Marduk no Manifesto Bar – Panzer Division Live Hellfire
O Manifesto Bar recebeu uma verdadeira ofensiva sueca. O Marduk voltou a São Paulo para tocar Panzer Division Marduk na íntegra — e entregou exatamente o que se esperava: uma hora de guerra, barulho e poder.
Logo de cara, deu pra perceber que o novo Manifesto está mais acessível, com estrutura melhor, som mais limpo e iluminação mais forte. A casa estava com cerca de 70% da capacidade — o suficiente pra criar uma atmosfera intensa, mas sem o sufoco de ficar espremido até o último centímetro.
Quando o primeiro ataque de “Panzer Division Marduk” começou, o chão vibrou. O som era uma muralha — seco, pesado, destrutivo. A sequência das faixas foi um desfile de brutalidade: “Christraping Black Metal”, “Scorched Earth”, “Beast of Prey”, “Fistfucking God’s Planet”… tudo tocado com aquela precisão impiedosa que só o Marduk domina.
O álbum Panzer Division Marduk, lançado em 1999, foi um marco do black metal extremo — o ponto onde a banda decidiu transformar guerra em som. É rápido, direto e sem piedade, e ao vivo isso ganha outra dimensão. O peso que o Marduk alcança no palco é algo quase inimaginável: as guitarras cortam o ar, o baixo treme o peito e a bateria parece um canhão antiaéreo.
Entre os hinos do Panzer, a banda ainda presenteou o público com outras pedradas da carreira: “Slay the Nazarene”, “Shovel Beats Sceptre” e a sombria “The Black”. O público respondeu com rodas intensas e um coro que misturava gritos e reverência. No final, o encerramento veio com “The Blond Beast”, deixando todo mundo atordoado — um fim digno de batalha vencida.
Mortuus comandou o caos com sua habitual presença sombria. Sem discursos ou pausas, apenas gestos firmes e o olhar gelado de quem veio pra destruir. A postura militar da banda dá sentido ao nome do álbum — é uma operação de guerra, cada membro cumprindo seu papel com disciplina assassina.
O Manifesto aguentou bem o impacto: o som estava limpo, potente e equilibrado, o que nem sempre é fácil em shows de black metal. A iluminação destacou bem o clima marcial da performance, alternando vermelhos e brancos que lembravam explosões no front.
O público, por sua vez, parecia completamente tomado. Nada de celulares levantados ou distrações — só corpos se chocando e cabeças balançando. É raro ver uma plateia tão entregue, especialmente num show tão direto e sem respiro.
Mas, se o novo Manifesto acertou em estrutura e som, ainda tem um ponto a rever: o sistema de comandas. Em dias de shows grandes, o esquema atrasa demais tanto na entrada quanto na saída, formando filas desnecessárias. Um sistema de fichas ou pulseiras pré-pagas nesses dias facilitaria a vida de todo mundo — e faria jus à evolução que o espaço vem mostrando.
No fim das contas, foi uma noite de puro aço e enxofre. O Marduk provou, mais uma vez, que continua sendo uma das bandas mais brutais e consistentes do black metal. Panzer Division Marduk ao vivo é mais do que música — é uma blitzkrieg sonora. Quem estava lá sentiu o impacto no corpo e saiu com um sorriso sujo de pólvora.
Setlist
Panzer Division Marduk
Baptism by Fire
Christraping Black Metal
Scorched Earth
Beast of Prey
Blooddawn
502
Fistfucking God’s Planet
Those of the Unlight
With Satan and Victorious Weapons
Shovel Beats Sceptre
Slay the Nazarene
The Black…
The Blond Beast






