Texto: Angelica Dadario
Fotos: @camilamacedofotografia
Nação Zumbi no SESC Pompeia – Uma Viagem ao Berço do Manguebeat
Na noite em que o SESC Pompeia abriu suas portas para um espetáculo histórico, Nação Zumbi subiu ao palco para revisitar o álbum Da Lama ao Caos (1994), obra seminal que inaugurou o movimento Manguebeat, além de presentear o público com uma seleção de sucessos marcantes de sua carreira. O ambiente intimista da Comedoria do SESC, com sua acústica impecável e proximidade entre artistas e plateia, serviu como o cenário ideal para uma noite repleta de emoção, energia e memória cultural.
A apresentação começou pontualmente com a faixa-título Da Lama ao Caos. A introdução inconfundível dos tambores de maracatu, aliados ao baixo pulsante e à guitarra distorcida, imediatamente transportou o público à Recife dos anos 90, quando o Manguebeat surgiu como um grito de resistência cultural. Jorge Du Peixe, com sua presença carismática e voz potente, comandou a plateia, que cantava cada verso como um mantra coletivo.
O setlist seguiu a ordem do álbum, com clássicos como Banditismo por uma Questão de Classe, Rios, Pontes e Overdrives e A Cidade ganhando novas nuances ao vivo. As percussões de Pupillo e Toca Ogan foram um espetáculo à parte, mostrando como a fusão do ritmo afro-brasileiro com o rock e a música eletrônica continua a soar inovadora, mesmo 30 anos após seu lançamento.
Destaque especial para Maracatu Atômico, cuja performance foi acompanhada por projeções de imagens psicodélicas e referências ao mangue, reforçando a ligação visceral da banda com suas raízes.
Após a execução completa de Da Lama ao Caos, a banda fez uma breve pausa para interagir com o público. Jorge Du Peixe relembrou histórias dos tempos de Chico Science, ressaltando a importância da resistência cultural nos dias atuais. A banda então mergulhou em um set que percorreu outros momentos brilhantes de sua discografia.
Canções como Meu Maracatu Pesa uma Tonelada, Quando a Maré Encher e Blunt of Judah incendiaram a plateia, que dançava sem parar. A performance de Carnaval foi um dos pontos altos da noite, com o público formando rodas de dança e percussão improvisada, em um momento de pura comunhão.
Outro destaque foi Propagando, que trouxe uma pegada mais introspectiva, mas igualmente impactante, mostrando a versatilidade musical e lírica da banda.
Para encerrar a noite, a banda voltou ao álbum de estreia com a icônica Prato de Flores. O refrão repetido em coro pelo público trouxe um tom de despedida ao mesmo tempo melancólico e triunfante. Quando as luzes se apagaram, ficou no ar o sentimento de ter presenciado algo além de um show – uma celebração de cultura, resistência e identidade.
Nação Zumbi sempre teve uma forte conexão com seu público, e essa noite no SESC Pompeia não foi diferente. Entre as músicas, Jorge Du Peixe agradeceu pela presença e destacou a importância de espaços culturais como o SESC para a valorização da música brasileira. A banda também interagiu de forma descontraída, respondendo a gritos da plateia e incentivando o canto coletivo.






