Texto: Luana Silva
Fotos: Bianca Amorim
O Patfest realizado na Audio, em São Paulo, reafirmou em 2025 o motivo pelo qual o festival deixou de ser apenas um evento musical para se transformar em um encontro carregado de significado, emoção e propósito coletivo. Desde a sua criação, o Patfest nasceu como uma homenagem direta à memória de Patrícia Kisser, esposa de Andreas Kisser, e, com o passar dos anos, ganhou contornos mais amplos, tornando-se um espaço de celebração da vida, da solidariedade e da música como elo entre pessoas, estilos e histórias distintas.
O que diferencia o Patfest de outros festivais é justamente o seu ponto de partida afetivo. Não se trata apenas de reunir artistas no palco, mas de criar uma noite em que cada apresentação carrega um sentido de gratidão, lembrança e comunhão. O público que lotou a Audio parecia ciente disso desde os primeiros acordes. Havia um clima de respeito e entrega que ia além do entusiasmo comum de grandes shows. Era possível perceber que muitos estavam ali não apenas para assistir às performances, mas para participar de um ritual coletivo de memória e apoio.
A edição deste ano manteve a essência que consolidou o Patfest como um dos eventos mais singulares do calendário paulistano. A curadoria apostou novamente na diversidade, cruzando fronteiras de gênero e geração sem receio. Rock, pop, MPB e outras vertentes dividiram o mesmo palco com naturalidade, reforçando a ideia de que a música, quando guiada por um propósito maior, dispensa rótulos. Essa mistura, longe de soar dispersa, deu ao festival uma fluidez rara, com encontros inesperados e colaborações que surgiam como extensões naturais do espírito do evento.
As participações especiais foram um dos grandes motores emocionais da noite. Artistas convidados surgiam não como atrações isoladas, mas como peças de uma engrenagem coletiva, muitas vezes dividindo canções, histórias e homenagens no palco. Esses momentos colaborativos, sempre muito aplaudidos, ajudaram a reforçar a ideia de comunidade que o Patfest propõe, aproximando músicos consagrados, convidados pontuais e o público em um mesmo plano simbólico. Cada entrada especial parecia carregar mais do que prestígio artístico: trazia afeto, respeito e reconhecimento mútuo.
Outro aspecto fundamental do Patfest é o seu compromisso social, que segue sendo parte indissociável do evento. Ao destinar recursos arrecadados a iniciativas solidárias, o festival amplia seu alcance para além da experiência musical, transformando entretenimento em ação concreta. Esse compromisso dá ainda mais peso ao que acontece no palco, pois lembra constantemente que a celebração também pode ser uma forma de cuidado coletivo e de transformação social.
Ao final da noite, ficou claro que o Patfest não busca competir com grandes festivais em grandiosidade ou estrutura, mas sim ocupar um espaço próprio, onde a música serve como linguagem para falar de memória, amor e empatia. A edição realizada na Audio em São Paulo mostrou, mais uma vez, que o festival é menos sobre nomes em destaque e mais sobre encontros verdadeiros. O Patfest segue como um evento em que cada acorde carrega intenção e cada aplauso soa como um gesto de gratidão, reafirmando o poder da música quando ela nasce de sentimentos genuínos e compartilhados.







