música brasileira atravessa uma de suas melhores fases neste início de século. Artistas de diferentes vertentes musicais criaram conceitos, descobriram caminhos e encontraram formatos que espalhou por todo o país um capítulo em que gêneros musicais se conversam de forma cada vez mais intensa e em que artistas participam dos trabalhos uns dos outros de forma a enriquecer ainda mais nossa paisagem musical.
Duas forças desta cena, a cantora e compositora Luiza Lian e a big band Bixiga 70 juntam-se para ampliar os horizontes de suas carreiras. Admiradores do trabalho um do outro, os dois artistas unem-se em “Alumiô”, faixa, composta por Luiza e arranjada e gravada no estúdio Traquitana, lar do Bixiga, com vocais gravados no Estúdio Canoa, e que conta com duas versões, uma produzida pelo grupo e outra pelo produtor de Lian, Charles Tixier. A mixagem das duas versões ficou a cargo de Gui Jesus Toledo. O compacto será lançado no início de dezembro nas plataformas digitais e também em vinil pelo selo RISCO, além de funcionar como ponto de partida para uma apresentação conjunta ao vivo, no Cine Joia, também em dezembro.
O Bixiga 70, formado por dez músicos com história na cena musical paulistana, é a principal banda instrumental em atividade no Brasil. Sua história começa há dez anos, quando, influenciados pelas convulsões político-musicais lideradas pelo papa do afrobeat, o nigeriano Fela Kuti, os músicos se juntam numa usina de som e groove que pouco a pouco foi incorporando outras tradições musicais – melodias do Oriente Médio que se colidem com a música caribenha, samba de roda em parceria com a cumbia sul-americana, vibrações jamaicanas que se harmonizam com tradições nordestinas. A máquina de groove aos poucos foi consolidando sua importância em shows catárticos, que incendeiam o público que até cantarola em uníssono canções sem letra. Em quatro discos construíram uma reputação que atravessou oceanos e os consagrou como uma das principais bandas ao vivo do país.
Já Luiza Lian lançou seu primeiro disco no meio da década e reinventou sua carreira logo no segundo passo, ao transformar um single em um EP que depois virou um vídeo-álbum e um espetáculo. Com Oyá: Tempo ela passou a dividir seu trabalho com o produtor Charles Tixier e juntos compuseram um dos melhores discos brasileiros desta década, o intenso Azul Moderno, que funde a tradição da música brasileira à música eletrônica deste século, pairando entre a pista de dança e o terreiro, o trip hop e a roda de samba. No palco, o disco ganha ares de espetáculo audiovisual e a construção cênica do palco eleva a cantora e compositora a um patamar próximo dos grandes artistas deste século.
“Alumiô” tem a felicidade de encontrar os dois artistas em momentos de transição. Composta por Luiza logo após o lançamento de seu álbum, ela faz parte do início do novo processo de composição da cantora e traz elementos da musicalidade de Jorge Ben além de uma releitura dos elementos espirituais de sua musicalidade, levando-os para um outro patamar. Arranjada pelo Bixiga, em versão chamada de “Alumiô (Cai na Terra)” a música também flagra o grupo em transformação, baixando um pouco a bola do baile para jogar foco maior em suas nuances sonoras, abrindo espaços para que todos os instrumentos soem suaves e sutis, sem o choque sonoro proposto originalmente no som da banda. Estes detalhes são realçados pela pós-produção orgânica proposta por Tixier, que foge dos cortes secos e contrapontos bruscos de Azul Moderno para buscar uma nova sonoridade para Luiza.
“Alumiô” ainda provocará o encontro dos dois artistas no palco do Cine Joia, num show coletivo e inédito dirigido por Luiza e pelo Bixiga 70, que mistura repertórios dos dois artistas trazendo-os para o palco simultaneamente e expandindo sua colaboração para além desta única faixa. Em duas horas de show, Luiza Lian e Bixiga 70 sobem juntos no palco para este que deve ser o último grande evento da música brasileira contemporânea em 2019. Uma noite histórica que, se tudo der certo, começa o ano que vem no Rio de Janeiro.
Alexandre Matias, autor do Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br), é jornalista, curador de música e diretor artístico
selo RISCO
Selo fonográfico fundado em 2014 em São Paulo e hoje sob direção de Gui Jesus Toledo e João Bagdadi, atua como uma plataforma de suporte na viabilização fonográfica e difusão do trabalho de artistas da cena independente. Sua proposta é fomentar e investir na carreira desses artistas, por meio da colaboração em duas frentes principais: a gestão dos processos produtivos e a articulação com outros atores das cadeias criativa e produtiva da música.
serviço
lançamento Alumiô no Cine Joia
8 de dezembro – domingo
Abertura da casa – 19h00 /DJ Set – 19h00 – 20h30 /Início do show – 20h30
INGRESSOS
Lote 1 *Promocional* – R$35 (meia e meia solidária) / R$70 (inteira)
Lote 2 – R$45 (meia e meia solidária) / R$80 (inteira)
Lote 3 – R$55 (meia e meia solidária) / R$100 (inteira)
Lote 4/ Porta – R$65 (meia e meia solidária) / R$120 (inteira)
*Meia entrada solidária mediante a doação de 1kg de alimento
Online – link
Bilheteria do Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 (seg a sex | 10h às 14h e 15h às 18h).
*Aos fins de semana e feriados, a bilheteria só abre em dia de show, 1h antes da abertura oficial da casa.
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: Evento para maiores de 16 anos
Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade – São Paulo/SP
www.cinejoia.tv // www.facebook.com/cinejoia // www.instagram.com/cine_joia
Fone: (11) 3101-6318
Cartões de crédito e débito: Elo, Visa, Mastercard, Diners e American Express (não aceita cheque).
Capacidade: 992 pessoas (o Cine Joia respeita a lotação máxima determinada por lei).
Chapelaria: R$ 5,00
Possui área de fumantes e acesso para pessoas com deficiência.
*créditos fotos
Luiza Lian – Filipa Aurélia
Bixiga 70 – José de Holanda






