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Overload Beer Fest 2026 ::: 21/02/26 ::: Carioca Club
Postado em 25 de fevereiro de 2026 @ 02:38

Texto e Fotos: Flávio Santiago

Overload Beer Fest 2026: a reafirmação do metal extremo em São Paulo

O Overload Beer Fest 2026 transformou o Carioca Club, em São Paulo, em um verdadeiro templo do metal extremo no dia 21 de fevereiro. A proposta do evento ficou evidente desde a divulgação do line-up. A ideia não era apenas trazer um nome internacional de peso, mas estruturar a noite como uma vitrine sólida da força do underground nacional, aliados a boa comida, varios tipos de cervejas e varias lojas comercializando camistas, cds, LPS e merchandise das bandas, culminando na apresentação histórica do Obituary.

O resultado foi uma experiência intensa, musicalmente coesa e marcada por repertórios que dialogaram com diferentes fases do metal extremo.

A abertura com o Cemitério já deixou claro que a noite seria guiada por atmosferas densas. A banda apostou em faixas que exploram cadências arrastadas e riffs sombrios, equilibrando peso e ambiência. Músicas como Mortos Não Falam e Abismo ganharam destaque pelo clima quase ritualístico, com passagens que alternavam entre momentos mais cadenciados e explosões abruptas de agressividade.

Um ponto curioso é como o grupo trabalha letras que transitam entre o horror clássico e reflexões existenciais, reforçando a estética obscura que também se manifesta na sonoridade.

Ao vivo, essas composições ganharam ainda mais força, especialmente pelo timbre grave e encorpado da guitarra, que preencheu a casa logo nos primeiros acordes.

Na sequência, o D.E.R. elevou a temperatura com sua abordagem direta e sem concessões. O repertório foi marcado por músicas curtas e intensas como Guerra Urbana e Máquina de Moer Gente, que evidenciam a veia grindcore do trio.A execução foi precisa e rápida, característica fundamental do estilo, mas sem perder clareza instrumental.

Um detalhe interessante é a forma como a banda intercala micro pausas estratégicas para acentuar viradas de bateria, criando tensão antes de mergulhar novamente na velocidade extrema. Ao vivo, isso se traduziu em rodas quase constantes na pista, reforçando o caráter físico da apresentação.

A Eskröta que entrou de ultima hora no cast após o hiato da banda Surra, trouxe outro tipo de impacto. Com forte presença de palco e discurso afiado, a banda equilibrou técnica e posicionamento.

O set contou com faixas como Maníaca e Não Tem Perdão, que combinam riffs rápidos com refrões marcantes. A interação com o público foi um dos pontos altos, principalmente nos momentos em que as vocalistas  Yasmin e Tamy puxaram coros e incentivaram a participação coletiva.

Uma curiosidade sobre a banda é a forma como constrói suas letras com viés crítico e feminista dentro de um cenário tradicionalmente masculino, o que adiciona uma camada extra de significado às músicas. Ao vivo, essa postura se transforma em energia bruta e comunicativa.

O Vulcano representou a conexão histórica da noite. Pioneiros do metal extremo brasileiro, eles apresentaram clássicos que ajudaram a moldar o gênero no país. Faixas como Dominios of Death e Bloody Vengeance foram recebidas com entusiasmo visível, mostrando o respeito do público à trajetória da banda.

Um aspecto marcante é como o Vulcano mantém a essência crua das gravações originais, preservando a sonoridade agressiva que os tornou referência ainda nos anos oitenta. A execução ao vivo demonstrou solidez e experiência, com destaque para as linhas de bateria rápidas e a condução firme dos riffs.

Foi um momento que uniu diferentes gerações na pista, o show contou com a participação do vocalista Angel que fez parte  de uma das fases mais emblematicas do Vulcano, apresentação matadora da banda santista.

O ápice da noite ficou por conta do Obituary, que estruturou sua apresentação como uma verdadeira celebração do clássico Cause of Death, sem deixar de fora outras fases importantes da carreira.

A sequência de músicas funcionou quase como uma imersão cronológica no death metal do início dos anos noventa. Logo na abertura, Redneck Stomp serviu como introdução instrumental pesada e cadenciada, preparando o terreno para o mergulho definitivo no repertório mais sombrio. Em seguida vieram faixas emblemáticas como Body Bag e Chopped in Half, que incendiaram o público com riffs marcantes e andamento arrastado.

O bloco dedicado ao álbum Cause of Death trouxe momentos particularmente intensos com Infected, Dying e Find the Arise. A execução de Cause of Death, com sua construção lenta e climática, criou uma atmosfera quase hipnótica dentro do Carioca Club. Cada riff parecia ecoar com mais peso do que na versão de estúdio, evidenciando a maturidade sonora da banda. A sequência ainda incluiu Memories Remain e Turned Inside Out, consolidando a homenagem ao disco que ajudou a definir a identidade do death metal norte americano.

O setlist foi complementado por músicas como Slowly We Rot e The End Complete, representando outras fases fundamentais da trajetória do grupo. O encerramento manteve o público em estado de euforia, com rodas se formando até os últimos acordes.

Uma curiosidade sempre lembrada sobre Cause of Death é a icônica capa criada por Michael Whelan, originalmente associada a obras de fantasia literária, contraste que ampliou o impacto visual e simbólico do álbum ao longo das décadas. Ao vivo, essa herança estética e musical se transformou em experiência coletiva, reafirmando o legado do Obituary como uma das forças mais consistentes do death metal mundial.

O Overload Beer Fest 2026 se destacou não apenas pela soma das atrações, mas pela construção de uma narrativa musical consistente. Cada banda trouxe repertório significativo e identidade própria, criando uma progressão que foi do underground emergente ao status de lenda do death metal. O festival reforçou a vitalidade da cena nacional e mostrou que o metal extremo continua relevante, pulsante e capaz de reunir públicos diversos em torno de riffs pesados e celebração coletiva.

SETLIST – OBITUARY

Redneck Stomp
Sentence Day
A Lesson in Vengeance
The Wrong Time
Cause of Death
Infected
Body Bag
Dying
Cause of Death
Circle of the Tyrants (Celtic Frost cover)
Chopped in Half
Turned Inside Out
Encore:
I’m in Pain
Slowly We Rot

 
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