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Superchunk ::: 31/05/26 ::: Cine Joia / SP
Postado em 02 de junho de 2026 @ 02:31

Superchunk encerra jejum de 15 anos com apresentação explosiva e emocionante em São Paulo

Texto e Fotos: Flavio Santiago

Formado em 1989 na cidade de Chapel Hill, na Carolina do Norte, o Superchunk é uma das bandas mais importantes da história do indie rock americano. Surgido em uma época em que o rock alternativo ainda se desenvolvia longe dos holofotes das grandes gravadoras, o grupo ajudou a definir a sonoridade de toda uma geração através de guitarras explosivas, melodias cativantes e letras que equilibravam intensidade emocional e espírito punk. Liderado pelo vocalista e guitarrista Mac McCaughan e pela baixista Laura Ballance, o Superchunk também se tornou referência por sua postura independente, especialmente através da gravadora Merge Records, responsável por lançar trabalhos de artistas fundamentais da música alternativa.

Apesar da enorme influência exercida sobre inúmeras bandas das décadas seguintes, o Superchunk passou um longo período distante dos palcos brasileiros. Foram quinze anos de espera desde sua última passagem por São Paulo, tempo suficiente para transformar o retorno em um dos eventos mais aguardados pelos fãs de indie rock. Para muitos presentes, era a primeira oportunidade de ver a banda ao vivo. Para outros, tratava-se de um reencontro carregado de significado, capaz de despertar lembranças de diferentes fases da vida embaladas pelas canções do grupo.

Quinze anos podem parecer uma eternidade para uma banda que construiu sua história na estrada, mas bastaram os primeiros acordes de “This Summer” para que o tempo desaparecesse completamente. O retorno do Superchunk a São Paulo foi daqueles eventos que unem gerações em torno de uma paixão em comum. De um lado, fãs que acompanham o grupo desde os anos 1990 e que aguardavam ansiosamente por esse reencontro. Do outro, uma nova geração que descobriu a banda através de sua influência permanente sobre o indie rock contemporâneo. No final das contas, todos estavam ali pelo mesmo motivo: celebrar uma das formações mais importantes da música alternativa norte-americana.

O Superchunk desembarcou em São Paulo apresentando uma formação renovada. A baterista Laura King e a baixista Betsy Wright assumem posições fundamentais na banda. A mudança acontece porque Laura Ballance, cofundadora do grupo, não participa mais das turnês, enquanto Jon Wurster segue dedicado aos compromissos com Bob Mould. Ainda assim, a essência do Superchunk permanece intacta, sustentada principalmente pela energia contagiante de Mac McCaughan, líder, vocalista e principal porta-voz de uma trajetória que atravessa mais de três décadas.

O show foi uma verdadeira celebração da nostalgia, mas sem se tornar um exercício de saudosismo. O Superchunk mostrou que continua olhando para frente e que sua relevância não está apenas no passado. Boa parte dessa vitalidade vem de “Songs in the Key of Yikes”, trabalho recente que reforça a capacidade da banda de produzir músicas urgentes, inspiradas e completamente conectadas ao presente. Essa combinação entre passado e presente foi justamente o grande trunfo da apresentação.

Logo no início, “This Summer” e “Endless Summer” estabeleceram o clima de festa que tomaria conta da noite. O público respondeu de imediato, cantando junto e transformando a casa em uma reunião de velhos amigos. Canções mais recentes, como “Care Less”, “Stuck in a Dream”, foram recebidas com entusiasmo semelhante ao dos clássicos, demonstrando como o repertório recente da banda já encontrou seu espaço entre os fãs.

Mac parecia genuinamente emocionado por estar novamente diante do público brasileiro. Entre uma música e outra, sua felicidade era evidente. O vocalista interagia constantemente com a plateia, sorria ao ouvir os gritos vindos do público e demonstrava gratidão pelo carinho recebido após uma ausência tão longa. Essa conexão transformou o show em algo maior do que uma simples apresentação: foi um reencontro aguardado por anos.

A parte central do setlist trouxe uma sequência impecável. “Detroit Has a Skyline”, “Like a Fool”  com direito a coro em uníssono pelo publico no inicio da musica , “Hello Hawk”, “Everybody Dies”, “Driveway to Driveway” e “The First Part” essa causando comoção entre os presentes já que na época do lançamento era tida como um hino indie, as musicas  mostraram diferentes facetas da discografia da banda, alternando momentos mais melódicos com explosões de energia típicas do Superchunk.

A cozinha formada por Laura King e Betsy Wright funcionou perfeitamente, oferecendo peso, precisão e dinâmica para que as guitarras brilhassem sem perder a característica urgência que sempre definiu o som do grupo.

Quando chegaram “Seed Toss”, “Crossed Wires” e “What a Time to Be Alive”, o clima já era de celebração completa. O público cantava cada refrão enquanto a banda mantinha uma intensidade impressionante do começo ao fim. A catarse veio naturalmente com “Slack Motherfucker”, um dos maiores hinos da carreira do Superchunk. A reação da plateia foi imediata, transformando a música em um dos momentos mais memoráveis da noite.

O bis elevou ainda mais a temperatura. “Mower” abriu a sequência final antes de “Cast Iron”, “Learned to Surf” e “Precision Auto” conduzirem o público para uma despedida emocionante. Mas ainda havia espaço para mais um clássico. “Hyper Enough” encerrou a apresentação de forma perfeita, reunindo tudo aquilo que tornou o Superchunk uma referência para tantas bandas ao longo das últimas décadas: melodias marcantes, guitarras explosivas, refrões inesquecíveis e uma honestidade artística rara.

Ao final da noite, ficou claro que o longo intervalo de quinze anos não diminuiu em nada a relação entre o Superchunk e seus fãs brasileiros. Pelo contrário. O reencontro serviu para reafirmar a importância de uma banda que continua relevante, criativa e apaixonada pelo que faz. Entre clássicos consagrados e músicas mais recentes, o grupo entregou uma apresentação irretocável, provando que a nostalgia pode caminhar lado a lado com a renovação. E, para quem esteve presente, a sensação era de que o Superchunk jamais deveria demorar tanto tempo para voltar.

E se o retorno do Superchunk representou a celebração de uma história construída ao longo de décadas, a abertura da Queda Livre serviu como um lembrete de que o futuro da música independente continua sendo escrito todos os dias, mantendo viva a mesma paixão que levou tantos fãs a aguardarem quinze anos por esse reencontro.

SETLIST

This Summer
Endless Summer
Care Less
Stuck in a Dream
Why Do You Have to Put a Date on Everything
Skip Steps 1 & 3
Detroit Has a Skyline
Like a Fool
Hello Hawk
Everybody Dies
Driveway to Driveway
The First Part
Seed Toss
Crossed Wires
What a Time to Be Alive
Slack Motherfucker
Encore:
Mower
Cast Iron
Learned to Surf
Precision Auto
Hyper Enough

 

 
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