Texto: Vagner Mastropaulo
Fotos: @rodrigosimasphoto
Sepultura estréia no Lolla, se despede de São Paulo mais uma vez e tomara que não seja a última!
Para quem acompanhou qualquer uma das três datas do Sepultura no Espaço Unimed em setembro [https://onstage.mus.br/website/sepultura-espaco-unimed-06-07-e-08-09-24], o que foi visto no Autódromo foi sua “versão pocket”. Afinal de contas, incluindo intro e outro, chegaram a uma hora e oito minutos no Lollapalooza, enquanto se alongaram por mais de duas horas na Barra Funda. No total de músicas, vinte e cinco outrora e doze agora…
Isto significa que a primeira vez no festival foi ruim? De forma alguma, só não era bem seu habitat natural, pois, como em todos os eventos do Lolla, uma separação centralizada dividia a “pista” ao meio e, cá entre nós, as rodas nem de longe chegaram perto do que foi visto há sete meses em São Paulo. E é simples de entender: quem da velha guarda e em sã consciência pagaria o preço do ingresso, fosse meia-entrada, social ou inteira, para exclusivamente vê-los “pela metade” em Interlagos? Melhor aguardar por um “re-adeus” na cidade e revê-los “na íntegra”.
Sendo assim, o público era majoritariamente formado por quem havia ido conferir o Tool (quem sabe o Bush) ou estava meio de bobeira por lá e se aproveitou da oportunidade, com sensível queda na média de idade e notável presença feminina verificadas. E tudo bem quanto a tudo isto, o ponto é apenas explicar que, no final das contas, espera-se uma nova real despedida do quarteto por São Paulo e seria uma pena se ela não ocorresse…
A senha para o início da festa foi Polícia, dos Titãs, a já famosa intro utilizada pelos caras e, disparadas as vinhetas iniciais, as batidas do fenomenal GreysonNekrutman indicaram o que viria: Refuse/Resist, praticamente emendada à inseparável Territory. Como novidade, causou espanto positivo a adição de Desperate Crytocada pela primeira vez desde 2019, caso os dados do site Setlist.fm estejam corretos.
Sem intervalo, pois não havia tempo a se desperdiçar, Kairos foi a única do álbum homônimo de 2011, seguida de Attitude e finalmente da primeira fala mais elaborada do frontman: “E aí, Lollapalooza Brasil? Finalmente tocando aqui! Primeira vez tocando no Lollapalooza. Muito obrigado, viu?” – há quem jure ter ouvido “Lallapalooza” na segunda menção! Ele retomou: “Nós vamos tocar uma música do disco Quadra. A próxima música para vocês é MeansToAnEnd”, rapidamente ultrapassando metade do set…
Parasua sucessora, Andreas deu a letra: “E aí, Lollapalooza? Cara, que prazer estar aqui neste festival foda e icônico celebrando quarenta anos de Sepultura. Mais uma vez, muito obrigado por estarem aqui com a gente neste show tão especial, histórico e inesquecível! Vocês são foda! Muito obrigado! Estamos passando pela história do Sepultura e esta música aqui é de 1993, do álbum ChaosA.D., de quando a gente começou a trazer mais influências da música brasileira na percussão. É uma música para a qual convidamos amigos da banda, família, crew e fãs também, para subirem com a gente e tocar esta música que se chama Kaiowas”.
Entre os facilmente reconhecidos no palco para a jam, vimos; Dante, técnico de guitarra, tocando um belo violão preto e vazado de Andreas; sua filha, Giulia Kisser; Júnior, estranhamente sem Sandy; e o aniversariante da véspera e dono da porra toda, PerryFarrell – a piada entre fãs ao lado deste escriba era: “Desta vez ele não surtou partindo para cima de ninguém”, em clara alusão à, até aqui, últimaapresentação do Jane’sAddiction, em que o vocalista se perdeu e socou seu então parceiro no grupo, o guitarrista Dave Navarro.
Voltando ainda mais no tempo, Andreas anunciou: “Cara, esta daqui é uma da oldschool Sepultura, do século passado, de 1987. Me falaram que iam fazer a maior roda da história deste festival… O momento é agora, hein? Old school thrash metal, do Schizophrenia: Escape ToThe Void”.E se você quer ver um exemplo de humildade, respeito e admiração, confira Danny Carey embasbaco prestigiando a performance de GreysonNekrutman detonando no clássico neste link [https://www.instagram.com/reel/DH6l_NUSkcw].
Outra grata surpresa não foi uma inclusão ou troca e sim a manutenção da belíssima AgonyOfDefeat num repertório curto, com tantas outras possíveis candidatas a substituí-la – e ainda bem que não o fizeram. A próxima foi o sempre ótimo petardo em forma de Arise, seguido decurto solo do baterista, na prática preparando terreno para Ratamahatta e a saideira Roots Bloody Roots.
Um sutil e certeiro “Vocês são do caralho! Muito obrigado!”do vocalista precedeu a já tradicional outro, Easy Lover, oficialmente de Philip Bailey, do Earth, Wind & Fire, porém com a participação mais do que especial de Phil Collins na faixa de Chinese Wall (84), encerrando a noite e marcando o reparo de uma injustiça histórica com a passagem do Sepultura pelo festival pela primeira vez.Na prática, foram: três de Chaos A.D. (93) e Roots (96); duas de Arise (91) e Quadra (20); e uma de Kairos (11) e Schizophrenia (87).
E agora, quando voltam?
Setlist
Oficial: 21:30–22:30 / Real: 21:28–22:36 / 1h08’
Derrick Green (vocal), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Xisto Jr. (baixo) e GreysonNekrutman (bateria)
Intro: Polícia [Titãs]
01) Refuse/Resist
02) Territory
03) Desperate Cry
04) Kairos
05) Attitude
06) Means To An End
07) Kaiowas [Com Dante, Júnior, Perry Farrel& Giulia Kisser]
08) Escape To The Void
09) Agony Of Defeat
10) Arise
11) Solo De Greyson Nekrutman
12) Ratamahatta
13) Roots Bloody Roots
Outro: Easy Lover [Philip Bailey Feat. Phil Collins]






