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The Whitest Boy Alive :::30/10/25 ::: Audio
Postado em 31 de outubro de 2025 @ 19:11

Texto e Fotos: Flavio Santiago

The Whitest Boy Alive na Audio: uma noite de groove e nostalgia escandinava

O The Whitest Boy Alive retornou ao Brasil para uma noite memorável em São Paulo, e o reencontro foi exatamente o que os fãs esperavam: uma celebração do groove, da leveza e da elegância escandinava que marcaram o som indie pop dos anos 2000. O show aconteceu no dia 30 de outubro, na Audio, e foi produzido pelos selos Balaclava Records e Heavy Love, duas forças da cena alternativa nacional. A apresentação foi única, mas suficiente para reafirmar o poder de uma banda que, mesmo com apenas dois álbuns, deixou uma marca profunda em toda uma geração de ouvintes.

O grupo nasceu em 2003, em Berlim, como um projeto experimental de Erlend Øye, conhecido também por seu trabalho no duo Kings of Convenience. A ideia inicial era criar algo minimalista, um contraponto eletrônico que, ironicamente, acabou se tornando completamente orgânico. Com a entrada de Marcin Öz no baixo, Daniel Nentwig nos teclados e Sebastian Maschat na bateria, a proposta ganhou vida e personalidade. O resultado foi um som limpo, sem artifícios, gravado e tocado inteiramente de forma analógica, sem samples, computadores ou efeitos artificiais. Esse compromisso com a simplicidade e a honestidade sonora acabou se tornando a essência do The Whitest Boy Alive.

Com apenas dois discos lançados — Dreams (2006) e Rules (2009) — a banda conquistou o público com uma combinação envolvente de groove, pop e uma aura quase ensolarada. Canções como “Golden Cage”, “Burning” e “1517” se tornaram hinos discretos do indie internacional, presentes nas playlists e nas pistas de dança mais alternativas da época. Mesmo após o hiato iniciado em 2010, o grupo nunca saiu de fato da memória afetiva dos fãs. O breve retorno em 2020, com o single “Serious”, reacendeu a chama. Agora, em 2025, a passagem pela capital paulista marcou a terceira visita do quarteto ao país, depois das apresentações em 2009 e 2011 — e o sentimento geral era de reencontro e nostalgia.

Na noite da Audio, o show começou com um leve atraso de 15 minutos com “Keep a Secret”, e bastaram poucos acordes para o público se entregar por completo. A leveza característica da banda, que parece flutuar entre o indie, o pop e o soul, preencheu o espaço de maneira hipnótica. Erlend Øye, com seu carisma tímido e dançante, conduzia o espetáculo como quem compartilha um segredo antigo com velhos amigos. O público, fiel e emocionado, respondeu com aplausos e coros desde os primeiros minutos.

Logo em seguida vieram “High on the Heels” e “Inflation”, mantendo o clima de pista suave que a banda domina tão bem. O The Whitest Boy Alive tem uma habilidade rara de transformar suas músicas — originalmente calmas e contidas — em jams ao vivo cheias de energia, com longas passagens instrumentais e pequenas improvisações que demonstram a sintonia entre os quatro músicos. Cada faixa parecia respirar de maneira própria, como se o tempo tivesse desacelerado dentro da Audio.

A sequência “Timebomb”, “Golden Cage” e “Intentions” foi um dos grandes momentos da noite. “Golden Cage”, talvez a canção mais conhecida da banda, ganhou uma versão estendida, com trechos instrumentais e uma pitada do clássico “Fireworks”, que surpreendeu e arrancou gritos da plateia. Erlend parecia se divertir genuinamente, trocando olhares cúmplices com os companheiros de banda e deixando a música fluir sem pressa. Já em “Serious”, o público acompanhou em coro, celebrando o retorno da banda e a nova fase que, ainda que discreta, mostra que o Whitest Boy Alive continua relevante.

Com “Above You” e “Burning”, a banda atingiu seu auge de groove, com a plateia completamente entregue. O som minimalista dos teclados e o baixo de Marcin Öz criavam uma base irresistível, enquanto Erlend se movia de forma desajeitada, mas encantadora, pela frente do palco. Em “1517”, veio a catarse coletiva: o público pulando, cantando e sorrindo, em um dos momentos mais intensos da noite. Era visível a emoção de quem esperou mais de uma década para reviver essas músicas ao vivo.

Já nos minutos finais, “Courage” e “Island” encerraram o set principal de forma elegante e suave, quase como um aceno de despedida. Mas o público, claro, não deixaria o quarteto ir embora tão cedo. Chamados de volta para o bis, Erlend e companhia surgiram com uma surpresa inesperada: uma versão divertida de “Show Me Love”, sucesso de Robin S. nos anos 90, que transformou a Audio em uma verdadeira pista de dança. O vocalista, visivelmente empolgado, convidou todos a dançar e, no encerramento com uma versão remix de “Golden Cage”, desceu do palco para dançar junto com o público, cercado de abraços, sorrisos e celulares erguidos.

Foi um final simbólico para uma noite que misturou nostalgia, afeto e energia contagiante. O The Whitest Boy Alive provou que, mesmo após tanto tempo, continua sendo uma das bandas mais sinceras e encantadoras do indie mundial. Sem precisar de grandes efeitos, projeções ou pirotecnia, o quarteto mostrou que basta um bom groove, honestidade musical e carisma verdadeiro para criar um momento inesquecível.

Naquela noite em São Paulo, Erlend Øye e seus companheiros não apenas tocaram suas músicas — eles reacenderam memórias, dançaram entre os fãs e lembraram a todos o porquê de o The Whitest Boy Alive ser, até hoje, sinônimo de leveza, autenticidade e beleza minimalista. Foi mais do que um show: foi uma celebração daquilo que torna a música viva — o encontro entre quem toca e quem escuta.

SETLIST

Keep a Secret
High on the Heels
Inflation
Timebomb
Golden Cage (Extended outro (snippet of Fireworks))
Intentions
Serious
Above You
Burning
1517
Courage
Island

Encore:
Show Me Love (Robin S cover)
Golden Cage (Remix version. Erlend went into the crowd to dance.)

 
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