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Testament ::: 24/08/2025 ::: Carioca Club
Postado em 26 de agosto de 2025 @ 20:39

Testament encerra turnê brasileira em noite histórica no Carioca Club

Texto e Fotos: Flavio Santiago

O domingo, 24 de agosto de 2025, marcou um encontro épico no Carioca Club, em São Paulo. O palco, já consagrado como um dos templos do metal na capital, recebeu o Testament para o encerramento de sua turnê latino-americana. A noite também contou com a abertura dos veteranos do Genocídio, que provaram por que são considerados uma das formações mais longevas e respeitadas do metal nacional.

Abrindo a noite, o Genocídio mostrou que experiência e relevância caminham juntas. Com quase quatro décadas de estrada, a banda subiu ao palco confiante, apresentando um setlist equilibrado entre novidades de “Fort Conviction” (2024) e faixas que marcaram época.

A energia foi imediata: a agressividade de “Fort Conviction” e “Aside” deixou claro que a banda não se apoia apenas na nostalgia, mas continua compondo músicas afiadas e atuais. Já em “Kill Brazil” e “Uproar”, o peso das guitarras e a interpretação visceral de Murillo Leite (voz) incendiaram a plateia, arrancando gritos e aplausos entusiasmados dos headbangers da linha de frente.

O momento mais inesperado veio com a versão densa e sombria de “Never Tear Us Apart” (INXS). Transformada em um híbrido de balada soturna e peso extremo, a canção causou surpresa: parte do público aplaudiu a ousadia, outros preferiram apenas observar. Mas o saldo foi positivo — a releitura mostrou coragem e reforçou a identidade própria do Genocídio.

Foi uma abertura digna, que preparou o terreno com intensidade para o terremoto que viria com o Testament.

Quando o Testament tomou o palco, a resposta foi avassaladora. O Carioca Club lotado vibrou em uníssono com o início de “Practice What You Preach”, e dali em diante a banda entregou uma apresentação enérgica, técnica e visceral, com quase duas horas de puro thrash metal.

No comando da noite, Chuck Billy mostrou porque continua sendo um dos grandes frontmen do metal. Alternando guturais poderosos com vocais mais limpos, ele manteve o público nas mãos durante todo o show. Em diversos momentos, incitou o coro da galera, fez brincadeiras sobre sotaques regionais e comparou a energia paulistana com a carioca, gerando ainda mais gritos de guerra. Sua presença era de um verdadeiro mestre de cerimônias.

Nas guitarras, Alex Skolnick foi um espetáculo à parte. Seus solos melódicos e improvisos criativos elevavam cada faixa, transformando músicas clássicas em experiências únicas. Eric Peterson, por sua vez, ancorava o peso rítmico com riffs cortantes, mostrando porque é considerado o motor do som do Testament desde o início da banda. A química entre os dois era palpável — técnica, feeling e entrega em sintonia perfeita.

No baixo, Steve DiGiorgio mais uma vez demonstrou ser um dos maiores virtuosos do instrumento no metal. Suas linhas não apenas sustentavam, mas também criavam nuances sonoras que tornavam o som mais denso e cheio de texturas. Ao seu lado, Chris Dovas, o baterista mais jovem da formação, surpreendeu com precisão e energia. Seu solo breve arrancou aplausos calorosos, confirmando que a nova geração também tem espaço em meio a lendas.

O repertório foi um passeio intenso pela carreira da banda. Houve espaço para clássicos como “Over the Wall”, “The New Order” e “Souls of Black”, assim como faixas de álbuns recentes — caso de “Brotherhood of the Snake” e “Children of the Next Level”.

Momentos mais emocionais vieram com “Trail of Tears”, que trouxe uma pausa quase contemplativa no meio da avalanche de peso, além da sempre incendiária “Into the Pit”, que encerrou a noite em clima apoteótico, com rodas gigantescas se formando na pista

Um dos pontos altos da noite foi a homenagem feita ao guitarrista Brent Hinds (Mastodon), que faleceu em agosto. Antes de iniciar uma das músicas mais aguardadas do set, Chuck Billy prestou tributo ao músico norte-americano, citando sua contribuição inestimável para o metal contemporâneo. O público respondeu com aplausos longos e gritos de reverência, criando um instante de comunhão que uniu veteranos e novatos em respeito a um artista fundamental da cena.

O show do Testament em São Paulo não foi apenas o fim de uma turnê; foi uma celebração do thrash metal em sua forma mais pura. A abertura com o Genocídio mostrou a força do underground nacional, enquanto a performance do Testament reforçou que, após quase quatro décadas, a banda ainda tem vigor, relevância e gana para seguir adiante.

No fim, a sensação que pairava no Carioca Club era clara: o Testament não apenas revisitou sua história, mas reafirmou seu lugar como uma das maiores forças vivas do thrash metal mundial.

SETLIST GENOCIDIO:

  • Fort Conviction

  • Aside

  • Synthetical Screams

  • Pilgrim

  • The Sole Kingdom Of My Own

  • Kill Brazil

  • Rebellion

  • Never Tear Us Apart (INXS cover)

  • Up Roar

  • The Clan

 

SETLIST TESTAMENT:

  • (Tape intro) Fight for Your Right (To Party) (Beastie Boys cover)

  • Practice What You Preach

  • Sins of Omission

  • Perilous Nation

  • The Ballad

  • The Pale King

  • The Haunting

  • Rise Up

  • D.N.R. (Do Not Resuscitate)

  • Low

  • Native Blood

  • Trail of Tears (dedicated to Brent Hinds)

  • Electric Crown

  • Souls of Black (intro jam: “Symbolic” by Death)

  • Return to Serenity

  • Drum Solo

  • First Strike Is Deadly

  • Dog Faced Gods (tour debut — first time played in this tour)

  • Over the Wall

  • More Than Meets the Eye

  • Into the Pit (with guest vocals by Fernanda Lira from Crypta)

  • (Tape outro) Foreplay/Long Time (Boston cover)

 

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