Texto: Flavio Santiago
Fotos: @marcosoliveirapht (Espaço Unimed)
Roxette no Espaço Unimed: um retorno carregado de emoção e nostalgia após 14 anos
Depois de uma longa ausência de 14 anos, o Roxette finalmente voltou ao Brasil, desta vez com apresentação no Espaço Unimed, reunindo um bom público em plena terça feira e com uma faixa etária de 40 +, comprovando que seguem fiel ao legado da banda e ansiosos por reviver clássicos que marcaram gerações. O retorno, naturalmente, veio carregado de expectativa não apenas pela saudade, mas também pelas mudanças inevitáveis na formação após a perda de Marie Fredriksson em 2019.
Hoje, o projeto é conduzido por Per Gessle, acompanhado pela cantora Lena Philipsson, que assume os vocais femininos com respeito e personalidade própria. Longe de tentar substituir Marie, Lena entrega uma performance segura, emocional e tecnicamente impecável, equilibrando fidelidade aos arranjos originais com uma interpretação contemporânea.
A abertura com “The Big L.” já deu o tom da noite: energia lá em cima e público completamente entregue. Em sequência, “Sleeping in My Car” e “Dressed for Success” essa última com versão estendida transformaram o Espaço Unimed em um verdadeiro coral coletivo. Era nítido que o repertório havia sido pensado para manter um fluxo constante de hits, evitando respiros longos e apostando na memória afetiva do público.
Momentos mais introspectivos também tiveram espaço. “Crash! Boom! Bang!” e “Wish I Could Fly” trouxeram uma atmosfera mais densa, enquanto “Fading Like a Flower (Every Time You Leave)” reforçou o peso emocional do repertório. Um dos pontos altos veio com “Church of Your Heart” em versão acústica, criando uma conexão íntima com a plateia.
Na parte intermediária do show, canções como “Almost Unreal”, “Stars” e “She’s Got Nothing On (But the Radio)” mantiveram o ritmo elevado, preparando terreno para um dos momentos mais tocantes da noite: “It Must Have Been Love”, dedicada à memória de Marie Fredriksson. Foi impossível não perceber a comoção generalizada celulares erguidos, vozes embargadas e um respeito coletivo que tomou conta do ambiente.
A reta final foi uma verdadeira sequência de hinos. “How Do You Do!”, “Dangerous” e “Joyride” colocaram todos para cantar, com direito a introduções da banda e até um trecho do hino nacional brasileiro inserido de forma simbólica, arrancando aplausos calorosos. No encore, “Spending My Time”, em formato mais intimista apenas com Per e Lena, abriu caminho para “Listen to Your Heart”, que ecoou forte pelo espaço. O encerramento com “The Look” (em versão estendida) e “Queen of Rain” selou a apresentação com intensidade e emoção.
Apesar da performance sólida e da entrega dos músicos, houve um ponto negativo que não passou despercebido: a não utilização dos telões laterais por decisão da produção da banda. Em uma casa do porte do Espaço Unimed, isso impactou diretamente a experiência de quem estava mais distante do palco especialmente considerando o alto valor dos ingressos. Muitos fãs relataram dificuldade em acompanhar os detalhes do show, o que acabou criando um contraste incômodo com a grandiosidade da apresentação sonora.
Ainda assim, o saldo final é extremamente positivo. O Roxette provou que, mesmo diante de mudanças profundas, seu legado permanece vivo não apenas pelas músicas, mas pela capacidade de emocionar diferentes gerações. Mais do que um simples show, a apresentação em São Paulo foi uma celebração de história, resistência e conexão com o público brasileiro, que mais uma vez respondeu à altura.
Setlist
The Big L.
Sleeping in My Car
Dressed for Success (extended)
Crash! Boom! Bang!
Wish I Could Fly
Opportunity Nox
Fading Like a Flower (Every Time You Leave)
Church of Your Heart (acoustic)
Almost Unreal
Stars
She’s Got Nothing On (But the Radio)
It Must Have Been Love (dedicated to Marie Fredriksson)
How Do You Do!
Dangerous
Joyride
Encore:
Spending My Time (Per and Lena only)
Listen to Your Heart
Play Video
The Look
Queen of Rain










