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My Chemical Romance / The Hives::: 06/02/26 ::: Allianz Parque / SP
Postado em 08 de fevereiro de 2026 @ 18:08

Fotos: bmaisca / pridiabr /nancymartinez.ph

Texto: Flávio Santiago
MY CHEMICAL ROMANCE: ESPETÁCULO EM DOIS ATOS

Depois de 18 anos, o My Chemical Romance finalmente voltou ao Brasil e escolheu o Allianz Parque para um reencontro histórico. A noite de 06 de fevereiro de 2026, segundadata da apresentação da banda no país foi pensada como um evento completo, com começo, meio e fim muito bem definidos. Antes mesmo do impacto emocional do show principal, o público foi aquecido por uma banda que entende como poucas o que significa estar em cima de um palco. E, mais uma vez, ficou provado que simplesmente não existe show ruim do The Hives.

A abertura da noite foi um espetáculo à parte. Pontualmente, o The Hives surgiu com sua estética clássica, energia absurda e aquela sensação constante de que tudo pode sair do controle a qualquer momento. Desde os primeiros acordes, a banda transformou o Allianz Parque em um grande clube de rock, mesmo diante de um público majoritariamente ali para o My Chemical Romance. Não houve distância entre palco e plateia. Houve provocação, humor, suor e uma entrega que beira o exagero, exatamente como deve ser.

O vocalista Pelle Almqvist comandou o show com carisma transbordando. Falando português a todo instante, ainda que de forma improvisada e cheia de sotaque, criou uma conexão imediata com o público. A cada “São Paulo”, “vocês são lindos” ou “essa noite é nossa”, arrancava risadas, gritos e uma resposta instantânea da plateia. Pelle não apenas canta, ele conduz o show como um mestre de cerimônias debochado, confiante e absolutamente ciente do tamanho do próprio impacto.

O setlist passou pelos momentos mais explosivos da carreira da banda, com músicas como “Bogus Operandi”, “Main Offender”, “Walk Idiot Walk”, “Hate to Say I Told You So”, “Tick Tick Boom” e “Come On!”. Cada faixa foi tratada como um ataque direto, sem respiro, reforçando a ideia de que o The Hives não sobe ao palco para cumprir tabela. Eles dominam o espaço, testam os limites do público e transformam qualquer apresentação em algo memorável. Como aquecimento para a noite, foi mais do que perfeito. Foi fantástico.

Com o público já em estado de excitação máxima, o clima mudou completamente quando o palco se preparou para o show principal. Antes da entrada do My Chemical Romance, soaram nos alto-falantes “Mr. Blue Sky”, do Electric Light Orchestra, e “Over Fields (The National Anthem of Draag)”, criando um contraste quase irônico com o que viria a seguir. Quando a banda finalmente surgiu, ficou claro que a noite entrava em outro território, mais denso, mais teatral e profundamente emocional.

Antes de mergulhar na apresentação em si, é essencial entender o conceito de The Black Parade. Lançado em 2006, o disco é uma ópera rock que acompanha a trajetória de um personagem conhecido como The Patient, alguém confrontado pela própria morte e obrigado a revisitar memórias, traumas, arrependimentos e medos. Musicalmente, o álbum mistura punk rock, emo, hard rock e referências claras a musicais clássicos, criando uma obra que fala sobre finitude, perda e redenção, mas também sobre resistência e sobrevivência emocional. Executar esse disco na íntegra, em um estádio, quase vinte anos depois, não é apenas um aceno ao passado. É reafirmar sua relevância.

O show começou com “The End.”, que funcionou como prólogo perfeito, conduzindo o público diretamente para dentro da narrativa. Em seguida, “Dead!” trouxe ironia e ritmo, enquanto “This Is How I Disappear” elevou o nível de tensão. “The Sharpest Lives” manteve o clima acelerado e “Welcome to the Black Parade” surgiu como um marco coletivo, com o famoso piano inicial ecoando pelo Allianz Parque e transformando o estádio em um imenso coral.

A sequência seguiu com “I Don’t Love You”, mergulhando o público em melancolia, e “House of Wolves”, que trouxe urgência e agressividade. “Cancer” foi um dos momentos mais silenciosos e emocionantes da noite, com milhares de pessoas acompanhando cada verso em absoluto respeito. Logo depois, “Mama” devolveu a teatralidade com sarcasmo e peso, enquanto “Sleep” aprofundou a atmosfera sombria. “Teenagers” reacendeu a energia juvenil, “Disenchanted” emocionou com seu tom confessional e “Famous Last Words” soou como um grito coletivo de sobrevivência, encerrando o primeiro ato com intensidade. A reprise de “The End.” fechou esse ciclo narrativo com sensação clara de conclusão.

Após o interlúdio com “Blood”, o segundo ato começou de forma mais direta. Sem figurinos elaborados e com menos teatralidade, o My Chemical Romance se apresentou como banda, pura e simples. “Our Lady of Sorrows” e “Bury Me in Black” resgataram a agressividade dos primeiros anos. “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)” trouxe o espírito anárquico de Danger Days, seguida por “SING”, cantada em uníssono pelo estádio. “Helena” foi um dos momentos mais emocionais da noite, criando uma conexão direta e crua com o público. “Planetary (GO!)” acelerou tudo novamente, “To the End” resgatou a dramaticidade romântica, “DESTROYA” trouxe peso e tensão, e “I’m Not Okay (I Promise)” foi recebida como um verdadeiro hino geracional. O encerramento com “The Foundations of Decay” reforçou que a banda não vive apenas de passado, mas segue olhando para frente.

Ao final da noite, ficou claro que o Allianz Parque viveu algo raro. A abertura incendiária do The Hives deixou o público em ebulição e mostrou, mais uma vez, por que a banda é sinônimo de show impecável. O My Chemical Romance, por sua vez, entregou uma apresentação que equilibrou conceito, emoção e impacto, transformando o retorno ao Brasil em um evento histórico. Não foi apenas um show. Foi um encontro entre passado, presente e tudo aquilo que ainda segue pulsando em quem cresceu com essas músicas, para muitos faltou apenas “Ghost of You” para que o show fosse perfeito.

SETLIST ::: MY CHEMICAL ROMANCE

Tape (abertura)

  1. “Mr. Blue Sky” (Electric Light Orchestra)

  2. “Over Fields (The National Anthem of Draag)”

Ato 1: The Black Parade (na ordem)
3. “The End.”
4. “Dead!”
5. “This Is How I Disappear”
6. “The Sharpest Lives”
7. “Welcome to the Black Parade”
8. “I Don’t Love You”
9. “House of Wolves”
10. “Cancer”
11. “Mama”
12. “Sleep”
13. “Teenagers”
14. “Disenchanted”
15. “Famous Last Words”
16. “The End.” (reprise)

Tape (interlúdio)
17. “Blood”

Ato 2 (outros álbuns)
18. “Our Lady of Sorrows”
19. “Bury Me in Black”
20. “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)”
21. “SING”
22. “Helena”
23. “Planetary (GO!)”
24. “To the End”
25. “DESTROYA”
26. “I’m Not Okay (I Promise)”
27. “The Foundations of Decay”

 
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