Texto e Fotos: Flavio Santiago
The Adicts se despedem de São Paulo com noite histórica no Carioca Club
Formado no final da década de 1970 na cidade de Ipswich, na Inglaterra, o The Adicts construiu uma trajetória singular dentro do punk rock. Enquanto muitos de seus contemporâneos apostavam em uma estética mais crua e agressiva, a banda liderada por Keith ‘Monkey’ Warren incorporou teatralidade, melodias marcantes e uma identidade visual fortemente inspirada no universo de Laranja Mecânica. Ao longo de décadas, discos como Songs of Praise e Sound of Music ajudaram a consolidar o grupo como um dos nomes mais carismáticos e acessíveis do punk britânico, atravessando gerações sem perder sua essência festiva e provocadora.
Foi com esse histórico que a banda desembarcou em São Paulo para o que foi anunciado como parte de sua turnê de despedida, transformando a apresentação do dia 18 de março de 2026, no Carioca Club, em um evento carregado de significado. Mais do que um simples show, a noite reuniu diferentes fases do punk, conectando o passado e o presente em um mesmo palco.
A abertura ficou por conta do Lixomania, um dos nomes mais tradicionais do punk nacional. Com décadas de estrada e uma sonoridade direta e combativa, a banda trouxe à tona a urgência e a crueza que marcaram o movimento no Brasil desde os anos 1980. O público, ainda em formação, respondeu com rodas e energia crescente, criando o ambiente ideal para o que viria a seguir.
Na sequência, foi a vez de Supla assumir o palco. Com sua já conhecida mistura de irreverência, carisma e interação constante, Supla entregou um show vibrante, transitando entre o punk e o rock com naturalidade e preparando o terreno para a atração principal da noite, destaque para a participação de Clemente (Inocentes) nas musicas Humanos e Garota de Berlin
Quando o The Adicts finalmente entrou em cena, o Carioca Club já estava tomado. A introdução com Let’s Go funcionou como um chamado imediato, colocando a casa inteira em movimento. Em seguida, Joker in the Pack e Troubadour deram sequência ao início do show com energia elevada, estabelecendo rapidamente a conexão entre banda e público.
O primeiro grande momento coletivo veio com Viva la Revolution, cantada em uníssono e transformando o ambiente em um verdadeiro coro punk. Bad Boy manteve o ritmo acelerado, enquanto Easy Way Out trouxe aquele clima clássico de refrão grudento que o público acompanha sem esforço. Na sequência, Chinese Takeaway reforçou o lado mais divertido da banda, com Monkey conduzindo a interação de forma quase teatral.
O show seguiu com Johnny Was a Soldier e Numbers, ampliando a diversidade do repertório e mostrando a consistência da carreira da banda. Songs of Praise surgiu como um dos pontos altos da noite, carregando o peso histórico do grupo, enquanto Falling in Love Again trouxe um respiro melódico antes da retomada mais intensa com Steamroller.
Já na reta final, I Am Yours e Sound of Music ajudaram a construir o clima de encerramento, equilibrando emoção e celebração. A saída momentânea do palco preparou o terreno para o retorno em grande estilo, com England e Smart Alex mantendo a energia elevada e reafirmando a força dos clássicos.
O encerramento veio com um momento simbólico, quando a banda conduziu o público em You’ll Never Walk Alone, transformando o Carioca Club em um grande coro coletivo e selando a despedida com um sentimento de união e celebração.
Ao longo da apresentação, ficou evidente que o The Adicts não perdeu sua essência. Mesmo após décadas de estrada, a banda mantém a capacidade de transformar o punk em espetáculo, sem abrir mão da espontaneidade. Confetes, serpentinas e a presença magnética de Monkey deram o tom de uma noite que foi ao mesmo tempo festiva e histórica.
A despedida do The Adicts em São Paulo não teve caráter melancólico. Pelo contrário, foi uma celebração vibrante de uma carreira construída com identidade própria, carisma e conexão genuína com o público. Um adeus em forma de festa, como só eles sabem fazer.
SETLIST:
William Tell Overture (Gioachino Rossini song)
Let’s Go
Joker in the Pack
Horrorshow
Tango
Don’t Exploit Me
Johnny Was a Soldier
How Sad
4321
Numbers
Troubadour
I Am Yours
Angel
Telepathic People
Daydreamers Night
Fucked Up World
You’re All Fools
Rockin’ Wrecker
The Odd Couple
My Baby Got Run Over by a Steamroller
Just Like Me
Who Spilt My Beer?
Fuck It Up
Crazy
Chinese Takeaway
Bad Boy
Viva la revolution
You’ll Never Walk Alone (Rodgers & Hammerstein cover)
Symphony no. 9 in D minor, op. 125 – IV. Finale (“Ode to Joy”)
(Ludwig van Beethoven song)








