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Samsung Best Of Blues And Rock – Coletiva De Imprensa – Auditório Ibirapuera– 17/07/22
Postado em 24 de julho de 2022 @ 22:34


Joe Perry: “É uma honra estar aqui neste evento especial e estou muito empolgado!”

Agradecimentos a: Trovoa Comunicação

Por: Vagner Mastropaulo

Fotos: Flavio Santiago

 

Se você assistiu às edições anteriores do festival patrocinado pela empresa sul-coreana, notou a adição do “And Rock” ao título de 2022. Nada mais justo, afinal de contas, o evento costumava ocorrer em outubro e foi antecipado para julho, talvez na esteira do final de semana decelebrações do Dia Mundial do Rock, em 13/07 – a rigor uma comemoração a ocorrer somente em solo brasileiro.

Preciosismo à parte, impossibilitada de trazer artistas no biênio 2020/21 devido à pandemia, para este ano vieram a percussionista Lan Lahn (famosa por teracompanhando a saudosa Cássia Eller), o guitarrista YohanKisser (superando momento pessoal difícil após o falecimento de sua mãe, Patrícia PerissinottoKisser, em 03/07) e um renomado parceiro de instrumento e amigo de seu pai, Andreas: Joe Perry, do Aerosmith e do Hollywood Vampires. Dois dias antes, no Parque Farroupilha, em Redenção, Porto Alegre, no lugar da musicista baiana, apresentou-se Ian Garbinato, fenômeno do TikTok.

Às 16:33,oito minutos depois do horário pré-estabelecido, Zeca Camargo fez as honras da casa como mestre de cerimônias e abriu oficialmente a coletiva de imprensa. O músico norte-americano chegou sete minutos mais tarde, as traduções foram muitíssimo bem feitas e, até a postagem deste texto, conseguimos descobrir apenas que o primeiro nome da intérprete é Talita.

Abaixo você confere as perguntas e transcrições completas do que foi dito, com livre tradução nossa para as respostas em inglês.E devido à ausência de identificação completa na maioria dos casos, ficaremos devendo os créditos dos repórteres:

 

Pergunta 1:Como é estar no Brasil num evento que comtempla blues e rock de forma tão dinâmica e democrática?

Joe Perry: Quando me disseram para fazer o show, eu não tocava em frente a uma platéia, exceto o meu cachorro, havia dois anos e meio. Então, vir até aqui para este show especial seria, na verdade,a primeira vez que tocaríamos para um monte de pessoas.Você pensaria que, após cinqüenta anos, você se acostuma, mas não é assim. Às vezes me sinto como: “O que estou fazendo aqui?”. Quando vejo as pessoas lá fora erguendo álbuns, penso: “Uau! Isso é real!”. Então há todo esse nível extra de empolgação, de repente entro no ritmo e, felizmente, tenho uma ótima banda comigo. O anúncio foi em cima da hora e todos nós tocamos juntos em momentos diferentes, mas esta é a primeira vez que esta banda está tocando. Tivemos quatro dias de ensaios, estou realmenteanimado a respeito e é meio que uma aventura, na verdade. Devo dizer que é uma honra estar aqui neste evento especial, entendo isso e estou muito empolgado.

 

Zeca Camargo redirecionou o tema aos brasileiros: “Só queria estender a vocês,tanto ao Yohan quanto à Lan Lahn.Acho que é o primeiro show que vocês fazem tão grande assim depois deste período tão chato que a gente passou”.

YohanKisser: Para mim, faz uns vinte e cinco anos que não faço um show tão grande – que é a minha idade! [risos] Não, estou brincando,mas não é tão normal assim. Fiz alguns shows desses, tipo o Rock In Rio, fiz algumas versões do Rock Na Praça, no Anhangabaú, que foram muito legais, entre outros públicos grandes assim. Mas com o meu nome, carregando o “YohanKisser” e trazendo algumas músicas autorais, ainda mais neste desafio de ser totalmente instrumental o repertório, e depois da pandemia, como você falou também, com certeza, várias coisas que são fora da rotina.

Lan Lahn: Para mim também, não vinte e cinco anos, mas acho que é a primeira vez fazendo meu trabalho solo de forma totalmente instrumental e para uma platéia tão grande. Então me sinto muito honrada de estar aqui com estes caras e também por ser uma mulher representando as musicistas brasileiras. O couro vai comer!

 

Pergunta 2: O que significa para você estar presente aqui hoje num evento que tentar reforçar a importância de gêneros mais tradicionais da música, como jazz, blues e rock, em tempos que, com a pandemia e a internet, a gente tem visto uma ascensão de gêneros influenciados totalmente pelas redes sociais e pelas gerações mais jovens. Você tem algum interesse em falar, conversar e estar mais próximo da Geração Z e deste público mais jovem, trazendo-os de volta para o oldschool?

Joe Perry: Diferentes tipos de música acabam se cruzando. Quando o Hollywood Vampires tocou no Festival de Jazz de Montreux[nota: em 05/07/18],ele é chamado de“festival de jazz”, mas não tocamos muito jazz no Vampires. Acho que tudo tem a ver com a música e com ser genuíno. Em vez de ser pop, tem a ver com a energia da banda tocando e há de se ter, digamos,“improvisações” sentindo como a platéia responde a como e ao que você está tocando. Então quandovim ao Brasil fazer o show há dois dias, meio que tínhamos um setlist escrito com algumas coisas instrumentais e de blues e, conforme o percorríamos e observávamos como o público estava respondendo, meio que o mudamos um pouco para nos adaptarmos aisso.Ter meio que esta diversão, acho que éa coisa mais importante que podemos dar ao público. E ter uma banda como a minha, é mais ou menos como construímos e muito como nos expressamos: você monta o setlist, põe um pouquinho disso e daquilo, este e aquele solo, meio que tomando cuidado para ver o quanto a platéia gosta daquela música, e aí mudamos um pouco o set. Éparecido com estarna sala de ensaio, nós com o público, o quanto você conseguir, e é isso o que mais me empolga com relação a estar aqui.

Joe Perry:E outra coisa que quero dizer é sobre estar aqui com o filho de um amigo meu, bem aqui. Já toquei com o guitarrista do Sepultura [nota: Andreas fez “School’s Out”, de Alice Cooper, com o Hollywood Vampires no Rock In Rio de 2015], seu filho está aqui e, sabe, a música segue em frente. Digo, sei que as coisas que tocamos não são a mesma música, mas a energia está lá e isso persiste. Quero ver isso! O filho de Brad [nota: Graham Whitford, do Tyler Bryant & The Shakedown, que chegou a tocar no Rock In Rio 2017 substituindo The PrettyReckless], o outro guitarrista do Aerosmith, também é guitarrista e é ótimo ver como a música muda em algumas maneiras, mas a energia meio que continua. É muito bom estar aqui!

YohanKisser: Para mim, é uma honra.

 

Novamente Zeca aproveitou o assunto para abordar Yohan e Lan Lahn: “Essa pergunta é super boa e queria saber o que vocês acham também. A palavra que não foi dita aí é ‘TikTok’, na verdade, né? E vocês obviamente nadam um pouco nessa corrente. O Joe falou, mas certamente tem espaço para isso? Vocês tocam isso? Estão abraçando uma tendência? Tem público para essa música!”.

YohanKisser: Cara, acho que… Não querendo ir muito longe, mas hoje em dia é difícil também falar do tempo em que a gente vive com esse papode ‘O rock morreu’. Acho que tudo que a gente vive é rock, né? Desde a revolução fonográfica dos Beatles e Elvis Presley. Acho que, em tudo isso que a gente vive, e não dá para dizer o número de gente que tem, né? Sempre falo… Adoro Hermeto Paschoal, vou fazer uma música dele hoje, Egberto Gismonti! Acho que estes caras têm público, reconhecimento mundialmente, o Yamandu. E não precisa ser necessariamente no TikTok, que tem muita gente e muitos nichos. E acho que tem espaço para todo mundo aqui no rock e no blues. E acho que, no repertório da Lan Lahn, também tem blues. Do blues nasceram muitas vertentes e acho que o nosso show vai um pouco longe também, além do blues e do rock, né?

Lan Lahn: Exatamente! Estava lembrando que fiz uma turnê a convite da Cindy Lauper, toquei com ela o Memphis Blues [nota: álbum lançado pela cantora em 2010].Repertório e uma banda toda de blues, uns caras do Mississippi e eu! Ela me convidou e pensei: “Nossa, o que estou fazendo aqui?”. Fui entendendo no decorrer da turnê e tocando. Eucolocava e carregava a minha Bahia comigo e fazia justamente o que ela queria: um “Carnival Blues”. Então é o que vou fazer com meus tambores, trazendo a minha essência e a da minha terra natal, com as batidas, e também não só a Bahia, mas carrego ali os tambores e os gêneros brasileiros.

Lan Lahn: O rock ‘n’ roll também tem uma ponte ali com a primeira banda que formei na vida, que foi uma banda de rock. Eram mulheres tocando os instrumentos, uma formação bem inusitada para a época e acho que ganhei o mundo assim porque saí de Salvador naquela época, quando não tinha internet, em 1989. Então fui para o Rio de Janeiro com essa banda que se chamava Rabo De Saia, as mulheres tocavam e um homem cantava. Era bem diferente para aquele momento, né? Dali, depois a ponte com a Cássia, então acho que esse DNA de rock e blues está na gente, na alma.

 

Pergunta 3: Você pretende sair do país, como seu pai fez? Você acha que pode abrir mercado? É mais fácil? Como você faz música instrumental, você acha que é um caminho que pode ser mais fácil, em teoria?

YohanKisser: Cara, acho que… Como falei, também né? O Yamandu, e citei todas essas pessoas. O Milton Nascimento está na Europa neste momento. Acho que tem espaço para tudo isso. Eu, no caso, nasci lá também, né? [nota: no Arizona, Estados Unidos, em 1997] Na época em que meu pai morava lá, você mencionou isso. Então também tenho liberdade total de ir e vir, assim, a hora que eu quiser. Então, por que não, né? Mas, com certeza, minha música é muito brasileira. Tenho facilidade em escrever as duas coisas. Agora estou lançando meus singles, os primeiros agora são todos em português, mas fiz um show no Blue Note, aqui em São Paulo, recentemente [nota: em 23/06], em que cantei músicas que ainda não vou lançar agora em primeira mão, metade em português, metade em inglês e algumas só em inglês.

YohanKisser: Enfim, acho que o mercado é muito bom e lá eu também posso estudar, né?Acho que, estudar música, quanto mais você estuda, menos você sabe. Então seria bom ir para lá também para fazer isso, mas acho que a música brasileira é maravilhosa, a comida também, os amigos. Entãotambém, sair daqui para sempre, acho que nunca aconteceria. Mas, definitivamente, cara, a Europa também tem um cenário musical, muita atenção, tem muito público lá, como a gente estava falando. E o Brasil inteiro é gigantesco, né? Não só São Paulo. Fui a Porto Alegre com o festival e minha vontade é rodar o Brasil também, explorar outros estados, antes do mundo afora.

 

Pergunta 4: Sei que você já veio para o Brasil para fazer alguns shows com o Aerosmith e o Hollywood Vampires e agora você está aqui com seu projeto solo. Tem alguma estória inusitada que você gostaria de contar para a gente nessas suas passagens?

Joe Perry: Estranhas? De que época? Dos anos setenta? Oitenta? Noventa? Não tenho certezaporquetive uma estória estranha na noite passada [provocando risos e retomando]. Não sei, mas por eu ser metade português, vir aqui fez com que eu percebesse o quão pouco tenho daqui em relação à cultura de onde cresci. Sinto uma distância grande porque não falo português, mas sinto uma conexão quando vejo todas as pessoas aqui, obviamente. Apenas me sinto como se estivesse de volta, mas nunca, de fato, tiveaquele tipo de conexão forte, por causa da língua e asseguro a vocês que sinto falta disso. Estar aqui novamente, como disse, é a primeira vez que tocamos frente a uma platéia ao vivo e estamos no Brasil, o que é ótimo.

 Joe Perry: Os astros se alinharam perfeitamente e,na primeira noite em que tocamos, dois caras da banda fizeram aniversário [nota: o baixista Chris Wysee o baterista Jason Sutter nasceram em 15/07/69 e celebraram cinqüenta e três primaveras]. Não dá para planejar essas coisas e então, definitivamente, háalgo especial em estarmos aqui tocando agora. Acredito em karma e nos planos do acaso deuma certaforça superior, chamem como quiser. Tudo isso tem um papel e simplesmente estou feliz por estar aqui e isso é tudo, não apenas pela música, mas pela energia e… Como explico isso? Um sentimento de realização em tocar e de estar vivo. Não sei se eraeste o tipo de estranheza, mas esta é uma pergunta um tanto carregada…

Pouco além de 17:00, o bem humorado Zeca Camargo deu o bate-papo por encerrado: “Olha, pessoal, a gente tem três entrevistados que falam muito para cada pergunta, o que é um presente para nós, mas a gente tem que encerrar agora. Então muito obrigado a Lan Lahn, YohanKisser e Joe Perry pela presença de vocês aqui e agora é ‘show time’. Obrigado a todo mundo aí pela participação!”.

Em breve, a resenha dos shows!

 
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