Slaughter to Prevail no Vip Station: brutalidade, carisma e moshpits insanos
Texto e Fotos: Flavio Santiago
Na noite do dia 29/03/25 , o Vip Station em São Paulo virou um campo de guerra sonora. O motivo? A aguardada estreia da banda russa Slaughter to Prevail no Brasil. Conhecidos por seu som extremo, presença de palco monstruosa e a figura quase mitológica de Alex Terrible nos vocais, os russos não decepcionaram – entregaram um dos shows mais intensos que já presenciei. E antes mesmo da destruição principal, a banda brasileira AXTY aqueceu os motores com uma apresentação furiosa e técnica, mostrando que o metalcore nacional também sabe bater pesado.
AXTY: técnica, peso e orgulho nacional
Confesso que eu não conhecia a fundo o som do AXTY, mas saí do show com a certeza de que eles merecem muito mais atenção. Com uma sonoridade moderna, que mistura influências de djent, deathcore e metalcore melódico, os caras mandaram ver numa performance segura e empolgante. O público, já numeroso, respondeu com rodas e gritos, e foi bonito ver como a banda foi abraçada. Destaque para os breakdowns certeiros e a performance enérgica do vocalista, que soube agitar e preparar o terreno para o massacre que viria a seguir.
Slaughter to Prevail: um demônio russo tomou São Paulo
Quando as luzes se apagaram e os primeiros guturais de “Bonebreaker” ecoaram, o Vip Station simplesmente explodiu. Alex Terrible surgiu com sua máscara dourada e uma presença que beira o inumano – é como se estivéssemos diante de uma entidade. O público, completamente entregue, respondeu com um dos moshpits mais insanos que já vi em solo brasileiro.
Na sequência, vieram “Baba Yaga” e “Conflict”, duas pauladas que mantiveram a galera em constante movimento. A banda tem um domínio absoluto do palco – os riffs cortantes, as batidas violentas de percussão e a versatilidade vocal de Alex criam uma parede sonora opressiva. A brutalidade é tamanha que até quem estava na lateral sentia a vibração no peito.
“Koschei” e “Viking” mostraram um lado mais sombrio e atmosférico da banda, com momentos cadenciados que apenas preparavam o terreno para as explosões rítmicas seguintes. E quando “Bratva” começou, foi impossível não se emocionar com o coro da galera gritando “SLAVA!”. Era como se, por um momento, não existissem fronteiras geográficas ou políticas – só a união pelo peso.
O clima seguiu intenso com “Grizzly”, “Hell”, e a distópica “1984”, com a plateia completamente em sintonia com a proposta da banda. Cada breakdown parecia arrancar o chão do lugar, e os circle pits se formavam espontaneamente. Um dos momentos mais impactantes foi durante “I Killed a Man”, com sua letra provocativa e estrutura imprevisível. A banda não dá respiro – é uma experiência imersiva e física.
Na reta final, “Behelit” e “Kid of Darkness” mantiveram a energia lá em cima, com a galera já suada, exausta e feliz. Mas é claro que todos sabiam o que estava por vir: o gran finale que todos esperavam.
Demolisher: o apocalipse em forma de música
Quando os primeiros acordes de “Demolisher” surgiram no encore, foi como se o inferno tivesse se aberto. O breakdown icônico dessa música virou um chamado de guerra – e a pista virou um redemoinho de corpos em êxtase. Foi um encerramento digno de uma noite épica, que com certeza ficará na memória de todos os presentes.
Considerações finais
Slaughter to Prevail não veio ao Brasil para brincadeira. O show foi uma aula de presença, peso e conexão com o público. Alex Terrible é um frontman completo – assustador e carismático na medida certa – e a banda entrega um espetáculo coeso e devastador. Se alguém ainda tinha dúvidas sobre a relevância dos russos no cenário do deathcore mundial, esse show enterrou todas elas… com uma pá de titânio.
Saí do Vip Station com os ouvidos zunindo, o corpo cansado e o coração cheio. Que noite.
SETLIST
Bonebreaker
Baba Yaga
Conflict
Koschei
Viking
Bratva
Grizzly
Hell
1984
I Killed a Man
Behelit
id of Darkness
Encore:
Demolisher











