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Massari Fest c/ Pigs7x ::: 03/07/2026 ::: Fabrique Club
Postado em 26 de julho de 2026 @ 19:34

Massari Fest 2026 reafirma sua identidade com estreia arrebatadora do Pigs x7 em São Paulo

Texto: Emerson Silva / Fotos: Flavio Santiago

Idealizado pelo jornalista, escritor e ex-VJ da MTV Fábio Massari, o Massari Fest chegou à terceira edição consolidando uma proposta que foge completamente dos festivais convencionais. Realizado no Fabrique, em São Paulo, e produzido pela Maraty Concert em parceria com a Powerline Music & Books, o evento voltou a reunir artistas que transitam por diferentes vertentes da música pesada e experimental, apostando em uma curadoria que privilegia personalidade e autenticidade acima de qualquer tendência. Ao lado da tradicional feira de editoras independentes, que mais uma vez transformou o espaço em um ponto de encontro para amantes da música, literatura e cultura alternativa, o festival apresentou um line-up formado pelo Firefriend, Macaco Bong e pela aguardada estreia sul-americana dos ingleses do Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, ou simplesmente Pigs x7.

A abertura ficou por conta do Firefriend, veterano da psicodelia brasileira que há mais de duas décadas constrói uma das discografias mais consistentes do underground nacional. O quarteto fez um show elegante e envolvente, baseado em longas passagens instrumentais, guitarras carregadas de efeitos e atmosferas que convidavam o público a mergulhar em sua proposta sonora. Sem recorrer a grandes discursos entre as músicas, a banda deixou que o repertório falasse por si. A resposta da plateia foi imediata, acompanhando cada faixa com atenção e aplausos calorosos, em um início de noite que preparou perfeitamente o terreno para o que viria na sequência.

Com a casa já mais cheia, o Macaco Bong assumiu o palco elevando naturalmente a intensidade do festival. Agora em formação de quarteto, o grupo voltou a demonstrar por que se tornou uma das maiores referências da música instrumental brasileira. Liderados por Bruno Kayapy, os músicos impressionaram pelo entrosamento e pela capacidade de transformar técnica em emoção. As composições alternavam momentos de peso, improvisação e experimentação sem jamais perder a fluidez, fazendo com que o público acompanhasse cada mudança de dinâmica com entusiasmo. Mesmo sem vocais, o show manteve a atenção da plateia do início ao fim, reforçando a força do grupo ao vivo.

Mas era impossível ignorar que toda a expectativa da noite estava voltada para a primeira apresentação do Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs em solo brasileiro. A banda de Newcastle desembarcou no país cercada por enorme expectativa, impulsionada pelo excelente momento vivido após o lançamento de Death Hilarious (2025) e pelas elogiadas apresentações realizadas recentemente na Europa. Bastaram os primeiros acordes de “The Wyrm” para que o Fabrique fosse completamente tomado pelo peso das guitarras e pela avalanche sonora produzida pelo sexteto inglês. O impacto foi imediato e serviu como cartão de visitas perfeito para quem ainda não conhecia a força da banda ao vivo.

Na sequência, “Mr Medicine” e “Ultimate Hammer” elevaram ainda mais a temperatura da casa. Os riffs densos e repetitivos ganharam uma dimensão impressionante no palco, enquanto Matthew Baty assumia naturalmente o protagonismo da apresentação. O vocalista praticamente não permaneceu parado durante todo o espetáculo. Corria de um lado para o outro, dançava, gesticulava, sorria e fazia questão de estabelecer contato visual constante com quem ocupava as primeiras filas. Sua entrega parecia inesgotável e rapidamente conquistou até mesmo quem estava conhecendo a banda pela primeira vez.

Sem permitir qualquer queda de intensidade, o grupo emendou “Detroit” e “Carousel”, alternando momentos de tensão crescente com explosões sonoras que fizeram a plateia responder com rodas, punhos erguidos e muito headbanging. Em seguida, “Stitches”, “GNT” e “World Crust” consolidaram definitivamente a conexão entre banda e público. Pouco importava quantos presentes conheciam toda a discografia do Pigs x7; a intensidade da apresentação era suficiente para envolver absolutamente todos que estavam diante do palco.

O momento mais emocionante da noite aconteceu quando Matthew Baty interrompeu brevemente o show para conversar com o público. Em um discurso sincero, contou que jamais imaginava encontrar tantas pessoas esperando pela banda do outro lado do mundo. Disse que o Pigs x7 continua existindo justamente por causa de noites como aquela, nas quais percebe que sua música consegue atravessar fronteiras e criar conexões verdadeiras entre artistas e fãs. A resposta veio imediatamente.

O Fabrique inteiro começou a entoar em uníssono o nome da banda: “Pigs! Pigs! Pigs! Pigs! Pigs! Pigs! Pigs!”. Visivelmente emocionado, Baty sorriu, agradeceu diversas vezes e retomou a apresentação sob uma ovação que dificilmente será esquecida por quem esteve presente.

Na reta final, “Big Rig”, “Blockage” e “Collider” mantiveram o nível de intensidade nas alturas antes do encerramento com “Toecurler”, que colocou um ponto final perfeito em uma estreia brasileira simplesmente devastadora. O peso das guitarras, a precisão da cozinha e a presença de palco de Matthew Baty transformaram a apresentação em um daqueles shows que permanecem na memória muito tempo depois do último acorde.

Ao final da noite, a sensação era de que o Massari Fest havia dado mais um passo importante para consolidar sua identidade dentro do calendário da música alternativa brasileira. Em vez de apostar em atrações óbvias, Fábio Massari segue construindo um festival voltado para a descoberta, para a diversidade de sonoridades e para artistas que desafiam convenções. O Firefriend abriu os trabalhos conduzindo o público por uma viagem psicodélica envolvente, o Macaco Bong reafirmou a força do rock instrumental nacional e o Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs coroou a terceira edição com uma estreia brasileira intensa, emocionante e absolutamente memorável. O Massari Fest mostra que ainda há espaço para eventos que colocam a música acima de modismos e transformam cada edição em uma experiência única para quem faz questão de explorar o melhor do underground contemporâneo.

Setlist – Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs (Massari Fest – Fabrique, São Paulo)

  1. The Wyrm
  2. Mr Medicine
  3. Ultimate Hammer
  4. Detroit
  5. Carousel
  6. Stitches
  7. GNT
  8. World Crust
  9. Big Rig
  10. Blockage
  11. Collider
  12. Toecurler
 
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