Mortuary
Slow Dance in a Crypt
The Dead Don’t Speak
California Son
Encore:
Bring Me His Head
Goin’ Blind (KISS cover)
Fallen Angel
 
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