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Sepultura – Audio Club – 20/02/22
Postado em 04 de março de 2022 @ 01:45


Texto: Vagner Mastropaulo

Fotos : Flavio Santiago

Agradecimentos: Camila Dias / Claudine Zingler

“Shows no Brasil ainda não. Brasil a gente está com um plano um pouquinho mais cuidadoso. A gente tocou muito no Brasil nesses últimos anos, mas em breve a gente vai soltar notícias aí e estamos trabalhando nisso”. Palavras deAndreas Kisser praticamente concluindo a coletiva de imprensa referente àaudição de Quadra [https://onstage.mus.br/website/sepultura-quadra-audicao-studio-family-mob-06022020]no Studio Family Mobem 06/02/20, revelando adecisão de excursionar no exteriore só depois retornar ao país, afinal de contas, apenas em São Paulo os caras haviam feito espetáculos deformatos variados no giro de MachineMessiah (17): de graça no Sesc Parque Dom Pedro II; cobrado, embora em valor super acessível nas demais unidades da rede; duas ocasiões na própria Audio e outra no Clube Atlético Juventus – se nos recordamos de todos…

Mal sabia o quarteto, porémo distanciamento social explodiria em cerca de quarenta dias,forçando o adiamento do princípio da turnê e transferência posterior ao Brasil mesmo, na Cidade Maravilhosa [https://onstage.mus.br/website/sepultura-dorsal-atlantica-12-02-2022-circo-voador-rj]em 12/02, com direito a visitas a Vitória (ES) e São José (SC), em 13 e 18/02, antes de chegarem a São Paulo. Rumando à apresentação sem ter conferido setlistsprévios ou lido notícias, este escriba tinha uma trinca de dúvidas inquietantes: a) o lindo petardo “Isolation” abriria os trabalhos?; b) rolaria sua favorita, “AgonyOfDefeat”, em algum momento?; c) e existia a chance de Emmily Barreto dar uma canja eventual em“Fear; Pain; Chaos; Suffering”, tal qual em estúdio? Natal de Natal, sequertemos idéia se ela mora lá ou em Sampa… Logo surgiriam as respostas!

Promessa de início às 19:30, atraso razoável e as luzes se apagariam às 19:59 ao som de “Polícia” (Titãs). Conforme esperado, o backdrop continha a capa do álbum e, fora isso, somente o tribal estilizado da banda na pele do bumbo e“Isolation” matando a pau! Derrick trajava camiseta de Cleveland, sua cidade(e onde acontecia o All-Star Weekend da NBA no final de semana do show),não os uniformesdos Cavaliers (NBA), Browns (NFL) ou Guardians (MLB).Já Andreas vestia estampa preta e, em fonte idêntica ao logotipo do AC/DC, notava-se um “SP” separado do “FC” e um raio no meio, quando seu time miraculosamente marcava 2×0 (de três!) contra o Santos na Vila Belmiro, confronto do Campeonato Paulista na oitava rodada.

Transcorridosos impactos visual e sonoro inaugurais, quem desconhecia a situação via a perna esquerda do frontman imobilizada, ainda que a estrutura metálica permitisse o apoio no chão e dobrasse o joelho para trás em noventa graus (a explicação viria adiante), causando a estranha sensação ver o Predador setransformar em Robocop… Enfim, o aparato em nada afetou a entrega, adaptações à parte ao agitar, é claro. Emendando a próxima, Derrick deu o recado após a formidável levada introdutória de autoria deIggorCavalera: “São Paulo, thisisyourfucking ‘Territory’”, implodindo a roda e colada a “Capital Enslavement”.

Dirigindo-se à platéia pela primeira vez, Andreas esbanjava alegria:“E aí, São Paulo? Caralho, mano! Boa noite, bem-vindos! Finalmente estamos aqui para celebrar o Quadra dois anos depois, cara! Muito bem-vindos e obrigado por estarem aqui esta noite! A gente estava muito ansioso por este show, já tínhamos feito grandes shows antes, mas esta aqui é praticamente a nossa casa, com todo respeito a Belo Horizonte, né, Paulinho? Mas São Paulo é foda, mano! Vocês são foda! Obrigado!”.

E continuou, agora esclarecendo o ocorrido ao parceiro de microfone: “Como vocês viram, aqui o Mr. Derrick Green com uma perna mecânica. Ele quebrou o tornozelo lá nos Estados Unidos, foi atropelado, mas ele está aqui, porra, fazendo o show!”. Então o frontman elaborou a maior interação em nossa língua talvez testemunhada ao vivo junto ao Sepultura: “Aí, Sr. Kisser! Muito obrigado! Valeu! Há dois anos eu não falo português, mas agora tô falando muito! É nois na fita! Vamaê, caralho, porra!” e faltou anunciar “MeansToAnEnd”, seguida de “Last Time” e a única de Kairos no set, justamente a faixa-título.

Demonstrando serenidade, apesar das limitações, o vocalista tornou a se comunicar: “E aí? Tudo bem? Tudo tranqüilo? Caralho, tem bastante música para vocês: músicas novas, músicas clássicas do Sepultura! Are you ready? This one is called ‘Sworn Oath’”.Representando Against (98), fizeram “Choke” (a completar vinte e quatro anos em outubro!) e a viagem temporal se alongou, em contextualização do guitarrista:

“E aí? Mano, estamos passando pela história, nós tocamos bastante Quadra, MachineMessiah e nós vamos tocar uma ‘véia’ agora, um lado C aí,sei lá… Faz tempo que a gente não toca essa, meu. Nós gravamos essa música no Sepulquarta com a participação do grande Pompeu, do Korzus, e do Frédéric Leclercq, baixista do Kreator hoje. Você sabe qual que é? Do youknow, man? Do youknowwhat it is?”, direcionando-se a Derrick, a rebater: “SlavesOfPain”, a mais antiga do repertório e, a rigor, a segunda do lado B de Beneath The Remains (89).

Igual ao play, o começo de “GuardiansOf Earth” foi impecavelmente executado ao violão e, estrategicamente disposta como a décima primeira de um total de vinte, a instrumental subseqüente ofereceria um respiro ao gogó de Derrick, assim descrita por Andreas: “E aí, mano? E aí, manas? Vamos tocar uma música, fazer uma jam aí do último álbum, do Quadra, que se chama ‘The Pentagram’. Essa música é difícil pra caralho, a gente sofre, mas a gente curte pra caralho tocar essa. Então vamaê!” – autêntica aula de performance do trio, especialmentede Eloy… Ave Maria!

Batendo uma hora de massacre, veio “MachineMessiah” e, também do full length, “Phantom Self”, até o vocalista indicar: “Yeah! Nós vamos tocar uma música do disco Dante XXI, uma música mais sinistra” – “Convicted In Life”, reacelerando o andamento da festa. E as estórias de Andreas se sucediam: “Bora! Muita gente nem tinha nascido quando a gente lançou o disco Arise. Na verdade, o Eloy tinha um ano de idade, meses… alguns meses. Portanto, vamos tocar um lado B aqui do Arise. Vamos ver se vocês sabem essa aí, hein, mano. Aliás, tem pouca música: o disco só tem nove”, mandando“InfectedVoice”, encerramento do lado B.

Última de Quadra na noite, a cadenciada“AgonyOfDefeat” se moldou precisamenteaos movimentos reduzidos do norte-americano em magnífica interpretação! E aí se deu algo curioso: você já viu a atualformação do Sepultura se posicionar politicamente? Enquanto a platéiaurrava o nome do grupo, do modo tradicional pausando as quatro sílabas, Andreas puxou um riff, Paulo e Eloy o acompanharam e a base combinou perfeitamente aos gritos da galera: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu! Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu!”. E se devemos resistir, Derricksinalizou: “‘Refuse/Resist’, motherfucker! Fuck it all!”, bela sincronia entre palco e pista precedendo o arregaço“Arise”!

Encore à vista e, ao regressarem, uma bandeira traziao escudo do Clube Atlético Mineiro e um “S” do Sepultura de cada lado, alémda imediata zoeira endereçada do titular das seis cordas ao das quatro: “Coitado… Nunca ganhou nada a vida inteira, agora está feliz!”, aludindo ao caneco da Supercopa do Brasil frente ao Flamengo nos pênaltis (8×7,2×2 no tempo normal) na Arena Pantanal. Voltando à seriedade, retomou: “São Paulo, muito, muito obrigado, do fundo dos nossos corações. Mais uma noite inesquecível na história do Sepultura. Muito obrigado, vocês são foda! Hoje a gente faz aniversárioaí do Roots, né? Vinte e seis anos do disco Roots! Já ouviram esse disco aí? Esse disco é muito especial em nossa carreira, sem dúvida, hoje é aniversário dele e nós vamos encerrar hojeo show com duas músicas do Roots. Mano, como todo mundo filma, botem na internet para o mundo ver. Este é o último show antes de a gente sair do Brasil para os Estados Unidos, Canadá e México. Vamos mostrar para essa porra que São Paulo é foda, caralho! É agora, porra! Vamaê!”,em versão enxuta de “Ratamahatta” e a arrasa-quarteirão“Roots Bloody Roots” passar o carro, costumeiramenteenunciada por Derrick: “Sepultura do Brasil! Um, dois, três, quatro!”.

“YouMakeMyDreams” (Hall &Oates) ecoava na casa,a massa deixava o recintode alma lavada cravando uma hora e cinqüenta minutos de pancadariae, exatamente às 21:50,brotava na cabeça deste que vos escreve a certeza de ensaios muitíssimo bem desenvolvidos, pois, indagado por Luiz Pimentel, anfitrião da citada audição no Studio Family Mob, se o conjuntoteria condições de tocar Quadra na íntegra, Andreas afirmara: “Neste momento é impossível! A gente tem que aprender o disco inteiro de novo. Mas é, na verdade, o momento pelo qual a gente vai passar agora, né? Voltar de tudo que fizemos nas férias e montar o show”. E se detonaram sete das doze foi porque, de fato, reaprenderam tudo detalhadamente!Ah, está lembrado das questões do parágrafo dois?Eis o “gabarito”: sim, sim e aguardemosum futuro convite à cantora do FarFrom Alaska…

 

Setlist

Intro: Polícia (Titãs) – 2’03”

01)Isolation – 4’55”

02) Territory – 5’10”

03) Capital Enslavement – 3’35”

04) Means To An End – 4’33”

05) Last Time – 4’24”

06) Kairos – 3’37”

07) Sworn Oath – 6’04”

08) Choke – 3’51”

09) Slaves OfPain – 4’06”

10) GuardiansOf Earth – 5’26”

11) The Pentagram – 5’18”

12) Machine Messiah – 5’54”

13) Phantom Self – 5’24”

14) Convicted In Life – 3’08”

15) Infected Voice – 3’33”

16) Agony Of Defeat – 5’37”

17) Refuse/Resist – 3’20”

18) Arise – 4’07”

Encore

19) Ratamahatta – 2’26”

20) Roots Bloody Roots – 4’17”

Outro: You Make My Dreams (Hall & Oates) – 2’59”

 

 
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