Texto e Fotos: Daniel Agapito
Planta e Raiz dá início à nova fase em show revisitando clássicos na Audio
Poucos grupos dentro do reggae nacional conseguiram ter um impacto tão duradouro quanto o Planta e Raiz, que vem levando os fãs do Brasil inteiro para “Aquele Lugar” há quase 30 anos. Um dos pilares do circuito paulistano, a Audio se tornou uma “segunda casa” do grupo, quando, no começo deste ano, gravaram sua participação no “Audio Sessions”, com show acústico intimista e uma pequena rodada de perguntas dos fãs. Com isso em mente, não havia melhor lugar para trazer a turnê “Flor de Fogo” para São Paulo.
Antes da apresentação da Planta, a abertura da noite ficou por conta da Benziê, que assumiu o palco da Audio por volta das 22h. Formada pelo casal Vic Conegero (voz, violão, cavaquinho) e Du Pessoa (voz, guitarra, violão), trouxeram toda a calmaria da praia para a selva de pedra.
Mesclando a levada do reggae, a sensibilidade do pop e a técnica do MPB, eles fazem um som que é absolutamente moderno, contemporâneo, mas mesmo assim, soa familiar, até nostálgico, em certos momentos.
Mesmo com a casa ainda não estando em sua lotação máxima quando o show começou, o Benziê foi a trilha sonora da chegada de muita gente, já colocando o público na vibe leve e positiva que iria se manter pelo resto da noite. Além do carisma e presença de palco relaxada da dupla e da qualidade musical e sua banda de apoio, vale destacar sua música “Água Salgada”.
Lançada como single em 2022 é o seu maior hit, e não à toa foi recebida calorosamente por quem estava presente – tanto que tocaram no início e no final da apresentação.
Já por volta das 23h30, pouco depois do horário inicialmente marcado, seria a vez do Planta e Raiz. Agora, com a pista e os camarotes já devidamente cheios, a mudança de energia quando eles chegaram no palco foi praticamente instantânea. Assim que o Zeider (vocalista) chegou perto de seu microfone, os fãs já estavam praticamente entrando em erupção. O repertório começou com uma enxurrada de clássicos do início da carreira da banda, trazendo algumas faixas de “Esse é o Remédio”, inclusive até algumas que não figuravam nos shows há mais de 10 anos.
Eles não apostaram somente nas antigas, pois contemplaram extensivamente seu disco novo, “Flor de Fogo”, que justamente dá nome à turnê atual. Contando com 10 faixas, ele explora a fé, união e espiritualidade que já vêm de praxe no trabalho da banda, mas dá um destaque especial ao amor enquanto tema. O clima geral na casa era leve, de compaixão, ornando bem com os temas do disco, e isso se manifestou perfeitamente durante “Filme de Romance”, quando Zeider, indo à ponta do palco, pegou o boné de uma jovem fã o ofereceu, e ainda trouxe-a para o palco, aproveitando para cantar junto.
Estas demonstrações de amor e momentos especiais com o vocalista não aconteceriam só com os fãs. Assim como na versão gravada, os filhos dele, Laura e Ziedro, marcaram presença no show, executando tanto “Um Milhão de Dias”, quanto “Lilás”. A voz tranquila, mas potente de Laura deu um contraste e profundidade diferentes para o cenário ao vivo, enquanto Ziedro mostrou, sim, sua voz, mas também provou que puxou o talento do pai, assumindo brevemente a guitarra.
Foram pequenos acontecimentos como esses – dentre muitos outros – que evidenciam exatamente o que torna o Planta e Raiz tão especial, o que fez com que tivessem uma carreira tão longeva e marcante, atravessando décadas.
Conseguiram prender a atenção de uma casa lotada por mais de duas horas e meia, desfilando não só as antiguidades, que já eram certeza, mas mostrando também sua evolução ao longo dos anos, na forma de “Flor de Fogo”. O status deles como queridinhos do público faz total sentido, a conexão que eles têm com os fãs é (e continua sendo) algo realmente diferenciado.




